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“Quero levar artistas do online pro offline”, diz Henrique Portugal sobre programa de rádio

Músico apresenta Em Cartaz na nova fase da emissora e toca nomes da cena independente do Brasil

por Marcos Lauro em 20/06/2017

A Rádio Globo relançou a sua programação. Agora, voltada para um público mais jovem, traz figuras como Otaviano Costa, Adriane Galisteu e Thiago Abravanel como apresentadores.

A faixa das 23h será a mais musical, com o programa Em Cartaz. A cada dia da semana, uma personalidade da música vai apresentar a atração, como Charles Gavin, Diogo Nogueira e Mauricio Valladares. Às quintas, é a vez de Henrique Portugal, tecladista do Skank. “Quero levar artistas do online pro offline, esse é o meu desafio”, afirmou o músico em conversa com a Billboard Brasil.

Portugal tem um longo histórico no rádio, seja web ou convencional, com passagens pela Rádio UOL, Oi FM e MySpace.

Leia abaixo nosso papo com o músico sobre música independente e a forma como o rádio pode se encaixar no atual cenário:

Antes de falarmos sobre o programa novo, conte um pouco sobre seu histórico no rádio. A Oi FM foi sua estreia?
Ah, comecei de forma independente. Mas fui participar do antigo programa do DJ Anderson Noise no UOL e me chamaram pra ter um programa no UOL. Já no Skank eu jogava fitas e discos de bandas independentes pra galera... por que não organizar isso num programa? Quando não se tem grana, precisa ser criativo. E aí é que vem as coisas legais! Por exemplo, antes dessa popularização do formato EP, o musico independente já fazia isso aqui no Brasil. Porque era muito caro gravar 10, 11 faixas. Lançavam seis.

RADIO-GLOBOTime da nova Rádio Globo, com Henrique Portugal ao centro, no sofá - Foto: Divulgação

E o interessante é que o EP volta agora por outro motivo, o do consumo...
Sim, isso é característica de qualquer mercado. Algumas coisas persistem por razões óbvias, estruturais etc. O próprio rádio mudou muito pouco, né? Os jovens fazem tudo de maneira fragmentada, tudo ao mesmo tempo. Mas a música continua sendo ouvida de forma sequencial, em álbuns. E hoje as coisas são muito dinâmicas e foi criado todo um mundo da música de forma online. Mas tem artista que nunca tocou em rádio e é conhecido só em rede social. Agora a gente faz o contrário, vamos pegar esses caras e trazer pro rádio. Essa galera que ainda faz álbum, se estruturou, vive de música...

Logo depois da Oi FM, você passou pelo MySpace, que foi uma plataforma que revolucionou a relação entre artista e fã. Como foi isso pra você?
Antes tinha o “vamos lá em casa escutar o disco do tal”... hoje nem download é mais. Já faz um tempinho, rolou um debate entre mim e o Silva. Um artista que começou na era pré-internet mas soube se adaptar – nosso caso no Skank – e um artista que já começou na internet. Quando a gente começou a gravar lá atrás, a gente se preparava muito pra fazer qualquer gravação, era caro. A tecnologia e as facilidades, de certa forma, “atrapalharam” tanto quanto ajudaram. Hoje as pessoas se preparam menos e gastam mais tempo tentando divulgar coisas que ainda não estão prontas. Já ouvi coisas e pensei, “se tivesse esperado um pouquinho mais, ficaria melhor”. Hoje existe um número muito grande de artistas que não dependem do rádio. Ótimos artistas, alguns que já estiveram no rádio. O rádio se torna um mundo novo.

E o Em Cartaz vai seguir essa linha, então, de sempre apresentar o novo e o independente?
Sim, e o legal hoje é que tem artistas consolidados que não estão no rádio. Thiago Iorc, por exemplo, eu colocava ele no programa lá atrás quando cantava só em inglês. Tem também a dupla Anavitória, descobertas pelo YouTube. Hoje a luta é o online ir pro offline. Um dos temas de uma edição futura do programa é esse, ir pro YouTube e se tornar conhecido, ir pra gravadora. Antes tinha os caçadores de talentos nas cidades, igual os olheiros de peladas de periferia... hoje é YouTube.

Nos outros dias, o programa é apresentado por nomes bastante distintos como Charles Gavin e Diogo Nogueira. Existe uma linha que une todos vocês ou cada um vai ter a liberdade de fazer o programa do seu jeito.
O próprio horário do programa [23h] permite uma maior liberdade. São programas distintos e cada apresentador tem uma assinatura musical diferente. O Gavin conhece música brasileira a fundo, eu tenho essa coisa de olhar pra frente e buscar o que ainda não aconteceu mas pode acontecer – e também o que está acontecendo mas não chegou ao rádio. Com o Diogo, por exemplo, eu nunca conversei sobre o programa, mas acho que ele deve seguir o caminho pelo qual já é conhecido...

Você trabalhava com tecnologia antes do Skank. Continua ligado a esse universo?
Continuo investindo em tecnologia no universo da música e do entretenimento. Aqui no Brasil ainda tem muita coisa legal a ser feita. Continuo sonhando em dar espaço pra artistas que estejam começando. O artista é igual a uma startup. O cara tem o sonho de gravar um álbum e depois não sabe o que fazer, como divulgar. Uma empresa também, faz um aplicativo e depois não sabe como dar visibilidade. Então, o meu sonho é trazer mais conhecimento de divulgação da música como negócio. Quando o artista não pode viver da sua música, não é só ele que está perdendo, é o mundo que não está conhecendo aquela novidade.

Pra encerrar, vou pedir pra você citar cases de sucesso no mundo independente, que você tem observado.
Acho que o próprio Thiago Iorc é um, vem do online do offline, conseguiu percorrer esse caminho. Anavitória, que já citei também, saiu do YouTube para o offline. E uma banda que vem caminhando por fora é o BaianaSystem. Shows completamente lotados, povo alucinado... os caras passaram pela minha cidade, eu nem fiquei sabendo e os ingressos estavam esgotados. Isso é um mundo novo, é um jeito novo de se relacionar. E uma das funções do programa é exatamente mostrar que dá pra fazer, mostrar o que está acontecendo. Discutir isso, mostrar isso, artistas que estão com estratégias que estão funcionando e mostrar caminhos.

Em Cartaz
Rádio Globo
Diariamente, 23h – Com Henrique Portugal às quintas
Para ouvir: acesse http://radioglobo.globo.com/ ou aplicativo, além de 98,1 Mhz no Rio de Janeiro e 94,1 Mhz em São Paulo (em breve)

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Felipe Araújo
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Eduardo Costa
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Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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“Quero levar artistas do online pro offline”, diz Henrique Portugal sobre programa de rádio

Músico apresenta Em Cartaz na nova fase da emissora e toca nomes da cena independente do Brasil

por Marcos Lauro em 20/06/2017

A Rádio Globo relançou a sua programação. Agora, voltada para um público mais jovem, traz figuras como Otaviano Costa, Adriane Galisteu e Thiago Abravanel como apresentadores.

A faixa das 23h será a mais musical, com o programa Em Cartaz. A cada dia da semana, uma personalidade da música vai apresentar a atração, como Charles Gavin, Diogo Nogueira e Mauricio Valladares. Às quintas, é a vez de Henrique Portugal, tecladista do Skank. “Quero levar artistas do online pro offline, esse é o meu desafio”, afirmou o músico em conversa com a Billboard Brasil.

Portugal tem um longo histórico no rádio, seja web ou convencional, com passagens pela Rádio UOL, Oi FM e MySpace.

Leia abaixo nosso papo com o músico sobre música independente e a forma como o rádio pode se encaixar no atual cenário:

Antes de falarmos sobre o programa novo, conte um pouco sobre seu histórico no rádio. A Oi FM foi sua estreia?
Ah, comecei de forma independente. Mas fui participar do antigo programa do DJ Anderson Noise no UOL e me chamaram pra ter um programa no UOL. Já no Skank eu jogava fitas e discos de bandas independentes pra galera... por que não organizar isso num programa? Quando não se tem grana, precisa ser criativo. E aí é que vem as coisas legais! Por exemplo, antes dessa popularização do formato EP, o musico independente já fazia isso aqui no Brasil. Porque era muito caro gravar 10, 11 faixas. Lançavam seis.

RADIO-GLOBOTime da nova Rádio Globo, com Henrique Portugal ao centro, no sofá - Foto: Divulgação

E o interessante é que o EP volta agora por outro motivo, o do consumo...
Sim, isso é característica de qualquer mercado. Algumas coisas persistem por razões óbvias, estruturais etc. O próprio rádio mudou muito pouco, né? Os jovens fazem tudo de maneira fragmentada, tudo ao mesmo tempo. Mas a música continua sendo ouvida de forma sequencial, em álbuns. E hoje as coisas são muito dinâmicas e foi criado todo um mundo da música de forma online. Mas tem artista que nunca tocou em rádio e é conhecido só em rede social. Agora a gente faz o contrário, vamos pegar esses caras e trazer pro rádio. Essa galera que ainda faz álbum, se estruturou, vive de música...

Logo depois da Oi FM, você passou pelo MySpace, que foi uma plataforma que revolucionou a relação entre artista e fã. Como foi isso pra você?
Antes tinha o “vamos lá em casa escutar o disco do tal”... hoje nem download é mais. Já faz um tempinho, rolou um debate entre mim e o Silva. Um artista que começou na era pré-internet mas soube se adaptar – nosso caso no Skank – e um artista que já começou na internet. Quando a gente começou a gravar lá atrás, a gente se preparava muito pra fazer qualquer gravação, era caro. A tecnologia e as facilidades, de certa forma, “atrapalharam” tanto quanto ajudaram. Hoje as pessoas se preparam menos e gastam mais tempo tentando divulgar coisas que ainda não estão prontas. Já ouvi coisas e pensei, “se tivesse esperado um pouquinho mais, ficaria melhor”. Hoje existe um número muito grande de artistas que não dependem do rádio. Ótimos artistas, alguns que já estiveram no rádio. O rádio se torna um mundo novo.

E o Em Cartaz vai seguir essa linha, então, de sempre apresentar o novo e o independente?
Sim, e o legal hoje é que tem artistas consolidados que não estão no rádio. Thiago Iorc, por exemplo, eu colocava ele no programa lá atrás quando cantava só em inglês. Tem também a dupla Anavitória, descobertas pelo YouTube. Hoje a luta é o online ir pro offline. Um dos temas de uma edição futura do programa é esse, ir pro YouTube e se tornar conhecido, ir pra gravadora. Antes tinha os caçadores de talentos nas cidades, igual os olheiros de peladas de periferia... hoje é YouTube.

Nos outros dias, o programa é apresentado por nomes bastante distintos como Charles Gavin e Diogo Nogueira. Existe uma linha que une todos vocês ou cada um vai ter a liberdade de fazer o programa do seu jeito.
O próprio horário do programa [23h] permite uma maior liberdade. São programas distintos e cada apresentador tem uma assinatura musical diferente. O Gavin conhece música brasileira a fundo, eu tenho essa coisa de olhar pra frente e buscar o que ainda não aconteceu mas pode acontecer – e também o que está acontecendo mas não chegou ao rádio. Com o Diogo, por exemplo, eu nunca conversei sobre o programa, mas acho que ele deve seguir o caminho pelo qual já é conhecido...

Você trabalhava com tecnologia antes do Skank. Continua ligado a esse universo?
Continuo investindo em tecnologia no universo da música e do entretenimento. Aqui no Brasil ainda tem muita coisa legal a ser feita. Continuo sonhando em dar espaço pra artistas que estejam começando. O artista é igual a uma startup. O cara tem o sonho de gravar um álbum e depois não sabe o que fazer, como divulgar. Uma empresa também, faz um aplicativo e depois não sabe como dar visibilidade. Então, o meu sonho é trazer mais conhecimento de divulgação da música como negócio. Quando o artista não pode viver da sua música, não é só ele que está perdendo, é o mundo que não está conhecendo aquela novidade.

Pra encerrar, vou pedir pra você citar cases de sucesso no mundo independente, que você tem observado.
Acho que o próprio Thiago Iorc é um, vem do online do offline, conseguiu percorrer esse caminho. Anavitória, que já citei também, saiu do YouTube para o offline. E uma banda que vem caminhando por fora é o BaianaSystem. Shows completamente lotados, povo alucinado... os caras passaram pela minha cidade, eu nem fiquei sabendo e os ingressos estavam esgotados. Isso é um mundo novo, é um jeito novo de se relacionar. E uma das funções do programa é exatamente mostrar que dá pra fazer, mostrar o que está acontecendo. Discutir isso, mostrar isso, artistas que estão com estratégias que estão funcionando e mostrar caminhos.

Em Cartaz
Rádio Globo
Diariamente, 23h – Com Henrique Portugal às quintas
Para ouvir: acesse http://radioglobo.globo.com/ ou aplicativo, além de 98,1 Mhz no Rio de Janeiro e 94,1 Mhz em São Paulo (em breve)