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Quinta edição do El Mapa de Todos consolida e amplia pop latino no Brasil

por em 11/11/2014
ong>Por Pedro Só Consolidado e com motivos para projetar um futuro cada vez mais importante no cenário nacional e no internacional, o festival El Mapa de Todos inicia hoje, em Porto Alegre, sua quinta edição, sob o patrocínio da Petrobras. Serão cinco dias, desta terça-feira até sábado, 15 de novembro, com apresentações em três espaços diferentes da capital gaúcha. O evento, de perfil único no Brasil, pela primeira vez se estende fim de semana adentro para oferecer diversidade sonora e inovação vindas de diversos países latino-americanos. Entre as apostas mais esperadas da programação deste ano estão a banda colombiana Bomba Estéreo, que cativa plateias em todas as Américas com sua cumbia transnacional de influências pop, e a jovem estrela alternativa chilena Camila Moreno, atualizadora da tradição folclórica e militante de Violeta Parra (1917-1967). O grupo pernambucano mundo livre s/a encerra a noite de sexta-feira, no Bar Opinião, com um show que revisita seu influente álbum Samba Esquema Noise, marco do mangue beat lançado há vinte anos. Hoje, às 21h, o Bar Ocidente recebe uma edição especial do Sarau Elétrico, com o cantautor colombiano Andrés Correa, de respeitável carreira no folk pop e digressões de influência brasileira, se juntando à tertúlia literária local. Amanhã, no mesmo horário, o Theatro São Pedro abre os espaços centenários para a lenda uruguaia Daniel Viglietti, 75 anos, cantautor de versos libertários e politicamente engajados (o nome do festival saiu da letra de sua "Milonga de Andar Lejos": "yo quiero romper mi mapa, formar el mapa de todos"), e para Luiz Marenco, 49 anos, expoente e renovador da música nativista do Rio Grande do Sul. A quinta-feira, no Opinião, será fechada pelo Bomba Estéreo, mas deve mobilizar a colônia uruguaia e seus cada vez mais numerosos simpatizantes a partir da presença da banda de Montevidéu Buenos Muchachos, que faz rock alternativo de extração noventista, e de Molina Y Los Cósmicos, revelação indie de Castillos, pequena cidade a 63 quilômetros do Chuí (RS). Os grooves inzoneiros do grupo catarinense The Skrotes e a micro big band Coutto Orchestra, com uma mistureba sergipano-universal, garantem a animação da noite. Na sexta, antes do mundo livre s/a e de Camila Moreno, tocam Andrés Moreno (com banda), o pernambucano Juvenil Silva - que concilia inusitadas influências (de James Joyce a Raul Seixas) - e duas atrações gaúchas: o projeto eletrônico Ccoma, e o encontro de Guri Assis Brasil (ex-banda Pública) e Gabriel Guedes (ex-Pata de Elefante), que são capazes de promover uma guitarrada sulista à base de sacudidos ritmos pampeiros. No sábado, às 17h, o Teatro Bruno Kiefer, no Centro Cultural Mario Quintana, de graça, o encerramento terá o brasiliense Beto Só, fazendo uma revisão da geração 2000, a banda darling goiana Boogarins, o ótimo grupo indie portenho Bestia Bebé e uma trinca de shows gaúchos: Jéf (destaque do reality Breakout Brasil), a banda caxiense Bob Shut e o Ccoma acrescido da percussão senegalesa do Tam Tam Africa. Confira abaixo uma entrevista com o produtor e idealizador do festival, o jornalista Fernando Rosa, também editor e criador do site Senhor F, referência internacional em rock e  pop alternativos.   Que balanço você faz da caminhada até aqui do festival? Um sucesso, resultado de algumas premissas básicas: uma curadoria sintonizada com a história e com o momento das cenas latinas, uma produção impecável, especialmente em relação ao som e aos espaços de shows, com infra-estrutura e logística eficiente. Esse sucesso também se deve à grande aceitação do conceito do festival pelas pessoas e pela mídia em geral, que entendeu o equílibrio buscado entre música de qualidade, construção de uma plataforma/mercado na região e uma pitada de política, no sentido da defesa da unidade latinoamericana.   Dá para acreditar numa décima edição, daqui a cinco anos? Sim, até mais do que isso. Já temos a edição do ano que vem no cabeça - até com alguns artistas confirmados, como os peruanos Vieja Skina e alguns gaúchos. O conceito do festival El Mapa de Todos tem uma longevidade bem elástica. Trabalhamos em um terreno fértil e pouco explorado.   Como vê os avanços na difusão da música pop e do rock latinoamericanos aqui no Brasil? Acho que tem crescido bastante, mas ainda não o suficiente, o desejado. Aqui em Porto Alegre, por exemplo, surgiram festas de música latina e grupos de cumbia nos últimos anos, pós-El Mapa. Programas de rádio-web também surgiram, como o Cambio, e outros. Mais artistas passaram a circular pelos festivais.   Até que ponto a integração está se dando? O El Mapa de Todos tornou-se referência de conexão no Brasil para outros festivais e artistas latinos. Os artistas brasileiros passaram a circular pela América Latina com mais desenvoltura - Autoramas no Vive Latino, Apanhador Só se apresentando no Circulart, em Medellin, na Colômbia, e na Cidade do México. Então, estamos avançando, mas ainda estamos no começo do trabalho.   Como bom entusiasta da música ao vivo, que artistas acha que podem surpreender o público nesta edição?  Olha, o El Mapa de Todos tem os shows garantidos, confirmados, esperados. Mas também tem um históricos de surpresas, como foram os shows de Juan Cirerel e Max Capote. Neste ano, tem várias potenciais surpresas, entre elas Camila Moreno, que pouco gente conhece.   Como vê o cenário gaúcho hoje, e que tipo de recorte este quinto El Mapa oferece? Está em processo de retomada dos seus espaços clássicos e históricos, superando a confusão gerada pelo fim da indústria clássica e o novo processo pós-internet. Do ponto de vista local, abrimos uma janela de visibilidade para novos artistas, como Jéf, por exemplo, Bob Shut e Projeto Ccoma. Além disso, incluímos no lineup um clássico da música gaúcha, o Luiz Marenco, que pode chamar a atenção de produtores de outros países. De fora para dentro, a presença do Bomba Estéreo, com sua cumbia moderna, pode servir de estímulo para o processo de fusão da música local com os ritmos latinos, que parece estar em curso.
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Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Quinta edição do El Mapa de Todos consolida e amplia pop latino no Brasil

por em 11/11/2014
ong>Por Pedro Só Consolidado e com motivos para projetar um futuro cada vez mais importante no cenário nacional e no internacional, o festival El Mapa de Todos inicia hoje, em Porto Alegre, sua quinta edição, sob o patrocínio da Petrobras. Serão cinco dias, desta terça-feira até sábado, 15 de novembro, com apresentações em três espaços diferentes da capital gaúcha. O evento, de perfil único no Brasil, pela primeira vez se estende fim de semana adentro para oferecer diversidade sonora e inovação vindas de diversos países latino-americanos. Entre as apostas mais esperadas da programação deste ano estão a banda colombiana Bomba Estéreo, que cativa plateias em todas as Américas com sua cumbia transnacional de influências pop, e a jovem estrela alternativa chilena Camila Moreno, atualizadora da tradição folclórica e militante de Violeta Parra (1917-1967). O grupo pernambucano mundo livre s/a encerra a noite de sexta-feira, no Bar Opinião, com um show que revisita seu influente álbum Samba Esquema Noise, marco do mangue beat lançado há vinte anos. Hoje, às 21h, o Bar Ocidente recebe uma edição especial do Sarau Elétrico, com o cantautor colombiano Andrés Correa, de respeitável carreira no folk pop e digressões de influência brasileira, se juntando à tertúlia literária local. Amanhã, no mesmo horário, o Theatro São Pedro abre os espaços centenários para a lenda uruguaia Daniel Viglietti, 75 anos, cantautor de versos libertários e politicamente engajados (o nome do festival saiu da letra de sua "Milonga de Andar Lejos": "yo quiero romper mi mapa, formar el mapa de todos"), e para Luiz Marenco, 49 anos, expoente e renovador da música nativista do Rio Grande do Sul. A quinta-feira, no Opinião, será fechada pelo Bomba Estéreo, mas deve mobilizar a colônia uruguaia e seus cada vez mais numerosos simpatizantes a partir da presença da banda de Montevidéu Buenos Muchachos, que faz rock alternativo de extração noventista, e de Molina Y Los Cósmicos, revelação indie de Castillos, pequena cidade a 63 quilômetros do Chuí (RS). Os grooves inzoneiros do grupo catarinense The Skrotes e a micro big band Coutto Orchestra, com uma mistureba sergipano-universal, garantem a animação da noite. Na sexta, antes do mundo livre s/a e de Camila Moreno, tocam Andrés Moreno (com banda), o pernambucano Juvenil Silva - que concilia inusitadas influências (de James Joyce a Raul Seixas) - e duas atrações gaúchas: o projeto eletrônico Ccoma, e o encontro de Guri Assis Brasil (ex-banda Pública) e Gabriel Guedes (ex-Pata de Elefante), que são capazes de promover uma guitarrada sulista à base de sacudidos ritmos pampeiros. No sábado, às 17h, o Teatro Bruno Kiefer, no Centro Cultural Mario Quintana, de graça, o encerramento terá o brasiliense Beto Só, fazendo uma revisão da geração 2000, a banda darling goiana Boogarins, o ótimo grupo indie portenho Bestia Bebé e uma trinca de shows gaúchos: Jéf (destaque do reality Breakout Brasil), a banda caxiense Bob Shut e o Ccoma acrescido da percussão senegalesa do Tam Tam Africa. Confira abaixo uma entrevista com o produtor e idealizador do festival, o jornalista Fernando Rosa, também editor e criador do site Senhor F, referência internacional em rock e  pop alternativos.   Que balanço você faz da caminhada até aqui do festival? Um sucesso, resultado de algumas premissas básicas: uma curadoria sintonizada com a história e com o momento das cenas latinas, uma produção impecável, especialmente em relação ao som e aos espaços de shows, com infra-estrutura e logística eficiente. Esse sucesso também se deve à grande aceitação do conceito do festival pelas pessoas e pela mídia em geral, que entendeu o equílibrio buscado entre música de qualidade, construção de uma plataforma/mercado na região e uma pitada de política, no sentido da defesa da unidade latinoamericana.   Dá para acreditar numa décima edição, daqui a cinco anos? Sim, até mais do que isso. Já temos a edição do ano que vem no cabeça - até com alguns artistas confirmados, como os peruanos Vieja Skina e alguns gaúchos. O conceito do festival El Mapa de Todos tem uma longevidade bem elástica. Trabalhamos em um terreno fértil e pouco explorado.   Como vê os avanços na difusão da música pop e do rock latinoamericanos aqui no Brasil? Acho que tem crescido bastante, mas ainda não o suficiente, o desejado. Aqui em Porto Alegre, por exemplo, surgiram festas de música latina e grupos de cumbia nos últimos anos, pós-El Mapa. Programas de rádio-web também surgiram, como o Cambio, e outros. Mais artistas passaram a circular pelos festivais.   Até que ponto a integração está se dando? O El Mapa de Todos tornou-se referência de conexão no Brasil para outros festivais e artistas latinos. Os artistas brasileiros passaram a circular pela América Latina com mais desenvoltura - Autoramas no Vive Latino, Apanhador Só se apresentando no Circulart, em Medellin, na Colômbia, e na Cidade do México. Então, estamos avançando, mas ainda estamos no começo do trabalho.   Como bom entusiasta da música ao vivo, que artistas acha que podem surpreender o público nesta edição?  Olha, o El Mapa de Todos tem os shows garantidos, confirmados, esperados. Mas também tem um históricos de surpresas, como foram os shows de Juan Cirerel e Max Capote. Neste ano, tem várias potenciais surpresas, entre elas Camila Moreno, que pouco gente conhece.   Como vê o cenário gaúcho hoje, e que tipo de recorte este quinto El Mapa oferece? Está em processo de retomada dos seus espaços clássicos e históricos, superando a confusão gerada pelo fim da indústria clássica e o novo processo pós-internet. Do ponto de vista local, abrimos uma janela de visibilidade para novos artistas, como Jéf, por exemplo, Bob Shut e Projeto Ccoma. Além disso, incluímos no lineup um clássico da música gaúcha, o Luiz Marenco, que pode chamar a atenção de produtores de outros países. De fora para dentro, a presença do Bomba Estéreo, com sua cumbia moderna, pode servir de estímulo para o processo de fusão da música local com os ritmos latinos, que parece estar em curso.