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Rafael Castro só quer saber de comemorar seus 10 anos de carreira

por em 03/02/2016
P
or Marcos Lauro
30 anos de idade, 10 de carreira, nove discos e dois EPs. Pode ser que você nunca tenha ouvido falar em Rafael Castro, mas ele já tem tudo isso de número pra apresentar. Nascido em Lençóis Paulista, interior de São Paulo, o jovem Rafael Castro sempre teve a música como hobby. Entre um trabalho e outro, gravava as composições no seu próprio quarto. E, mesmo agora, não deixou de lado esse jeito um pouco mambembe de fazer música. Morador da Vila Madalena, organiza festas na sua própria casa e colabora ativamente com dezenas de músicos da cena paulistana, como Pélico, Barbara Eugênia, Tatá Aeroplano e Letuce. A Billboard Brasil conversou com Rafael Castro para entender essa trajetória e contar como serão as comemorações desses dez anos: rafael-castro-cigarros Vamos começar pelo começo. Como a música pintou na sua vida? Desde moleque eu sempre quis aprender a gravar em casa. Faço música desde pequeno, instrumental, e elas ficavam perdidas. Escrevia e tal, mas não gravava, não registrava de nenhum jeito. Aí aprendi a fazer esse trampo de gravação e comecei a pensar em ter um disco... nesse tempo todo fiquei mexendo com gravação. Mas você fez curso, alguém te ensinou... como foi isso? Autodidata total, fuçando mesmo. Tentativa e erro. Ficava ruim, fazia de novo. Ficava pronta, já mostrava pros amigos. Colocava em pen-drive e levava pra todo mundo ouvir. Depois comecei a gravar uns CD-R e vender por cincão. Fazia coletâneas, vendia e bebia com a grana que entrava. Bem amador mesmo, tirava cópias das letras e tal. E esses discos já tinham alguma lógica ou era só um monte de música sem ligação umas com as outras? Os dois primeiros discos eram um monte de música... eu só juntei mesmo. Então, quando dava dez, 11 músicas, já dava outro disco. Eu trampava já, sempre com informática, e gravava como um hobby. Compor era, na verdade, uma desculpa pra eu poder gravar. E quando deixou de ser hobby e virou profissão? Eu já tinha quatro discos e nunca tinha feito um único show, morria de medo de palco. Chegava a tocar numa bandinha cover com amigos e lembro que as pessoas pediam pra eu cantar minhas músicas. Morria de vergonha e nunca rolava. Num dia falei: “Beleza, vou montar uma banda pra tocar minhas músicas”. Já tinha até um circuito de cidades e tal, tocava em Lençóis, Barra Bonita, Bauru... Mas foi assim, num estalo? Conheci um cara, Vander, de Barra Bonita... Ele montou uma banda e eu achei o máximo. Uma banda com o nome dele. A galera só fazia banda, não tinha “O” cantor com banda própria. Eu nunca tinha visto, nem sabia que era uma possibilidade pra mim. E aí criei o Rafael Castro e os Monumentais, que sou eu e a minha banda. O grupo tocava junto, mas não compunha... a banda era eu e amigos. Uma banda Rafael Castro. E aí vocês ficaram tocando nesse circuito do interior. Quando veio a vontade de vir para São Paulo? Isso foi em 2009. Meus amigos da banda e eu fomos morar no apartamento de um brother, de favor, um apê vago. Era pra ficar quanto tempo a gente aguentasse. Vim com R$ 300 e a ideia era viver dos shows. O dinheiro acabou em um mês. Minha dieta era salsicha e cachaça. Muito mambembe, tosqueira. Meus amigos da banda começaram a se virar com trampos, mas eu não quis. Meu trampo era a música. Clique para ver uma playlist com clipes de Rafael Castro: rafael-castro-palylist E não deu certo num primeiro momento, né? A gente gravou um monte de CD-R, distribuiu, e nada. Em um mês e meio resolvi voltar pra Lençóis e continuar gravando música, normal, como era antes... mas desiludido. E aí começou a pintar convite das casas de São Paulo, as pessoas começaram a comentar. Pisamos no acelerador mesmo e tocamos muito em 2010 e 2011. Eu mesmo marcava os shows, mandava e-mail, ligava... fomos muito pro Sul. Coisa de 15, 20 dias na estrada. Com dez anos de carreira, você se considera famoso? O que é ser famoso pra você? O famoso é reconhecido na rua, toda hora. E eu ando de boa [risos]. A gente se organizou e conheceu as pessoas que fazem rádio, TV... hoje é só marcar e estamos lá, o acesso é fácil. Mas é muito louca essa relação. A gente gravou na PlayTV, puta som, estúdio foda... registro incrível. O programa passou, reprisou, e o retorno nas nossas redes foi quase zero. Se não tá na Globo, Record, SBT, é doido, não acontece. Então, uma gravação desse tipo na PlayTV é mais portfólio pra contratante do que pra criar plateia. O Facebook tem mais alcance do que a TV. A gente lança clipe novo, espalha, impulsiona... dá 500 novos fãs. E você vive bem como artista independente? O independente precisa se organizar, ir aos shows de todo mundo, coordenar lançamentos, divulgação e sempre investir uma graninha. O mais certeiro é o Facebook... É impulsionar os posts e a coisa acontece. A galera curte a página e vai aos shows. Legal você ter falado nisso de “ir aos shows de todo mundo”. Você acha que os independentes são unidos? Os artistas se ajudam ou é cada um por si? Na minha vida eu vou muito a shows e parece que mais da metade do meu público é de outras bandas aqui de São Paulo. Eu promovo shows também e a galera acompanha. A minha cena é essa e todo mundo se acompanha. O músico de uma banda toca com a outra, todo mundo participa. É um compartilhamento de público mesmo. E é engraçado que, nas plataformas digitais, os artistas que aparecem como relacionados ao meu trabalho são todos meus amigos. É uma gangue física, todo mundo se encontra, e vira digital. Um micromovimento de andar junto... E esse ano de comemorações, como vai ser? Eu não sei o que vou fazer ainda, cara [risos]. Agora estou comemorando e fazendo shows especiais dos meus discos. Tem o show em que toco o disco Novo Aeon, do Raul Seixas, o disco que gravei cantando Roberto Carlos, o disco de sertanejo... Esse ano é muito projeto doido, mas nada de música nova. Shows novos, formações diferentes... novidades só mesmo nas performances. No seu disco mais recente, Um Chopp E Um Sundae, você mudou tudo: mudou a banda, adotou figurino, iluminação. Como foi essa virada? Eu me convenci desse lance da performance. Estava na Europa, na turnê do disco Lembra?, e fui ao festival Pitchfork... Vi St. Vincent e tal. E os caras lá são muito organizados no palco. Têm direção artística, iluminação... São caras que não são mega máster grandes mas apresentam um espetáculo de verdade. Não é “o cara toca música, acabou, foi embora”. Coisas acontecem no show. Tem figurino, maquiagem... E foi a primeira experiência. Formei uma equipe, que eu não tinha, de som, luz... Antes era só a gente, né? Rock ‘n’ roll [risos]. E foi legal. Acho que o próximo trabalho vai ser além disso, com mais estrutura. Ando vendo show até da Madonna. Se bobear, apareço com carreta de equipamento [risos]. Serviços Baile de Carnaval Puro Charme - Rafael Castro, Bárbara Eugenia e Tatá Aeroplano SESC Pinheiros 08/02, 17h Grátis Rafael Castro toca Raul Z Carniceria 20/02, 23h Ingresso: R$ 25,00 Rafael Castro toca Raul Nossa Casa Confraria de Ideias 25/02, 23h Ingresso: R$ 25,00
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Rafael Castro só quer saber de comemorar seus 10 anos de carreira

por em 03/02/2016
P
or Marcos Lauro
30 anos de idade, 10 de carreira, nove discos e dois EPs. Pode ser que você nunca tenha ouvido falar em Rafael Castro, mas ele já tem tudo isso de número pra apresentar. Nascido em Lençóis Paulista, interior de São Paulo, o jovem Rafael Castro sempre teve a música como hobby. Entre um trabalho e outro, gravava as composições no seu próprio quarto. E, mesmo agora, não deixou de lado esse jeito um pouco mambembe de fazer música. Morador da Vila Madalena, organiza festas na sua própria casa e colabora ativamente com dezenas de músicos da cena paulistana, como Pélico, Barbara Eugênia, Tatá Aeroplano e Letuce. A Billboard Brasil conversou com Rafael Castro para entender essa trajetória e contar como serão as comemorações desses dez anos: rafael-castro-cigarros Vamos começar pelo começo. Como a música pintou na sua vida? Desde moleque eu sempre quis aprender a gravar em casa. Faço música desde pequeno, instrumental, e elas ficavam perdidas. Escrevia e tal, mas não gravava, não registrava de nenhum jeito. Aí aprendi a fazer esse trampo de gravação e comecei a pensar em ter um disco... nesse tempo todo fiquei mexendo com gravação. Mas você fez curso, alguém te ensinou... como foi isso? Autodidata total, fuçando mesmo. Tentativa e erro. Ficava ruim, fazia de novo. Ficava pronta, já mostrava pros amigos. Colocava em pen-drive e levava pra todo mundo ouvir. Depois comecei a gravar uns CD-R e vender por cincão. Fazia coletâneas, vendia e bebia com a grana que entrava. Bem amador mesmo, tirava cópias das letras e tal. E esses discos já tinham alguma lógica ou era só um monte de música sem ligação umas com as outras? Os dois primeiros discos eram um monte de música... eu só juntei mesmo. Então, quando dava dez, 11 músicas, já dava outro disco. Eu trampava já, sempre com informática, e gravava como um hobby. Compor era, na verdade, uma desculpa pra eu poder gravar. E quando deixou de ser hobby e virou profissão? Eu já tinha quatro discos e nunca tinha feito um único show, morria de medo de palco. Chegava a tocar numa bandinha cover com amigos e lembro que as pessoas pediam pra eu cantar minhas músicas. Morria de vergonha e nunca rolava. Num dia falei: “Beleza, vou montar uma banda pra tocar minhas músicas”. Já tinha até um circuito de cidades e tal, tocava em Lençóis, Barra Bonita, Bauru... Mas foi assim, num estalo? Conheci um cara, Vander, de Barra Bonita... Ele montou uma banda e eu achei o máximo. Uma banda com o nome dele. A galera só fazia banda, não tinha “O” cantor com banda própria. Eu nunca tinha visto, nem sabia que era uma possibilidade pra mim. E aí criei o Rafael Castro e os Monumentais, que sou eu e a minha banda. O grupo tocava junto, mas não compunha... a banda era eu e amigos. Uma banda Rafael Castro. E aí vocês ficaram tocando nesse circuito do interior. Quando veio a vontade de vir para São Paulo? Isso foi em 2009. Meus amigos da banda e eu fomos morar no apartamento de um brother, de favor, um apê vago. Era pra ficar quanto tempo a gente aguentasse. Vim com R$ 300 e a ideia era viver dos shows. O dinheiro acabou em um mês. Minha dieta era salsicha e cachaça. Muito mambembe, tosqueira. Meus amigos da banda começaram a se virar com trampos, mas eu não quis. Meu trampo era a música. Clique para ver uma playlist com clipes de Rafael Castro: rafael-castro-palylist E não deu certo num primeiro momento, né? A gente gravou um monte de CD-R, distribuiu, e nada. Em um mês e meio resolvi voltar pra Lençóis e continuar gravando música, normal, como era antes... mas desiludido. E aí começou a pintar convite das casas de São Paulo, as pessoas começaram a comentar. Pisamos no acelerador mesmo e tocamos muito em 2010 e 2011. Eu mesmo marcava os shows, mandava e-mail, ligava... fomos muito pro Sul. Coisa de 15, 20 dias na estrada. Com dez anos de carreira, você se considera famoso? O que é ser famoso pra você? O famoso é reconhecido na rua, toda hora. E eu ando de boa [risos]. A gente se organizou e conheceu as pessoas que fazem rádio, TV... hoje é só marcar e estamos lá, o acesso é fácil. Mas é muito louca essa relação. A gente gravou na PlayTV, puta som, estúdio foda... registro incrível. O programa passou, reprisou, e o retorno nas nossas redes foi quase zero. Se não tá na Globo, Record, SBT, é doido, não acontece. Então, uma gravação desse tipo na PlayTV é mais portfólio pra contratante do que pra criar plateia. O Facebook tem mais alcance do que a TV. A gente lança clipe novo, espalha, impulsiona... dá 500 novos fãs. E você vive bem como artista independente? O independente precisa se organizar, ir aos shows de todo mundo, coordenar lançamentos, divulgação e sempre investir uma graninha. O mais certeiro é o Facebook... É impulsionar os posts e a coisa acontece. A galera curte a página e vai aos shows. Legal você ter falado nisso de “ir aos shows de todo mundo”. Você acha que os independentes são unidos? Os artistas se ajudam ou é cada um por si? Na minha vida eu vou muito a shows e parece que mais da metade do meu público é de outras bandas aqui de São Paulo. Eu promovo shows também e a galera acompanha. A minha cena é essa e todo mundo se acompanha. O músico de uma banda toca com a outra, todo mundo participa. É um compartilhamento de público mesmo. E é engraçado que, nas plataformas digitais, os artistas que aparecem como relacionados ao meu trabalho são todos meus amigos. É uma gangue física, todo mundo se encontra, e vira digital. Um micromovimento de andar junto... E esse ano de comemorações, como vai ser? Eu não sei o que vou fazer ainda, cara [risos]. Agora estou comemorando e fazendo shows especiais dos meus discos. Tem o show em que toco o disco Novo Aeon, do Raul Seixas, o disco que gravei cantando Roberto Carlos, o disco de sertanejo... Esse ano é muito projeto doido, mas nada de música nova. Shows novos, formações diferentes... novidades só mesmo nas performances. No seu disco mais recente, Um Chopp E Um Sundae, você mudou tudo: mudou a banda, adotou figurino, iluminação. Como foi essa virada? Eu me convenci desse lance da performance. Estava na Europa, na turnê do disco Lembra?, e fui ao festival Pitchfork... Vi St. Vincent e tal. E os caras lá são muito organizados no palco. Têm direção artística, iluminação... São caras que não são mega máster grandes mas apresentam um espetáculo de verdade. Não é “o cara toca música, acabou, foi embora”. Coisas acontecem no show. Tem figurino, maquiagem... E foi a primeira experiência. Formei uma equipe, que eu não tinha, de som, luz... Antes era só a gente, né? Rock ‘n’ roll [risos]. E foi legal. Acho que o próximo trabalho vai ser além disso, com mais estrutura. Ando vendo show até da Madonna. Se bobear, apareço com carreta de equipamento [risos]. Serviços Baile de Carnaval Puro Charme - Rafael Castro, Bárbara Eugenia e Tatá Aeroplano SESC Pinheiros 08/02, 17h Grátis Rafael Castro toca Raul Z Carniceria 20/02, 23h Ingresso: R$ 25,00 Rafael Castro toca Raul Nossa Casa Confraria de Ideias 25/02, 23h Ingresso: R$ 25,00