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Resenha de A República Cantada, de André Diniz e Diogo Cunha

por em 26/09/2014
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img class="aligncenter size-full wp-image-7632" alt="rep cantada" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/09/rep-cantada.jpg" width="660" height="660" />
Vou cantar-te nos meus versos Por Maurício Amendola Por meio das composições musicais de cada época, o historiador André Diniz retrata, em parceria com o pesquisador Diogo Cunha, a conturbada história política do Brasil em A República Cantada – Do Choro Ao Funk: A História do Brasil Através da Música, que chega às livrarias nesta semana. Em nove capítulos, os autores listam, em ordem cronológica, mais de 200 canções que fazem referência aos momentos políticos nos quais as composições estavam inseridas. Da queda da monarquia, passando por revolução de 1930 e golpe militar, até chegar ao governo Dilma, Diniz e Cunha estabelecem as relações entre a produção dos músicos de cada época e o que se passava nas mais altas estâncias de poder do Brasil. Vamos das modinhas feitas para os presidentes Campos Sales e Prudente de Morais – com espaço também para famosa marchinha “Ô Abre Alas”, da abolicionista e republicana Chiquinha Gonzaga – ao funk carioquíssimo “Rap Das Armas”, dos MCs Júnior e Leonardo. A viagem pela produção musical brasileira demonstra que a vida política e social sempre foi inspiração, não apenas para contestar ou satirizar, mas também para louvar e homenagear. Você sabia que Chico Buarque – dono das subversivas “Vai Passar” e “Cálice”, analisadas na obra – já compôs uma canção em homenagem a Getúlio Vargas? Sua parceria com Edu Lobo em “Doutor Getúlio”, de 1989, versa: “Abram alas que Gegê vai passar!/ Olha a evolução da história/ Abram alas pra Gegê desfilar/ Na memória popular”. Aliás, em A República Cantada, percebe-se que a figura de Getúlio é marcante em níveis que transcendem a política: o estadista gaúcho é o presidente mais “cantado” e tem quase tanto espaço na obra quanto a ditadura militar. O período que se seguiu após o golpe vem acompanhado de uma linha do tempo e traz uma análise detalhada sobre as composições. Entretanto, ao fim da leitura, a impressão é de que, ainda que a ditadura tenha rendido inúmeras canções, há uma proeminência na produção musical mais no que diz respeito à complexidade do que propriamente à quantidade. Como diria o escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), “a censura é a mãe da metáfora”, portanto, a fase bastante singular da aventura política brasileira, de fato, exige mais páginas de abordagem e exposição de composições. Mas presidentes como Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart – pré-golpe – também foram grande fonte de inspiração para diversos artistas de suas épocas, mesmo que as músicas não tenham flertado com a subversão. A República Cantada é um bom passo inicial para quem deseja entender a música brasileira por meio da política, e vice-versa.  Há momentos do livro nos quais se deseja que esta ou aquela determinada canção fosse explorada mais profundamente, mas, como dito, trata-se de um “apanhado” de caráter introdutório, capaz de atrair o mais intelectualizado leitor justamente pela quantidade de obras listadas. O que fica de evidente é que a história política do Brasil – recheada de contradições, desmandos, conversas fiadas e acordos de elites travestidos de rupturas populares – foi e sempre será motivo para alguém fazer arte, das mais competentes, por aqui.   http://www.youtube.com/watch?v=Ma5ThSwFbIg
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Resenha de A República Cantada, de André Diniz e Diogo Cunha

por em 26/09/2014
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img class="aligncenter size-full wp-image-7632" alt="rep cantada" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/09/rep-cantada.jpg" width="660" height="660" />
Vou cantar-te nos meus versos Por Maurício Amendola Por meio das composições musicais de cada época, o historiador André Diniz retrata, em parceria com o pesquisador Diogo Cunha, a conturbada história política do Brasil em A República Cantada – Do Choro Ao Funk: A História do Brasil Através da Música, que chega às livrarias nesta semana. Em nove capítulos, os autores listam, em ordem cronológica, mais de 200 canções que fazem referência aos momentos políticos nos quais as composições estavam inseridas. Da queda da monarquia, passando por revolução de 1930 e golpe militar, até chegar ao governo Dilma, Diniz e Cunha estabelecem as relações entre a produção dos músicos de cada época e o que se passava nas mais altas estâncias de poder do Brasil. Vamos das modinhas feitas para os presidentes Campos Sales e Prudente de Morais – com espaço também para famosa marchinha “Ô Abre Alas”, da abolicionista e republicana Chiquinha Gonzaga – ao funk carioquíssimo “Rap Das Armas”, dos MCs Júnior e Leonardo. A viagem pela produção musical brasileira demonstra que a vida política e social sempre foi inspiração, não apenas para contestar ou satirizar, mas também para louvar e homenagear. Você sabia que Chico Buarque – dono das subversivas “Vai Passar” e “Cálice”, analisadas na obra – já compôs uma canção em homenagem a Getúlio Vargas? Sua parceria com Edu Lobo em “Doutor Getúlio”, de 1989, versa: “Abram alas que Gegê vai passar!/ Olha a evolução da história/ Abram alas pra Gegê desfilar/ Na memória popular”. Aliás, em A República Cantada, percebe-se que a figura de Getúlio é marcante em níveis que transcendem a política: o estadista gaúcho é o presidente mais “cantado” e tem quase tanto espaço na obra quanto a ditadura militar. O período que se seguiu após o golpe vem acompanhado de uma linha do tempo e traz uma análise detalhada sobre as composições. Entretanto, ao fim da leitura, a impressão é de que, ainda que a ditadura tenha rendido inúmeras canções, há uma proeminência na produção musical mais no que diz respeito à complexidade do que propriamente à quantidade. Como diria o escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), “a censura é a mãe da metáfora”, portanto, a fase bastante singular da aventura política brasileira, de fato, exige mais páginas de abordagem e exposição de composições. Mas presidentes como Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart – pré-golpe – também foram grande fonte de inspiração para diversos artistas de suas épocas, mesmo que as músicas não tenham flertado com a subversão. A República Cantada é um bom passo inicial para quem deseja entender a música brasileira por meio da política, e vice-versa.  Há momentos do livro nos quais se deseja que esta ou aquela determinada canção fosse explorada mais profundamente, mas, como dito, trata-se de um “apanhado” de caráter introdutório, capaz de atrair o mais intelectualizado leitor justamente pela quantidade de obras listadas. O que fica de evidente é que a história política do Brasil – recheada de contradições, desmandos, conversas fiadas e acordos de elites travestidos de rupturas populares – foi e sempre será motivo para alguém fazer arte, das mais competentes, por aqui.   http://www.youtube.com/watch?v=Ma5ThSwFbIg