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Resenha de David Bowie e os Anos 70 – O Homem que Vendeu o Mundo, de Peter Doggett

por em 31/10/2014
class="aligncenter size-full wp-image-9434" alt="DavidBowei_Livro" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/10/DavidBowei_Livro.jpg" width="370" height="502" /> O homem que mudou o mundo Por Lucas Borges Teixeira Falar da cultura pop sem dar um grande destaque para os anos 70 parece inviável. No auge da Guerra Fria, o mundo vivia um período de incerteza pós-movimento hippie, assolado por drogas e presenciando uma explosão de expressões artísticas. É a década de Led Zeppelin, Andy Warhol, Martin Scorsese, Charles Bukowski e Caetano Veloso. Nenhum desses nomes, no entanto, foi tão determinante quanto David Bowie. É o que afirma Peter Doggett em seu último livro David Bowie e os Anos 70 – O Homem que Vendeu o Mundo (Nossa Cultura). O jornalista musical explica que uma década não precisa, necessariamente, compreender 10 anos. A década de ouro de Bowie, seus anos 70, por exemplo, dura dois a mais: de 1969 a 1980. O período não é escolhido aleatoriamente. Em 69, o artista britânico cria seu mais famoso personagem, Ziggy Stardust, na música “Space Oddity”, do disco homônimo. Ele é um astronauta andrógeno que fica à deriva no espaço. Com tom forte, a canção traz um ser indeciso, inseguro e solitário. Em 80, retorna e aparece pela última vez na mais melancólica ainda “Ashes To Ashes”, do Scary Monsters. Ele continua a pairar no vácuo, quase sem expressão, buscando comunicação com a base e com o já famoso Major Tom. Os personagens não são criados apenas nas letras das músicas. Com a veia de ator, o músico de fato personifica o ser e assim apresenta seus shows. Durante parte da década de 70, Bowie intencionalmente confundia-se com Ziggy, em especial na turnê de The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972). Mas não é só esse fenômeno que a obra aborda. Segundo Doggett, "assim como os Beatles na década que o antecedeu, Bowie foi o guia mais confiável da cultura popular na febre dos anos 70". Ele estava na vanguarda do mundo. Cada disco, cada apresentação era uma surpresa. Depois de abandonar Ziggy, em Young Americans (1975), Bowie aparece de terno, sem maquiagem, com cabelo penteado para o lado, tocando violão e cantando “todas as noites eu quero o jovem americano”. Parece um movimento quadrado, mas é mais uma transgressão. Mais do que fazer músicas geniais, o artista parecia estar lá para provocar a todos: dos fãs aos críticos. John Lennon, por exemplo, chegou a dizer que seu objetivo era fazer um álbum como Heroes (1977), um dos mais aclamados de Bowie. O Homem que Vendeu o Mundo não é uma biografia, embora conte parte da história do músico, mas uma análise da sua obra nesse período proposto. Doggett vai disco por disco, música por música, com histórias, explicações e avaliações de cada uma. Parece denso, mas a escrita objetiva e bem-humorada do inglês torna a leitura fácil. De tão específico, não é um livro para todos. No entanto, mostra-se uma obra indispensável para os fãs do artista britânico ou para quem pretende entender melhor a cultura pop do século 20 e 21. Que Bowie vendeu o mundo, é difícil cravar, mas que ele o mudou é certeza.
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Resenha de David Bowie e os Anos 70 – O Homem que Vendeu o Mundo, de Peter Doggett

por em 31/10/2014
class="aligncenter size-full wp-image-9434" alt="DavidBowei_Livro" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/10/DavidBowei_Livro.jpg" width="370" height="502" /> O homem que mudou o mundo Por Lucas Borges Teixeira Falar da cultura pop sem dar um grande destaque para os anos 70 parece inviável. No auge da Guerra Fria, o mundo vivia um período de incerteza pós-movimento hippie, assolado por drogas e presenciando uma explosão de expressões artísticas. É a década de Led Zeppelin, Andy Warhol, Martin Scorsese, Charles Bukowski e Caetano Veloso. Nenhum desses nomes, no entanto, foi tão determinante quanto David Bowie. É o que afirma Peter Doggett em seu último livro David Bowie e os Anos 70 – O Homem que Vendeu o Mundo (Nossa Cultura). O jornalista musical explica que uma década não precisa, necessariamente, compreender 10 anos. A década de ouro de Bowie, seus anos 70, por exemplo, dura dois a mais: de 1969 a 1980. O período não é escolhido aleatoriamente. Em 69, o artista britânico cria seu mais famoso personagem, Ziggy Stardust, na música “Space Oddity”, do disco homônimo. Ele é um astronauta andrógeno que fica à deriva no espaço. Com tom forte, a canção traz um ser indeciso, inseguro e solitário. Em 80, retorna e aparece pela última vez na mais melancólica ainda “Ashes To Ashes”, do Scary Monsters. Ele continua a pairar no vácuo, quase sem expressão, buscando comunicação com a base e com o já famoso Major Tom. Os personagens não são criados apenas nas letras das músicas. Com a veia de ator, o músico de fato personifica o ser e assim apresenta seus shows. Durante parte da década de 70, Bowie intencionalmente confundia-se com Ziggy, em especial na turnê de The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972). Mas não é só esse fenômeno que a obra aborda. Segundo Doggett, "assim como os Beatles na década que o antecedeu, Bowie foi o guia mais confiável da cultura popular na febre dos anos 70". Ele estava na vanguarda do mundo. Cada disco, cada apresentação era uma surpresa. Depois de abandonar Ziggy, em Young Americans (1975), Bowie aparece de terno, sem maquiagem, com cabelo penteado para o lado, tocando violão e cantando “todas as noites eu quero o jovem americano”. Parece um movimento quadrado, mas é mais uma transgressão. Mais do que fazer músicas geniais, o artista parecia estar lá para provocar a todos: dos fãs aos críticos. John Lennon, por exemplo, chegou a dizer que seu objetivo era fazer um álbum como Heroes (1977), um dos mais aclamados de Bowie. O Homem que Vendeu o Mundo não é uma biografia, embora conte parte da história do músico, mas uma análise da sua obra nesse período proposto. Doggett vai disco por disco, música por música, com histórias, explicações e avaliações de cada uma. Parece denso, mas a escrita objetiva e bem-humorada do inglês torna a leitura fácil. De tão específico, não é um livro para todos. No entanto, mostra-se uma obra indispensável para os fãs do artista britânico ou para quem pretende entender melhor a cultura pop do século 20 e 21. Que Bowie vendeu o mundo, é difícil cravar, mas que ele o mudou é certeza.