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Resenha de Kurt Cobain: A Construção do Mito, de Charles R. Cross

por em 19/09/2014
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p; Kurt Cobain a construção do mito_Capa (2) Kurt Cobain: o céu não foi o limite Por Lucas Borges Teixeira No começo de 1994, nenhuma banda estava tão em evidência quanto o Nirvana. Seu segundo álbum, Nevermind, lançado dois anos e meio antes, ainda estava entre os mais tocados e seus integrantes finalmente estavam ganhando muito dinheiro. Até que, no dia 8 de abril, o líder Kurt Cobain dá um tiro na própria cabeça. A partir dai, ele não só se torna o último grande ícone do rock, como deixa um legado muito maior do que apenas musical. Este é o argumento do jornalista Charles R. Cross (Mais Pesado que o Céu) ao lançar seu terceiro livro sobre o astro, Kurt Cobain: a Construção do Mito (Editora Agir), vinte anos depois do suicídio. Ele explica de cara que esta não é mais uma biografia sobre Cobain, mas uma análise de seu legado em diferentes âmbitos da cultura. Embora o Nirvana estivesse no topo quando Kurt tirou a própria vida, Cross avalia que sua morte – principalmente, a forma como ela se deu – coloca o ídolo e a banda em um grau superior de sucesso e influência. Camisas de flanela e tênis All Star, por exemplo, nunca mais seriam vistos da mesma forma. O mesmo aconteceria com a depressão. Como editor da The Rocket, principal revista de música de Seattle, berço do Nirvana e de outras bandas grunge, Cross teve o privilégio do contato próximo com a banda desde o começo. Ele foi o primeiro a colocá-los em uma capa, ouviu o Nevermind em uma cassete pirata antes do lançamento e descobriu sobre o suicídio antes da família. Diferente do que faz na minuciosa biografia Mais Pesado que o Céu, nesta análise ele se coloca como personagem. Fã declarado, o autor justifica sua idolatria ao tentar provar a influência de Cobain no mundo até hoje. Ele não poupa argumentos: usa dados, estudos acadêmicos, reportagens e obras musicais e literárias. Reza a lenda que hoje em dia pode se alcançar o estrelato com alguns cliques e um vídeo viral na internet. Com a globalização mais forte que nunca, o mundo conectado vê a ascensão de novas celebridades e subcelebridades a cada minuto. Kurt Cobain se matou quando tudo isso estava engatinhando e, ainda assim, sugere o livro, sua morte impactou a moda, o feminismo, o rock, o conceito de “alternativo”, as gerações seguintes, e especialmente a forma como o mundo (e até o meio científico) encara tabus como uso de drogas pesadas e suicídio. Por mais documental que seja, é preciso lembrar que a obra é uma análise pessoal. Cabe ao leitor concordar ou não, a partir dos argumentos. O que não se pode negar, por outro lado – e por isso o título em português é tão certeiro –, é a ascensão de Cobain ao patamar de uma das grandes lendas do rock e da cultura pop. A ironia é que, de tanto querer fugir deste mundo, parece que o astro firmou-se nele para sempre. Cobain escolheu um fim tão intenso (e súbito) quanto sua música e seus vícios e, com isso, deixou milhões de órfãos chorando  “e se”... Kurt Cobain não envelheceu, virou um mito.
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Resenha de Kurt Cobain: A Construção do Mito, de Charles R. Cross

por em 19/09/2014
&nbs
p; Kurt Cobain a construção do mito_Capa (2) Kurt Cobain: o céu não foi o limite Por Lucas Borges Teixeira No começo de 1994, nenhuma banda estava tão em evidência quanto o Nirvana. Seu segundo álbum, Nevermind, lançado dois anos e meio antes, ainda estava entre os mais tocados e seus integrantes finalmente estavam ganhando muito dinheiro. Até que, no dia 8 de abril, o líder Kurt Cobain dá um tiro na própria cabeça. A partir dai, ele não só se torna o último grande ícone do rock, como deixa um legado muito maior do que apenas musical. Este é o argumento do jornalista Charles R. Cross (Mais Pesado que o Céu) ao lançar seu terceiro livro sobre o astro, Kurt Cobain: a Construção do Mito (Editora Agir), vinte anos depois do suicídio. Ele explica de cara que esta não é mais uma biografia sobre Cobain, mas uma análise de seu legado em diferentes âmbitos da cultura. Embora o Nirvana estivesse no topo quando Kurt tirou a própria vida, Cross avalia que sua morte – principalmente, a forma como ela se deu – coloca o ídolo e a banda em um grau superior de sucesso e influência. Camisas de flanela e tênis All Star, por exemplo, nunca mais seriam vistos da mesma forma. O mesmo aconteceria com a depressão. Como editor da The Rocket, principal revista de música de Seattle, berço do Nirvana e de outras bandas grunge, Cross teve o privilégio do contato próximo com a banda desde o começo. Ele foi o primeiro a colocá-los em uma capa, ouviu o Nevermind em uma cassete pirata antes do lançamento e descobriu sobre o suicídio antes da família. Diferente do que faz na minuciosa biografia Mais Pesado que o Céu, nesta análise ele se coloca como personagem. Fã declarado, o autor justifica sua idolatria ao tentar provar a influência de Cobain no mundo até hoje. Ele não poupa argumentos: usa dados, estudos acadêmicos, reportagens e obras musicais e literárias. Reza a lenda que hoje em dia pode se alcançar o estrelato com alguns cliques e um vídeo viral na internet. Com a globalização mais forte que nunca, o mundo conectado vê a ascensão de novas celebridades e subcelebridades a cada minuto. Kurt Cobain se matou quando tudo isso estava engatinhando e, ainda assim, sugere o livro, sua morte impactou a moda, o feminismo, o rock, o conceito de “alternativo”, as gerações seguintes, e especialmente a forma como o mundo (e até o meio científico) encara tabus como uso de drogas pesadas e suicídio. Por mais documental que seja, é preciso lembrar que a obra é uma análise pessoal. Cabe ao leitor concordar ou não, a partir dos argumentos. O que não se pode negar, por outro lado – e por isso o título em português é tão certeiro –, é a ascensão de Cobain ao patamar de uma das grandes lendas do rock e da cultura pop. A ironia é que, de tanto querer fugir deste mundo, parece que o astro firmou-se nele para sempre. Cobain escolheu um fim tão intenso (e súbito) quanto sua música e seus vícios e, com isso, deixou milhões de órfãos chorando  “e se”... Kurt Cobain não envelheceu, virou um mito.