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Resenha de “O Réu e o Rei – Minha História com Roberto Carlos, em Detalhes”, de Paulo Cesar Araújo

por em 05/09/2014
class="aligncenter size-full wp-image-6435" alt="O REI E O RÉU" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/09/O-REI-E-O-RÉU.jpg" width="345" height="500" /> O Rei ficou nu – e não foi bonito Por Lucas Borges Teixeira O maior sonho de qualquer fã é conhecer seu ídolo. Quando criança, no interior da Bahia, Paulo Cesar de Araújo fazia o que podia e o que não podia para chegar mais perto do dele: fosse entrar em um show escondido ou economizar meses de trabalho como engraxate para comprar um compacto. Quase 40 anos depois, a história entre o jornalista e Roberto Carlos, no entanto, não é das mais bonitas. Fascinado pelo astro nacional, Araújo (autor de “Eu Não Sou Cachorro, Não”) reuniu material durante 16 anos e fez 175 pesquisas para lançar, em 2006, Roberto Carlos em “Detalhes”. O cantor acionou a Justiça e o livro foi recolhido pouco depois. A história é conhecida. O que não se sabia foi o que aconteceu por trás disso tudo: manobras judiciais, desentendimentos, ameaças. Os bastidores da história de Araújo com Roberto Carlos são esmiuçados em O Réu e o Rei – Minha História com Roberto Carlos, em Detalhes (Companhia das Letras), lançado neste ano. A primeira coisa a se alertar sobre a obra é que a sua imagem de Roberto Carlos, seja ela qual for, não será mais a mesma. Os episódios relatados mostram uma face bem diferente do ídolo quase santo que vemos na televisão. É difícil não questionar a imagem do capixaba, especialmente com a narrativa da audiência em que as partes deveriam se entender (aquela famosa, em que o juiz tirou foto com o cantor e entregou-lhe um disco). O Rei fica nu e mostra-se irredutível e ganancioso. Paulo Cesar Araújo usa a narrativa para convencer o leitor de sua boa vontade. O autor nos faz crer que os dois estão conectados e que Roberto Carlos em Detalhes é um projeto sério, além de merecida homenagem. Pode-se encontrar de tudo em O Réu e o Rei, menos ressentimento. A obra, no entanto, vai além da história dos dois. Araújo cria praticamente um dossiê pela liberdade de expressão. Ele fala do surgimento do grupo Procure Saber, liderado por Paula Lavigne e adotado por grandes nomes como Chico Buarque e Gilberto Gil, e fecha o livro com uma reflexão sobre a legislação vigente, que está para ser mudada, em uma comparação (exagerada, mas interessante) do astro a antigos senhores de escravos. Roberto Carlos é, sem dúvida, o maior sucesso de vendas da história da música do país. Entre os anos 60 e 80, com poucas exceções, o cantor lutava contra ele mesmo para bater recordes de vendagem. Suas canções são referência para a produção nacional até hoje. O Réu e o Rei explica por que, apesar disso tudo, o astro tornou-se símbolo do atraso. Se não tivesse agido da forma autoritária como agiu, poderia ter ganhado fãs mais jovens. Roberto Carlos em Detalhes é o livro de um admirador sobre seu ídolo. Mas o Rei preferiu relembrar uma prática comum no país em seus tempos de auge e pediu a censura (acompanhada, claro, de muito dinheiro). Escrever e publicar livros no Brasil não é fácil. Mário Magalhães, autor da premiada Marighella – o Guerreiro que Incendiou o Mundo, esmiuçou em seu blog todos os gastos e esforços que teve para produzir um livro que, apesar de sucesso de vendas, ainda não se pagou. Tudo piora se um dos maiores ídolos do país está contra você. Por isso, esta obra torna-se essencial – talvez mais até da que a originou. Em breve, a liberdade de publicação no Brasil será plena e os dois livros de Araújo ficarão nas prateleiras de quem quiser, como os discos do cantor (quem sabe ao lado?). Goste Roberto Carlos ou não.
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5
De Quem É A Culpa?
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Resenha de “O Réu e o Rei – Minha História com Roberto Carlos, em Detalhes”, de Paulo Cesar Araújo

por em 05/09/2014
class="aligncenter size-full wp-image-6435" alt="O REI E O RÉU" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/09/O-REI-E-O-RÉU.jpg" width="345" height="500" /> O Rei ficou nu – e não foi bonito Por Lucas Borges Teixeira O maior sonho de qualquer fã é conhecer seu ídolo. Quando criança, no interior da Bahia, Paulo Cesar de Araújo fazia o que podia e o que não podia para chegar mais perto do dele: fosse entrar em um show escondido ou economizar meses de trabalho como engraxate para comprar um compacto. Quase 40 anos depois, a história entre o jornalista e Roberto Carlos, no entanto, não é das mais bonitas. Fascinado pelo astro nacional, Araújo (autor de “Eu Não Sou Cachorro, Não”) reuniu material durante 16 anos e fez 175 pesquisas para lançar, em 2006, Roberto Carlos em “Detalhes”. O cantor acionou a Justiça e o livro foi recolhido pouco depois. A história é conhecida. O que não se sabia foi o que aconteceu por trás disso tudo: manobras judiciais, desentendimentos, ameaças. Os bastidores da história de Araújo com Roberto Carlos são esmiuçados em O Réu e o Rei – Minha História com Roberto Carlos, em Detalhes (Companhia das Letras), lançado neste ano. A primeira coisa a se alertar sobre a obra é que a sua imagem de Roberto Carlos, seja ela qual for, não será mais a mesma. Os episódios relatados mostram uma face bem diferente do ídolo quase santo que vemos na televisão. É difícil não questionar a imagem do capixaba, especialmente com a narrativa da audiência em que as partes deveriam se entender (aquela famosa, em que o juiz tirou foto com o cantor e entregou-lhe um disco). O Rei fica nu e mostra-se irredutível e ganancioso. Paulo Cesar Araújo usa a narrativa para convencer o leitor de sua boa vontade. O autor nos faz crer que os dois estão conectados e que Roberto Carlos em Detalhes é um projeto sério, além de merecida homenagem. Pode-se encontrar de tudo em O Réu e o Rei, menos ressentimento. A obra, no entanto, vai além da história dos dois. Araújo cria praticamente um dossiê pela liberdade de expressão. Ele fala do surgimento do grupo Procure Saber, liderado por Paula Lavigne e adotado por grandes nomes como Chico Buarque e Gilberto Gil, e fecha o livro com uma reflexão sobre a legislação vigente, que está para ser mudada, em uma comparação (exagerada, mas interessante) do astro a antigos senhores de escravos. Roberto Carlos é, sem dúvida, o maior sucesso de vendas da história da música do país. Entre os anos 60 e 80, com poucas exceções, o cantor lutava contra ele mesmo para bater recordes de vendagem. Suas canções são referência para a produção nacional até hoje. O Réu e o Rei explica por que, apesar disso tudo, o astro tornou-se símbolo do atraso. Se não tivesse agido da forma autoritária como agiu, poderia ter ganhado fãs mais jovens. Roberto Carlos em Detalhes é o livro de um admirador sobre seu ídolo. Mas o Rei preferiu relembrar uma prática comum no país em seus tempos de auge e pediu a censura (acompanhada, claro, de muito dinheiro). Escrever e publicar livros no Brasil não é fácil. Mário Magalhães, autor da premiada Marighella – o Guerreiro que Incendiou o Mundo, esmiuçou em seu blog todos os gastos e esforços que teve para produzir um livro que, apesar de sucesso de vendas, ainda não se pagou. Tudo piora se um dos maiores ídolos do país está contra você. Por isso, esta obra torna-se essencial – talvez mais até da que a originou. Em breve, a liberdade de publicação no Brasil será plena e os dois livros de Araújo ficarão nas prateleiras de quem quiser, como os discos do cantor (quem sabe ao lado?). Goste Roberto Carlos ou não.