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Resenha de The Rolling Stones – A Biografia Definitiva, de Christopher Sandford

por em 24/10/2014
class="aligncenter size-full wp-image-9074" alt="rolling-stones-a-biografia-definitiva" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/10/rolling-stones-a-biografia-definitiva.jpg" width="400" height="400" /> A história sem fim – e extremamente rebelde – dos Rolling Stones Por Maurício Amendola Escrever qualquer biografia, além de demandar uma apuração cirúrgica, exige do biógrafo uma onerosa capacidade de seleção: o que é imprescindível ou descartável numa história? Imagine quando o biografado é uma banda polêmica, amada por milhões, recheada de histórias marcantes, com integrantes dignos de calhamaços sobre seus causos e com mais de 50 anos de carreira? O escritor Christopher Sandford topou o desafio. E, ainda assim, é difícil acreditar que ele tenha deixado algo de fora. Em The Rolling Stones - A Biografia Definitiva, o autor – responsável por obras sobre Eric Clapton, Sting, Kurt Cobain e os próprios Mick Jagger e Keith Richards – destrincha toda (ênfase em “toda”) a trajetória da maior banda de rock em atividade ao longo de mais de 500 páginas. Durante toda a obra, Sanford insiste que rebeldia e não adequação aos padrões vigentes temperaram toda a aventura de Mick, Ketih e companhia. Trapalhadas com a polícia, uso abusivo de drogas e demonstrações de “fuck the system” têm alguma aparição em praticamente todos os capítulos do livro. Em certo momento, as depravações do Stones ganham até algo de clichê – a estética “revolts” esteve presente desde a formação do grupo, inclusive como uma proposta a ser consolidada. Em 1963, quando a banda sequer tinha lançado seu álbum de estreia homônimo, o pianista Ian Stewart foi expulso sob a justificativa de que era comum demais (!) para estar na banda. Vale dizer que Stewart foi um dos fundadores dos Stones. Eles queriam inaugurar o cool, não resta dúvida. Um dos pontos marcantes da fase inicial da história é a morte do ex-guitarrista Brian Jones, em julho de 1969. O autor realizou diversas entrevistas com Frank Thorogood, caseiro de Jones, que, à época, chegou a ser acusado pelo crime e é alvo das mesmas insinuações até hoje. O que surge nas entrelinhas da passagem mais trágica da carreira dos Stones é que os outros integrantes – em especial, Jagger e Richards – fizeram vista grossa à condição alarmante do antigo companheiro de banda, expulso pelo exagero nas drogas. Jones é claramente mostrado como alguém que, aos poucos, foi perdendo qualquer aspiração artística e se lançou num buraco sem fim. O livro mostra que a relação entre os Stones não dava muito espaço para afetos e empatia, a não ser quando o assunto era compor. Aí a dupla principal entrava numa bolha de coleguismo e sintonia, que acabou atravessando décadas. O período entre o início dos anos 1960 e o meio dos 1970 é o mais interessante – o que se traduz na própria discografia do grupo. Mas não dá para dizer que a história perca o fôlego depois disso. Tanto tempo na estrada, por si só, já é assunto certeiro. Quem é fã tem de ler. Trata-se de uma imersão inédita no universo dos Stones, uma banda que comprova que os bastidores podem estar repletos de incontornáveis desavenças, mas, se o palco e o estúdio estiverem cor-de-rosa, haverá satisfação em continuar, continuar e continuar. https://www.youtube.com/watch?v=AsWR0CTWazQ
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Resenha de The Rolling Stones – A Biografia Definitiva, de Christopher Sandford

por em 24/10/2014
class="aligncenter size-full wp-image-9074" alt="rolling-stones-a-biografia-definitiva" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/10/rolling-stones-a-biografia-definitiva.jpg" width="400" height="400" /> A história sem fim – e extremamente rebelde – dos Rolling Stones Por Maurício Amendola Escrever qualquer biografia, além de demandar uma apuração cirúrgica, exige do biógrafo uma onerosa capacidade de seleção: o que é imprescindível ou descartável numa história? Imagine quando o biografado é uma banda polêmica, amada por milhões, recheada de histórias marcantes, com integrantes dignos de calhamaços sobre seus causos e com mais de 50 anos de carreira? O escritor Christopher Sandford topou o desafio. E, ainda assim, é difícil acreditar que ele tenha deixado algo de fora. Em The Rolling Stones - A Biografia Definitiva, o autor – responsável por obras sobre Eric Clapton, Sting, Kurt Cobain e os próprios Mick Jagger e Keith Richards – destrincha toda (ênfase em “toda”) a trajetória da maior banda de rock em atividade ao longo de mais de 500 páginas. Durante toda a obra, Sanford insiste que rebeldia e não adequação aos padrões vigentes temperaram toda a aventura de Mick, Ketih e companhia. Trapalhadas com a polícia, uso abusivo de drogas e demonstrações de “fuck the system” têm alguma aparição em praticamente todos os capítulos do livro. Em certo momento, as depravações do Stones ganham até algo de clichê – a estética “revolts” esteve presente desde a formação do grupo, inclusive como uma proposta a ser consolidada. Em 1963, quando a banda sequer tinha lançado seu álbum de estreia homônimo, o pianista Ian Stewart foi expulso sob a justificativa de que era comum demais (!) para estar na banda. Vale dizer que Stewart foi um dos fundadores dos Stones. Eles queriam inaugurar o cool, não resta dúvida. Um dos pontos marcantes da fase inicial da história é a morte do ex-guitarrista Brian Jones, em julho de 1969. O autor realizou diversas entrevistas com Frank Thorogood, caseiro de Jones, que, à época, chegou a ser acusado pelo crime e é alvo das mesmas insinuações até hoje. O que surge nas entrelinhas da passagem mais trágica da carreira dos Stones é que os outros integrantes – em especial, Jagger e Richards – fizeram vista grossa à condição alarmante do antigo companheiro de banda, expulso pelo exagero nas drogas. Jones é claramente mostrado como alguém que, aos poucos, foi perdendo qualquer aspiração artística e se lançou num buraco sem fim. O livro mostra que a relação entre os Stones não dava muito espaço para afetos e empatia, a não ser quando o assunto era compor. Aí a dupla principal entrava numa bolha de coleguismo e sintonia, que acabou atravessando décadas. O período entre o início dos anos 1960 e o meio dos 1970 é o mais interessante – o que se traduz na própria discografia do grupo. Mas não dá para dizer que a história perca o fôlego depois disso. Tanto tempo na estrada, por si só, já é assunto certeiro. Quem é fã tem de ler. Trata-se de uma imersão inédita no universo dos Stones, uma banda que comprova que os bastidores podem estar repletos de incontornáveis desavenças, mas, se o palco e o estúdio estiverem cor-de-rosa, haverá satisfação em continuar, continuar e continuar. https://www.youtube.com/watch?v=AsWR0CTWazQ