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Resenha de The Smiths: A Biografia – A Light That Never Goes Out, de Tony Fletcher

por em 28/11/2014
ong>A rápida e interminável história dos Smiths Por Lucas Borges Teixeira Nenhuma banda chacoalhou tanto a cena cult inglesa dos anos 80 quanto os Smiths.  O quarteto estourou entre os jovens com músicas que falavam de política, amor, rebeldia, solidão, celibato e vegetarianismo. Diversos livros, documentários e reportagens sobre eles já foram lançados – o próprio vocalista, Steven Morrissey, já contou sua versão em uma autobiografia.  Não satisfeito, o jornalista inglês Tony Fletcher, autor de livros sobre R.E.M. e Keith Moon, ex-baterista do The Who, tenta detalhar melhor a rápida e densa trajetória da banda em The Smiths: A Biografia – A Light That Never Goes Out (BestSeller). O quarteto formado por Morrissey, Johnny Marr, Mike Joyce e Andy Rourke personifica a Inglaterra cinza e um tanto pueril dos anos 80 – a Era Thatcher, como é chamada, quando a ex-primeira ministra, do Partido Conservador, comandava o país com dureza e, com o perdão do clichê, mãos de ferro. É a época em que o país explode em greves sindicais (a mais famosa, de mineiros, chega a durar um ano ininterrupto) e as medidas econômicas são severamente criticadas por parte da sociedade. É neste lado, junto aos jovens rebeldes vivendo o pós-punk, em que a banda se encontra. Em 1984, o grupo separatista IRA plantou uma bomba em um hotel em que estavam hospedados membros do Partido Conservador com intenção de matar a então primeira-ministra. Cinco pessoas morreram. Morrissey, conhecido por não fugir da polêmica, comentou: “a única coisa que eu lamento na explosão do hotel em Brighton é que Thatcher saiu ilesa”.

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O forte posicionamento político, no entanto, era apenas parte dos temas profundos e nada ortodoxos em que o grupo se metia. Se falar em celibato e liberdade sexual ainda causa polêmica hoje, dá para imaginar o barulho que isso fazia entre os grupos mais conservadores nos anos 80. O mesmo pode ser dito sobre vegetarianismo e o famoso álbum Meat Is Murder (ou seja, comer carne é assassinato), de 1985. O grupo gostava de provocar, mas, como fica claro na biografia, isso estava longe de ser o objetivo principal. Tanto o pulso inquieto de Marr quanto as letras pesadas de Morrissey não eram nada mais do que uma extensão do que sentiam. A beleza das letras combinada à intensidade dos riffs não eram arte pela arte, provocação por provocação. É nessa sacada espontânea que mora a força da banda e por que ela se mantém relevante até hoje, argumenta o autor. Não é apenas na análise da obra musical ou no período da banda em atividade que a biografia foca. Muito pelo contrário. Há longas passagens sobre a batalha judicial sem fim entre os membros quase uma década depois da separação. Os que gostam de classificar os Smiths como “uma banda dramática” encontraram força para isso no período. O tempo em que o jornalista acompanhou a banda – Fletcher foi um dos primeiros a entrevistar o grupo, em 1982 – somado aos anos de pesquisa trouxeram um material extenso (mais de 600 páginas na edição brasileira) e detalhado. Embora não tenha conseguido entrevistar Morrissey especificamente para o livro, o inglês foi atrás de todas as pessoas vivas que, de alguma forma, participaram da vida da banda. Nessa busca, Fletcher entrevistou a diretora Tamra Davis, que pôde esclarecer um dos episódios mais marcantes na pré-separação da banda. Em 1987, o grupo havia marcado de gravar um clipe em Londres. Marr, Joyce e Rourke apareceram; Morrissey ficou trancado no quarto. Quando a diretora, responsável pelas filmagens, foi ao hotel acompanhada do guitarrista para resolver a situação, ela conta que “não sabia se ele [Morrissey] estava rindo ou chorando do outro lado da porta”. Marr, então, respondeu: “É isso. A banda acabou”.Era o início do fim, que se concretizaria naquele ano. Fletcher narra detalhadamente a trajetória do grupo e – ao mesmo tempo – evidencia as diferenças entre cada um deles, expõe os humanos por baixo das capas egocêntricas de astros de rock. Morrissey, por exemplo, tão sensível em suas composições, deu declarações no mínimo indelicadas sobre o vício em drogas quando Rourke passava por tratamento. Já Marr, aos 23 anos, tinha um ego mais potente do que a sua guitarra. Os Smiths representam o que há de mais meteórico em todas as suas esferas. Adorado de forma messiânica pelos fãs na época e respeitado até hoje, o grupo inglês conseguiu tudo isso em pouco mais de cinco anos de união e com quatro discos de estúdio. Reza a lenda que, para se eternizar no meio musical, estes são os números certos. https://www.youtube.com/watch?v=KmXAnB0mEvo
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Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
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Resenha de The Smiths: A Biografia – A Light That Never Goes Out, de Tony Fletcher

por em 28/11/2014
ong>A rápida e interminável história dos Smiths Por Lucas Borges Teixeira Nenhuma banda chacoalhou tanto a cena cult inglesa dos anos 80 quanto os Smiths.  O quarteto estourou entre os jovens com músicas que falavam de política, amor, rebeldia, solidão, celibato e vegetarianismo. Diversos livros, documentários e reportagens sobre eles já foram lançados – o próprio vocalista, Steven Morrissey, já contou sua versão em uma autobiografia.  Não satisfeito, o jornalista inglês Tony Fletcher, autor de livros sobre R.E.M. e Keith Moon, ex-baterista do The Who, tenta detalhar melhor a rápida e densa trajetória da banda em The Smiths: A Biografia – A Light That Never Goes Out (BestSeller). O quarteto formado por Morrissey, Johnny Marr, Mike Joyce e Andy Rourke personifica a Inglaterra cinza e um tanto pueril dos anos 80 – a Era Thatcher, como é chamada, quando a ex-primeira ministra, do Partido Conservador, comandava o país com dureza e, com o perdão do clichê, mãos de ferro. É a época em que o país explode em greves sindicais (a mais famosa, de mineiros, chega a durar um ano ininterrupto) e as medidas econômicas são severamente criticadas por parte da sociedade. É neste lado, junto aos jovens rebeldes vivendo o pós-punk, em que a banda se encontra. Em 1984, o grupo separatista IRA plantou uma bomba em um hotel em que estavam hospedados membros do Partido Conservador com intenção de matar a então primeira-ministra. Cinco pessoas morreram. Morrissey, conhecido por não fugir da polêmica, comentou: “a única coisa que eu lamento na explosão do hotel em Brighton é que Thatcher saiu ilesa”.

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O forte posicionamento político, no entanto, era apenas parte dos temas profundos e nada ortodoxos em que o grupo se metia. Se falar em celibato e liberdade sexual ainda causa polêmica hoje, dá para imaginar o barulho que isso fazia entre os grupos mais conservadores nos anos 80. O mesmo pode ser dito sobre vegetarianismo e o famoso álbum Meat Is Murder (ou seja, comer carne é assassinato), de 1985. O grupo gostava de provocar, mas, como fica claro na biografia, isso estava longe de ser o objetivo principal. Tanto o pulso inquieto de Marr quanto as letras pesadas de Morrissey não eram nada mais do que uma extensão do que sentiam. A beleza das letras combinada à intensidade dos riffs não eram arte pela arte, provocação por provocação. É nessa sacada espontânea que mora a força da banda e por que ela se mantém relevante até hoje, argumenta o autor. Não é apenas na análise da obra musical ou no período da banda em atividade que a biografia foca. Muito pelo contrário. Há longas passagens sobre a batalha judicial sem fim entre os membros quase uma década depois da separação. Os que gostam de classificar os Smiths como “uma banda dramática” encontraram força para isso no período. O tempo em que o jornalista acompanhou a banda – Fletcher foi um dos primeiros a entrevistar o grupo, em 1982 – somado aos anos de pesquisa trouxeram um material extenso (mais de 600 páginas na edição brasileira) e detalhado. Embora não tenha conseguido entrevistar Morrissey especificamente para o livro, o inglês foi atrás de todas as pessoas vivas que, de alguma forma, participaram da vida da banda. Nessa busca, Fletcher entrevistou a diretora Tamra Davis, que pôde esclarecer um dos episódios mais marcantes na pré-separação da banda. Em 1987, o grupo havia marcado de gravar um clipe em Londres. Marr, Joyce e Rourke apareceram; Morrissey ficou trancado no quarto. Quando a diretora, responsável pelas filmagens, foi ao hotel acompanhada do guitarrista para resolver a situação, ela conta que “não sabia se ele [Morrissey] estava rindo ou chorando do outro lado da porta”. Marr, então, respondeu: “É isso. A banda acabou”.Era o início do fim, que se concretizaria naquele ano. Fletcher narra detalhadamente a trajetória do grupo e – ao mesmo tempo – evidencia as diferenças entre cada um deles, expõe os humanos por baixo das capas egocêntricas de astros de rock. Morrissey, por exemplo, tão sensível em suas composições, deu declarações no mínimo indelicadas sobre o vício em drogas quando Rourke passava por tratamento. Já Marr, aos 23 anos, tinha um ego mais potente do que a sua guitarra. Os Smiths representam o que há de mais meteórico em todas as suas esferas. Adorado de forma messiânica pelos fãs na época e respeitado até hoje, o grupo inglês conseguiu tudo isso em pouco mais de cinco anos de união e com quatro discos de estúdio. Reza a lenda que, para se eternizar no meio musical, estes são os números certos. https://www.youtube.com/watch?v=KmXAnB0mEvo