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Resenha - Novos Baianos: A História do Grupo que Mudou a MPB, de Luiz Galvão

por em 15/08/2014
class="aligncenter size-full wp-image-5802" alt="Novos baianos livro" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/08/Novos-baianos-livro.jpg" width="660" height="660" /> Tá pensando que tudo é futebol?  Por Maurício Amendola Edição ampliada do livro Anos 70: Novos e Baianos – lançado em 1997 –,Novos Baianos: A História do Grupo que Mudou a MPB traz um relato biográfico detalhado e sem ordem cronológica rigorosa de Luiz Galvão, o poeta e um dos fundadores do grupo. Com uma introdução no mínimo inesperada de (!) José Sarney, o livro revela muito mais que o laureado Acabou Chorare, disco de 1972 que colocou o Novos Baianos na lista dos grandes acontecimentos da música brasileira, e mostra que houve longas estradas antes e depois. As histórias que envolvem encontros com João Gilberto e que transformaram a musicalidade do grupo de maneira decisiva já foram bem disseminadas por aí, mas Galvão faz questão de reconta-las à sua maneira: poética e nostálgica. Em diversos trechos do livro é possível sentir uma atmosfera saudosista ao melhor estilo “que tempo bom que não volta”. A música, obviamente, é explorada por Galvão, mas, talvez por ter estado distante dos arranjos e harmonias, o poeta reserva um considerável espaço da obra para resgatar personagens e causos da história do grupo, que não se relacionam diretamente aos álbuns ou composições. “Bichinhas” fãs de Baby, o traficante Jaguaribe e Maritó – dona da pensão onde Galvão acordou Moraes Moreira, em 1967, a mando de Tom Zé – são algumas das figuras lembradas pelo autor. O estilo narrativo de Galvão fortalece a ideia de que apesar de ser uma biografia do Novos Baianos, o relato é elaborado totalmente sob sua visão. Muita das vezes ele é o elemento central dos eventos, quase como um narrador-personagem. Dentre os causos, há momento até para a bronca com aqueles que falavam de forma pejorativa do futebol do Novos Baianos. O futebolzinho entre eles era coisa séria, segundo Galvão, com direito a uma “paulista” no intervalo – aquela passada de baseado de mão em mão dando só um pega. “Baiano esquece ou faz que esquece. E ainda diz ‘Ia me esquecendo de passar’”, escreve o poeta. Aliás, a forma como as drogas são tratadas no livro chama atenção pela transparência e o espírito “peito aberto”. “Vejo agora que erramos feio quando, além de usarmos entorpecentes, hasteamos a bandeira das drogas, influenciando jovens do nosso tempo”, afirma Galvão logo no primeiro capítulo. Adiante, no capítulo “O porquê das drogas”, o poeta assume que não poderia dizer que drogas sejam ruins, porque, se fossem, ninguém usaria, e conta das experiências e “brisas” do Novos Baianos. Mas sem dar nome aos bois, bancando apenas as suas viagens. Maconha, cocaína e LSD são algumas das substâncias citadas de maneira corriqueira e leve. O autor assegura que seus parceiros, hoje em dia, abandonaram essas aventuras. O grande presente de Galvão aos fãs nesta viagem ao universo dos baianos é a oportunidade de ir além do que está consolidado na crítica musical e no entorno do grupo. Sim, eles foram grandes artistas. Talvez tenham sido os mais próximos dos hippies, no Brasil. Mas, como diz a canção “Vagabundo Não é Fácil”, tá pensando que tudo é futebol? Houve crises, estresses com empresários – amizades com eles também –, debandadas e problemas com a polícia. Os entraves são sintomas de que houve um espírito de irresponsabilidade e desinteresse para com as instituições sociais – sem a pretensa autossuficiência da tropicália – no Novos Baianos. Esse espírito, que permeia todas as pequenas histórias do livro, com certeza é mais interessante do que o processo de composição de “Eu ia lhe chamar, enquanto corria a barca”. Em alguns momentos da leitura, é possível que você se pergunte “mas será que essa história realmente serve para alguma coisa?” ou então achar que falta humildade a Galvão – pelo capítulo “apresentamos o chorinho brasileiro para a juventude” ou pelo título nada acanhado do livro. Minha opinião: deixa o poeta falar. https://www.youtube.com/watch?v=Fw3AFftwh30
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Resenha - Novos Baianos: A História do Grupo que Mudou a MPB, de Luiz Galvão

por em 15/08/2014
class="aligncenter size-full wp-image-5802" alt="Novos baianos livro" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/08/Novos-baianos-livro.jpg" width="660" height="660" /> Tá pensando que tudo é futebol?  Por Maurício Amendola Edição ampliada do livro Anos 70: Novos e Baianos – lançado em 1997 –,Novos Baianos: A História do Grupo que Mudou a MPB traz um relato biográfico detalhado e sem ordem cronológica rigorosa de Luiz Galvão, o poeta e um dos fundadores do grupo. Com uma introdução no mínimo inesperada de (!) José Sarney, o livro revela muito mais que o laureado Acabou Chorare, disco de 1972 que colocou o Novos Baianos na lista dos grandes acontecimentos da música brasileira, e mostra que houve longas estradas antes e depois. As histórias que envolvem encontros com João Gilberto e que transformaram a musicalidade do grupo de maneira decisiva já foram bem disseminadas por aí, mas Galvão faz questão de reconta-las à sua maneira: poética e nostálgica. Em diversos trechos do livro é possível sentir uma atmosfera saudosista ao melhor estilo “que tempo bom que não volta”. A música, obviamente, é explorada por Galvão, mas, talvez por ter estado distante dos arranjos e harmonias, o poeta reserva um considerável espaço da obra para resgatar personagens e causos da história do grupo, que não se relacionam diretamente aos álbuns ou composições. “Bichinhas” fãs de Baby, o traficante Jaguaribe e Maritó – dona da pensão onde Galvão acordou Moraes Moreira, em 1967, a mando de Tom Zé – são algumas das figuras lembradas pelo autor. O estilo narrativo de Galvão fortalece a ideia de que apesar de ser uma biografia do Novos Baianos, o relato é elaborado totalmente sob sua visão. Muita das vezes ele é o elemento central dos eventos, quase como um narrador-personagem. Dentre os causos, há momento até para a bronca com aqueles que falavam de forma pejorativa do futebol do Novos Baianos. O futebolzinho entre eles era coisa séria, segundo Galvão, com direito a uma “paulista” no intervalo – aquela passada de baseado de mão em mão dando só um pega. “Baiano esquece ou faz que esquece. E ainda diz ‘Ia me esquecendo de passar’”, escreve o poeta. Aliás, a forma como as drogas são tratadas no livro chama atenção pela transparência e o espírito “peito aberto”. “Vejo agora que erramos feio quando, além de usarmos entorpecentes, hasteamos a bandeira das drogas, influenciando jovens do nosso tempo”, afirma Galvão logo no primeiro capítulo. Adiante, no capítulo “O porquê das drogas”, o poeta assume que não poderia dizer que drogas sejam ruins, porque, se fossem, ninguém usaria, e conta das experiências e “brisas” do Novos Baianos. Mas sem dar nome aos bois, bancando apenas as suas viagens. Maconha, cocaína e LSD são algumas das substâncias citadas de maneira corriqueira e leve. O autor assegura que seus parceiros, hoje em dia, abandonaram essas aventuras. O grande presente de Galvão aos fãs nesta viagem ao universo dos baianos é a oportunidade de ir além do que está consolidado na crítica musical e no entorno do grupo. Sim, eles foram grandes artistas. Talvez tenham sido os mais próximos dos hippies, no Brasil. Mas, como diz a canção “Vagabundo Não é Fácil”, tá pensando que tudo é futebol? Houve crises, estresses com empresários – amizades com eles também –, debandadas e problemas com a polícia. Os entraves são sintomas de que houve um espírito de irresponsabilidade e desinteresse para com as instituições sociais – sem a pretensa autossuficiência da tropicália – no Novos Baianos. Esse espírito, que permeia todas as pequenas histórias do livro, com certeza é mais interessante do que o processo de composição de “Eu ia lhe chamar, enquanto corria a barca”. Em alguns momentos da leitura, é possível que você se pergunte “mas será que essa história realmente serve para alguma coisa?” ou então achar que falta humildade a Galvão – pelo capítulo “apresentamos o chorinho brasileiro para a juventude” ou pelo título nada acanhado do livro. Minha opinião: deixa o poeta falar. https://www.youtube.com/watch?v=Fw3AFftwh30