NOTÍCIAS

Resenha - O Dia em que o Rock Morreu, de André Forastieri

por em 08/08/2014
ref="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/08/O-dia-em-que-o-rock-morreu-2.jpg">O-dia-em-que-o-rock-morreu-2 Rock, esse defunto (ou Como mexer em vespeiros) Por Lucas Borges Teixeira O rock morreu. Há vinte anos. Não sou eu o mentiroso,  foi André Forastieri que escreveu o livro. Em menos de 200 páginas, O Dia em que o Rock Morreu remexe em diversos cadáveres para falar de um defunto maior: o bom e velho rock’n’roll. Jornalista respeitado, Forastieri quer provocar, e consegue. Como o estilo musical tema do seu livro, o autor está ali para mexer em vespeiro. Isso significa, entre outras coisas, dar porrada em sumidades ou lembrar aos eufóricos que a “nova MPB” (alô, Banda do Mar) não é tão popular assim. A verdade é que quase ninguém escapa. Isso gera, obviamente, críticas e elogios de todos os lados (suspeito que ele goste). Há quem o chame de polemista, que não gera reflexão. Não é por aí. Seu texto sobre Caetano Veloso, por exemplo, publicado originalmente em agosto de 2012, deveria ter sido revisto após o Abraçaço, lançado meses depois, visto que é um disco tão bom quanto o Caetano que ele diz ter morrido. Mas o objetivo é chacoalhar, não analisar a obra. Cada fã se morde com o que quiser. Tem de se dar o crédito (e tirar o chapéu) para o jornalista que começa seu livro com “Foda-se que John Lennon morreu. Era um babaca. Os tiros de Mark Chapman foram de misericórdia” e sustenta a afirmação com argumentos. Além de música, Forastieri trata de jornalismo. Vai no cerne da mudança dos tempos.  MTV acabou. Ninguém compra mais CD (nem revista de música). É como se os críticos tivessem se tornado obsoletos. Certo? Errado. O autor ajuda a mostrar a importância do trabalho jornalístico ao falar das famosas Mojo e Uncut. Resultado de mais de duas décadas de trabalho, o livro é praticamente uma reflexão sobre o que não existe mais. A questão fulcral da obra não é a qualidade da música em si, mas a atitude. “Se não tem fogo, não é rock”, declarou Forastieri em uma entrevista à Oi FM há algumas semanas. Hoje, ele exemplifica, o show do Black Sabbath está mais para parque temático. Segundo ele, o rock atualmente é sobre “celebrar o passado e não chutar as portas do futuro”. O livro é um exercício de desmistificação e iconoclastia. Dio é deus ridículo; Caetano, um esqueleto; rock nacional, natimorto; e Elvis, o rei do pop. Ele faz o que o rock, como o próprio alega, parou de fazer: irrita, rompe, constrange, provoca e mente. O capítulo dedicado ao Nirvana, segundo o autor a última verdadeira banda de rock, fecha o livro como uma celebração fúnebre.  A entrevista com Kurt Cobain, feita pela Bizz em 1992, única da obra, parece que está lá para fechar o argumento. Nunca mais houve um roqueiro como Cobain, que se matou há vinte anos(haverá?). Ler a conversa nos faz pensar: cadê isso hoje? Pois é, responde o autor nas estrelinhas: morreu... Mas não se engane, não se iluda, não se irrite. Esta é a ideia dele. Eu tinha três anos quando Kurt deu um tiro na cabeça. Nunca vi rock de verdade? Sou um jovem celebrando mortos e múmias? Se o que importa é a atitude, posso dizer que não. Nevermind mudou a minha vida. Meu coração “vibra em três acordes” como o do autor. O Dia em que o Rock Morreu pode ser lido tanto para refletir sobre o mundo e a música atualmente (celebrando o passado) quanto para passar o tempo. Você se pegará concordando com muita coisa e discordando de tantas outras. Forastieri cuspirá nos seus ídolos (algo que ele diz não ter). A graça está em como você reagirá a isso. http://www.youtube.com/watch?v=Gmg825Qz0xs     Leia também as resenhas de A Biografia de Torquato Neto, de Toninho Vaz, e Black Sabbath: A Biografia, de Mick Wall.
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Resenha - O Dia em que o Rock Morreu, de André Forastieri

por em 08/08/2014
ref="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/08/O-dia-em-que-o-rock-morreu-2.jpg">O-dia-em-que-o-rock-morreu-2 Rock, esse defunto (ou Como mexer em vespeiros) Por Lucas Borges Teixeira O rock morreu. Há vinte anos. Não sou eu o mentiroso,  foi André Forastieri que escreveu o livro. Em menos de 200 páginas, O Dia em que o Rock Morreu remexe em diversos cadáveres para falar de um defunto maior: o bom e velho rock’n’roll. Jornalista respeitado, Forastieri quer provocar, e consegue. Como o estilo musical tema do seu livro, o autor está ali para mexer em vespeiro. Isso significa, entre outras coisas, dar porrada em sumidades ou lembrar aos eufóricos que a “nova MPB” (alô, Banda do Mar) não é tão popular assim. A verdade é que quase ninguém escapa. Isso gera, obviamente, críticas e elogios de todos os lados (suspeito que ele goste). Há quem o chame de polemista, que não gera reflexão. Não é por aí. Seu texto sobre Caetano Veloso, por exemplo, publicado originalmente em agosto de 2012, deveria ter sido revisto após o Abraçaço, lançado meses depois, visto que é um disco tão bom quanto o Caetano que ele diz ter morrido. Mas o objetivo é chacoalhar, não analisar a obra. Cada fã se morde com o que quiser. Tem de se dar o crédito (e tirar o chapéu) para o jornalista que começa seu livro com “Foda-se que John Lennon morreu. Era um babaca. Os tiros de Mark Chapman foram de misericórdia” e sustenta a afirmação com argumentos. Além de música, Forastieri trata de jornalismo. Vai no cerne da mudança dos tempos.  MTV acabou. Ninguém compra mais CD (nem revista de música). É como se os críticos tivessem se tornado obsoletos. Certo? Errado. O autor ajuda a mostrar a importância do trabalho jornalístico ao falar das famosas Mojo e Uncut. Resultado de mais de duas décadas de trabalho, o livro é praticamente uma reflexão sobre o que não existe mais. A questão fulcral da obra não é a qualidade da música em si, mas a atitude. “Se não tem fogo, não é rock”, declarou Forastieri em uma entrevista à Oi FM há algumas semanas. Hoje, ele exemplifica, o show do Black Sabbath está mais para parque temático. Segundo ele, o rock atualmente é sobre “celebrar o passado e não chutar as portas do futuro”. O livro é um exercício de desmistificação e iconoclastia. Dio é deus ridículo; Caetano, um esqueleto; rock nacional, natimorto; e Elvis, o rei do pop. Ele faz o que o rock, como o próprio alega, parou de fazer: irrita, rompe, constrange, provoca e mente. O capítulo dedicado ao Nirvana, segundo o autor a última verdadeira banda de rock, fecha o livro como uma celebração fúnebre.  A entrevista com Kurt Cobain, feita pela Bizz em 1992, única da obra, parece que está lá para fechar o argumento. Nunca mais houve um roqueiro como Cobain, que se matou há vinte anos(haverá?). Ler a conversa nos faz pensar: cadê isso hoje? Pois é, responde o autor nas estrelinhas: morreu... Mas não se engane, não se iluda, não se irrite. Esta é a ideia dele. Eu tinha três anos quando Kurt deu um tiro na cabeça. Nunca vi rock de verdade? Sou um jovem celebrando mortos e múmias? Se o que importa é a atitude, posso dizer que não. Nevermind mudou a minha vida. Meu coração “vibra em três acordes” como o do autor. O Dia em que o Rock Morreu pode ser lido tanto para refletir sobre o mundo e a música atualmente (celebrando o passado) quanto para passar o tempo. Você se pegará concordando com muita coisa e discordando de tantas outras. Forastieri cuspirá nos seus ídolos (algo que ele diz não ter). A graça está em como você reagirá a isso. http://www.youtube.com/watch?v=Gmg825Qz0xs     Leia também as resenhas de A Biografia de Torquato Neto, de Toninho Vaz, e Black Sabbath: A Biografia, de Mick Wall.