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Resenha - Pavões Misteriosos:1974 – 1983: A Explosão da Música Pop no Brasil, de André Barcinski

por em 22/08/2014
class="aligncenter size-full wp-image-6018" alt="Pavões Misteriosos" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/08/Pavões-Misteriosos.png" width="500" height="750" />   O pop é nosso Por Lucas Borges Teixeira Em 1983, o inglês Richard David Court foi o maior vendedor de discos no Brasil, com 1,2 milhão de cópias do seu álbum de estreia, Voo de coração. Uma marca impressionante, impulsionada pelo megahit “Menina Veneno”. Ritchie, como tantos outros, foi peça chave para a consolidação do pop brasileiro. Só que a história dos que vieram uma década antes dele não havia sido contada devidamente até agora, como acredita o jornalista André Barcinski, autor do recém-lançado Pavões Misteriosos – 1974 – 1983: a explosão da música pop no Brasil (editora Três Estrelas). No início dos anos 70, uma série de artistas decidiu – alguns (ou a maioria) não tão intencionalmente assim – seguir um caminho diferente da MPB, influenciado por sons estrangeiros. Este grande guarda-chuva abrange de tudo: nomes conceituados (Jorge Ben, Secos & Molhados), roqueiros (Rita Lee pós-Mutantes, Raul Seixas), “bregas” (Odair José), musas (Angela Rô Rô,  Fafá de Belém), o “pessoal do Ceará” (Fagner, Ednardo, Belchior) e até o fenômeno popular, porém esquisito, dos “falsos gringos” (cantores que tinham nomes americanos, cantavam em inglês, mas eram brasileiríssimos – Fábio Jr. esteva entre eles). O interessante é que a narrativa da obra segue a proposta dos artistas que relata. É um trabalho jornalístico sério: foram 65 entrevistas e diversos livros, reportagens, estudos consultados. A linguagem, por sua vez, é completamente pop. Há palavrões, gírias, temas nada ortodoxos... enfim, tudo que reflete a música da época. O extremo em suas várias faces é, inclusive, um dos grandes temas mais abordados. O capítulo “1982: O brilho da cidade – Está nevando no Rio de Janeiro”, por exemplo, relata o quanto a cena pop estava mergulhada em drogas, especialmente cocaína. É de se ressaltar como tudo é explicado e colocado na sua época devida. Afinal, como explicar o boom da venda de discos no país sem falar do Milagre Econômico e da ditadura militar ou do boom da cocaína sem citar Pablo Escobar? Além dos fatos históricos e dos chamados “medalhões da MPB”, há mais dois grandes agentes no pano de fundo dessa história toda: as gravadoras e a mídia. É inegável a força que programas de auditório, especialmente o do Chacrinha, tinham para disseminar músicas e artistas. Da mesma forma, as gravadoras (ora salvadoras ora carrascas) também conseguiam modular quem fazia sucesso por um motivo óbvio: dinheiro. Às vezes acertavam, às vezes, não. Pavões Misteriosos é mais do que um relato sobre uma época e sobre artistas, é também uma reflexão. Barcinski nos lembra que é possível, sim, fazer música pop (divertida, dançante) com qualidade e letras significativas. É claro que já havia patrulhamento “intelectual”(nem Caetano Veloso e Gilberto Gil escaparam), mas o fato é que, de Guilherme Arantes a Blitz, o som era muito bem trabalhado, algo um pouco mais difícil deencontrar no Top 100 da Billboard Brasil em 2014. Entender essa história é entender, em parte, como chegamos aonde chegamos. Eles abriram as portas para o rock brasileiro, que ganhou os holofotes nos anos 80, e, desde então, a música verdadeiramente popular no Brasil nunca mais foi a mesma.
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Resenha - Pavões Misteriosos:1974 – 1983: A Explosão da Música Pop no Brasil, de André Barcinski

por em 22/08/2014
class="aligncenter size-full wp-image-6018" alt="Pavões Misteriosos" src="http://billboard.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/08/Pavões-Misteriosos.png" width="500" height="750" />   O pop é nosso Por Lucas Borges Teixeira Em 1983, o inglês Richard David Court foi o maior vendedor de discos no Brasil, com 1,2 milhão de cópias do seu álbum de estreia, Voo de coração. Uma marca impressionante, impulsionada pelo megahit “Menina Veneno”. Ritchie, como tantos outros, foi peça chave para a consolidação do pop brasileiro. Só que a história dos que vieram uma década antes dele não havia sido contada devidamente até agora, como acredita o jornalista André Barcinski, autor do recém-lançado Pavões Misteriosos – 1974 – 1983: a explosão da música pop no Brasil (editora Três Estrelas). No início dos anos 70, uma série de artistas decidiu – alguns (ou a maioria) não tão intencionalmente assim – seguir um caminho diferente da MPB, influenciado por sons estrangeiros. Este grande guarda-chuva abrange de tudo: nomes conceituados (Jorge Ben, Secos & Molhados), roqueiros (Rita Lee pós-Mutantes, Raul Seixas), “bregas” (Odair José), musas (Angela Rô Rô,  Fafá de Belém), o “pessoal do Ceará” (Fagner, Ednardo, Belchior) e até o fenômeno popular, porém esquisito, dos “falsos gringos” (cantores que tinham nomes americanos, cantavam em inglês, mas eram brasileiríssimos – Fábio Jr. esteva entre eles). O interessante é que a narrativa da obra segue a proposta dos artistas que relata. É um trabalho jornalístico sério: foram 65 entrevistas e diversos livros, reportagens, estudos consultados. A linguagem, por sua vez, é completamente pop. Há palavrões, gírias, temas nada ortodoxos... enfim, tudo que reflete a música da época. O extremo em suas várias faces é, inclusive, um dos grandes temas mais abordados. O capítulo “1982: O brilho da cidade – Está nevando no Rio de Janeiro”, por exemplo, relata o quanto a cena pop estava mergulhada em drogas, especialmente cocaína. É de se ressaltar como tudo é explicado e colocado na sua época devida. Afinal, como explicar o boom da venda de discos no país sem falar do Milagre Econômico e da ditadura militar ou do boom da cocaína sem citar Pablo Escobar? Além dos fatos históricos e dos chamados “medalhões da MPB”, há mais dois grandes agentes no pano de fundo dessa história toda: as gravadoras e a mídia. É inegável a força que programas de auditório, especialmente o do Chacrinha, tinham para disseminar músicas e artistas. Da mesma forma, as gravadoras (ora salvadoras ora carrascas) também conseguiam modular quem fazia sucesso por um motivo óbvio: dinheiro. Às vezes acertavam, às vezes, não. Pavões Misteriosos é mais do que um relato sobre uma época e sobre artistas, é também uma reflexão. Barcinski nos lembra que é possível, sim, fazer música pop (divertida, dançante) com qualidade e letras significativas. É claro que já havia patrulhamento “intelectual”(nem Caetano Veloso e Gilberto Gil escaparam), mas o fato é que, de Guilherme Arantes a Blitz, o som era muito bem trabalhado, algo um pouco mais difícil deencontrar no Top 100 da Billboard Brasil em 2014. Entender essa história é entender, em parte, como chegamos aonde chegamos. Eles abriram as portas para o rock brasileiro, que ganhou os holofotes nos anos 80, e, desde então, a música verdadeiramente popular no Brasil nunca mais foi a mesma.