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Roger Waters tenta desconstruir seus próprios muros em The Wall

por em 29/09/2015

Por Bruna Gonçalves Serur

“Welcome”. É assim que o ex-baixista e compositor do Pink Floyd, Roger Waters, recebe o espectador em Roger Waters The Wall. Por três anos – entre 2010 e 2013 – ele fez uma turnê, documentada em filme, do épico disco de 1979 da banda The Wall, retrato da vida do músico.

O documentário começa com o depoimento do ator Liam Neeson. Emocionado, o irlandês fala sobre o impacto que o disco teve na sua vida quando se mudou do norte da Irlanda, em 1980 – época em que a região estava em conflito –, para Londres, e viu a icônica apresentação do Pink Floyd no distrito de Earls Court. Neeson conta que se identificou imediatamente com o protagonista da obra e que, ao final do show, sentiu como se tivesse ido a uma sessão de terapia com um psiquiatra.

O documentário que estreia hoje (29/09) no mundo todo dará aos fãs do Pink Floyd a chance não só de ver de perto o espetáculo que foi a turnê, mas de conhecer um lado inédito do músico. Um lado pessoal do geralmente tão reservado artista. São 2 horas e 50 minutos de uma viagem pela mente (e pela vida) de Waters.

O filme alterna imagens do show – filmado com a tecnologia 4K, que proporciona um visual incrível – com outras de Waters em uma viagem de carro quase espiritual, durante a qual lida com a morte do seu avô e pai na Primeira e Segunda Guerra Mundiais, respectivamente. Duas gerações de Waters privadas de lembranças dos pais.

Acompanhado dos seus três filhos, o baixista começa a enfrentar o seu próprio muro. Primeiro visita o túmulo do seu avô, morto na França em 1914, quando o seu pai tinha apenas dois anos de idade.

Roger Waters pede para Caetano e Gil cancelarem show em Israel

Em seguida, desta vez sozinho, também se emociona e chora ao chegar à praia onde seu pai, Eric Fletcher Warters, foi morto, em Anzio, na Itália, em 1944, quando Roger tinha pouco menos de um ano. De lá ele parte para o Memorial Cassino, também em território italiano, para conferir in loco o nome do pai gravado em um monumento erguido em homenagem aos soldados cujos restos mortais não foram encontrados. É o seu primeiro “encontro” com o pai. O cantor de 72 anos retira de uma bolsa de couro surrada um trompete e presta a sua homenagem ao homem que não conheceu.

Caetano Veloso escreve carta em resposta a Roger Waters; leia

Estas cenas da viagem pessoal de Waters são fundamentais para compreender a obra, embora pareçam, em muitos momentos, ensaiadas demais, roteirizadas demais. Apesar disso, a imagem, o som, a fotografia e, é claro, a música fazem valer toda a experiência, que soma quase três horas de duração – o que pode ser cansativo para o espectador comum.

Roger Waters escreve tréplica a Caetano Veloso

Ao lado do guitarrista Snowy White, do cantor Dave Kilminster e de G. E. Smith – além de outros músicos, como o seu filho mais velho, Harry, que integra a sua equipe de turnê desde 2006 –, Roger Waters, que dirigiu o filme em parceria com Sean Evans, diretor criativo da turnê, proporciona ao público um show particular.

Quem não viu o espetáculo ao vivo conseguirá ter uma excelente ideia da magnitude da produção. Já quem teve a chance de ver o britânico no palco – em um dos quatro shows que fez no Brasil em 2012 ou em qualquer outro lugar do mundo nos três anos de duração da excursão – sentirá um arrepio na espinha graças não somente à qualidade visual, mas também à sonora, que faz o tórax vibrar. É possível, por uma fração de segundo, esquecer que se está em uma sala de cinema. E, para o fã, há quase uma necessidade de engolir o impulso de cantar a plenos pulmões em músicas como “Comfortably Numb” e “Mother”.

Entre o datado e o genial, disco de Gilmour tem bons momentos

No início do filme há um aviso de que, após o show, será exibida uma conversa entre Waters e Nick Mason, ex-baterista do Pink Floyd. Então fique atento. Quando o filme parecer ter acabado, aguarde mais um pouco, como em uma produção da Marvel. Os ex-colegas de banda e amigos aparecem sentados em uma mesa de bar, prontos para responder a uma pilha de perguntas enviadas por fãs. Em dado momento no divertido e cheio de alfinetadas papo, Mason indaga: “Você conseguiu se livrar dos seus muros?”.“Alguns”, responde Waters, ratificando o que Liam Neeson disse nos primeiros minutos do filme: temos que desconstruir o nosso próprio muro a cada dia.

O lado filosófico do Pink Floyd

Devido à grande procura, além da exibição de hoje haverá sessões extras nos dias 3 e 4 de outubro. Os ingressos estão à venda no site e bilheterias e mais informações sobre locais de exibição e preços podem ser obtidas em www.ucicinemas.com.br.

https://www.youtube.com/watch?t=4&v=jZgJqX8Dxzg
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Roger Waters tenta desconstruir seus próprios muros em The Wall

por em 29/09/2015

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“Welcome”. É assim que o ex-baixista e compositor do Pink Floyd, Roger Waters, recebe o espectador em Roger Waters The Wall. Por três anos – entre 2010 e 2013 – ele fez uma turnê, documentada em filme, do épico disco de 1979 da banda The Wall, retrato da vida do músico.

O documentário começa com o depoimento do ator Liam Neeson. Emocionado, o irlandês fala sobre o impacto que o disco teve na sua vida quando se mudou do norte da Irlanda, em 1980 – época em que a região estava em conflito –, para Londres, e viu a icônica apresentação do Pink Floyd no distrito de Earls Court. Neeson conta que se identificou imediatamente com o protagonista da obra e que, ao final do show, sentiu como se tivesse ido a uma sessão de terapia com um psiquiatra.

O documentário que estreia hoje (29/09) no mundo todo dará aos fãs do Pink Floyd a chance não só de ver de perto o espetáculo que foi a turnê, mas de conhecer um lado inédito do músico. Um lado pessoal do geralmente tão reservado artista. São 2 horas e 50 minutos de uma viagem pela mente (e pela vida) de Waters.

O filme alterna imagens do show – filmado com a tecnologia 4K, que proporciona um visual incrível – com outras de Waters em uma viagem de carro quase espiritual, durante a qual lida com a morte do seu avô e pai na Primeira e Segunda Guerra Mundiais, respectivamente. Duas gerações de Waters privadas de lembranças dos pais.

Acompanhado dos seus três filhos, o baixista começa a enfrentar o seu próprio muro. Primeiro visita o túmulo do seu avô, morto na França em 1914, quando o seu pai tinha apenas dois anos de idade.

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Em seguida, desta vez sozinho, também se emociona e chora ao chegar à praia onde seu pai, Eric Fletcher Warters, foi morto, em Anzio, na Itália, em 1944, quando Roger tinha pouco menos de um ano. De lá ele parte para o Memorial Cassino, também em território italiano, para conferir in loco o nome do pai gravado em um monumento erguido em homenagem aos soldados cujos restos mortais não foram encontrados. É o seu primeiro “encontro” com o pai. O cantor de 72 anos retira de uma bolsa de couro surrada um trompete e presta a sua homenagem ao homem que não conheceu.

Caetano Veloso escreve carta em resposta a Roger Waters; leia

Estas cenas da viagem pessoal de Waters são fundamentais para compreender a obra, embora pareçam, em muitos momentos, ensaiadas demais, roteirizadas demais. Apesar disso, a imagem, o som, a fotografia e, é claro, a música fazem valer toda a experiência, que soma quase três horas de duração – o que pode ser cansativo para o espectador comum.

Roger Waters escreve tréplica a Caetano Veloso

Ao lado do guitarrista Snowy White, do cantor Dave Kilminster e de G. E. Smith – além de outros músicos, como o seu filho mais velho, Harry, que integra a sua equipe de turnê desde 2006 –, Roger Waters, que dirigiu o filme em parceria com Sean Evans, diretor criativo da turnê, proporciona ao público um show particular.

Quem não viu o espetáculo ao vivo conseguirá ter uma excelente ideia da magnitude da produção. Já quem teve a chance de ver o britânico no palco – em um dos quatro shows que fez no Brasil em 2012 ou em qualquer outro lugar do mundo nos três anos de duração da excursão – sentirá um arrepio na espinha graças não somente à qualidade visual, mas também à sonora, que faz o tórax vibrar. É possível, por uma fração de segundo, esquecer que se está em uma sala de cinema. E, para o fã, há quase uma necessidade de engolir o impulso de cantar a plenos pulmões em músicas como “Comfortably Numb” e “Mother”.

Entre o datado e o genial, disco de Gilmour tem bons momentos

No início do filme há um aviso de que, após o show, será exibida uma conversa entre Waters e Nick Mason, ex-baterista do Pink Floyd. Então fique atento. Quando o filme parecer ter acabado, aguarde mais um pouco, como em uma produção da Marvel. Os ex-colegas de banda e amigos aparecem sentados em uma mesa de bar, prontos para responder a uma pilha de perguntas enviadas por fãs. Em dado momento no divertido e cheio de alfinetadas papo, Mason indaga: “Você conseguiu se livrar dos seus muros?”.“Alguns”, responde Waters, ratificando o que Liam Neeson disse nos primeiros minutos do filme: temos que desconstruir o nosso próprio muro a cada dia.

O lado filosófico do Pink Floyd

Devido à grande procura, além da exibição de hoje haverá sessões extras nos dias 3 e 4 de outubro. Os ingressos estão à venda no site e bilheterias e mais informações sobre locais de exibição e preços podem ser obtidas em www.ucicinemas.com.br.

https://www.youtube.com/watch?t=4&v=jZgJqX8Dxzg