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Selena Gomez abre o jogo sobre término com The Weeknd, lúpus e carreira em nova entrevista

Cantora foi escolhida como Mulher do Ano pela Billboard e estampa a capa da revista

por Redação em 30/11/2017

Selena Gomez foi escolhida como a Mulher do Ano 2017 e será homenageada no evento Billboard Women in Music na noite desta quinta-feira (30/11). Como as outras que já foram prestigiadas anteriormente, ela estampa a capa da nova edição da Billboard norte-americana e deu entrevista em que falou sobre as batalhas que enfrentou no último ano.

A estrela confrontou, publicamente, a ansiedade e a depressão ao mesmo tempo em que sofria com os sintomas da lúpus, doença autoimune com a qual foi diagnosticada em 2013, e começou a organizar e simplificar o seu mundo: livrou-se dos excessos superficiais para que apenas pessoas e coisas que fossem realmente importantes continuassem em sua vida.

Nesse período, ela se afastou de amigos e parceiros (seu relacionamento de dez meses com The Weeknd chegou ao fim em novembro). A solidão tem sido uma constante na vida de Selena desde que conseguiu seu primeiro papel como atriz, aos sete anos de idade, no programa Barney e Seu Amigos, e só aumentou quando ela atuou por cinco anos no programa Os Feiticeiros de Waverly Place, seriado da Disney que catalisou sua ascensão ao estrelato e ao mundo do pop (ela já vendeu 3,4 milhões de álbuns e gerou 2,8 bilhões de streams nos Estados Unidos, de acordo com a Nielsen Music). Atualmente, Selena transformou a solidão em uma fonte de liberação. Ela afirma que não sabe como explicar o momento que está vivendo, mas que se sente “completa”.

Esse novo estilo de vida, mais tranquilo e despretensioso, pode ser sentido nas quatro músicas lançadas em 2017 pela cantora. De “Bad Liar”, com o sample do Talking Heads, que chegou ao 20º lugar do Hot 100 e foi bem recebida pela crítica, até “Wolves”, seu single com o DJ do momento mashmello, uma faixa emotiva para as pistas de dança.

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Leia abaixo a entrevista traduzida na íntegra:

Como você escolheu o Charlie (seu novo cachorro)?
Na verdade, é engraçado – foi coisa do meu ex-namorado [The Weeknd]. Estávamos andando em Nova York e ele viu esse filhote fofo em uma janela e se aproximou. Charlie estava em um canto. Estava com a cabeça abaixada, parecia muito triste e eu me apaixonei por ele. Sinto que faço isso em todas as situações da minha vida. Encontro uma pessoa – ou cachorro – e penso “simmm, quero isso pra mim!”.

A casa em que você cresceu parece com essa em que você mora atualmente?
Tem um pouco do Texas – muito marrom, muitas paredes com madeira, carpete em todos os cômodos, menos na cozinha. Consigo ver tudo, até o cheiro do lugar. Sinto muita falta. A música “The House That Built Me”, da Miranda Lambert, retrata como eu me sinto sobre aquela casa. Minha mãe tinha 16 anos quando eu nasci, então eu dormia no quarto ao lado dela e dos meus avós. Era muito pitoresco – você podia dar uma volta na casa e demorava cinco segundos. Toda vez que volto para o Texas, passo na frente dela, mas não tenho coragem de tocar a campainha.

Recentemente, você disse que não queria que as pessoas ficassem tristes por causa do seu transplante de rim e da lúpus – que essas experiências abriram novos caminhos para você. Qual foi a revelação mais surpreendente de tudo isso?
Fico pensando em quanto meu corpo é só meu. Desde que tinha sete anos, sempre pareceu que eu estava dando meu corpo para outra pessoa. Me senti muito sozinha, apesar de ter ótimas pessoas ao meu lado. Mas as decisões que eu estava tomando, eram para mim? Depois da cirurgia, tive esse grande senso de gratidão por mim mesma.

Você se sente confortável com a cicatriz da cirurgia?
Sim. Antes não, mas agora me sinto. Foi muito difícil no começo. Lembro de me olhar no espelho, nua, e pensar em todas as coisas que eu costumava reclamar e me perguntar “por quê?”. Tive alguém na minha vida por muito tempo que apontava todas as coisas que eu não estava satisfeita comigo mesma. Quando olho para o meu corpo hoje, vejo vida. Existem milhões de coisas que posso fazer – aplicação de lasers, cremes e tudo isso – mas estou bem. Não há nada de errado com cirurgia plástica. Cardi B tem sido minha inspiração recentemente. Ela está com tudo e tem orgulho de tudo que faz. Então há zero julgamento da minha parte. Eu posso não gostar dos meus olhos, do meu rosto redondo, das minhas orelhas, das minhas pernas, da minha cicatriz. Não tenho a barriga perfeita, mas sinto que fui feita maravilhosamente.

Parece que você terá orgulho de mostrar suas rugas um dia.
Sim. Mas cruzarei essa ponte quando chegar lá. Talvez eu pense: “Quer saber? Preciso fazer um retoque aqui”. Mas quero ter certeza de que estou fazendo isso porque tenho segurança no meu posicionamento.

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E não porque ouviu o ruído a sua volta.
Sabe, tenho que ter muito cuidado com as opiniões a que dou atenção. A sociedade te ensina a honrar e respeitar as pessoas que estão a sua volta. Mas lealdade e honestidade são coisas completamente separadas. E acho que me alterar ou editar por causa do que os outros disseram é algo que fiz a minha vida inteira. Tenho que aceitar o meu lugar. Levei cinco anos para entender que tem momentos em que preciso me afastar e ficar sozinha, lutar do meu jeito ou ir para algum lugar em que possa me concentrar nisso. E esses momentos foram tão dolorosos, difíceis e solitários... Mas eu realmente sinto que eles me ajudaram a me sentir satisfeita hoje.

Soube que você fez terapia com cavalos. Como isso te ajudou?
Uma das primeiras vezes que fiz, no Tennessee [em uma clínica de reabilitação], foi muito engraçado. Lembro de me sentir como Winona Ryder em Garota Interrompida naquele dia. Estava usando preto, bem emo, e sendo dramática. Tinha três cavalos que eu podia escolher e eu, naturalmente, escolhi o mais instável emocionalmente.

Assim como Charlie, né?
Exatamente [risos]. Me senti muito brava, tinha muito estresse no meu corpo e o cavalo saiu, deixou o ambiente completamente. E eu fui ficando mais brava e frustrada. Os cavalos conseguem sentir a sua energia. Depois de tentar múltiplas vezes, meu terapeuta disse: “Quer saber? Preciso que você ande no cavalo mais legal, mais doce. Quero que você aceite o que está na sua frente”. Respirei fundo algumas vezes, caminhei pelo estábulo e, quando voltei, já me sentia mais calma. Sou o tipo de pessoa que volta para casa pensando que não fez o suficiente e esse é o tipo de coisa que você não pode focar a sua energia. Isso foi há quatro anos. Muita coisa mudou. Me sinto mais centrada, mais aberta.

Você acha que com toda a demanda por você e o quanto o estresse pode prejudicar sua saúde, morar em Los Angeles é sustentável?
Não. Não ficarei aqui por muito tempo. Não tenho nada contra – esse lugar me moldou, me forçou a ficar atenta a todas as escolhas que faço. Passei um tempo gravando em Nova York este ano [o filme novo do Woody Allen]. Acredito que participar deste projeto e estar em Nova York – viver a cultura de lá, caminhar pelas ruas e se conectar com as pessoas, coisas que não são comuns aqui – me ajudou a estar presente um pouco mais.

Como foi o processo de testes para o filme de Woody Allen?
Fiz cinco testes. Fiquei insegura algumas vezes e fui recusada, mas como não encontraram mais ninguém, tive a oportunidade de fazer mais um teste e dei tudo de mim. Sinto que mereci esse papel. Foi uma grande experiência para mim. Você está em uma comunidade mais estável quando atua em filmes. Todos se apoiam e digo isso com cuidado. Abriu minha mente e eu precisava disso depois da cirurgia. Na vida diária, pode haver tanto barulho e caos, mas o que era ótimo é que quando entrávamos no set, tudo era sobre o filme. É um passo na direção que eu quero seguir com minha atuação. Comecei a sair com os irmãos Safdie [cineastas independentes] também, eles são incríveis.

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Você pensou no passado de Woody e nas alegações contra ele antes de assinar o contrato?
Para ser honesta, não sei como responder – não porque eu esteja tentando fugir da pergunta... As alegações contra Harvey Weinstein surgiram  depois que comecei a gravar o filme. Pipocaram no meio do processo de gravação. E isso foi algo que eu tive que encarar e discutir. Tive que tirar o pé e pensar: “Uau, o universo trabalha de formas interessantes”.

As vozes das mulheres estão sendo ouvidas, finalmente, e homens com atitudes condenáveis estão sendo responsabilizados. Você se sente inspirada? Esperançosa?
Me sinto tudo isso. Chorei, mas definitivamente me sinto esperançosa. Quando as pessoas fazem as denúncias, espero que elas se sintam poderosas, porque merecem se sentir assim. Tenho a sorte de não ter tido experiências traumáticas que outras mulheres tiveram. Tem pessoas da minha família que passaram por coisas parecidas. Tento estar aberta e deixar essas pessoas falarem comigo, criar um ambiente seguro para que elas se abram.

Você está trabalhando em novas músicas?
Estou. Gosto da forma como apresentamos minha música este ano, porque não foi de um jeito agressivo; foi muito genuíno. Cancelei as últimas duas turnês, algo que eu considerei fortemente também. Como vou subir ao palco e dominá-lo? No passado, eu estava tentando alcançar algo: “O figurino não brilha o suficiente. O que vai atrair os fãs? Todos olham para mim como se fosse uma garotinha”.

A experiência de ver seu nome na mídia mudou nesses cinco anos?
Completamente. Por um momento, eu só queria me defender. Eu queria gritar e dizer: “Você não sabe de nada! Eu tenho o direito de fazer minhas escolhas!”. Eu amava fazer parte dos projetos, amava o meu trabalho e não prestavam atenção nisso. Lembro de sentir que eu não era conhecida pelo meu trabalho, mas por ser quem eu sou. No momento em que lancei “The Heart Want What It Wants”, em 2014, que foi a primeira vez que dividi coisas da minha vida pessoal, houve uma mudança. Eu gostaria que as pessoas se importassem com coisas que impactam o mundo? Que deveriam ser mais discutidas? Sim. Mas não posso controlar isso. E nem quero.

Com 129 milhões de seguidores, você é a pessoa mais seguida no Instagram, mas você já se manifestou sobre passar um tempo longe do aplicativo.
Eu amo o Kevin Systrom, criador do Instagram, e ele ficou bravo comigo no passado quando eu disse que precisava de um tempo longe. Me afastar disso foi bom para gastar meu tempo com coisas que importam. Tenho saído com um antigo amigo e queremos que todas as conversas tenham um significado. Elas não são sobre algo que está acontecendo em outro lugar.

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Qual a melhor parte de estar solteira?
A melhor parte? Quer saber, algo que sinto muito orgulho é que existe uma amizade verdadeira [entre ela e The Weeknd]. Nunca passei por nada parecido na minha vida. Terminamos o relacionamento como melhores amigos e foi algo genuíno sobre encorajar e cuidar um do outro. Isso foi marcante para mim.

O que fez Justin voltar para a sua vida?
Eu tenho 25 anos. Não 18, 19 ou 20. Aprecio as pessoas que impactaram a minha vida. Então, talvez, antes eu estava forçando algo que não estava dando certo. Mas isso não significa que ter carinho por uma pessoa é algo que tem fim. E isso vale para todas as pessoas. Cresci com a Demi Lovato. Nick, Joe e Miley – são pessoas com quem passei temporadas da minha vida. Não acho que seja tão sério quanto as pessoas pintam na maior parte do tempo. É a minha vida. Eu cresci com essas pessoas e é legal ver onde elas estão. Volta para a ideia de me sentir completa. Acho que uma representação verdadeira do amor é algo além de você. Sou eu tomando café nessa manhã e conversando com uma mulher que está comemorando seu aniversário e indo para a Disney pela primeira vez. Falei sobre minhas partes favoritas, ela ficou animada e eu fiquei animada porque ela estava animada. As pequenas coisas são impactantes.

Do que você tem mais orgulho hoje?
Sinto muito orgulho de onde estou hoje. Lido com as coisas de uma forma saudável. Aproveito onde estou. Amo poder dizer “não” quando quero. Gosto de fazer parte do mundo. As pessoas sentem tanto medo umas das outras. Vejo muito disso na minha geração. Há muita raiva e ansiedade e a pressão só piora isso. Tenho dias ruins em que não quero sair do quarto – mas estou preparada para eles.

 

 

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Selena Gomez abre o jogo sobre término com The Weeknd, lúpus e carreira em nova entrevista

Cantora foi escolhida como Mulher do Ano pela Billboard e estampa a capa da revista

por Redação em 30/11/2017

Selena Gomez foi escolhida como a Mulher do Ano 2017 e será homenageada no evento Billboard Women in Music na noite desta quinta-feira (30/11). Como as outras que já foram prestigiadas anteriormente, ela estampa a capa da nova edição da Billboard norte-americana e deu entrevista em que falou sobre as batalhas que enfrentou no último ano.

A estrela confrontou, publicamente, a ansiedade e a depressão ao mesmo tempo em que sofria com os sintomas da lúpus, doença autoimune com a qual foi diagnosticada em 2013, e começou a organizar e simplificar o seu mundo: livrou-se dos excessos superficiais para que apenas pessoas e coisas que fossem realmente importantes continuassem em sua vida.

Nesse período, ela se afastou de amigos e parceiros (seu relacionamento de dez meses com The Weeknd chegou ao fim em novembro). A solidão tem sido uma constante na vida de Selena desde que conseguiu seu primeiro papel como atriz, aos sete anos de idade, no programa Barney e Seu Amigos, e só aumentou quando ela atuou por cinco anos no programa Os Feiticeiros de Waverly Place, seriado da Disney que catalisou sua ascensão ao estrelato e ao mundo do pop (ela já vendeu 3,4 milhões de álbuns e gerou 2,8 bilhões de streams nos Estados Unidos, de acordo com a Nielsen Music). Atualmente, Selena transformou a solidão em uma fonte de liberação. Ela afirma que não sabe como explicar o momento que está vivendo, mas que se sente “completa”.

Esse novo estilo de vida, mais tranquilo e despretensioso, pode ser sentido nas quatro músicas lançadas em 2017 pela cantora. De “Bad Liar”, com o sample do Talking Heads, que chegou ao 20º lugar do Hot 100 e foi bem recebida pela crítica, até “Wolves”, seu single com o DJ do momento mashmello, uma faixa emotiva para as pistas de dança.

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Leia abaixo a entrevista traduzida na íntegra:

Como você escolheu o Charlie (seu novo cachorro)?
Na verdade, é engraçado – foi coisa do meu ex-namorado [The Weeknd]. Estávamos andando em Nova York e ele viu esse filhote fofo em uma janela e se aproximou. Charlie estava em um canto. Estava com a cabeça abaixada, parecia muito triste e eu me apaixonei por ele. Sinto que faço isso em todas as situações da minha vida. Encontro uma pessoa – ou cachorro – e penso “simmm, quero isso pra mim!”.

A casa em que você cresceu parece com essa em que você mora atualmente?
Tem um pouco do Texas – muito marrom, muitas paredes com madeira, carpete em todos os cômodos, menos na cozinha. Consigo ver tudo, até o cheiro do lugar. Sinto muita falta. A música “The House That Built Me”, da Miranda Lambert, retrata como eu me sinto sobre aquela casa. Minha mãe tinha 16 anos quando eu nasci, então eu dormia no quarto ao lado dela e dos meus avós. Era muito pitoresco – você podia dar uma volta na casa e demorava cinco segundos. Toda vez que volto para o Texas, passo na frente dela, mas não tenho coragem de tocar a campainha.

Recentemente, você disse que não queria que as pessoas ficassem tristes por causa do seu transplante de rim e da lúpus – que essas experiências abriram novos caminhos para você. Qual foi a revelação mais surpreendente de tudo isso?
Fico pensando em quanto meu corpo é só meu. Desde que tinha sete anos, sempre pareceu que eu estava dando meu corpo para outra pessoa. Me senti muito sozinha, apesar de ter ótimas pessoas ao meu lado. Mas as decisões que eu estava tomando, eram para mim? Depois da cirurgia, tive esse grande senso de gratidão por mim mesma.

Você se sente confortável com a cicatriz da cirurgia?
Sim. Antes não, mas agora me sinto. Foi muito difícil no começo. Lembro de me olhar no espelho, nua, e pensar em todas as coisas que eu costumava reclamar e me perguntar “por quê?”. Tive alguém na minha vida por muito tempo que apontava todas as coisas que eu não estava satisfeita comigo mesma. Quando olho para o meu corpo hoje, vejo vida. Existem milhões de coisas que posso fazer – aplicação de lasers, cremes e tudo isso – mas estou bem. Não há nada de errado com cirurgia plástica. Cardi B tem sido minha inspiração recentemente. Ela está com tudo e tem orgulho de tudo que faz. Então há zero julgamento da minha parte. Eu posso não gostar dos meus olhos, do meu rosto redondo, das minhas orelhas, das minhas pernas, da minha cicatriz. Não tenho a barriga perfeita, mas sinto que fui feita maravilhosamente.

Parece que você terá orgulho de mostrar suas rugas um dia.
Sim. Mas cruzarei essa ponte quando chegar lá. Talvez eu pense: “Quer saber? Preciso fazer um retoque aqui”. Mas quero ter certeza de que estou fazendo isso porque tenho segurança no meu posicionamento.

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E não porque ouviu o ruído a sua volta.
Sabe, tenho que ter muito cuidado com as opiniões a que dou atenção. A sociedade te ensina a honrar e respeitar as pessoas que estão a sua volta. Mas lealdade e honestidade são coisas completamente separadas. E acho que me alterar ou editar por causa do que os outros disseram é algo que fiz a minha vida inteira. Tenho que aceitar o meu lugar. Levei cinco anos para entender que tem momentos em que preciso me afastar e ficar sozinha, lutar do meu jeito ou ir para algum lugar em que possa me concentrar nisso. E esses momentos foram tão dolorosos, difíceis e solitários... Mas eu realmente sinto que eles me ajudaram a me sentir satisfeita hoje.

Soube que você fez terapia com cavalos. Como isso te ajudou?
Uma das primeiras vezes que fiz, no Tennessee [em uma clínica de reabilitação], foi muito engraçado. Lembro de me sentir como Winona Ryder em Garota Interrompida naquele dia. Estava usando preto, bem emo, e sendo dramática. Tinha três cavalos que eu podia escolher e eu, naturalmente, escolhi o mais instável emocionalmente.

Assim como Charlie, né?
Exatamente [risos]. Me senti muito brava, tinha muito estresse no meu corpo e o cavalo saiu, deixou o ambiente completamente. E eu fui ficando mais brava e frustrada. Os cavalos conseguem sentir a sua energia. Depois de tentar múltiplas vezes, meu terapeuta disse: “Quer saber? Preciso que você ande no cavalo mais legal, mais doce. Quero que você aceite o que está na sua frente”. Respirei fundo algumas vezes, caminhei pelo estábulo e, quando voltei, já me sentia mais calma. Sou o tipo de pessoa que volta para casa pensando que não fez o suficiente e esse é o tipo de coisa que você não pode focar a sua energia. Isso foi há quatro anos. Muita coisa mudou. Me sinto mais centrada, mais aberta.

Você acha que com toda a demanda por você e o quanto o estresse pode prejudicar sua saúde, morar em Los Angeles é sustentável?
Não. Não ficarei aqui por muito tempo. Não tenho nada contra – esse lugar me moldou, me forçou a ficar atenta a todas as escolhas que faço. Passei um tempo gravando em Nova York este ano [o filme novo do Woody Allen]. Acredito que participar deste projeto e estar em Nova York – viver a cultura de lá, caminhar pelas ruas e se conectar com as pessoas, coisas que não são comuns aqui – me ajudou a estar presente um pouco mais.

Como foi o processo de testes para o filme de Woody Allen?
Fiz cinco testes. Fiquei insegura algumas vezes e fui recusada, mas como não encontraram mais ninguém, tive a oportunidade de fazer mais um teste e dei tudo de mim. Sinto que mereci esse papel. Foi uma grande experiência para mim. Você está em uma comunidade mais estável quando atua em filmes. Todos se apoiam e digo isso com cuidado. Abriu minha mente e eu precisava disso depois da cirurgia. Na vida diária, pode haver tanto barulho e caos, mas o que era ótimo é que quando entrávamos no set, tudo era sobre o filme. É um passo na direção que eu quero seguir com minha atuação. Comecei a sair com os irmãos Safdie [cineastas independentes] também, eles são incríveis.

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Você pensou no passado de Woody e nas alegações contra ele antes de assinar o contrato?
Para ser honesta, não sei como responder – não porque eu esteja tentando fugir da pergunta... As alegações contra Harvey Weinstein surgiram  depois que comecei a gravar o filme. Pipocaram no meio do processo de gravação. E isso foi algo que eu tive que encarar e discutir. Tive que tirar o pé e pensar: “Uau, o universo trabalha de formas interessantes”.

As vozes das mulheres estão sendo ouvidas, finalmente, e homens com atitudes condenáveis estão sendo responsabilizados. Você se sente inspirada? Esperançosa?
Me sinto tudo isso. Chorei, mas definitivamente me sinto esperançosa. Quando as pessoas fazem as denúncias, espero que elas se sintam poderosas, porque merecem se sentir assim. Tenho a sorte de não ter tido experiências traumáticas que outras mulheres tiveram. Tem pessoas da minha família que passaram por coisas parecidas. Tento estar aberta e deixar essas pessoas falarem comigo, criar um ambiente seguro para que elas se abram.

Você está trabalhando em novas músicas?
Estou. Gosto da forma como apresentamos minha música este ano, porque não foi de um jeito agressivo; foi muito genuíno. Cancelei as últimas duas turnês, algo que eu considerei fortemente também. Como vou subir ao palco e dominá-lo? No passado, eu estava tentando alcançar algo: “O figurino não brilha o suficiente. O que vai atrair os fãs? Todos olham para mim como se fosse uma garotinha”.

A experiência de ver seu nome na mídia mudou nesses cinco anos?
Completamente. Por um momento, eu só queria me defender. Eu queria gritar e dizer: “Você não sabe de nada! Eu tenho o direito de fazer minhas escolhas!”. Eu amava fazer parte dos projetos, amava o meu trabalho e não prestavam atenção nisso. Lembro de sentir que eu não era conhecida pelo meu trabalho, mas por ser quem eu sou. No momento em que lancei “The Heart Want What It Wants”, em 2014, que foi a primeira vez que dividi coisas da minha vida pessoal, houve uma mudança. Eu gostaria que as pessoas se importassem com coisas que impactam o mundo? Que deveriam ser mais discutidas? Sim. Mas não posso controlar isso. E nem quero.

Com 129 milhões de seguidores, você é a pessoa mais seguida no Instagram, mas você já se manifestou sobre passar um tempo longe do aplicativo.
Eu amo o Kevin Systrom, criador do Instagram, e ele ficou bravo comigo no passado quando eu disse que precisava de um tempo longe. Me afastar disso foi bom para gastar meu tempo com coisas que importam. Tenho saído com um antigo amigo e queremos que todas as conversas tenham um significado. Elas não são sobre algo que está acontecendo em outro lugar.

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Qual a melhor parte de estar solteira?
A melhor parte? Quer saber, algo que sinto muito orgulho é que existe uma amizade verdadeira [entre ela e The Weeknd]. Nunca passei por nada parecido na minha vida. Terminamos o relacionamento como melhores amigos e foi algo genuíno sobre encorajar e cuidar um do outro. Isso foi marcante para mim.

O que fez Justin voltar para a sua vida?
Eu tenho 25 anos. Não 18, 19 ou 20. Aprecio as pessoas que impactaram a minha vida. Então, talvez, antes eu estava forçando algo que não estava dando certo. Mas isso não significa que ter carinho por uma pessoa é algo que tem fim. E isso vale para todas as pessoas. Cresci com a Demi Lovato. Nick, Joe e Miley – são pessoas com quem passei temporadas da minha vida. Não acho que seja tão sério quanto as pessoas pintam na maior parte do tempo. É a minha vida. Eu cresci com essas pessoas e é legal ver onde elas estão. Volta para a ideia de me sentir completa. Acho que uma representação verdadeira do amor é algo além de você. Sou eu tomando café nessa manhã e conversando com uma mulher que está comemorando seu aniversário e indo para a Disney pela primeira vez. Falei sobre minhas partes favoritas, ela ficou animada e eu fiquei animada porque ela estava animada. As pequenas coisas são impactantes.

Do que você tem mais orgulho hoje?
Sinto muito orgulho de onde estou hoje. Lido com as coisas de uma forma saudável. Aproveito onde estou. Amo poder dizer “não” quando quero. Gosto de fazer parte do mundo. As pessoas sentem tanto medo umas das outras. Vejo muito disso na minha geração. Há muita raiva e ansiedade e a pressão só piora isso. Tenho dias ruins em que não quero sair do quarto – mas estou preparada para eles.