NOTÍCIAS

Sergio Mendes e Will.i.am fazem “mágica” em novo disco; leia a entrevista

por em 13/09/2014
Por
Phil Gallo Aos 17 anos de idade, Will.i.am se apaixonou pela música de Sergio Mendes após um amigo o indicar Equinox, álbum de 1967 gravado com o grupo Brazil 66. A paixão fez o líder do Black Eyed Peas comprar todos os discos de Mendes, que virou parceiro musical do grupo e tocou piano na faixa “Sexy”, lançada em 2003 pelo BEP, além de seu disco Timeless (2006) ter sido produzido por Will.i.am. “Ninguém conhece mais minha música do que Will”, diz Mendes, 73, cujo novo álbum, Magic, é o primeiro para a gravadora Sony Okeh. “Quantos artistas podem dizer isso com admiração sobre outro músico?” Will.i.am está entre as dezenas de grandes nomes que compuseram com Mendes e participaram do álbum, que chega ao mercado em 9 de setembro. O músico brasileiro, importantíssimo para a introdução da bossa nova e do samba ao público americano nos anos 1960 e que, recentemente, compôs para as animações Rio e Rio 2, passou um ano viajando entre os Estados Unidos e o Brasil para gravações ao vivo de Magic com Janelle Monae, John Legend, Seu Jorge, Carlinhos Brown, Milton Nascimento e outros. Mendes e Will.i.am, 39, se elogiaram repetidamente durante a conversa de 20 minutos, que se iniciou com o processo de criação de “My My My My Love”, do novo álbum, e terminou com os dois músicos pensando sobre uma segunda edição Timeless.   Com tantos músicos colaborando na maioria das novas canções, qual foi a intenção geral para a sonoridade de Magic? Sergio Mendes: Eu queria que o álbum tivesse aquele sentimento brasileiro que eu acho que existe em todos os meus trabalhos. Toda percussão foi feita no Brasil e se pode ouvir os cantores mais antigos como Milton Nascimento, mas também os novos como Ana Carolina, Seu Jorge e Maria Gadú. E também há a melodia. Eu sou um cara da melodia, por isso tenho tocado canções dos grandes Jobim, McCartney (ou Beatles) e Burt Bacharach.  Os critérios foram: compor melodias “frescas” com sentimento contemporâneo. Will.i.am: Sergio é o rei da melodia. Eu gosto de colaborar com Sergio, porque ele abre a minha cabeça para áreas que eu normalmente não viajaria. É sempre uma viagem agradável. Por que convidar tanta gente para o processo de composição? Mendes: Com todas as pessoas que trabalhei em Magic, passei por uma experiência de aprendizado. Isso me dá o mesmo prazer que tive aos 19 anos e Cannonball Adderley [saxofonista americano de jazz, que já gravou discos com Miles Davis e John Coltrane] me convidou para trabalhar com ele. Não importa de que lado estou, é a alegria de aprender e compartilhar. Expliquem como “My My My My Love” surgiu. Will.i.am: Sergio tinha trabalhado nessa música antes de nos encontrarmos, em dezembro de 2013. Ele provavelmente pensou em mim, então trouxe o material para o estúdio e a primeira coisa que veio na minha cabeça foi a melodia de “My My My”, mas claro, já havia uma melodia ali. Will, você apadrinhou o cantor Cody Wise, que tem tido algum sucesso no Reino Unido. O que ele tem de especial para a música? Will.i.am: Esse garoto de 18 anos sabe tudo. Seu apetite por conhecer os clássicos e sua caça por músicas obscuras me faz lembrar de mim mesmo quando comecei com o Black Eyed Peas. É muito fácil ficar vidrado pelo garoto “quente” do bairro, então eu queria um jovem que tivesse nova energia e entusiasmo. Você pode comprar uma colaboração, mas você quer o entusiasmo do colaborador, como se ele gritasse “Eu sou parte disso!”. Esse é Cody agora e esse foi John Legend [em Timeless], em 2003.   O que te atraiu nos discos de Sergio e como foi trabalhar com ele? Will.i.am: No caso de Sergio Mendes, qualquer coisa gravada nos álbuns é um ensinamento para futuros ouvintes. Eu fui ensinado sobre estratificação, nuances, contra ritmos e elegância. Não há elegância na música atualmente. Sergio toca o piano tão delicadamente. É a delicadeza – todos correm apressados e ele segue descontraído. Mendes: Will descomplica e eu tenho tendência de complicar as coisas. Lembro-me de uma vez que estávamos compondo juntos e Will estava no Pro Tools [software de produção de áudio]. Eu toquei um acorde e ele olhou para mim. Eu disse “O quê?”, ele disse “Muito adulto esse acorde”. Aquilo foi incrível. Ele sempre me apontou para a simplicidade.   Timeless coloca diversos clássicos sob uma nova luz contemporânea. Vocês têm a intenção de fazer um segundo volume? Will.i.amTimeless foi a minha primeira vez no Brasil. Aquele disco foi um estímulo cultural gigante de uma só vez e acho que foi o maior aprendizado da minha vida, nesse sentido. Seria maravilhoso voltar para o Brasil, nos mesmos estúdios de São Paulo e da Bahia. Mendes: Nesse estágio da minha vida, trabalhar com essas pessoas... eu chego a me beliscar. Seria um prazer.   https://www.youtube.com/watch?v=oUnAhhV8rgg  
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Sergio Mendes e Will.i.am fazem “mágica” em novo disco; leia a entrevista

por em 13/09/2014
Por
Phil Gallo Aos 17 anos de idade, Will.i.am se apaixonou pela música de Sergio Mendes após um amigo o indicar Equinox, álbum de 1967 gravado com o grupo Brazil 66. A paixão fez o líder do Black Eyed Peas comprar todos os discos de Mendes, que virou parceiro musical do grupo e tocou piano na faixa “Sexy”, lançada em 2003 pelo BEP, além de seu disco Timeless (2006) ter sido produzido por Will.i.am. “Ninguém conhece mais minha música do que Will”, diz Mendes, 73, cujo novo álbum, Magic, é o primeiro para a gravadora Sony Okeh. “Quantos artistas podem dizer isso com admiração sobre outro músico?” Will.i.am está entre as dezenas de grandes nomes que compuseram com Mendes e participaram do álbum, que chega ao mercado em 9 de setembro. O músico brasileiro, importantíssimo para a introdução da bossa nova e do samba ao público americano nos anos 1960 e que, recentemente, compôs para as animações Rio e Rio 2, passou um ano viajando entre os Estados Unidos e o Brasil para gravações ao vivo de Magic com Janelle Monae, John Legend, Seu Jorge, Carlinhos Brown, Milton Nascimento e outros. Mendes e Will.i.am, 39, se elogiaram repetidamente durante a conversa de 20 minutos, que se iniciou com o processo de criação de “My My My My Love”, do novo álbum, e terminou com os dois músicos pensando sobre uma segunda edição Timeless.   Com tantos músicos colaborando na maioria das novas canções, qual foi a intenção geral para a sonoridade de Magic? Sergio Mendes: Eu queria que o álbum tivesse aquele sentimento brasileiro que eu acho que existe em todos os meus trabalhos. Toda percussão foi feita no Brasil e se pode ouvir os cantores mais antigos como Milton Nascimento, mas também os novos como Ana Carolina, Seu Jorge e Maria Gadú. E também há a melodia. Eu sou um cara da melodia, por isso tenho tocado canções dos grandes Jobim, McCartney (ou Beatles) e Burt Bacharach.  Os critérios foram: compor melodias “frescas” com sentimento contemporâneo. Will.i.am: Sergio é o rei da melodia. Eu gosto de colaborar com Sergio, porque ele abre a minha cabeça para áreas que eu normalmente não viajaria. É sempre uma viagem agradável. Por que convidar tanta gente para o processo de composição? Mendes: Com todas as pessoas que trabalhei em Magic, passei por uma experiência de aprendizado. Isso me dá o mesmo prazer que tive aos 19 anos e Cannonball Adderley [saxofonista americano de jazz, que já gravou discos com Miles Davis e John Coltrane] me convidou para trabalhar com ele. Não importa de que lado estou, é a alegria de aprender e compartilhar. Expliquem como “My My My My Love” surgiu. Will.i.am: Sergio tinha trabalhado nessa música antes de nos encontrarmos, em dezembro de 2013. Ele provavelmente pensou em mim, então trouxe o material para o estúdio e a primeira coisa que veio na minha cabeça foi a melodia de “My My My”, mas claro, já havia uma melodia ali. Will, você apadrinhou o cantor Cody Wise, que tem tido algum sucesso no Reino Unido. O que ele tem de especial para a música? Will.i.am: Esse garoto de 18 anos sabe tudo. Seu apetite por conhecer os clássicos e sua caça por músicas obscuras me faz lembrar de mim mesmo quando comecei com o Black Eyed Peas. É muito fácil ficar vidrado pelo garoto “quente” do bairro, então eu queria um jovem que tivesse nova energia e entusiasmo. Você pode comprar uma colaboração, mas você quer o entusiasmo do colaborador, como se ele gritasse “Eu sou parte disso!”. Esse é Cody agora e esse foi John Legend [em Timeless], em 2003.   O que te atraiu nos discos de Sergio e como foi trabalhar com ele? Will.i.am: No caso de Sergio Mendes, qualquer coisa gravada nos álbuns é um ensinamento para futuros ouvintes. Eu fui ensinado sobre estratificação, nuances, contra ritmos e elegância. Não há elegância na música atualmente. Sergio toca o piano tão delicadamente. É a delicadeza – todos correm apressados e ele segue descontraído. Mendes: Will descomplica e eu tenho tendência de complicar as coisas. Lembro-me de uma vez que estávamos compondo juntos e Will estava no Pro Tools [software de produção de áudio]. Eu toquei um acorde e ele olhou para mim. Eu disse “O quê?”, ele disse “Muito adulto esse acorde”. Aquilo foi incrível. Ele sempre me apontou para a simplicidade.   Timeless coloca diversos clássicos sob uma nova luz contemporânea. Vocês têm a intenção de fazer um segundo volume? Will.i.amTimeless foi a minha primeira vez no Brasil. Aquele disco foi um estímulo cultural gigante de uma só vez e acho que foi o maior aprendizado da minha vida, nesse sentido. Seria maravilhoso voltar para o Brasil, nos mesmos estúdios de São Paulo e da Bahia. Mendes: Nesse estágio da minha vida, trabalhar com essas pessoas... eu chego a me beliscar. Seria um prazer.   https://www.youtube.com/watch?v=oUnAhhV8rgg