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Strokes até que tentam, mas não funcionam como headliner em 2017

Banda faz show consistente para fãs, mas acaba apagada por outras atrações

Os Strokes têm sobre si uma aura para qualquer um que acompanha música feita a partir dos anos 2000. A tendência se amplifica quando o que está em cheque é um festival como o Lollapalooza, recheado de bandas “indie”, que têm, em sua maioria, o grupo nova-iorquino liderado por Julian Casablancas como uma das suas grandes referências.

VEJA COMO FOI O PRIMEIRO DIA DO LOLLAPALOOZA 2017

WEEKND DÁ AULA DE POP E DE SIMPLICIDADE NO LOLLAPALOOZA

Isso posto, ter o grupo como o headliner de uma de suas edições no Brasil não parece nada além do óbvio. Até demorou para acontecer, se você parar para pensar. Casablancas já havia se apresentado por aqui em 2014, mas foi no meio da tarde e, bem, não foi um show que muitos gostem de lembrar.

TheStrokesStrokes no Lollapalooza - Divulgação

É uma pena que, mesmo com tantos – tantos! – fãs empenhados, empolgados e esperançosos, a banda nova-iorquina tenha parecido, no mínimo, deslocada na noite deste domingo (26/03), no palco principal. Veja, ninguém falou que eles precisam convencer como showman de arena. A autenticidade que o grupo carrega desde quando ganhou o mundo, lá no começo dos anos 2000, inclusive, é de manter a roupagem de garagem, underground, mesmo sob o status popstar. Mas este não deixa de ser um ruído.

CÉU ABRE PALCO PRINCIPAL COM TALENTO E CARISMA

O grupo estava alinhado: se mostrou mais afiado e à vontade do que nunca no Brasil. Com apoio de Fabrizio Moretti, o baterista brasileiro, Casablancas fez por diversas vezes piadas sobre ter de mostrar seu gingado por estar por aqui. Do seu vocal sujo e peculiar há pouco o que reclamar – inclusive, no meio de tanta polidez do rock atual, mostra-se extremamente necessário. O mesmo se pode dizer da guitarra embaraçada de Albert Hammond Jr.

DURAN DURAN TENTA SAIR DOS ANOS 1980, MAS OS ANOS 80 NÃO SAEM DO DURAN DURAN

O grupo fez seu papel em cima do palco: faltou combinar com o festival. Depois de uma empolgante (e relevante e atual) apresentação do Weeknd no palco ao lado, a banda teria de se provar um headliner de peso. Por vezes isso se mostrou possível, como nos hits “Someday”, primeiro ponto alto do show, “12:51”, “Is This It” e, claro, “Last Nite”. Não faltam sucessos. Mas nem alguns dos hits que mais embalaram as baladinhas alternativas dos anos 2000 (e 2010 também) tiraram o gosto de deslocado da apresentação. Se, na música, o que importa é o criador e o seu tempo, talvez eles precisassem rebolar um pouco mais para se mostrarem relevantes no Lollapalooza de 2017.

SEM POSE DE DIVA, MØ FAZ A FESTA NO LOLLAPALOOZA

Isso ficou claro durante os intervalos entre as músicas, quando o palco Perry, ao fundo, revelava uma massa animada ao som do jovem DJ holandês Martin Garrix. A diferença ficou mais estridente à uma hora de show. O pequeno hiato, que, descobriria-se depois, era a pausa para o bis, ficou ensurdecedor perto do palco vizinho. Parte do público, confusa, começou a deixar o local – difícil saber se era para ir ao show do lado ou embora. Diferente até da ancestral Metallica, que fecharam a noite anterior, o Strokes acabou sua apresentação com muito menos gente do que começou.

Apesar de financeiramente mostrar-se uma aposta certeira, vista relevância e número de fãs da banda, o grupo se mostrou uma aposta não muito empolgante, em 2017, para fechar um grande festival. Quando saíram pela segunda vez, depois de uma hora é quinze de apresentação (sem tirar o tempo de bola parada) havia, sim, fãs pedindo pelo retorno. Em vão. "Eram poucos, anyway", pode ter pensado o Casablancas. Enquanto isso, nos palcos ao lado...

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Strokes até que tentam, mas não funcionam como headliner em 2017

Banda faz show consistente para fãs, mas acaba apagada por outras atrações

por Lucas Borges Teixeira em 27/03/2017

Os Strokes têm sobre si uma aura para qualquer um que acompanha música feita a partir dos anos 2000. A tendência se amplifica quando o que está em cheque é um festival como o Lollapalooza, recheado de bandas “indie”, que têm, em sua maioria, o grupo nova-iorquino liderado por Julian Casablancas como uma das suas grandes referências.

VEJA COMO FOI O PRIMEIRO DIA DO LOLLAPALOOZA 2017

WEEKND DÁ AULA DE POP E DE SIMPLICIDADE NO LOLLAPALOOZA

Isso posto, ter o grupo como o headliner de uma de suas edições no Brasil não parece nada além do óbvio. Até demorou para acontecer, se você parar para pensar. Casablancas já havia se apresentado por aqui em 2014, mas foi no meio da tarde e, bem, não foi um show que muitos gostem de lembrar.

TheStrokesStrokes no Lollapalooza - Divulgação

É uma pena que, mesmo com tantos – tantos! – fãs empenhados, empolgados e esperançosos, a banda nova-iorquina tenha parecido, no mínimo, deslocada na noite deste domingo (26/03), no palco principal. Veja, ninguém falou que eles precisam convencer como showman de arena. A autenticidade que o grupo carrega desde quando ganhou o mundo, lá no começo dos anos 2000, inclusive, é de manter a roupagem de garagem, underground, mesmo sob o status popstar. Mas este não deixa de ser um ruído.

CÉU ABRE PALCO PRINCIPAL COM TALENTO E CARISMA

O grupo estava alinhado: se mostrou mais afiado e à vontade do que nunca no Brasil. Com apoio de Fabrizio Moretti, o baterista brasileiro, Casablancas fez por diversas vezes piadas sobre ter de mostrar seu gingado por estar por aqui. Do seu vocal sujo e peculiar há pouco o que reclamar – inclusive, no meio de tanta polidez do rock atual, mostra-se extremamente necessário. O mesmo se pode dizer da guitarra embaraçada de Albert Hammond Jr.

DURAN DURAN TENTA SAIR DOS ANOS 1980, MAS OS ANOS 80 NÃO SAEM DO DURAN DURAN

O grupo fez seu papel em cima do palco: faltou combinar com o festival. Depois de uma empolgante (e relevante e atual) apresentação do Weeknd no palco ao lado, a banda teria de se provar um headliner de peso. Por vezes isso se mostrou possível, como nos hits “Someday”, primeiro ponto alto do show, “12:51”, “Is This It” e, claro, “Last Nite”. Não faltam sucessos. Mas nem alguns dos hits que mais embalaram as baladinhas alternativas dos anos 2000 (e 2010 também) tiraram o gosto de deslocado da apresentação. Se, na música, o que importa é o criador e o seu tempo, talvez eles precisassem rebolar um pouco mais para se mostrarem relevantes no Lollapalooza de 2017.

SEM POSE DE DIVA, MØ FAZ A FESTA NO LOLLAPALOOZA

Isso ficou claro durante os intervalos entre as músicas, quando o palco Perry, ao fundo, revelava uma massa animada ao som do jovem DJ holandês Martin Garrix. A diferença ficou mais estridente à uma hora de show. O pequeno hiato, que, descobriria-se depois, era a pausa para o bis, ficou ensurdecedor perto do palco vizinho. Parte do público, confusa, começou a deixar o local – difícil saber se era para ir ao show do lado ou embora. Diferente até da ancestral Metallica, que fecharam a noite anterior, o Strokes acabou sua apresentação com muito menos gente do que começou.

Apesar de financeiramente mostrar-se uma aposta certeira, vista relevância e número de fãs da banda, o grupo se mostrou uma aposta não muito empolgante, em 2017, para fechar um grande festival. Quando saíram pela segunda vez, depois de uma hora é quinze de apresentação (sem tirar o tempo de bola parada) havia, sim, fãs pedindo pelo retorno. Em vão. "Eram poucos, anyway", pode ter pensado o Casablancas. Enquanto isso, nos palcos ao lado...