NOTÍCIAS

SZA e Dua Lipa estampam capa da V Magazine; leia íntegra das entrevistas

Cantoras se destacaram no cenário musical no ano passado e foram entrevistadas por Jada Smith e Katy Perry

por Redação em 12/04/2018

A edição musical da V Magazine de 2018 traz as cantoras SZA e Dua Lipa na capa, com entrevistas feitas por Jada Smith e Katy Perry, respectivamente. A revista escolheu as duas por serem consideradas os novos destaques no cenário musical.

O clipe de “New Rules”, de Dua Lipa, atingiu a marca de um bilhão de visualizações no YouTube, fazendo da cantora a mais jovem artista feminina a conquistar o número.

Já no caso de SZA, o disco de estreia Ctrl recebeu certificado de platina e foi indicado em cinco categorias do Grammy, tornando-a a mulher mais nomeada desta edição do evento.

Leia a íntegra das entrevistas abaixo:

dualipa-vmagazine

Dua Lipa entrevistada por Katy Perry:

KP: Seu nome é tão bonito, interessante e único. O que ele significa?

DL:  Meus pais são da Albânia, de Kosovo. Dua significa amor.

KP: Isso é lindo. O que você teria feito se não tivesse virado cantora?

DL: Provavelmente nada. Quando eu estava descobrindo o que queria fazer, eu não podia ir para a faculdade porque eu não sabia o que queria estudar. Eu tirei um ano para tentar fazer música, publicar uns covers na internet e conhecer pessoas. Eu sabia que se tivesse um plano B ou tivesse estudado algo na faculdade, eu sempre teria algo para fazer caso a música não funcionasse. Eu sempre pensei: “Se isso não funcionar, eu posso fazer aquilo”.

KP: Certo. Você saberia que tinha uma outra opção, que é melhor do que não ter nenhuma. Você pode ir para a faculdade em qualquer momento da sua vida e parece que seu plano deu certo. Você está em turnê na Nova Zelândia: tem algum ritual pré-show?

DL: Sou muito supersticiosa. Primeiro, eu me aqueço, bebo muito chá, fico com a banda. Se as pessoas estiverem bebendo algo, elas não podem brindar. Não apenas antes do show, nunca. Antes de uma apresentação em Estocolmo, minha banda achou que seria engraçado brindar com água antes do show. Eu fiquei tão brava com eles que subimos no palco e tudo deu errado. Tudo. Antes da minha performance no Brit Awards, eu estava tão preocupada com a apresentação por estar muito nervosa que usei minha calcinha do avesso.

KP: O quê?! Nossa, vou adotar essa superstição e começar a usar minha calcinha ao contrário pelo resto da minha vida. Qual o seu signo?

DL:  Sou de leão. Não sei muito sobre o meu signo, mas sei que somos confiantes e um pouco teimosos.

KP: Você é assim?

DL: Até certo ponto. Também sei baixar a guarda: sou bem sensível com as pessoas com as quais sou próxima. Mas com a minha carreira e a direção que quero seguir, sou dura porque tenho certeza do que quero. Gosto de ser ouvida.

KP: Sim, você gosta de ser respeitada. Às vezes, é difícil para as pessoas lidarem com a ideia de que você é incrivelmente inteligente e linda de doer. Você está no início da carreira, período em que é preciso confiar na intuição, entender em quem confiar e perceber o que as pessoas querem de você. Como se define espiritualmente?

DL: Me sinto com os pés no chão na maior parte do tempo. Sou muito próxima das pessoas com quem trabalho e elas são honestos comigo. Mas, às vezes, a vida é confusa, especialmente quando pessoas que você não conhece têm tanta opinião sobre sua vida pessoal. Estou em uma fase estranha da minha carreira, vivo uma curva de aprendizado. É uma transição maluca e está acontecendo muito rápido. Estou me acostumando. Normalmente, vivemos as merdas da nossa vida pessoal sozinhos... Viver isso em frente ao público torna tudo mais difícil. Com o trabalho, como tudo é louco e apressado, sinto que preciso de mais tempo para ensaiar. Quero poder aproveitar o momento, mas fazer tudo bem feito. Me sinto em um conflito.

KP: Acho que você está aprendendo e é lindo que a sua intenção seja fazer o seu melhor. As pessoas veem isso. Mesmo que não seja perfeito todas as vezes, eles verão que você faz tudo com o coração. Vão confiar que você não quer se aproveitar, que você realmente quer contribuir com algo lindo artisticamente. Eu ainda me pego me sentindo assim, mesmo 10 anos depois. Não existem horas suficientes no dia para ensaiar, especialmente quando estou lançando um disco. É uma bênção e uma maldição, mas tudo na vida tem o lado positivo e negativo. Quando você aceita isso, deixa de ser tão dura consigo mesma. Vejo que você tem um talento real. No ano passado, duas estrelas começaram a brilhar forte: você e Cardi B. As pessoas estão te conhecendo e passando a confiar em você, mas ainda vai demorar mais um pouco. Acho que você está quase lá, quando poderá começar a dizer “não” de vez em quando. 

DL: Certo – obrigada.

KP: Então, você me disse que foi a um show meu [anos atrás] e eu a chamei para o palco com outras pessoas. Era a turnê California Dreams e eu convidava as pessoas a subirem no palco durante o cover de “I Wanna Dance With Somebody”, de Whitney Houston. O que aconteceu? Me conta tudo!

DL: Acho que eu tinha uns 15 anos e uma amiga me deu um ingresso de surpresa, como presente de aniversário. Eu fiquei tipo, “Ai meu Deus, eu não acredito, quero ficar lá na frente!”. Ficamos na fila por um tempo no Hammersmith Apollo. Tinha fãs com fantasias e perucas e eu fiquei muito puta porque não tinha uma peruca.

KP: [Rindo] Vou te mandar uma.

DL: Sim! Enfim, entramos no estádio e tudo era tão mágico... Você estava fazendo o cover e dizendo: “Quem vai subir comigo?”. Ninguém apontou para mim, mas eu pensei: “Foda-se, eu vou subir”. Eu estava muito animada. Um de seus dançarinos me ajudou. Tive que me enfiar entre duas garotas, subir na grade, o dançarino me puxou e eu comecei a dançar no palco. Você estava usando um figurino todo cheio de brilho azul e eu queria encostar na roupa.

KP: Você encostou?!

DL: Sim e aí te abracei junto com todo mundo.

KP: Você sempre pertenceu ao palco! Você é amiga de outras pessoas da indústria?

DL: Fiz o BBC Radio 1 Live Lounge com a minha música “IDGAF” e nunca tinha encontrado a Zara Larsson, mas mandei uma mensagem para ela – éramos amigas nas redes sociais. Eu perguntei: “Ei, você quer vir participar e cantar essa música comigo?”. Chamei a Charli XCX, a MØ e a Alma também. É legal estar junto de outras garotas da indústria. Por muitos anos, a mídia nos colocou umas contra as outras. Desde o início, algumas pessoas não eram legais comigo e não ficaram felizes com o meu sucesso. Mas é importante ficar feliz pelos outros. Você faz a sua parte e eu faço a minha. 

KP: Você acende uma vela e reza por eles.

DL: Sim, exatamente. Você precisa ser a melhor pessoa. Mas tenho tido com as pessoas no geral. Elas têm sido muito queridas.

KP: Qual trajetória de carreira você gostaria de imitar?

DL: Acho que a P!nk conseguiu se manter verdadeira com ela mesma. E tudo que você tem feito é inspirador para mim desde que eu era muito nova. A coisa mais importante é ser verdadeiro com quem você é musicalmente e crescer de forma saudável. Os fãs ficam chateados se seu artista favorito muda de estilo, mas pode ser um crescimento como pessoa.

KP: Concordo totalmente. Quando você entra na cena, você sabe que precisará se abrir, mas não percebe o quão difícil será ter o mundo inteiro comentando sobre como você deveria parecer, o que você poderia melhorar. Eu não leio os comentários. Eu costumava ir atrás e ler muitas coisas legais, mas também tinha muita coisa negativa e elas sempre superam as positivas.

DL: Me encontro assim várias vezes. Tentei parar de ler os comentários. Por que o pior de todos é o que você fica lembrando? É tão estranho.

KP: É algo para aprender. Lembro de quando eu estava na fase em que você está agora, eu ligava e desligava alertas do Google. As pessoas a minha volta me avisam se as coisas estão boas ou ruins, se eu preciso olhar algo específico. Mas não dá para controlar tudo. Se você está se educando e dando passos positivos, você está fazendo o seu melhor. Ultimamente, as pessoas estão mais abertas a ideia de que artistas não são perfeitos – eles falham e são humanos, como todo mundo. Mas ainda somos postos em pedestais. E, como mulheres, precisamos fazer o trabalho dez vezes melhor e em cima do salto. Para onde você gostaria de ver a música pop se encaminhando nos próximos cinco anos?

DL: É interessante... Não existe um gênero pop. Tudo está se tornando mais estranho e sonoramente diferente. As pessoas estão criando suas próprias sonoridades e gêneros. Há muito para se inspirar. E a música está se tornando mais política. Há algo grande no rap e no hip-hop; é interessante ver como se mesclou com os artistas “pop”. E tantas colaborações inesperadas estão acontecendo. É muito animador.

KP: Seu clipe de “New Rules” atingiu um bilhão de visualizações. É algo incrível.

DL: No caso de “New Rules”, eu não tinha ideia da direção que queria seguir. Alguns diretores enviaram ideias, mas não gostei de nada. Então, eu vi uma foto de uma campanha antiga que o Gianni Versace fez com a Naomi Campbell. Amei as cores, como foi fotografado e a mensagem de garotas cuidando umas das outras. Inicialmente, “New Rules” soava como uma música triste, apesar da batida. Foi legal ver a mudança.

KP: Qual o seu maior sonho?

DL: Não quero nunca me sentir completa, porque sempre precisamos de algo para ir atrás. Quero ficar nervosa e com medo dos meus sonhos, mas ao mesmo tempo, confiante o bastante para ir atrás deles.

KP: Acho que é a receita para o sucesso. Nunca ficar confortável.

sza-vmagazine

SZA entrevistada por Jada Smith:

Jada Pinkett Smith: Garota, como estão as coisas, o que mudou na sua vida?

SZA: Zero privacidade, muitas expectativas, responsabilidades e encontros estranhos, estou reconhecendo meu serviço, propósito e lugar. Fui de alcançar 10 pessoas para milhões. Você precisa ouvi-las e tocá-las, o tempo todo.

JPS: Converso sobre isso com músicos que conheço. A música exerce muita influência. O que você pretende transmitir com sua música?

SZA: Parece que com a minha própria música é muito mais difícil ser super consciente... Estou em outro estado de consciência quando faço música. Mas quando sou mais efetiva é quando posso me apresentar e ver todos. Envio e absorvo amor. Meet and greet é algo novo, que eu nunca tinha feito antes. Conheço umas 200 pessoas antes de cada show. Nos abraçamos e olhamos de verdade um para o outro. Curar e amar as pessoas, acho que isso me define.

JPS: Quando vejo suas apresentações, noto uma certa gentileza e abertura. Sei que é tudo novo para você, de certa forma, é uma escala diferente. É muito bom ver toda a fluidez feminina. Não há muita gentileza no mundo hoje em dia. É apenas natural para você ser assim e, honestamente, é muito bonito de assistir. Sua audiência cresceu, mas como tem sido, energeticamente, no palco?

SZA: Quando terminei minha turnê norte-americana, na qual todos meu conheciam, fiz shows de abertura em lugares de nicho que nunca estive antes. Foi difícil e estranho. Normalmente, o público me dá algo e eu devolvo, mas, às vezes, parece que estou puxando e sugando a felicidade daquele momento e tentando magnificá-lo. Você precisa tentar. 

JPS: Com certeza. Como artista, você precisa descobrir como lidar com as pessoas de maneiras diferentes. Quando está na estrada, como se mantém concentrada? Para mim, é uma das partes mais difíceis do que fazemos: ficar longe da vida cotidiana, do nosso ambiente mais centrado.

SZA: Meditação é a forma mais fácil de se encontrar. Às vezes, fico muito cansada e sinto que estou batendo a cabeça na parede. Só sei que preciso seguir em frente porque haverá uma recompensa depois. Nunca fiz 40 ou 50 shows. Precisei criar calma. Converso muito com a minha mãe. Se sinto que tudo está muito caótico, ela me liga. Ela sempre sabe. 

JPS: Ela parece ser uma força que te mantém com os pés no chão. Me fale um pouco sobre seu relacionamento.

SZA: Ah, eu adoraria que você conhecesse minha mãe. Seria insano. Ela é simplesmente incrível. Ela encontra felicidade em tudo. É incrivelmente não reativa. Há muito amor emanando da presença dela. Quando entra em algum lugar, parece que tudo se ilumina. Ela costumava ser patologista, então sua voz é super calma, sua dicção é maravilhosa. Eu a amo.

JPS: [Rindo] Posso perceber! Isso é lindo. Você é filha única?

SZA: Tenho meio-irmãos e meia-irmãs, mas do lado da minha mãe, sou filha única. Ela é a minha pessoa favorita, mas foi algo que cresceu em mim.

JPS: Quando você aprendeu que sua mãe era incrível? Há um momento – vejo que a Willow está nessa transição.

SZA: Willow sempre soube.

JPS: Sim, mas é algo que se aprofunda. De verdade. Quando ela olha para mim, é uma viagem.

SZA: Para minha mãe também. Eu sou, tipo, obcecada por ela e ela me pergunta: “Qual é o seu problema?”. Sempre soube que minha mãe era radiante, mas isso me repelia porque eu não entendia. Eu me sentia caótica quando era mais nova. Estava passando por um período muito tenebroso. Minha mãe diz que eu nasci séria. Não sei o que significa, mas na escola, sofri muito bullying e ostracismo, então era difícil me conectar com as pessoas.

JPS: Por que você sofria bullying?

SZA: Eu era estranha. Sou super sensível e minha mãe me fez mais sensível ainda porque ela ama sem limites. Percebi que algumas famílias não se abraçam ou não dizem que se amam o dia inteiro. Minha família me fala que me ama sempre; sou muito afetuosa, me jogo nas pessoas porque é o que fazemos em casa. Mas, para o mundo, isso era esquisito e foi muito difícil ser tão sensível e aberta. Foi muito assustador. Acho que minha mãe representava algo que fazia com que eu me sentisse fraca. Acho que era por isso que me sentia mal. Quando fiquei mais velha, percebi que o mundo inteiro estava errado e minha mãe estava certa. Eu entrei em pânico. Precisei me alinhar com a forma que ela vive a vida para entendê-la melhor. Então, quando passei a compreender, comecei a amá-la e valorizá-la de forma diferente. É uma vibe diferente.

JPS: É lindo que você veja o poder, o espírito feminino da sua mãe em um mundo em que o feminino é diminuído, desrespeitado em sua forma mais pura, de nutrir, criar, entender. Vejo o poder e a essência feminina em você. Nós, mulheres, somos muito compreensivas e abraçamos todas essas características que o mundo diz que não deveríamos abraçar. Parabéns por isso.

SZA: Obrigada. Você é parte disso, por minha mãe, por mim, por minhas irmãs, por todas nós.

JPS: Como você conheceu a Willow?

SZA: Foi tão aleatório! Ouvi a música dela uma vez e me senti atraída. Sabia que precisava conhecê-la. Não sei o porquê, mas preciso conhecê-la. Ela é super especial. Tem tanto brilho e confiança...

JPS: Você tem sido como uma irmã mais velha para ela e a agradeço por isso. Ela sempre fala de você. Ela definitivamente tem uma conexão especial com você.

SZA: Me sinto da mesma forma sobre ela. Ela é mais velha do que a idade diz. Amo vê-la amadurecer. É maravilhoso. Vocês são abençoadas.

JPS: Me sinto abençoada porque ela me escolheu para ser sua mãe; ela me ensinou muito. Sobre ser negra, mulher, estar na indústria musical, onde há tanta misoginia. Você sente isso?

SZA: É complicado. Sou a única mulher na minha gravadora. É difícil, mas não sinto medo. Minha mãe tem sua hiper feminilidade, mas meu pai é hiper masculino. Ele é alto, careca, pesado, é imenso, mas da forma mais bonita possível. Ele é muito poderoso. É preciso de muito para me assustar sendo homem.

JPS: Você sente que tem uma proteção interna?

SZA: Sinto que não preciso de um homem para me proteger. Eu amo meu pai, ele é muito masculino, então sinto que já passei por experiências com ultra masculinidade. Não tenho medo e não a aceito. Já vi como há um profundo espaço egoísta no qual não somos ouvidas.

JPS: É algo muito bonito e poderoso: estou aqui como eu mesma. Eu não tive um pai, então trouxe para mim muitos traços masculinos.

SZA: Eu tive um pai, mas ele era tão masculino, que eu acabei tendo também muitos traços masculinos. Eu não me conectava com a minha mãe, sua feminilidade não me atingia, até eu ficar mais velha e compreender tudo. Aprendi a amar meu pai, sua agressividade.

JPS: Seus pais ainda estão juntos?

SZA: Sim. Acho que eles estão juntos há 38 anos.

JPS: Nossa. Você é tipo um unicórnio! Preciso conversar com sua mãe sobre casamento. Então, você foi indicada para vários Grammy. Como foi?

SZA: Essa foi uma lição doida: você pode tentar se avaliar por essa conquista, mas Deus não irá permitir. Seja grato pelo que conseguiu, é um indicador de que você está fazendo um bom trabalho, mas continue focada. Minha avó e minha mãe foram comigo e foi a primeira vez que minha mãe não sabia o que dizer. Ela é tão articulada e estava tendo dificuldade para formar frases. Tive que me apresentar depois de perder os prêmios. Foi definitivamente o teste mais claro que alguém já me deu: Deus está olhando para mim. “Você perdeu os cinco prêmios, eles vão anunciar que você foi indicada em cinco categorias antes da sua apresentação e você precisa fazer um bom trabalho e acreditar em você, está pronta?”.

JPS: Você foi indicada e não foi para nenhuma festa depois da premiação?

SZA:  Não, não, não, não. Nunca fui uma pessoa de ir nessas festas. Mesmo que eu tivesse ganhado, eu não teria ido. Não sou assim. É exaustivo.

JPS: É bem difícil. Sei do que você está falando.

SZA: Eu não bebo, também, então não vejo sentido. Fui para a balada recentemente, era aniversário de um amigo – e foi horrível. Nunca mais quero fazer isso de novo.

JPS: Então, o que você faz? Como é a sua noite depois de ir ao Grammy?

SZA: Enrolo um baseado, ligo para meus amigos e conversamos. Rimos muito, na verdade. Faço meditação. Normalmente, à noite, eu saio para dirigir, ou fumo um baseado, medito, me encontro com as pessoas que eu amo. Queria ter algo mais divertido para contar.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Apelido Carinhoso
Gusttavo Lima
2
Largado às Traças
Zé Neto & Cristiano
3
2050
Luan Santana
4
1, 2, 3
Cleber & Cauan
5
Transplante (part. Bruno & Marrone)
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

SZA e Dua Lipa estampam capa da V Magazine; leia íntegra das entrevistas

Cantoras se destacaram no cenário musical no ano passado e foram entrevistadas por Jada Smith e Katy Perry

por Redação em 12/04/2018

A edição musical da V Magazine de 2018 traz as cantoras SZA e Dua Lipa na capa, com entrevistas feitas por Jada Smith e Katy Perry, respectivamente. A revista escolheu as duas por serem consideradas os novos destaques no cenário musical.

O clipe de “New Rules”, de Dua Lipa, atingiu a marca de um bilhão de visualizações no YouTube, fazendo da cantora a mais jovem artista feminina a conquistar o número.

Já no caso de SZA, o disco de estreia Ctrl recebeu certificado de platina e foi indicado em cinco categorias do Grammy, tornando-a a mulher mais nomeada desta edição do evento.

Leia a íntegra das entrevistas abaixo:

dualipa-vmagazine

Dua Lipa entrevistada por Katy Perry:

KP: Seu nome é tão bonito, interessante e único. O que ele significa?

DL:  Meus pais são da Albânia, de Kosovo. Dua significa amor.

KP: Isso é lindo. O que você teria feito se não tivesse virado cantora?

DL: Provavelmente nada. Quando eu estava descobrindo o que queria fazer, eu não podia ir para a faculdade porque eu não sabia o que queria estudar. Eu tirei um ano para tentar fazer música, publicar uns covers na internet e conhecer pessoas. Eu sabia que se tivesse um plano B ou tivesse estudado algo na faculdade, eu sempre teria algo para fazer caso a música não funcionasse. Eu sempre pensei: “Se isso não funcionar, eu posso fazer aquilo”.

KP: Certo. Você saberia que tinha uma outra opção, que é melhor do que não ter nenhuma. Você pode ir para a faculdade em qualquer momento da sua vida e parece que seu plano deu certo. Você está em turnê na Nova Zelândia: tem algum ritual pré-show?

DL: Sou muito supersticiosa. Primeiro, eu me aqueço, bebo muito chá, fico com a banda. Se as pessoas estiverem bebendo algo, elas não podem brindar. Não apenas antes do show, nunca. Antes de uma apresentação em Estocolmo, minha banda achou que seria engraçado brindar com água antes do show. Eu fiquei tão brava com eles que subimos no palco e tudo deu errado. Tudo. Antes da minha performance no Brit Awards, eu estava tão preocupada com a apresentação por estar muito nervosa que usei minha calcinha do avesso.

KP: O quê?! Nossa, vou adotar essa superstição e começar a usar minha calcinha ao contrário pelo resto da minha vida. Qual o seu signo?

DL:  Sou de leão. Não sei muito sobre o meu signo, mas sei que somos confiantes e um pouco teimosos.

KP: Você é assim?

DL: Até certo ponto. Também sei baixar a guarda: sou bem sensível com as pessoas com as quais sou próxima. Mas com a minha carreira e a direção que quero seguir, sou dura porque tenho certeza do que quero. Gosto de ser ouvida.

KP: Sim, você gosta de ser respeitada. Às vezes, é difícil para as pessoas lidarem com a ideia de que você é incrivelmente inteligente e linda de doer. Você está no início da carreira, período em que é preciso confiar na intuição, entender em quem confiar e perceber o que as pessoas querem de você. Como se define espiritualmente?

DL: Me sinto com os pés no chão na maior parte do tempo. Sou muito próxima das pessoas com quem trabalho e elas são honestos comigo. Mas, às vezes, a vida é confusa, especialmente quando pessoas que você não conhece têm tanta opinião sobre sua vida pessoal. Estou em uma fase estranha da minha carreira, vivo uma curva de aprendizado. É uma transição maluca e está acontecendo muito rápido. Estou me acostumando. Normalmente, vivemos as merdas da nossa vida pessoal sozinhos... Viver isso em frente ao público torna tudo mais difícil. Com o trabalho, como tudo é louco e apressado, sinto que preciso de mais tempo para ensaiar. Quero poder aproveitar o momento, mas fazer tudo bem feito. Me sinto em um conflito.

KP: Acho que você está aprendendo e é lindo que a sua intenção seja fazer o seu melhor. As pessoas veem isso. Mesmo que não seja perfeito todas as vezes, eles verão que você faz tudo com o coração. Vão confiar que você não quer se aproveitar, que você realmente quer contribuir com algo lindo artisticamente. Eu ainda me pego me sentindo assim, mesmo 10 anos depois. Não existem horas suficientes no dia para ensaiar, especialmente quando estou lançando um disco. É uma bênção e uma maldição, mas tudo na vida tem o lado positivo e negativo. Quando você aceita isso, deixa de ser tão dura consigo mesma. Vejo que você tem um talento real. No ano passado, duas estrelas começaram a brilhar forte: você e Cardi B. As pessoas estão te conhecendo e passando a confiar em você, mas ainda vai demorar mais um pouco. Acho que você está quase lá, quando poderá começar a dizer “não” de vez em quando. 

DL: Certo – obrigada.

KP: Então, você me disse que foi a um show meu [anos atrás] e eu a chamei para o palco com outras pessoas. Era a turnê California Dreams e eu convidava as pessoas a subirem no palco durante o cover de “I Wanna Dance With Somebody”, de Whitney Houston. O que aconteceu? Me conta tudo!

DL: Acho que eu tinha uns 15 anos e uma amiga me deu um ingresso de surpresa, como presente de aniversário. Eu fiquei tipo, “Ai meu Deus, eu não acredito, quero ficar lá na frente!”. Ficamos na fila por um tempo no Hammersmith Apollo. Tinha fãs com fantasias e perucas e eu fiquei muito puta porque não tinha uma peruca.

KP: [Rindo] Vou te mandar uma.

DL: Sim! Enfim, entramos no estádio e tudo era tão mágico... Você estava fazendo o cover e dizendo: “Quem vai subir comigo?”. Ninguém apontou para mim, mas eu pensei: “Foda-se, eu vou subir”. Eu estava muito animada. Um de seus dançarinos me ajudou. Tive que me enfiar entre duas garotas, subir na grade, o dançarino me puxou e eu comecei a dançar no palco. Você estava usando um figurino todo cheio de brilho azul e eu queria encostar na roupa.

KP: Você encostou?!

DL: Sim e aí te abracei junto com todo mundo.

KP: Você sempre pertenceu ao palco! Você é amiga de outras pessoas da indústria?

DL: Fiz o BBC Radio 1 Live Lounge com a minha música “IDGAF” e nunca tinha encontrado a Zara Larsson, mas mandei uma mensagem para ela – éramos amigas nas redes sociais. Eu perguntei: “Ei, você quer vir participar e cantar essa música comigo?”. Chamei a Charli XCX, a MØ e a Alma também. É legal estar junto de outras garotas da indústria. Por muitos anos, a mídia nos colocou umas contra as outras. Desde o início, algumas pessoas não eram legais comigo e não ficaram felizes com o meu sucesso. Mas é importante ficar feliz pelos outros. Você faz a sua parte e eu faço a minha. 

KP: Você acende uma vela e reza por eles.

DL: Sim, exatamente. Você precisa ser a melhor pessoa. Mas tenho tido com as pessoas no geral. Elas têm sido muito queridas.

KP: Qual trajetória de carreira você gostaria de imitar?

DL: Acho que a P!nk conseguiu se manter verdadeira com ela mesma. E tudo que você tem feito é inspirador para mim desde que eu era muito nova. A coisa mais importante é ser verdadeiro com quem você é musicalmente e crescer de forma saudável. Os fãs ficam chateados se seu artista favorito muda de estilo, mas pode ser um crescimento como pessoa.

KP: Concordo totalmente. Quando você entra na cena, você sabe que precisará se abrir, mas não percebe o quão difícil será ter o mundo inteiro comentando sobre como você deveria parecer, o que você poderia melhorar. Eu não leio os comentários. Eu costumava ir atrás e ler muitas coisas legais, mas também tinha muita coisa negativa e elas sempre superam as positivas.

DL: Me encontro assim várias vezes. Tentei parar de ler os comentários. Por que o pior de todos é o que você fica lembrando? É tão estranho.

KP: É algo para aprender. Lembro de quando eu estava na fase em que você está agora, eu ligava e desligava alertas do Google. As pessoas a minha volta me avisam se as coisas estão boas ou ruins, se eu preciso olhar algo específico. Mas não dá para controlar tudo. Se você está se educando e dando passos positivos, você está fazendo o seu melhor. Ultimamente, as pessoas estão mais abertas a ideia de que artistas não são perfeitos – eles falham e são humanos, como todo mundo. Mas ainda somos postos em pedestais. E, como mulheres, precisamos fazer o trabalho dez vezes melhor e em cima do salto. Para onde você gostaria de ver a música pop se encaminhando nos próximos cinco anos?

DL: É interessante... Não existe um gênero pop. Tudo está se tornando mais estranho e sonoramente diferente. As pessoas estão criando suas próprias sonoridades e gêneros. Há muito para se inspirar. E a música está se tornando mais política. Há algo grande no rap e no hip-hop; é interessante ver como se mesclou com os artistas “pop”. E tantas colaborações inesperadas estão acontecendo. É muito animador.

KP: Seu clipe de “New Rules” atingiu um bilhão de visualizações. É algo incrível.

DL: No caso de “New Rules”, eu não tinha ideia da direção que queria seguir. Alguns diretores enviaram ideias, mas não gostei de nada. Então, eu vi uma foto de uma campanha antiga que o Gianni Versace fez com a Naomi Campbell. Amei as cores, como foi fotografado e a mensagem de garotas cuidando umas das outras. Inicialmente, “New Rules” soava como uma música triste, apesar da batida. Foi legal ver a mudança.

KP: Qual o seu maior sonho?

DL: Não quero nunca me sentir completa, porque sempre precisamos de algo para ir atrás. Quero ficar nervosa e com medo dos meus sonhos, mas ao mesmo tempo, confiante o bastante para ir atrás deles.

KP: Acho que é a receita para o sucesso. Nunca ficar confortável.

sza-vmagazine

SZA entrevistada por Jada Smith:

Jada Pinkett Smith: Garota, como estão as coisas, o que mudou na sua vida?

SZA: Zero privacidade, muitas expectativas, responsabilidades e encontros estranhos, estou reconhecendo meu serviço, propósito e lugar. Fui de alcançar 10 pessoas para milhões. Você precisa ouvi-las e tocá-las, o tempo todo.

JPS: Converso sobre isso com músicos que conheço. A música exerce muita influência. O que você pretende transmitir com sua música?

SZA: Parece que com a minha própria música é muito mais difícil ser super consciente... Estou em outro estado de consciência quando faço música. Mas quando sou mais efetiva é quando posso me apresentar e ver todos. Envio e absorvo amor. Meet and greet é algo novo, que eu nunca tinha feito antes. Conheço umas 200 pessoas antes de cada show. Nos abraçamos e olhamos de verdade um para o outro. Curar e amar as pessoas, acho que isso me define.

JPS: Quando vejo suas apresentações, noto uma certa gentileza e abertura. Sei que é tudo novo para você, de certa forma, é uma escala diferente. É muito bom ver toda a fluidez feminina. Não há muita gentileza no mundo hoje em dia. É apenas natural para você ser assim e, honestamente, é muito bonito de assistir. Sua audiência cresceu, mas como tem sido, energeticamente, no palco?

SZA: Quando terminei minha turnê norte-americana, na qual todos meu conheciam, fiz shows de abertura em lugares de nicho que nunca estive antes. Foi difícil e estranho. Normalmente, o público me dá algo e eu devolvo, mas, às vezes, parece que estou puxando e sugando a felicidade daquele momento e tentando magnificá-lo. Você precisa tentar. 

JPS: Com certeza. Como artista, você precisa descobrir como lidar com as pessoas de maneiras diferentes. Quando está na estrada, como se mantém concentrada? Para mim, é uma das partes mais difíceis do que fazemos: ficar longe da vida cotidiana, do nosso ambiente mais centrado.

SZA: Meditação é a forma mais fácil de se encontrar. Às vezes, fico muito cansada e sinto que estou batendo a cabeça na parede. Só sei que preciso seguir em frente porque haverá uma recompensa depois. Nunca fiz 40 ou 50 shows. Precisei criar calma. Converso muito com a minha mãe. Se sinto que tudo está muito caótico, ela me liga. Ela sempre sabe. 

JPS: Ela parece ser uma força que te mantém com os pés no chão. Me fale um pouco sobre seu relacionamento.

SZA: Ah, eu adoraria que você conhecesse minha mãe. Seria insano. Ela é simplesmente incrível. Ela encontra felicidade em tudo. É incrivelmente não reativa. Há muito amor emanando da presença dela. Quando entra em algum lugar, parece que tudo se ilumina. Ela costumava ser patologista, então sua voz é super calma, sua dicção é maravilhosa. Eu a amo.

JPS: [Rindo] Posso perceber! Isso é lindo. Você é filha única?

SZA: Tenho meio-irmãos e meia-irmãs, mas do lado da minha mãe, sou filha única. Ela é a minha pessoa favorita, mas foi algo que cresceu em mim.

JPS: Quando você aprendeu que sua mãe era incrível? Há um momento – vejo que a Willow está nessa transição.

SZA: Willow sempre soube.

JPS: Sim, mas é algo que se aprofunda. De verdade. Quando ela olha para mim, é uma viagem.

SZA: Para minha mãe também. Eu sou, tipo, obcecada por ela e ela me pergunta: “Qual é o seu problema?”. Sempre soube que minha mãe era radiante, mas isso me repelia porque eu não entendia. Eu me sentia caótica quando era mais nova. Estava passando por um período muito tenebroso. Minha mãe diz que eu nasci séria. Não sei o que significa, mas na escola, sofri muito bullying e ostracismo, então era difícil me conectar com as pessoas.

JPS: Por que você sofria bullying?

SZA: Eu era estranha. Sou super sensível e minha mãe me fez mais sensível ainda porque ela ama sem limites. Percebi que algumas famílias não se abraçam ou não dizem que se amam o dia inteiro. Minha família me fala que me ama sempre; sou muito afetuosa, me jogo nas pessoas porque é o que fazemos em casa. Mas, para o mundo, isso era esquisito e foi muito difícil ser tão sensível e aberta. Foi muito assustador. Acho que minha mãe representava algo que fazia com que eu me sentisse fraca. Acho que era por isso que me sentia mal. Quando fiquei mais velha, percebi que o mundo inteiro estava errado e minha mãe estava certa. Eu entrei em pânico. Precisei me alinhar com a forma que ela vive a vida para entendê-la melhor. Então, quando passei a compreender, comecei a amá-la e valorizá-la de forma diferente. É uma vibe diferente.

JPS: É lindo que você veja o poder, o espírito feminino da sua mãe em um mundo em que o feminino é diminuído, desrespeitado em sua forma mais pura, de nutrir, criar, entender. Vejo o poder e a essência feminina em você. Nós, mulheres, somos muito compreensivas e abraçamos todas essas características que o mundo diz que não deveríamos abraçar. Parabéns por isso.

SZA: Obrigada. Você é parte disso, por minha mãe, por mim, por minhas irmãs, por todas nós.

JPS: Como você conheceu a Willow?

SZA: Foi tão aleatório! Ouvi a música dela uma vez e me senti atraída. Sabia que precisava conhecê-la. Não sei o porquê, mas preciso conhecê-la. Ela é super especial. Tem tanto brilho e confiança...

JPS: Você tem sido como uma irmã mais velha para ela e a agradeço por isso. Ela sempre fala de você. Ela definitivamente tem uma conexão especial com você.

SZA: Me sinto da mesma forma sobre ela. Ela é mais velha do que a idade diz. Amo vê-la amadurecer. É maravilhoso. Vocês são abençoadas.

JPS: Me sinto abençoada porque ela me escolheu para ser sua mãe; ela me ensinou muito. Sobre ser negra, mulher, estar na indústria musical, onde há tanta misoginia. Você sente isso?

SZA: É complicado. Sou a única mulher na minha gravadora. É difícil, mas não sinto medo. Minha mãe tem sua hiper feminilidade, mas meu pai é hiper masculino. Ele é alto, careca, pesado, é imenso, mas da forma mais bonita possível. Ele é muito poderoso. É preciso de muito para me assustar sendo homem.

JPS: Você sente que tem uma proteção interna?

SZA: Sinto que não preciso de um homem para me proteger. Eu amo meu pai, ele é muito masculino, então sinto que já passei por experiências com ultra masculinidade. Não tenho medo e não a aceito. Já vi como há um profundo espaço egoísta no qual não somos ouvidas.

JPS: É algo muito bonito e poderoso: estou aqui como eu mesma. Eu não tive um pai, então trouxe para mim muitos traços masculinos.

SZA: Eu tive um pai, mas ele era tão masculino, que eu acabei tendo também muitos traços masculinos. Eu não me conectava com a minha mãe, sua feminilidade não me atingia, até eu ficar mais velha e compreender tudo. Aprendi a amar meu pai, sua agressividade.

JPS: Seus pais ainda estão juntos?

SZA: Sim. Acho que eles estão juntos há 38 anos.

JPS: Nossa. Você é tipo um unicórnio! Preciso conversar com sua mãe sobre casamento. Então, você foi indicada para vários Grammy. Como foi?

SZA: Essa foi uma lição doida: você pode tentar se avaliar por essa conquista, mas Deus não irá permitir. Seja grato pelo que conseguiu, é um indicador de que você está fazendo um bom trabalho, mas continue focada. Minha avó e minha mãe foram comigo e foi a primeira vez que minha mãe não sabia o que dizer. Ela é tão articulada e estava tendo dificuldade para formar frases. Tive que me apresentar depois de perder os prêmios. Foi definitivamente o teste mais claro que alguém já me deu: Deus está olhando para mim. “Você perdeu os cinco prêmios, eles vão anunciar que você foi indicada em cinco categorias antes da sua apresentação e você precisa fazer um bom trabalho e acreditar em você, está pronta?”.

JPS: Você foi indicada e não foi para nenhuma festa depois da premiação?

SZA:  Não, não, não, não. Nunca fui uma pessoa de ir nessas festas. Mesmo que eu tivesse ganhado, eu não teria ido. Não sou assim. É exaustivo.

JPS: É bem difícil. Sei do que você está falando.

SZA: Eu não bebo, também, então não vejo sentido. Fui para a balada recentemente, era aniversário de um amigo – e foi horrível. Nunca mais quero fazer isso de novo.

JPS: Então, o que você faz? Como é a sua noite depois de ir ao Grammy?

SZA: Enrolo um baseado, ligo para meus amigos e conversamos. Rimos muito, na verdade. Faço meditação. Normalmente, à noite, eu saio para dirigir, ou fumo um baseado, medito, me encontro com as pessoas que eu amo. Queria ter algo mais divertido para contar.