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Taylor Swift dá uma lição na indústria musical – de novo

Com o lançamento de Reputation, cantora mostra que ainda é possível dar as cartas no mercado

por Redação em 23/11/2017

Toda vez que Taylor Swift lança um álbum, ela decide como disponibilizá-lo – e os executivos dos serviços de streaming sempre acham que ela está completamente errada.

O novo álbum de Swift, Reputation, vendeu 1,2 milhão de cópias nos EUA na semana passada, segundo a Nielsen Music – e 2 milhões em todo o mundo. E a decisão de Swift de não colocar o álbum no streaming "faz o setor voltar atrás", de acordo com Troy Carter, o chefe global de criação do Spotify, que falou em uma conferência na Internet antes dos números de vendas serem divulgados.

OFICIAL: “REPUTATION”, DE TAYLOR SWIFT, VENDE 1,2 MILHÃO NA PRIMEIRA SEMANA NOS EUA 

Até o momento, os serviços de streaming oferecem apenas os singles de Reputation e a maioria das vendas veio de lojas digitais e físicas. Mesmo sem o streaming, que representou 62% do mercado de música dos EUA no primeiro semestre de 2017, de acordo com a RIAA – Reputation alcançou um número maior do que todos os outros álbuns do Billboard 200 somados.

Em algum momento – talvez em breve, talvez não –, Swift permitirá que os serviços de streaming tenham o álbum. Há alguns palpites de quando isso acontecerá – depois do Natal, após seis meses da data do lançamento ou o dia em que Katy Perry lançará seu novo álbum. O tempo ideal é óbvio: a partir do momento em que Swift pode ganhar mais dinheiro com royalties de streaming do que com os meios mais tradicionais. Isso é economia básica e Swift sabe disso. E é por isso que sua abordagem sempre foi "quando e como colocar no streaming" em vez de "sim" ou "não".

TAYLOR SWIFT ULTRAPASSA 1 MILHÃO DE CÓPIAS VENDIDAS COM ÁLBUM REPUTATION, MAS ADELE MANTÉM COROA

Com essa atitude, Swift segue um caminho trilhado pelos Beatles, AC/DC e outros grandes nomes que chegaram “atrasados” ao iTunes. Eles também foram criticados. Mas eles também perceberam que o momento certo para começar a vender músicas a US$ 1,29 chega quando se torna mais difícil vender CDs de US$ 15. Os Beatles mal sofreram: eles foram o segundo artista mais vendido na loja virtual e ainda arrecadaram bastante ao reeditar seu catálogo em CD em 2009 antes de ingressar no iTunes, um ano depois. Eles não estavam segurando, estavam maximizando a receita.

As empresas de tecnologia odeiam isso. Em uma entrevista de 2015, o co-fundador da Spotify, Daniel Ek, disse à Billboard que a decisão de Swift de não lançar seus álbuns no streaming levaria seus fãs para o YouTube ou sites piratas. "Eu não acho que esse seja o modelo. Temos que abraçar a onipresença", disse Ek.

COMO OS CRÍTICOS ESTÃO ENCARANDO O NOVO ÁLBUM DE TAYLOR SWIFT

Ek não estava totalmente errado: a decisão de Swift de manter seus álbuns fora dos serviços de streaming provavelmente resultará em mais fãs ouvindo sua música de maneiras que ela ganhe pouco ou nenhum dinheiro. Mas Spotify também não paga tanto, pelo menos no curto prazo. Se o Spotify pagar meio centavo por play – paga menos, mas vamos tornar a matemática fácil –, as músicas de Swift teriam que ser tocadas 2000 vezes para que seu álbum fizesse os mesmos US$ 10 de um CD. Se cada música for de quatro minutos – novamente, vamos fazer a matemática fácil – Swift ganharia tanto em streaming quanto a partir de uma venda de CD somente após 133 horas de audição. Ao longo de um ano, isso é possível. No curto prazo, não tanto.

Existem outras vantagens para o streaming, é claro, incluindo a receita a longo prazo de anos de audição, um impulso para o catálogo e uma ferramenta de marketing. Mas Swift não está sacrificando nenhum desses. Seus singles irão aumentar seu catálogo e obter toda a visibilidade que ela precisa.

COM TAYLOR SWIFT E FIFTH HARMONY, O DISCURSO DE ÓDIO CHEGOU AO POP

Swift e Adele foram criticados por segurar o progresso do streaming, e, sim, talvez elas tenham. Mas elas também ajudaram a dirigir muitos consumidores para lojas de varejo digitais e físicas. As vendas físicas mostraram uma resiliência surpreendente, em parte devido a itens de alta margem, como o exclusivo pacote de CD e revista de US$ 20, que lhes permite gerar mais receita de seus fãs mais ardentes. Os artistas não deveriam apoiar esse negócio também?

Talvez o mais importante: por que tantos executivos e especialistas pensam que Swift precisa de seus conselhos? Mesmo a cobertura jornalística das decisões de Swift pode ser paternalista, enquadrada no vocabulário emocional de uma música pop. Swift é conhecida por ser tão inteligente no negócio da música quanto a maioria das pessoas que vivem dele. Garth Brooks, outro artista que não abre espaço para o streaming, é conhecido por sua experiência profissional. Por que Swift não pode ser experiente também?

Uma das coisas mais estranhas sobre a indústria da música é a forma como todos no negócio de tecnologia parecem ter descoberto ouro, mesmo que alguns de seus negócios não estejam realmente dando dinheiro. Taylor Swift está. Então talvez eles deveriam parar de falar e ouvir.

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Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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O novo álbum de Swift, Reputation, vendeu 1,2 milhão de cópias nos EUA na semana passada, segundo a Nielsen Music – e 2 milhões em todo o mundo. E a decisão de Swift de não colocar o álbum no streaming "faz o setor voltar atrás", de acordo com Troy Carter, o chefe global de criação do Spotify, que falou em uma conferência na Internet antes dos números de vendas serem divulgados.

OFICIAL: “REPUTATION”, DE TAYLOR SWIFT, VENDE 1,2 MILHÃO NA PRIMEIRA SEMANA NOS EUA 

Até o momento, os serviços de streaming oferecem apenas os singles de Reputation e a maioria das vendas veio de lojas digitais e físicas. Mesmo sem o streaming, que representou 62% do mercado de música dos EUA no primeiro semestre de 2017, de acordo com a RIAA – Reputation alcançou um número maior do que todos os outros álbuns do Billboard 200 somados.

Em algum momento – talvez em breve, talvez não –, Swift permitirá que os serviços de streaming tenham o álbum. Há alguns palpites de quando isso acontecerá – depois do Natal, após seis meses da data do lançamento ou o dia em que Katy Perry lançará seu novo álbum. O tempo ideal é óbvio: a partir do momento em que Swift pode ganhar mais dinheiro com royalties de streaming do que com os meios mais tradicionais. Isso é economia básica e Swift sabe disso. E é por isso que sua abordagem sempre foi "quando e como colocar no streaming" em vez de "sim" ou "não".

TAYLOR SWIFT ULTRAPASSA 1 MILHÃO DE CÓPIAS VENDIDAS COM ÁLBUM REPUTATION, MAS ADELE MANTÉM COROA

Com essa atitude, Swift segue um caminho trilhado pelos Beatles, AC/DC e outros grandes nomes que chegaram “atrasados” ao iTunes. Eles também foram criticados. Mas eles também perceberam que o momento certo para começar a vender músicas a US$ 1,29 chega quando se torna mais difícil vender CDs de US$ 15. Os Beatles mal sofreram: eles foram o segundo artista mais vendido na loja virtual e ainda arrecadaram bastante ao reeditar seu catálogo em CD em 2009 antes de ingressar no iTunes, um ano depois. Eles não estavam segurando, estavam maximizando a receita.

As empresas de tecnologia odeiam isso. Em uma entrevista de 2015, o co-fundador da Spotify, Daniel Ek, disse à Billboard que a decisão de Swift de não lançar seus álbuns no streaming levaria seus fãs para o YouTube ou sites piratas. "Eu não acho que esse seja o modelo. Temos que abraçar a onipresença", disse Ek.

COMO OS CRÍTICOS ESTÃO ENCARANDO O NOVO ÁLBUM DE TAYLOR SWIFT

Ek não estava totalmente errado: a decisão de Swift de manter seus álbuns fora dos serviços de streaming provavelmente resultará em mais fãs ouvindo sua música de maneiras que ela ganhe pouco ou nenhum dinheiro. Mas Spotify também não paga tanto, pelo menos no curto prazo. Se o Spotify pagar meio centavo por play – paga menos, mas vamos tornar a matemática fácil –, as músicas de Swift teriam que ser tocadas 2000 vezes para que seu álbum fizesse os mesmos US$ 10 de um CD. Se cada música for de quatro minutos – novamente, vamos fazer a matemática fácil – Swift ganharia tanto em streaming quanto a partir de uma venda de CD somente após 133 horas de audição. Ao longo de um ano, isso é possível. No curto prazo, não tanto.

Existem outras vantagens para o streaming, é claro, incluindo a receita a longo prazo de anos de audição, um impulso para o catálogo e uma ferramenta de marketing. Mas Swift não está sacrificando nenhum desses. Seus singles irão aumentar seu catálogo e obter toda a visibilidade que ela precisa.

COM TAYLOR SWIFT E FIFTH HARMONY, O DISCURSO DE ÓDIO CHEGOU AO POP

Swift e Adele foram criticados por segurar o progresso do streaming, e, sim, talvez elas tenham. Mas elas também ajudaram a dirigir muitos consumidores para lojas de varejo digitais e físicas. As vendas físicas mostraram uma resiliência surpreendente, em parte devido a itens de alta margem, como o exclusivo pacote de CD e revista de US$ 20, que lhes permite gerar mais receita de seus fãs mais ardentes. Os artistas não deveriam apoiar esse negócio também?

Talvez o mais importante: por que tantos executivos e especialistas pensam que Swift precisa de seus conselhos? Mesmo a cobertura jornalística das decisões de Swift pode ser paternalista, enquadrada no vocabulário emocional de uma música pop. Swift é conhecida por ser tão inteligente no negócio da música quanto a maioria das pessoas que vivem dele. Garth Brooks, outro artista que não abre espaço para o streaming, é conhecido por sua experiência profissional. Por que Swift não pode ser experiente também?

Uma das coisas mais estranhas sobre a indústria da música é a forma como todos no negócio de tecnologia parecem ter descoberto ouro, mesmo que alguns de seus negócios não estejam realmente dando dinheiro. Taylor Swift está. Então talvez eles deveriam parar de falar e ouvir.