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Terra do samba “mais tristonho” recebe Beth Carvalho em plena forma

por em 23/10/2015
Rodrigo Amaral da Rocha
Beth Carvalho leva para São Paulo, nesta sexta-feira (23/10), 50 anos de samba. A cantora, que completa meio século de carreira, é um dos pilares do gênero mais popular do país. Sua história não se restringe apenas à composição e interpretação de grandes clássicos do samba. Como se isso já não fosse muito, Beth é responsável por ter alavancado a carreira dos então novatos Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Sombra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal e Luiz Carlos da Vila (para citar só alguns nomes) e de ter feito ressurgir mestres do samba como Cartola e Nelson Cavaquinho. Com uma bagagem que poucos podem se orgulhar de ter, Beth celebra com o público paulistano estas cinco décadas em um show com o melhor de sua carreira e uma participação especial e bem familiar. A sobrinha Lu Carvalho cantará “Tendência”, de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, ao lado da tia. Como foi escolhido o repertório para o show de 50 anos em São Paulo? São 34 discos gravados né? Muita coisa... Eu fiquei com umas 80 músicas e, dessas, escolhi 25. Fica muita coisa de fora, mas não tem jeito. No fim, ficou no repertório os principais sucessos e duas músicas do último DVD [Ao Vivo No Parque Madureira, de 2014]. Você incluiu alguma coisa do disco no qual canta sambas de São Paulo (Beth Carvalho Canta O Samba De São Paulo, de 1993)? Vou cantar “Vem No Bexiga Pra Ver”, “Volta Por Cima” e “Trem Das Onze”. Qual particularidade você vê no samba de São Paulo? É um samba mais tristonho. Em 2016, o samba completa um século. Como você avalia esse velhinho de 100 anos? Sempre vanguarda, sempre de qualidade e sempre revolucionário. Agora, as letras não estão tão políticas quanto eram no passado. Mas, neste DVD, eu gravei “Estranhou O Quê?”, que é uma música sobre o racismo, e outra que fala sobre os usuários de crack (“Palavra Errada”), que é um assunto sobre o qual eu nunca vi ninguém falar. https://www.youtube.com/watch?v=_XlSjH5Uxzc Em 50 anos de carreira, tem algo que você ainda tem vontade de fazer? Tem. Eu quero ter um programa de televisão, de música, lógico. E um instituto de samba Beth Carvalho. O que seria esse instituto? É um acervo meu e de outros artistas, uma escola para pessoas carentes aprenderem o samba e um teatro. Está na mão do prefeito Eduardo Paes. Você é madrinha de muita gente, como Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Sombra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal, Luiz Carlos da Vila, assim como ajudou a resgatar Carlota e Nelson Cavaquinho. Como funcionava esse trabalho? Eu sempre fui muito garimpeira. Desde a época da Bossa Nova que eu já descobria compositores. Você ainda faz esse garimpo? Sempre. No disco recém-lançado tem novos compositores, como Leandro Fregonesi, Ciraninho e Rafael dos Santos. E de todos esses nomes que você colocou no cenário, tem alguém que você sente um orgulho maior? Nelson Cavaquinho. Porque ele vivia muito mal, muito pobre, isso melhorou a vida dele. Eu gravei muita música do Nelson, fiz muito show com ele e, então, ele começou a ganhar um pouquinho mais de dinheiro. Como é a sua relação com a internet e as redes sociais? A internet foi ótima porque facilitou a gravação e muitas outras coisas. Mas no que diz respeito à vendas de discos – parte das gravadoras faliram – foi muito ruim. Agora, com a opção de poder ouvir música de graça na internet, fica difícil ter retorno. E show, você não acha que é um jeito de compensar? Mas o show é aquela história, com 70 anos de idade que eu vou fazer ano que vem, não tenho mais a disposição que tinha com 30 anos. Eu adoro, mas não é a mesma coisa. Você sempre declarou abertamente seu posicionamento político à esquerda. Em outros tempos, você afirmou gostar do Governo Dilma. E hoje? Continuo achando a mesma coisa. O que está acontecendo é que existe uma crise mundial. A nossa é das menores, mas aí a direita aproveitou pra botar o povo em pânico. Mas não vai ter impeachment e estou esperando o Lula para 2018. E o que você está achando de toda essa mobilização anti governo? Horrível. É falta de cultura política mesmo. Eles não se conformam com o PT no poder e a direita quer esse poder de qualquer maneira, aí ficam fazendo essa loucura de passeata, usando a minha música “Vou Festejar”. Não pode. Não posso reclamar a autoria porque não é minha, mas posso reclamar porque é com a minha voz. Não quero que usem mais. E mesmo com toda essa efervescência política, tem poucos sambas de cunho político... Até porque quem faz a letra é o povo, e o povo está feliz. Claro que tem erros e falhas, mas o povo está melhor. Depois de 50 anos de carreira, acha que pode fazer mais pelo samba? Sempre, né? Samba é essa eterna luta, a gente está sempre na guerra. Existe um preconceito muito grande pelo samba, por ser feito pelo preto, pelo pobre. Serviço: Beth Carvalho - 50 Anos de Carreira Sexta-feira, 23 de outubro, às 22h30 Citibank Hall (Av. das Nações Unidas, 17.955 – Santo Amaro) De R$ 40 a R$ 200
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
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Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Terra do samba “mais tristonho” recebe Beth Carvalho em plena forma

por em 23/10/2015
Rodrigo Amaral da Rocha
Beth Carvalho leva para São Paulo, nesta sexta-feira (23/10), 50 anos de samba. A cantora, que completa meio século de carreira, é um dos pilares do gênero mais popular do país. Sua história não se restringe apenas à composição e interpretação de grandes clássicos do samba. Como se isso já não fosse muito, Beth é responsável por ter alavancado a carreira dos então novatos Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Sombra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal e Luiz Carlos da Vila (para citar só alguns nomes) e de ter feito ressurgir mestres do samba como Cartola e Nelson Cavaquinho. Com uma bagagem que poucos podem se orgulhar de ter, Beth celebra com o público paulistano estas cinco décadas em um show com o melhor de sua carreira e uma participação especial e bem familiar. A sobrinha Lu Carvalho cantará “Tendência”, de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, ao lado da tia. Como foi escolhido o repertório para o show de 50 anos em São Paulo? São 34 discos gravados né? Muita coisa... Eu fiquei com umas 80 músicas e, dessas, escolhi 25. Fica muita coisa de fora, mas não tem jeito. No fim, ficou no repertório os principais sucessos e duas músicas do último DVD [Ao Vivo No Parque Madureira, de 2014]. Você incluiu alguma coisa do disco no qual canta sambas de São Paulo (Beth Carvalho Canta O Samba De São Paulo, de 1993)? Vou cantar “Vem No Bexiga Pra Ver”, “Volta Por Cima” e “Trem Das Onze”. Qual particularidade você vê no samba de São Paulo? É um samba mais tristonho. Em 2016, o samba completa um século. Como você avalia esse velhinho de 100 anos? Sempre vanguarda, sempre de qualidade e sempre revolucionário. Agora, as letras não estão tão políticas quanto eram no passado. Mas, neste DVD, eu gravei “Estranhou O Quê?”, que é uma música sobre o racismo, e outra que fala sobre os usuários de crack (“Palavra Errada”), que é um assunto sobre o qual eu nunca vi ninguém falar. https://www.youtube.com/watch?v=_XlSjH5Uxzc Em 50 anos de carreira, tem algo que você ainda tem vontade de fazer? Tem. Eu quero ter um programa de televisão, de música, lógico. E um instituto de samba Beth Carvalho. O que seria esse instituto? É um acervo meu e de outros artistas, uma escola para pessoas carentes aprenderem o samba e um teatro. Está na mão do prefeito Eduardo Paes. Você é madrinha de muita gente, como Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Sombra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal, Luiz Carlos da Vila, assim como ajudou a resgatar Carlota e Nelson Cavaquinho. Como funcionava esse trabalho? Eu sempre fui muito garimpeira. Desde a época da Bossa Nova que eu já descobria compositores. Você ainda faz esse garimpo? Sempre. No disco recém-lançado tem novos compositores, como Leandro Fregonesi, Ciraninho e Rafael dos Santos. E de todos esses nomes que você colocou no cenário, tem alguém que você sente um orgulho maior? Nelson Cavaquinho. Porque ele vivia muito mal, muito pobre, isso melhorou a vida dele. Eu gravei muita música do Nelson, fiz muito show com ele e, então, ele começou a ganhar um pouquinho mais de dinheiro. Como é a sua relação com a internet e as redes sociais? A internet foi ótima porque facilitou a gravação e muitas outras coisas. Mas no que diz respeito à vendas de discos – parte das gravadoras faliram – foi muito ruim. Agora, com a opção de poder ouvir música de graça na internet, fica difícil ter retorno. E show, você não acha que é um jeito de compensar? Mas o show é aquela história, com 70 anos de idade que eu vou fazer ano que vem, não tenho mais a disposição que tinha com 30 anos. Eu adoro, mas não é a mesma coisa. Você sempre declarou abertamente seu posicionamento político à esquerda. Em outros tempos, você afirmou gostar do Governo Dilma. E hoje? Continuo achando a mesma coisa. O que está acontecendo é que existe uma crise mundial. A nossa é das menores, mas aí a direita aproveitou pra botar o povo em pânico. Mas não vai ter impeachment e estou esperando o Lula para 2018. E o que você está achando de toda essa mobilização anti governo? Horrível. É falta de cultura política mesmo. Eles não se conformam com o PT no poder e a direita quer esse poder de qualquer maneira, aí ficam fazendo essa loucura de passeata, usando a minha música “Vou Festejar”. Não pode. Não posso reclamar a autoria porque não é minha, mas posso reclamar porque é com a minha voz. Não quero que usem mais. E mesmo com toda essa efervescência política, tem poucos sambas de cunho político... Até porque quem faz a letra é o povo, e o povo está feliz. Claro que tem erros e falhas, mas o povo está melhor. Depois de 50 anos de carreira, acha que pode fazer mais pelo samba? Sempre, né? Samba é essa eterna luta, a gente está sempre na guerra. Existe um preconceito muito grande pelo samba, por ser feito pelo preto, pelo pobre. Serviço: Beth Carvalho - 50 Anos de Carreira Sexta-feira, 23 de outubro, às 22h30 Citibank Hall (Av. das Nações Unidas, 17.955 – Santo Amaro) De R$ 40 a R$ 200