NOTÍCIAS

Vinicius para a nova geração

por em 09/04/2013
Nova versão de A Arca De Noé reúne Chico, Marisa, Zeca e outros grandes nomes da MPB – com ótimos “causos” Foram quase oito anos de conversas e reuniões, convites aceitos, contatos apalavrados, e muitas ideias. Mas Susana Moraes (filha de Vinicius), Adriana Calcanhotto, Dé Palmeira e Leonardo Netto, timoneiros do projeto, só puderam colocar o barco na água depois que a Sony Music resolveu bancar inteiramente a nova versão do disco clássico de 1980 (com segundo volume em 1981), que reunia a nata da MPB em torno do repertório infantil de Vinicius de Moraes. Menos mal que, com o início das gravações em abril, foi possível lançar o álbum em tempo para as comemorações do centenário de nascimento do poeta (1913-1980), em outubro. “Eu falei para a Susana um dia desses: ‘Considero um milagre a gravadora ter surgido com o interesse e topado tudo, sem limitações’. Até então, tínhamos batido em várias portas, sem nada concreto. Estávamos quase sem esperança”, conta Dé, produtor musical da maioria das gravações. As 17 faixas reúnem as vozes de Chico Buarque, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gal Costa, Marisa Monte, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo, Erasmo Carlos, Chitãozinho & Xororó, Seu Jorge e Miúcha, entre outros. O disco é fechado por ninguém menos que o próprio Vinicius cantando “A Casa”, com Toquinho ao violão, em registro garimpado do fim dos anos 60. Ainda assim, algumas ausências chamam a atenção – e, com sorte, podem aparecer em um eventual segundo volume. Gilberto Gil musicou um poema inédito, “Peixe Espada”, mas não conseguiu tempo para gravar. João Gilberto, que era a opção inicial para cantar “A Casa”, aceitou o convite intermediado por sua filha, mas quis fazer outra música. “A Bebel mandou mensagem avisando: ‘Ó, papai deu a palavra. Mas ele queria fazer ‘São Francisco’. O pai dele, lá em Juazeiro, tinha trabalhado por muito tempo no rio São Francisco. Era um elo genial – e o João também andava bem impressionado com o novo papa, Francisco. Ensaiou a música, cantou em casa, e tal. Isso tudo nos contou a Miúcha”, lembra Dé. Infelizmente, no dia marcado, o gênio não apareceu. “Foi bem naquele período em que ele estava em litígio com a gravadora EMI, também soubemos que andava às voltas com mudança de casa”, completa o produtor. Acabou cabendo à ex-mulher de João, Miúcha, e a Paulo Jobim, a tarefa de gravar “São Francisco”.  Outra surpresa no dia D, em estúdio, veio de Seu Jorge, que está na faixa-título, junto com Péricles e Maria Bethânia, assumindo o papel que, na versão de 1980, foi de Milton Nascimento – “só que uma oitava abaixo, pra dar um tom mais solene”, detalha Dé. Já com o circo todo armado em São Paulo, o cantor de São Gonçalo liga para o produtor, no Rio: “Porra, Dé, mas não é o ‘Canto De Ossanha’?”. Depois de lembrado do combinado, com arquivos enviados por e-mail e tudo mais, Seu Jorge ainda deu uma choradinha: “Pô, mas essa música é muito complicada...”. No fi m, porém, deu tudo certo. Malandramente, Zeca Pagodinho também quis cantar música diferente da proposta pelos produtores. Só que disse isso de cara, e se deu bem, revolucionando a valsa ‘O Pato’ para o 2/4 de um samba calangueado. “Chegou pedindo a música mais famosa, e tinha que ser aquela, né? Aprendeu a letra com o neto e fez umas divisões loucas, saiu costurando”, conta Dé. Chico Buarque aprontou mais sutilmente em sua versão para “O Pinguim”. “Ouvi de cara e achei que era sério, mas depois percebi um tipo de humor de carnaval, meio Mário Reis, nonsense até...” Com Gal Costa, cuja gravação de “As Borboletas”, produzida por Adriana Calcanhotto, é um dos destaques do disco, houve suspense até o último minuto. “Ela tinha acabado de sair de uma faringite séria. Havia ficado um mês sem abrir a boca para cantar, e voltou justamente no dia que tínhamos agendado o estúdio.” Marisa Monte, que brilha recriando “As Abelhas”, cantadas por Moraes Moreira na versão de 1980, por pouco também não acaba de fora. “Ela tinha aceitado o nosso convite em 2007! Mas neste ano ela estava no meio da turnê, preparando DVD, então foi correria. Ela trouxe o Dadi e o Mauro Diniz, eu chamei o Cesinha, e eu mesmo toquei [violão de cordas de aço e pandeiro] e gravei”, conta Dé. Ele também fez questão de botar a mão na massa (no caso, o baixo) para acompanhar Erasmo no delicioso ieieiê “O Pintinho”, e convocou para a faixa seu atual companheiro na banda Pana- mericana, Dado Villa-Lobos. “Até pensei em trazer um grupo de jovens. Mas fui egoísta, não ia perder essa oportunidade de gravar com esse cara legendário”, ri.
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Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
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Gusttavo LIma
3
Beber Com Emergência
Jefferson Moraes
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Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Vinicius para a nova geração

por em 09/04/2013
Nova versão de A Arca De Noé reúne Chico, Marisa, Zeca e outros grandes nomes da MPB – com ótimos “causos” Foram quase oito anos de conversas e reuniões, convites aceitos, contatos apalavrados, e muitas ideias. Mas Susana Moraes (filha de Vinicius), Adriana Calcanhotto, Dé Palmeira e Leonardo Netto, timoneiros do projeto, só puderam colocar o barco na água depois que a Sony Music resolveu bancar inteiramente a nova versão do disco clássico de 1980 (com segundo volume em 1981), que reunia a nata da MPB em torno do repertório infantil de Vinicius de Moraes. Menos mal que, com o início das gravações em abril, foi possível lançar o álbum em tempo para as comemorações do centenário de nascimento do poeta (1913-1980), em outubro. “Eu falei para a Susana um dia desses: ‘Considero um milagre a gravadora ter surgido com o interesse e topado tudo, sem limitações’. Até então, tínhamos batido em várias portas, sem nada concreto. Estávamos quase sem esperança”, conta Dé, produtor musical da maioria das gravações. As 17 faixas reúnem as vozes de Chico Buarque, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gal Costa, Marisa Monte, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo, Erasmo Carlos, Chitãozinho & Xororó, Seu Jorge e Miúcha, entre outros. O disco é fechado por ninguém menos que o próprio Vinicius cantando “A Casa”, com Toquinho ao violão, em registro garimpado do fim dos anos 60. Ainda assim, algumas ausências chamam a atenção – e, com sorte, podem aparecer em um eventual segundo volume. Gilberto Gil musicou um poema inédito, “Peixe Espada”, mas não conseguiu tempo para gravar. João Gilberto, que era a opção inicial para cantar “A Casa”, aceitou o convite intermediado por sua filha, mas quis fazer outra música. “A Bebel mandou mensagem avisando: ‘Ó, papai deu a palavra. Mas ele queria fazer ‘São Francisco’. O pai dele, lá em Juazeiro, tinha trabalhado por muito tempo no rio São Francisco. Era um elo genial – e o João também andava bem impressionado com o novo papa, Francisco. Ensaiou a música, cantou em casa, e tal. Isso tudo nos contou a Miúcha”, lembra Dé. Infelizmente, no dia marcado, o gênio não apareceu. “Foi bem naquele período em que ele estava em litígio com a gravadora EMI, também soubemos que andava às voltas com mudança de casa”, completa o produtor. Acabou cabendo à ex-mulher de João, Miúcha, e a Paulo Jobim, a tarefa de gravar “São Francisco”.  Outra surpresa no dia D, em estúdio, veio de Seu Jorge, que está na faixa-título, junto com Péricles e Maria Bethânia, assumindo o papel que, na versão de 1980, foi de Milton Nascimento – “só que uma oitava abaixo, pra dar um tom mais solene”, detalha Dé. Já com o circo todo armado em São Paulo, o cantor de São Gonçalo liga para o produtor, no Rio: “Porra, Dé, mas não é o ‘Canto De Ossanha’?”. Depois de lembrado do combinado, com arquivos enviados por e-mail e tudo mais, Seu Jorge ainda deu uma choradinha: “Pô, mas essa música é muito complicada...”. No fi m, porém, deu tudo certo. Malandramente, Zeca Pagodinho também quis cantar música diferente da proposta pelos produtores. Só que disse isso de cara, e se deu bem, revolucionando a valsa ‘O Pato’ para o 2/4 de um samba calangueado. “Chegou pedindo a música mais famosa, e tinha que ser aquela, né? Aprendeu a letra com o neto e fez umas divisões loucas, saiu costurando”, conta Dé. Chico Buarque aprontou mais sutilmente em sua versão para “O Pinguim”. “Ouvi de cara e achei que era sério, mas depois percebi um tipo de humor de carnaval, meio Mário Reis, nonsense até...” Com Gal Costa, cuja gravação de “As Borboletas”, produzida por Adriana Calcanhotto, é um dos destaques do disco, houve suspense até o último minuto. “Ela tinha acabado de sair de uma faringite séria. Havia ficado um mês sem abrir a boca para cantar, e voltou justamente no dia que tínhamos agendado o estúdio.” Marisa Monte, que brilha recriando “As Abelhas”, cantadas por Moraes Moreira na versão de 1980, por pouco também não acaba de fora. “Ela tinha aceitado o nosso convite em 2007! Mas neste ano ela estava no meio da turnê, preparando DVD, então foi correria. Ela trouxe o Dadi e o Mauro Diniz, eu chamei o Cesinha, e eu mesmo toquei [violão de cordas de aço e pandeiro] e gravei”, conta Dé. Ele também fez questão de botar a mão na massa (no caso, o baixo) para acompanhar Erasmo no delicioso ieieiê “O Pintinho”, e convocou para a faixa seu atual companheiro na banda Pana- mericana, Dado Villa-Lobos. “Até pensei em trazer um grupo de jovens. Mas fui egoísta, não ia perder essa oportunidade de gravar com esse cara legendário”, ri.