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Yotuel, do Orishas, sobre Cuba: “Está tudo difícil de novo”

Rapper vem ao Brasil com seu grupo depois de oito anos

por Marcos Lauro em 29/11/2017

Entre o final dos anos 1990 e começo dos anos 2000, a ilha de Cuba exportou o maior grupo de rap de língua espanhola que o mundo já viu: Orishas. A Lo Cubano, álbum de estreia, foi lançado mundialmente pela Universal e teve hits como a música homônima e “Represent”, ouvida até hoje nas festas de hip hop Brasil afora.

Depois da sequência desse trabalho, o grupo fez uma pausa em 2009 e retornou aos palcos em 2016. Pouco antes da pausa, os Orishas fizeram uma turnê brasileira e passaram por São Paulo. Agora é a vez da cidade ver de novo essa “festa latina”, como define Yotuel Romero, um dos fundadores do agora trio.

orishas

Conversamos com ele sobre rap, raggaetón e, claro, a atual situação de Cuba:

Já faz oito anos que vocês passaram por São Paulo. Se lembra de algo especial?
Foi algo incrível, belo! Me lembro da dificuldade da aceitação de artistas de língua espanhola no Brasil, principalmente cubanos fazendo música urbana, mas Orishas conseguiram conquistar um público brasileiro desde o primeiro disco. São Paulo é incrível e fizemos uma festa de rumba, assim como vamos fazer agora de novo. Estou muito feliz em voltar ao Brasil e começar por São Paulo, uma capital que nos abre as portas sempre.

Conhece algo de rap brasileiro?
Conheço Karol Conka, que me encanta. E Marcelo D2, que é da mesma época que a gente. Acabo não conhecendo muita coisa brasileira no rap, mas sei que é uma cena grande. Com o D2 já cantamos e foi espetacular.

Hoje o reggaetón domina as paradas mundiais. Tem acompanhado esse fenômeno? O que acha?
Nosso show é uma festa é de ritmos latinos. O reggaetón está dominando e é ótimo que isso aconteça. É um ritmo que surgiu do povo, tem origem nas ruas como hip hop e o trap. É como a música popular cubana, é do povo. Ninguém dava nada pelo reggaetón há algum tempo e hoje é essa sensação internacional – é a primeira vez que uma música latina concorre a um Grammy sem ser em categorias específicas latinas. Então tem que seguir apostando e ir misturando com outras músicas latinas, ritmos urbanos. O reggaetón já foi das ruas, hoje é do mundo.

E o rap dominou a lista dos indicados ao próximo Grammy, com Jay-Z e Kendrick Lamar...
Que bom que o rap esteja assim! E que bom que sejam esses artistas, com tanta credibilidade, respeito, sérios, honestos. É um momento espetacular. E os Orishas estão fazendo de tudo para fazer parte dessa lista em 2018 para representar esse ritmo urbano com classe.

Nessa semana, completou-se um ano da morte de Fidel Castro. Como você vê o momento atual de Cuba?
Barack Obama estava num caminho de abertura e intercâmbio com a ideia de que o cubano não precisasse mais emigrar, poderia viver na ilha fazendo seus negócios e ganhando seu dinheiro. Tudo de uma forma mais legalizada, sem problemas com a polícia. Isso estava indo bem, de acordo com o sonho dos cubanos. Mas agora tudo foi paralisado. Até o turismo diminuiu na ilha... muitos cruzeiros que antes não iam pra Cuba estavam indo e agora pararam, entende? Agora temos que ver o que vai acontecer, porque está tudo parado e difícil de novo.

Serviço:
Orishas na festa Te Quiero
– com Tropkillaz, Dih Honorato, Pancho Valdez, Dj Keffing e Niasi
Tropical Butantã – São Paulo/SP
1º/12 – 23h30
Ingressos: de R$ 150 a R$ 400 nas bilheterias ou pelo site

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Yotuel, do Orishas, sobre Cuba: “Está tudo difícil de novo”

Rapper vem ao Brasil com seu grupo depois de oito anos

por Marcos Lauro em 29/11/2017

Entre o final dos anos 1990 e começo dos anos 2000, a ilha de Cuba exportou o maior grupo de rap de língua espanhola que o mundo já viu: Orishas. A Lo Cubano, álbum de estreia, foi lançado mundialmente pela Universal e teve hits como a música homônima e “Represent”, ouvida até hoje nas festas de hip hop Brasil afora.

Depois da sequência desse trabalho, o grupo fez uma pausa em 2009 e retornou aos palcos em 2016. Pouco antes da pausa, os Orishas fizeram uma turnê brasileira e passaram por São Paulo. Agora é a vez da cidade ver de novo essa “festa latina”, como define Yotuel Romero, um dos fundadores do agora trio.

orishas

Conversamos com ele sobre rap, raggaetón e, claro, a atual situação de Cuba:

Já faz oito anos que vocês passaram por São Paulo. Se lembra de algo especial?
Foi algo incrível, belo! Me lembro da dificuldade da aceitação de artistas de língua espanhola no Brasil, principalmente cubanos fazendo música urbana, mas Orishas conseguiram conquistar um público brasileiro desde o primeiro disco. São Paulo é incrível e fizemos uma festa de rumba, assim como vamos fazer agora de novo. Estou muito feliz em voltar ao Brasil e começar por São Paulo, uma capital que nos abre as portas sempre.

Conhece algo de rap brasileiro?
Conheço Karol Conka, que me encanta. E Marcelo D2, que é da mesma época que a gente. Acabo não conhecendo muita coisa brasileira no rap, mas sei que é uma cena grande. Com o D2 já cantamos e foi espetacular.

Hoje o reggaetón domina as paradas mundiais. Tem acompanhado esse fenômeno? O que acha?
Nosso show é uma festa é de ritmos latinos. O reggaetón está dominando e é ótimo que isso aconteça. É um ritmo que surgiu do povo, tem origem nas ruas como hip hop e o trap. É como a música popular cubana, é do povo. Ninguém dava nada pelo reggaetón há algum tempo e hoje é essa sensação internacional – é a primeira vez que uma música latina concorre a um Grammy sem ser em categorias específicas latinas. Então tem que seguir apostando e ir misturando com outras músicas latinas, ritmos urbanos. O reggaetón já foi das ruas, hoje é do mundo.

E o rap dominou a lista dos indicados ao próximo Grammy, com Jay-Z e Kendrick Lamar...
Que bom que o rap esteja assim! E que bom que sejam esses artistas, com tanta credibilidade, respeito, sérios, honestos. É um momento espetacular. E os Orishas estão fazendo de tudo para fazer parte dessa lista em 2018 para representar esse ritmo urbano com classe.

Nessa semana, completou-se um ano da morte de Fidel Castro. Como você vê o momento atual de Cuba?
Barack Obama estava num caminho de abertura e intercâmbio com a ideia de que o cubano não precisasse mais emigrar, poderia viver na ilha fazendo seus negócios e ganhando seu dinheiro. Tudo de uma forma mais legalizada, sem problemas com a polícia. Isso estava indo bem, de acordo com o sonho dos cubanos. Mas agora tudo foi paralisado. Até o turismo diminuiu na ilha... muitos cruzeiros que antes não iam pra Cuba estavam indo e agora pararam, entende? Agora temos que ver o que vai acontecer, porque está tudo parado e difícil de novo.

Serviço:
Orishas na festa Te Quiero
– com Tropkillaz, Dih Honorato, Pancho Valdez, Dj Keffing e Niasi
Tropical Butantã – São Paulo/SP
1º/12 – 23h30
Ingressos: de R$ 150 a R$ 400 nas bilheterias ou pelo site