NOTÍCIAS

Zeeba e a vida além de “Hear Me Now”

Dono da voz brasileira mais ouvida no mundo em 2017 prepara novos trabalhos em carreira solo

por Marcos Lauro em 04/12/2017

Em outubro, a Billboard Brasil divulgou a lista dos artistas brasileiros mais ouvidos no exterior. Em primeiro lugar, DJ Alok, por conta do hit “Hear Me Now”, fenômeno no streaming – apenas no Spotify, foram 250 milhões de plays.

Alok figura como o artista da faixa, mas, como já contamos aqui, outros dois nomes são fundamentais para esse sucesso: o produtor (e também DJ) Bruno Martini e o compositor e cantor Zeeba.

Nascido nos Estados Unidos, Zeeba veio muito novo para o Brasil e retornou diversas vezes para o seu país, especialmente para estudar música – em Los Angeles, fez dois cursos: Music Business e um programa para artistas independentes. Seu trabalho sempre foi mais ligado ao rock e ao indie, mas “Hear Me Now” colocou seu nome nas paradas (e em festivais) de música eletrônica.

Recebemos Zeeba na redação para falar sobre esse sucesso mundial e também sobre os próximos passos. Veja um trecho do live com duas músicas ao vivo e leia a conversa abaixo:

Você segue cantando com o Alok nos shows?
A gente fez uma turnê na Europa pra promover “Hear Me Now” e “Never Let Me Go”. Teve Tomorrowland, por exemplo... shows muito grandes. Mas agora a gente já começa a fazer shows mais separados. Nesse momento, a gente vai juntos pra fazer premiação, programa de TV, essas coisas... ainda tá rolando bastante compromissos. Agora é a hora de apostar em coisas novas, lançamentos... tem som novo com o Bruno Martini e depois, em janeiro, trabalho solo, só como Zeeba mesmo.

Você já era ligado em música eletrônica?
Eu gostava de David Guetta, essas músicas mais cantadas. A “Hear Me Now” nasceu como uma música mais orgânica, sem eletrônica, então eu nunca achei que ela seria eletrônica. Eu não era tão ligado não, mas depois comecei a fazer mais músicas... mas sempre pro lado mais melódico. A “Found U”, mesmo, tem violão.

E essa música ainda é parceria com um DJ...
Sim, com o Dimmi. Meu último lançamento sozinho já tem um tempo. Estou gostando de fazer desse jeito, um ajuda o outro na música... bem legal. Mas, como eu disse, em janeiro já vem um trabalho solo.

E vai ser uma volta às origens, mais indie?
Tem muita música parada e pronta e vai ser com lançamento internacional. O produtor é o Bruno Martini, então vai ter essa coisa de misturar eletrônica e tal. Não vai ser um choque pras pessoas [risos]. Tem coisas que vão mais pro indie e outras mais pra “Hear Me Now”.

E tem algum lugar que o hit te levou que te surpreendeu?
Ah, China, né? Outro mundo... inacreditável. A música quebrou muitas barreiras, então a gente fez festival sertanejo no mesmo dia que Wesley Safadão, por exemplo. Eu nunca imaginei estar no mesmo palco que esses caras. Gostei do Lollapalooza também, no Chile e Argentina. E Tomorrowland na Bélgica... já tinha vontade de ir, mas pela curtição, pra ver a estrutura e tal.

Já rolou convite de parceria com sertanejo? Se bobear, eles te chamam...
[risos] A gente chegou a cogitar, mas acho que pra mim não rola tanto. Eu tô de portas abertas sim. E eu não canto em português, acho que minha voz não funciona... então, se rolar, vai ser alguém em português e eu em inglês [risos]. Gosto de Tiago Iorc, AnaVitória, Mallu Magalhães... inclusive, vou me encontrar com ela num estúdio e pode rolar algo legal.

zeeba

Já li em outra entrevista que você não consegue cantar em português. Como é isso?
A minha primeira banda, ainda no colégio, era punk e a gente tocava só bandas de fora. Nunca escutei muita música brasileira... nasci nos EUA e voltava lá muitas vezes... estudei lá, inclusive. Já tentei cantar em português, mas fiz canto lá nos EUA... é uma outra modulação na hora de cantar. Já aconteceu de eu cantar em português, um cover de Charlie Brown Jr., e me falarem que estava com sotaque [risos]. Fiz dois cursos lá, Music Business e um programa em Los Angeles para artistas independentes. Fiz desde acompanhamento de voz, instrumentação, operação de Logic e ProTools, estrutura de música pop... no Music Business era mais o lado de marketing, empresariamento, partes burocráticas etc. Foi bom porque eu saí com uma base legal... eu mesmo era o empresário da minha banda. Então hoje eu gosto de participar de tudo. Mesmo quem está em gravadoras tem que ser meio independente, tem que trabalhar. O artista hoje em dia tem que ser assim.

E como vai ser o formato desse seu próximo trabalho?
A gente não definiu ainda. Eu tenho 11 músicas prontas, mas pode ser um EP, um álbum... o legal de um álbum é mostrar identidade, criar um público fiel, mas os singles têm sua força. “Hear Me Now” é maior que nós três, por exemplo. Mas eu quero criar algo maior ainda, que você consiga ouvir e dizer “esse é o Zeeba”. iTunes, Spotify e afins fizeram com que os artistas lançassem mais singles mesmo, algumas músicas acabam ficando meio perdidas no meio dos álbuns.

Pra resumir: há vida depois de “Hear Me Now”?
Sim. 5 de janeiro sai um single com o Bruno Martini e produção do Timbaland. O Bruno tá fazendo muita coisa legal com ele, estão ousando bastante. E depois já sai o primeiro single do meu próximo trabalho.

Você se cobra sucesso?
Num determinado momento, sim, me cobrei. Mas agora eu só quero fazer música boa, sem pensar em nada. Se não fico bitolado.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Zeeba e a vida além de “Hear Me Now”

Dono da voz brasileira mais ouvida no mundo em 2017 prepara novos trabalhos em carreira solo

por Marcos Lauro em 04/12/2017

Em outubro, a Billboard Brasil divulgou a lista dos artistas brasileiros mais ouvidos no exterior. Em primeiro lugar, DJ Alok, por conta do hit “Hear Me Now”, fenômeno no streaming – apenas no Spotify, foram 250 milhões de plays.

Alok figura como o artista da faixa, mas, como já contamos aqui, outros dois nomes são fundamentais para esse sucesso: o produtor (e também DJ) Bruno Martini e o compositor e cantor Zeeba.

Nascido nos Estados Unidos, Zeeba veio muito novo para o Brasil e retornou diversas vezes para o seu país, especialmente para estudar música – em Los Angeles, fez dois cursos: Music Business e um programa para artistas independentes. Seu trabalho sempre foi mais ligado ao rock e ao indie, mas “Hear Me Now” colocou seu nome nas paradas (e em festivais) de música eletrônica.

Recebemos Zeeba na redação para falar sobre esse sucesso mundial e também sobre os próximos passos. Veja um trecho do live com duas músicas ao vivo e leia a conversa abaixo:

Você segue cantando com o Alok nos shows?
A gente fez uma turnê na Europa pra promover “Hear Me Now” e “Never Let Me Go”. Teve Tomorrowland, por exemplo... shows muito grandes. Mas agora a gente já começa a fazer shows mais separados. Nesse momento, a gente vai juntos pra fazer premiação, programa de TV, essas coisas... ainda tá rolando bastante compromissos. Agora é a hora de apostar em coisas novas, lançamentos... tem som novo com o Bruno Martini e depois, em janeiro, trabalho solo, só como Zeeba mesmo.

Você já era ligado em música eletrônica?
Eu gostava de David Guetta, essas músicas mais cantadas. A “Hear Me Now” nasceu como uma música mais orgânica, sem eletrônica, então eu nunca achei que ela seria eletrônica. Eu não era tão ligado não, mas depois comecei a fazer mais músicas... mas sempre pro lado mais melódico. A “Found U”, mesmo, tem violão.

E essa música ainda é parceria com um DJ...
Sim, com o Dimmi. Meu último lançamento sozinho já tem um tempo. Estou gostando de fazer desse jeito, um ajuda o outro na música... bem legal. Mas, como eu disse, em janeiro já vem um trabalho solo.

E vai ser uma volta às origens, mais indie?
Tem muita música parada e pronta e vai ser com lançamento internacional. O produtor é o Bruno Martini, então vai ter essa coisa de misturar eletrônica e tal. Não vai ser um choque pras pessoas [risos]. Tem coisas que vão mais pro indie e outras mais pra “Hear Me Now”.

E tem algum lugar que o hit te levou que te surpreendeu?
Ah, China, né? Outro mundo... inacreditável. A música quebrou muitas barreiras, então a gente fez festival sertanejo no mesmo dia que Wesley Safadão, por exemplo. Eu nunca imaginei estar no mesmo palco que esses caras. Gostei do Lollapalooza também, no Chile e Argentina. E Tomorrowland na Bélgica... já tinha vontade de ir, mas pela curtição, pra ver a estrutura e tal.

Já rolou convite de parceria com sertanejo? Se bobear, eles te chamam...
[risos] A gente chegou a cogitar, mas acho que pra mim não rola tanto. Eu tô de portas abertas sim. E eu não canto em português, acho que minha voz não funciona... então, se rolar, vai ser alguém em português e eu em inglês [risos]. Gosto de Tiago Iorc, AnaVitória, Mallu Magalhães... inclusive, vou me encontrar com ela num estúdio e pode rolar algo legal.

zeeba

Já li em outra entrevista que você não consegue cantar em português. Como é isso?
A minha primeira banda, ainda no colégio, era punk e a gente tocava só bandas de fora. Nunca escutei muita música brasileira... nasci nos EUA e voltava lá muitas vezes... estudei lá, inclusive. Já tentei cantar em português, mas fiz canto lá nos EUA... é uma outra modulação na hora de cantar. Já aconteceu de eu cantar em português, um cover de Charlie Brown Jr., e me falarem que estava com sotaque [risos]. Fiz dois cursos lá, Music Business e um programa em Los Angeles para artistas independentes. Fiz desde acompanhamento de voz, instrumentação, operação de Logic e ProTools, estrutura de música pop... no Music Business era mais o lado de marketing, empresariamento, partes burocráticas etc. Foi bom porque eu saí com uma base legal... eu mesmo era o empresário da minha banda. Então hoje eu gosto de participar de tudo. Mesmo quem está em gravadoras tem que ser meio independente, tem que trabalhar. O artista hoje em dia tem que ser assim.

E como vai ser o formato desse seu próximo trabalho?
A gente não definiu ainda. Eu tenho 11 músicas prontas, mas pode ser um EP, um álbum... o legal de um álbum é mostrar identidade, criar um público fiel, mas os singles têm sua força. “Hear Me Now” é maior que nós três, por exemplo. Mas eu quero criar algo maior ainda, que você consiga ouvir e dizer “esse é o Zeeba”. iTunes, Spotify e afins fizeram com que os artistas lançassem mais singles mesmo, algumas músicas acabam ficando meio perdidas no meio dos álbuns.

Pra resumir: há vida depois de “Hear Me Now”?
Sim. 5 de janeiro sai um single com o Bruno Martini e produção do Timbaland. O Bruno tá fazendo muita coisa legal com ele, estão ousando bastante. E depois já sai o primeiro single do meu próximo trabalho.

Você se cobra sucesso?
Num determinado momento, sim, me cobrei. Mas agora eu só quero fazer música boa, sem pensar em nada. Se não fico bitolado.