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Brooke Candy: “Não precisamos de mais garotas como Taylor Swift”

Cantora, que vem ao país para show único em São Paulo, conversou com a Billboard Brasil

por Rebecca Silva em 16/01/2018

Brooke Candy foge completamente do que você pode chamar de convencional. A cantora americana, que acumula 300 mil seguidores no Instagram e faz sucesso nas redes sociais por sua personalidade sem filtros adornada por um visual de tirar o fôlego – com muita inspiração em drag queens e editoriais de moda e muita exposição do corpo –, está de viagem marcada para o Brasil: ela faz show único em São Paulo, em 3 de fevereiro.

Direto da praia em Los Angeles, a cantora conversou com a Billboard Brasil dias antes do lançamento de “I Got It”, faixa da nova mixtape de Charli XCX em que participou ao lado de Pabllo Vittar e da rapper americana CupcakKe. Sobre a drag brasileira, Brooke só fez elogios, apesar da gravação da música ter sido feita a distância. “Ela é incrível, sou uma grande fã. Fui criada pela cena drag e pela comunidade queer”.

Leia abaixo a entrevista com Brooke sobre sua nova fase da carreira, empoderamento feminino e sua polêmica envolvendo a Taylor Swift:

brookecandy2

Você estava há um bom tempo trabalhando em um disco, mas agora deixou a gravadora. O que os fãs podem esperar para o futuro? Há planos de lançar singles ou até mesmo um EP?
A Sony tentou controlar a arte que eu faço. 20 pessoas precisavam aprovar minhas músicas e as ideias que eu tinha para a parte visual. Eles estavam me limitando. Eu decidi sair. Estava fazendo um disco com o que chamo de sad pop [pop triste, em tradução literal], mas eles ficaram com quase todas as músicas. Agora estou criando algo mais voltado à cena punk dos anos 1980. Ainda faço rap e ainda é grudento. Mas agora é muito mais orgânico, com instrumentos de verdade. Preciso continuar criando e lançando músicas para me conectar com meus fãs.

Estamos acompanhando um momento interessante para o pop, com muitas artistas ganhando destaque que se destoam completamente do modelo fabricado pelas gravadoras que dominava os anos 1990 e 2000. É quase como se o underground encontrasse o pop. Como é fazer parte desse movimento?
Esse tipo de garota [produto pop] já existiu, já deu. Tentaram me moldar para ser algo assim e eu tinha algo tão único para oferecer. Quero fazer o que for preciso para inspirar outras pessoas. Estamos vivendo em um mundo em que todos estão mentindo para nós. Aos poucos, estamos acordando. As pessoas estão começando a fazer o que elas querem, deixando os rótulos para trás, sendo honestas. Precisamos de artistas que rompam com o sistema.

Em suas letras, você fala sobre sexo de maneira bem explícita e com naturalidade. Sofreu críticas?
Sexo é o motivo pelo qual todos nós estamos aqui. Fomos criados do sexo. É um momento de conexão. É natural. Somos animais e todos nós sentimos essa vontade. Queria lançar algo para empoderar mulheres. Já fui chamada de vadia. Tenho muitas músicas exaltando isso, usando a palavra como um emblema. Assim como em A Letra Escarlate, no sentido de “quer me chamar de vadia? Sem problemas”, sabe? Tirar o poder da palavra. Eu deveria poder ser um ser sexual e não ser sexualizada pela roupa que estou usando. É difícil para mim entender como isso funciona, eu amo ficar nua, amo o meu corpo.

Também estamos passando por um forte momento de empoderamento feminino, em que mulheres estão se abrindo mais sobre seus problemas e inquietações...
As mulheres vão acabar com todos esses ideais jurássicos e isso é lindo. A opressão acontece agora contra os fortes porque os opressores sentem medo. Finalmente estamos conquistando nosso poder. De coração, eu quero fazer parte da mudança. Foi o que fiz quando a Sony tentou me silenciar porque eu era uma mulher que “sabia demais”.

Falando sobre empoderamento feminino e sororidade, você sofreu ataques de fãs da Taylor Swift depois de publicar um vídeo no seu Instagram simulando que estava vomitando ao ouvir uma música dela em uma festa. Como foi isso para você?
Foi algo que eu fiz brincando no meu Instagram. Mas a verdade é que ela é totalmente problemática e faz parte da máquina. O que ela faz é opressão. A artista pop da direita, na minha opinião. Não conheço ela pessoalmente, ela pode ser uma querida, mas os fãs dela mandam os outros se matarem. Foi o que fizeram comigo quando publiquei isso no meu Instagram. Meus fãs me defenderam com palavras de amor. Ela não disse absolutamente nada sobre essa violência deles. Ela tem uma voz. Essa questão foi a representação perfeita entre o mainstream e o underground e o que cada um representa. Não precisamos mais disso. Não precisamos de mais garotas como ela. Precisamos de hérois, não de ídolos.

 Serviço:
Brooke Candy 
Carioca Club – São Paulo/SP
03/02 – 19h30
Ingressos: de R$75 a R$ 400 no site 

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Brooke Candy: “Não precisamos de mais garotas como Taylor Swift”

Cantora, que vem ao país para show único em São Paulo, conversou com a Billboard Brasil

por Rebecca Silva em 16/01/2018

Brooke Candy foge completamente do que você pode chamar de convencional. A cantora americana, que acumula 300 mil seguidores no Instagram e faz sucesso nas redes sociais por sua personalidade sem filtros adornada por um visual de tirar o fôlego – com muita inspiração em drag queens e editoriais de moda e muita exposição do corpo –, está de viagem marcada para o Brasil: ela faz show único em São Paulo, em 3 de fevereiro.

Direto da praia em Los Angeles, a cantora conversou com a Billboard Brasil dias antes do lançamento de “I Got It”, faixa da nova mixtape de Charli XCX em que participou ao lado de Pabllo Vittar e da rapper americana CupcakKe. Sobre a drag brasileira, Brooke só fez elogios, apesar da gravação da música ter sido feita a distância. “Ela é incrível, sou uma grande fã. Fui criada pela cena drag e pela comunidade queer”.

Leia abaixo a entrevista com Brooke sobre sua nova fase da carreira, empoderamento feminino e sua polêmica envolvendo a Taylor Swift:

brookecandy2

Você estava há um bom tempo trabalhando em um disco, mas agora deixou a gravadora. O que os fãs podem esperar para o futuro? Há planos de lançar singles ou até mesmo um EP?
A Sony tentou controlar a arte que eu faço. 20 pessoas precisavam aprovar minhas músicas e as ideias que eu tinha para a parte visual. Eles estavam me limitando. Eu decidi sair. Estava fazendo um disco com o que chamo de sad pop [pop triste, em tradução literal], mas eles ficaram com quase todas as músicas. Agora estou criando algo mais voltado à cena punk dos anos 1980. Ainda faço rap e ainda é grudento. Mas agora é muito mais orgânico, com instrumentos de verdade. Preciso continuar criando e lançando músicas para me conectar com meus fãs.

Estamos acompanhando um momento interessante para o pop, com muitas artistas ganhando destaque que se destoam completamente do modelo fabricado pelas gravadoras que dominava os anos 1990 e 2000. É quase como se o underground encontrasse o pop. Como é fazer parte desse movimento?
Esse tipo de garota [produto pop] já existiu, já deu. Tentaram me moldar para ser algo assim e eu tinha algo tão único para oferecer. Quero fazer o que for preciso para inspirar outras pessoas. Estamos vivendo em um mundo em que todos estão mentindo para nós. Aos poucos, estamos acordando. As pessoas estão começando a fazer o que elas querem, deixando os rótulos para trás, sendo honestas. Precisamos de artistas que rompam com o sistema.

Em suas letras, você fala sobre sexo de maneira bem explícita e com naturalidade. Sofreu críticas?
Sexo é o motivo pelo qual todos nós estamos aqui. Fomos criados do sexo. É um momento de conexão. É natural. Somos animais e todos nós sentimos essa vontade. Queria lançar algo para empoderar mulheres. Já fui chamada de vadia. Tenho muitas músicas exaltando isso, usando a palavra como um emblema. Assim como em A Letra Escarlate, no sentido de “quer me chamar de vadia? Sem problemas”, sabe? Tirar o poder da palavra. Eu deveria poder ser um ser sexual e não ser sexualizada pela roupa que estou usando. É difícil para mim entender como isso funciona, eu amo ficar nua, amo o meu corpo.

Também estamos passando por um forte momento de empoderamento feminino, em que mulheres estão se abrindo mais sobre seus problemas e inquietações...
As mulheres vão acabar com todos esses ideais jurássicos e isso é lindo. A opressão acontece agora contra os fortes porque os opressores sentem medo. Finalmente estamos conquistando nosso poder. De coração, eu quero fazer parte da mudança. Foi o que fiz quando a Sony tentou me silenciar porque eu era uma mulher que “sabia demais”.

Falando sobre empoderamento feminino e sororidade, você sofreu ataques de fãs da Taylor Swift depois de publicar um vídeo no seu Instagram simulando que estava vomitando ao ouvir uma música dela em uma festa. Como foi isso para você?
Foi algo que eu fiz brincando no meu Instagram. Mas a verdade é que ela é totalmente problemática e faz parte da máquina. O que ela faz é opressão. A artista pop da direita, na minha opinião. Não conheço ela pessoalmente, ela pode ser uma querida, mas os fãs dela mandam os outros se matarem. Foi o que fizeram comigo quando publiquei isso no meu Instagram. Meus fãs me defenderam com palavras de amor. Ela não disse absolutamente nada sobre essa violência deles. Ela tem uma voz. Essa questão foi a representação perfeita entre o mainstream e o underground e o que cada um representa. Não precisamos mais disso. Não precisamos de mais garotas como ela. Precisamos de hérois, não de ídolos.

 Serviço:
Brooke Candy 
Carioca Club – São Paulo/SP
03/02 – 19h30
Ingressos: de R$75 a R$ 400 no site