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Como ‘High School Musical’ quebrou recordes e barreiras

Trilogia da Disney chegou ao fim há uma década e, para comemorar o marco cultural, a Billboard conversou com os atores Lucas Grabeel e Monique Coleman

por Redação em 24/10/2018

Antes de GleeA Escolha Perfeita e até Hannah Montana, a Disney ajudou a trazer os musicais para o mainstream com um filme feito para a televisão: High School Musical. A história de colegas de classe, com diferentes criações, unindo-se para criar um musical escolar cativou os jovens – e muitos adultos – em todo o mundo, resultando em uma trilogia, 19 músicas no Hot 100 e quase 10 milhões de cópias vendidas dos álbuns com as trilhas dos filmes.

Mas esses números e conquistas (assim como a venda de bonecas, roupas e outros itens de licenciados da série) são apenas parte do que tornaram High School Musical um fenômeno. A mudança nos estereótipos adolescentes – um jogador de basquete que canta, um skatista que toca violoncelo – quebrou barreiras tanto quanto a trilogia quebrou recordes, dizem os atores.

Para celebrar os 10 anos do fim da trilogia, Lucas Grabeel (que vivia Ryan Evans) e Monique Coleman (que vivia Taylor McKessia) falaram com a Billboard sobre o legado dos filmes, o que seus personagens representavam para as comunidades negra e LGBTQ+ e como eles mantêm contato com os colegas de elenco.

Quando começaram a gravar o primeiro filme, tinham a sensação do que High School Musical se tornaria?

Monique: Eu estava animada. Eu não entendia ou percebia a escala que teria – não tínhamos como saber que se tornaria um fenômeno, que se tornaria um marco. Mas parecia especial. Um musical original não era feito há muito tempo e era algo que representava muitas pessoas diferentes. Parecia como uma oportunidade para mudar a cultura.

Grabeel: Eu era, definitivamente, o cético do grupo. Kenny [Ortega, diretor do filme] tem uma forma linda de inspirar as pessoas no set. Ele dizia coisas como: “Gente, estamos nessa juntos. Isso se tornará eterno. Sabemos a coreografia. Esqueçam os passos de dança – dancem com seus corações e tentem ir além das câmeras, tentem tocar os corações de crianças, famílias”. Coisas assim nos deixaram prontos para fazer o filme.

Monique: Estávamos gravando “Stick To The Status Quo” e eu estava sentada atrás de Kenny, olhando para o monitor – foi como assistir a Fame pela primeira vez. Senti aquela sensação. Fui até cada um e disse: “Galera, vocês não têm ideia. Vocês estão fazendo mágica. Sei que estão exaustos e seus corpos provavelmente estão doendo, mas é o momento de dar tudo que têm”.

Grabeel: Sabíamos que era legal e especial, mas não pensávamos que valeria US$ 1 bilhão. Era tipo: “será um filme de muito sucesso, esperamos que gostem das músicas”. Quando o filme saiu, foi melhor. “Oh, vamos ao Today Show. Oh, estamos no 1º lugar do iTunes”. A cada dia tinha algo novo. É engraçado porque eu morava em um apartamento nojento, cheio de mofo e eu contava para os meus amigos, quando eles me visitavam: “Acho que vou participar de um quadro no Good Morning America”. Foi uma grande mudança para nós.

Monique, você trabalhou muito próximo a Corbin Bleu, porque seus personagens namoravam. Lucas, você e Ashley Tisdale viviam irmãos. Quais foram as primeiras impressões de seus colegas?

Monique: Tínhamos nove anos de diferença na vida real – ele tinha 15 – então ele era uma criança para mim. Era um fofo. Mas tivemos química imediatamente. Não é uma ilusão. Simplesmente achei que ele era uma pessoa muito doce e ele ainda é. De todos do elenco, se me perguntarem quem é o mais legal, digo que é Corbin.

Grabeel: Lembro de fazer o teste com Ashley e odiá-la porque ela queria ensaiar demais. Eu dizia: “Olha, eu não quero socializar muito, só quero trabalhar no que tenho que fazer, vim preparado”. Mas ensaiamos uma cena juntos e ela me deu dicas, no maior estilo Sharpay. E pensei: “Quem é essa garota me dizendo o que fazer no meu próprio teste?”. No dia, ela dizia: “Minha mãe me leva para todos os lugares”. E eu pensava: “Sou de uma pequena cidade no meio do nada e lavava as roupas da minha família quando tinha sete anos, então dirigi até aqui sozinho”. A diferença entre nós era muito louca – aprender isso colocou tudo em perspectiva para mim. Depois de fazer três filmes, duas turnês, inúmeras viagens internacionais, festas, entrevistas e coletivas, Ashley é como uma irmã para mim. Eu a amo. Somos como família. Somos muito como Ryan e Sharpay. 

O que seus personagens significam para vocês?

Monique: Foi muito importante para mim porque, naquele momento, não haviam outras garotas negras no Disney Channel além de Raven. Também não haviam personagens negras como Taylor. A ideia de fazer uma garota negra que todos considerariam a mais inteligente da escola foi algo que realmente me atraiu.

Grabeel: Eu amo quando ouço alguém dizer: “Eu realmente queria fazer um musical quando era criança, mas todos pensavam que era idiota ou coisa de nerd, mas depois de High School Musical isso mudou. Por causa do filme, eu pude ir atrás do meu sonho e ser aceito por isso”. Ryan não é oficialmente gay nos filmes, mas acho que qualquer um que o veja pode se identificar na fase do ensino médio: alguém tentando se encontrar. Tem jovens que falam comigo e dizem que, apesar de ser difícil falar sobre sexualidade, ver um personagem daquele representado de forma leve e divertida foi de grande ajuda. Ter alguém assim representado na Disney foi muito especial.

Monique: A Disney sempre fez o incrível trabalho de quebrar barreiras e estereótipos e contar histórias diferentes que realmente representam as pessoas. Acho que o elenco de High School Musical representa isso em larga escala.

Além de quebrar estereótipos, High School Musical também quebrou recordes. A trilha se tornou a primeira feita para a televisão que liderou o ranking Billboard 200 e emplacou 19 músicas no Hot 100.

Grabeel: Houve um tempo em que eu precisei superar o fato de que eu pensava que High School Musical era responsável por arruinar parte da indústria musical porque tínhamos o álbum mais vendido do mundo em 2006 e 2007. Abrimos as portas para Justin Bieber, Jonas Brothers, Hannah Montana. Quer dizer, sempre houve artistas infantis, mas era como uma febre de músicas pop ruins tomando conta das rádios e não acho que nos recuperamos até hoje.

Monique: É apenas um indicador de quão poderosos são os jovens quando eles realmente se importam com algo. Sinto que é isso que liderar o ranking representou. Jovens são poderosos – e a música é ótima!

Grabeel: Tenho sorte de fazer parte disso. Foi realmente mágico, um fenômeno estranho, então o que você pode fazer além de aceitar, amar e rir disso é dizer: “Sim, era ruim, mas também era incrível”.


O terceiro filme foi o único da trilogia que foi lançado nos cinemas. Há alguma outra coisa na produção desse filme que foi diferente?

Monique: No segundo filme, fui um pouco imprudente. Engordei uns nove quilos e atuei com baixa autoestima. Além disso, Taylor não tinha um propósito naquele filme. Eu meio que só estava lá. Então, para o terceiro filme, eu mudei minha aparência. Queria que ela mudasse o cabelo e estivesse super linda. Era o ano de formatura e ela tinha superado tudo.

Grabeel: Tive quatro dias entre chegar em casa após gravar Milk em São Francisco e começar a gravar as músicas para o terceiro filme em Los Angeles. Tinha feito aulas com Sean Penn e meu objetivo era meio que “ainda vou fazer um filme da Disney, mas vou aplicar tudo que aprendi nisso e ser o melhor Ryan que posso”.

Monique: Naquele momento, já estávamos muito melhores em fazer tudo. Decorávamos as coreografias muito mais rápido. Fazíamos tudo mais rápido. Ao chegar ao terceiro filme, estávamos todos mais maduros e unidos.

Como foi o último dia no set de High School Musical: Ano de Formatura?

Grabeel: Um festival de lágrimas. No fim, saímos e uma gigantesca cortina se fechou. Tão simbólico, mas tão real. Todos sentimos a página virando, o livro acabando.

Monique: Estávamos todos em pé no palco e Kenny nos disse: “Quero que olhem para esse teatro vazio e quero que pensem no que High School Musical significa para vocês”.

Grabeel: Eles trouxeram uns garotos novos para o terceiro filme e sabíamos que era o nosso fim. Tipo: “Vai ter um quarto filme, mas vai ser sobre os novos personagens”. Foi agridoce. Era muito trabalho – esses três anos foram frenéticos. Sempre havia uma entrevista, uma sessão de fotos, um evento, uma estreia. Estávamos voando por todo o mundo. Não sei como não sucumbimos. Fico feliz por ter acabado, mas a cada dia que me afasto daquela experiência, tenho mais perspectiva. Respeito e aprecio mais e mais.

O que vocês aprenderam com High School Musical e como o filme influenciou suas carreiras?

Grabeel: O que mais aprendi foi sobre dança. Eu cresci fazendo muitas coreografias, mas acho que depois do terceiro filme eu realmente podia me classificar como um dançarino. Pensava que a dança era um acompanhamento para o canto e a atuação, não pensava que era uma forma de arte linda para contar histórias. Agora vejo como algo muito maior do que uma forma de expressão. E sempre tento incluir música nos meus projetos. Depois de ser escolhido para a série Switched At Birth, eles mudaram o personagem para ser um músico, então pude tocar e escrever algumas músicas para o programa.

Monique: Quando nos apresentamos para 80 mil pessoas na Cidade do México, tive o dia mais solitário da minha vida. Entrei embaixo do palco e chorei, mesmo ouvindo todas as crianças gritando. Aquilo revelou a minha necessidade para algo concreto, seja a minha família ou uma conexão com um propósito. Tive esse momento em que percebi que a fama nunca iria preencher os espaços que eu tinha. Não sabia se voltaria a atuar. Pensava em me tornar uma diplomata, embaixadora ou algo assim. Então iniciei GimmeMo, uma série documental de 26 episódios falando sobre bullying, autoestima, imagem corporal, movimento #MeToo, pessoas em situação de rua – para empoderar, inspirar e motivar jovens. Queria retribuir, de alguma maneiro, àqueles que nos tornaram famosos mostrando que os sonhos são possíveis. Acho que sempre soube qual era a minha paixão, mas o filme me deu a plataforma para realmente fazer isso em uma escala significativa.

Com quem vocês mantêm contato do elenco?

Monique: Corbin e eu somos próximos. Olesya [Rulin, que viveu Kelsi Nielsen no filme] e eu passamos muito tempo juntas. Fiquei na casa de Kaycee [Stroh, que viveu Martha Cox] quando fui para Sundance. E amo Lucas demais. Ele me convida para os seus shows, sempre tento ir, mas aparece algo. Ele literalmente me mandou uma mensagem há umas duas semanas perguntando se aquele ainda era o meu número de telefone. Eu nem respondi e me sinto péssima por isso. Com Ashley e Vanessa sempre há amor. Fui no casamento de Ashley. Sempre estaremos na vida uns dos outros. Apoiamos muito uns aos outros. Temos grupos em que mandamos mensagens quando algo acontece.

Grabeel: Corbin e eu somos melhores amigos, conversamos muito, nos vemos com frequência também. Também tenho conversas comAshley e Vanessa. Vou na festa de Halloween de Vanessa todos os anos, então mantemos contato. Não vejo Zac com frequência porque, afinal, ele é Zac Efron. Ele quase nunca está na cidade ou disponível, mas o encontrei algumas vezes em Nova York enquanto ele gravava O Rei do Show. Sempre que estamos juntos, é ótimo. É como algo familiar, uma amizade verdadeira – o tempo pode passar, mas você recupera o que ficou pra trás. Alguns de meus melhores amigos participaram do filme de alguma forma e os vejo semanalmente. A família sempre está lá. ​

 

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Como ‘High School Musical’ quebrou recordes e barreiras

Trilogia da Disney chegou ao fim há uma década e, para comemorar o marco cultural, a Billboard conversou com os atores Lucas Grabeel e Monique Coleman

por Redação em 24/10/2018

Antes de GleeA Escolha Perfeita e até Hannah Montana, a Disney ajudou a trazer os musicais para o mainstream com um filme feito para a televisão: High School Musical. A história de colegas de classe, com diferentes criações, unindo-se para criar um musical escolar cativou os jovens – e muitos adultos – em todo o mundo, resultando em uma trilogia, 19 músicas no Hot 100 e quase 10 milhões de cópias vendidas dos álbuns com as trilhas dos filmes.

Mas esses números e conquistas (assim como a venda de bonecas, roupas e outros itens de licenciados da série) são apenas parte do que tornaram High School Musical um fenômeno. A mudança nos estereótipos adolescentes – um jogador de basquete que canta, um skatista que toca violoncelo – quebrou barreiras tanto quanto a trilogia quebrou recordes, dizem os atores.

Para celebrar os 10 anos do fim da trilogia, Lucas Grabeel (que vivia Ryan Evans) e Monique Coleman (que vivia Taylor McKessia) falaram com a Billboard sobre o legado dos filmes, o que seus personagens representavam para as comunidades negra e LGBTQ+ e como eles mantêm contato com os colegas de elenco.

Quando começaram a gravar o primeiro filme, tinham a sensação do que High School Musical se tornaria?

Monique: Eu estava animada. Eu não entendia ou percebia a escala que teria – não tínhamos como saber que se tornaria um fenômeno, que se tornaria um marco. Mas parecia especial. Um musical original não era feito há muito tempo e era algo que representava muitas pessoas diferentes. Parecia como uma oportunidade para mudar a cultura.

Grabeel: Eu era, definitivamente, o cético do grupo. Kenny [Ortega, diretor do filme] tem uma forma linda de inspirar as pessoas no set. Ele dizia coisas como: “Gente, estamos nessa juntos. Isso se tornará eterno. Sabemos a coreografia. Esqueçam os passos de dança – dancem com seus corações e tentem ir além das câmeras, tentem tocar os corações de crianças, famílias”. Coisas assim nos deixaram prontos para fazer o filme.

Monique: Estávamos gravando “Stick To The Status Quo” e eu estava sentada atrás de Kenny, olhando para o monitor – foi como assistir a Fame pela primeira vez. Senti aquela sensação. Fui até cada um e disse: “Galera, vocês não têm ideia. Vocês estão fazendo mágica. Sei que estão exaustos e seus corpos provavelmente estão doendo, mas é o momento de dar tudo que têm”.

Grabeel: Sabíamos que era legal e especial, mas não pensávamos que valeria US$ 1 bilhão. Era tipo: “será um filme de muito sucesso, esperamos que gostem das músicas”. Quando o filme saiu, foi melhor. “Oh, vamos ao Today Show. Oh, estamos no 1º lugar do iTunes”. A cada dia tinha algo novo. É engraçado porque eu morava em um apartamento nojento, cheio de mofo e eu contava para os meus amigos, quando eles me visitavam: “Acho que vou participar de um quadro no Good Morning America”. Foi uma grande mudança para nós.

Monique, você trabalhou muito próximo a Corbin Bleu, porque seus personagens namoravam. Lucas, você e Ashley Tisdale viviam irmãos. Quais foram as primeiras impressões de seus colegas?

Monique: Tínhamos nove anos de diferença na vida real – ele tinha 15 – então ele era uma criança para mim. Era um fofo. Mas tivemos química imediatamente. Não é uma ilusão. Simplesmente achei que ele era uma pessoa muito doce e ele ainda é. De todos do elenco, se me perguntarem quem é o mais legal, digo que é Corbin.

Grabeel: Lembro de fazer o teste com Ashley e odiá-la porque ela queria ensaiar demais. Eu dizia: “Olha, eu não quero socializar muito, só quero trabalhar no que tenho que fazer, vim preparado”. Mas ensaiamos uma cena juntos e ela me deu dicas, no maior estilo Sharpay. E pensei: “Quem é essa garota me dizendo o que fazer no meu próprio teste?”. No dia, ela dizia: “Minha mãe me leva para todos os lugares”. E eu pensava: “Sou de uma pequena cidade no meio do nada e lavava as roupas da minha família quando tinha sete anos, então dirigi até aqui sozinho”. A diferença entre nós era muito louca – aprender isso colocou tudo em perspectiva para mim. Depois de fazer três filmes, duas turnês, inúmeras viagens internacionais, festas, entrevistas e coletivas, Ashley é como uma irmã para mim. Eu a amo. Somos como família. Somos muito como Ryan e Sharpay. 

O que seus personagens significam para vocês?

Monique: Foi muito importante para mim porque, naquele momento, não haviam outras garotas negras no Disney Channel além de Raven. Também não haviam personagens negras como Taylor. A ideia de fazer uma garota negra que todos considerariam a mais inteligente da escola foi algo que realmente me atraiu.

Grabeel: Eu amo quando ouço alguém dizer: “Eu realmente queria fazer um musical quando era criança, mas todos pensavam que era idiota ou coisa de nerd, mas depois de High School Musical isso mudou. Por causa do filme, eu pude ir atrás do meu sonho e ser aceito por isso”. Ryan não é oficialmente gay nos filmes, mas acho que qualquer um que o veja pode se identificar na fase do ensino médio: alguém tentando se encontrar. Tem jovens que falam comigo e dizem que, apesar de ser difícil falar sobre sexualidade, ver um personagem daquele representado de forma leve e divertida foi de grande ajuda. Ter alguém assim representado na Disney foi muito especial.

Monique: A Disney sempre fez o incrível trabalho de quebrar barreiras e estereótipos e contar histórias diferentes que realmente representam as pessoas. Acho que o elenco de High School Musical representa isso em larga escala.

Além de quebrar estereótipos, High School Musical também quebrou recordes. A trilha se tornou a primeira feita para a televisão que liderou o ranking Billboard 200 e emplacou 19 músicas no Hot 100.

Grabeel: Houve um tempo em que eu precisei superar o fato de que eu pensava que High School Musical era responsável por arruinar parte da indústria musical porque tínhamos o álbum mais vendido do mundo em 2006 e 2007. Abrimos as portas para Justin Bieber, Jonas Brothers, Hannah Montana. Quer dizer, sempre houve artistas infantis, mas era como uma febre de músicas pop ruins tomando conta das rádios e não acho que nos recuperamos até hoje.

Monique: É apenas um indicador de quão poderosos são os jovens quando eles realmente se importam com algo. Sinto que é isso que liderar o ranking representou. Jovens são poderosos – e a música é ótima!

Grabeel: Tenho sorte de fazer parte disso. Foi realmente mágico, um fenômeno estranho, então o que você pode fazer além de aceitar, amar e rir disso é dizer: “Sim, era ruim, mas também era incrível”.


O terceiro filme foi o único da trilogia que foi lançado nos cinemas. Há alguma outra coisa na produção desse filme que foi diferente?

Monique: No segundo filme, fui um pouco imprudente. Engordei uns nove quilos e atuei com baixa autoestima. Além disso, Taylor não tinha um propósito naquele filme. Eu meio que só estava lá. Então, para o terceiro filme, eu mudei minha aparência. Queria que ela mudasse o cabelo e estivesse super linda. Era o ano de formatura e ela tinha superado tudo.

Grabeel: Tive quatro dias entre chegar em casa após gravar Milk em São Francisco e começar a gravar as músicas para o terceiro filme em Los Angeles. Tinha feito aulas com Sean Penn e meu objetivo era meio que “ainda vou fazer um filme da Disney, mas vou aplicar tudo que aprendi nisso e ser o melhor Ryan que posso”.

Monique: Naquele momento, já estávamos muito melhores em fazer tudo. Decorávamos as coreografias muito mais rápido. Fazíamos tudo mais rápido. Ao chegar ao terceiro filme, estávamos todos mais maduros e unidos.

Como foi o último dia no set de High School Musical: Ano de Formatura?

Grabeel: Um festival de lágrimas. No fim, saímos e uma gigantesca cortina se fechou. Tão simbólico, mas tão real. Todos sentimos a página virando, o livro acabando.

Monique: Estávamos todos em pé no palco e Kenny nos disse: “Quero que olhem para esse teatro vazio e quero que pensem no que High School Musical significa para vocês”.

Grabeel: Eles trouxeram uns garotos novos para o terceiro filme e sabíamos que era o nosso fim. Tipo: “Vai ter um quarto filme, mas vai ser sobre os novos personagens”. Foi agridoce. Era muito trabalho – esses três anos foram frenéticos. Sempre havia uma entrevista, uma sessão de fotos, um evento, uma estreia. Estávamos voando por todo o mundo. Não sei como não sucumbimos. Fico feliz por ter acabado, mas a cada dia que me afasto daquela experiência, tenho mais perspectiva. Respeito e aprecio mais e mais.

O que vocês aprenderam com High School Musical e como o filme influenciou suas carreiras?

Grabeel: O que mais aprendi foi sobre dança. Eu cresci fazendo muitas coreografias, mas acho que depois do terceiro filme eu realmente podia me classificar como um dançarino. Pensava que a dança era um acompanhamento para o canto e a atuação, não pensava que era uma forma de arte linda para contar histórias. Agora vejo como algo muito maior do que uma forma de expressão. E sempre tento incluir música nos meus projetos. Depois de ser escolhido para a série Switched At Birth, eles mudaram o personagem para ser um músico, então pude tocar e escrever algumas músicas para o programa.

Monique: Quando nos apresentamos para 80 mil pessoas na Cidade do México, tive o dia mais solitário da minha vida. Entrei embaixo do palco e chorei, mesmo ouvindo todas as crianças gritando. Aquilo revelou a minha necessidade para algo concreto, seja a minha família ou uma conexão com um propósito. Tive esse momento em que percebi que a fama nunca iria preencher os espaços que eu tinha. Não sabia se voltaria a atuar. Pensava em me tornar uma diplomata, embaixadora ou algo assim. Então iniciei GimmeMo, uma série documental de 26 episódios falando sobre bullying, autoestima, imagem corporal, movimento #MeToo, pessoas em situação de rua – para empoderar, inspirar e motivar jovens. Queria retribuir, de alguma maneiro, àqueles que nos tornaram famosos mostrando que os sonhos são possíveis. Acho que sempre soube qual era a minha paixão, mas o filme me deu a plataforma para realmente fazer isso em uma escala significativa.

Com quem vocês mantêm contato do elenco?

Monique: Corbin e eu somos próximos. Olesya [Rulin, que viveu Kelsi Nielsen no filme] e eu passamos muito tempo juntas. Fiquei na casa de Kaycee [Stroh, que viveu Martha Cox] quando fui para Sundance. E amo Lucas demais. Ele me convida para os seus shows, sempre tento ir, mas aparece algo. Ele literalmente me mandou uma mensagem há umas duas semanas perguntando se aquele ainda era o meu número de telefone. Eu nem respondi e me sinto péssima por isso. Com Ashley e Vanessa sempre há amor. Fui no casamento de Ashley. Sempre estaremos na vida uns dos outros. Apoiamos muito uns aos outros. Temos grupos em que mandamos mensagens quando algo acontece.

Grabeel: Corbin e eu somos melhores amigos, conversamos muito, nos vemos com frequência também. Também tenho conversas comAshley e Vanessa. Vou na festa de Halloween de Vanessa todos os anos, então mantemos contato. Não vejo Zac com frequência porque, afinal, ele é Zac Efron. Ele quase nunca está na cidade ou disponível, mas o encontrei algumas vezes em Nova York enquanto ele gravava O Rei do Show. Sempre que estamos juntos, é ótimo. É como algo familiar, uma amizade verdadeira – o tempo pode passar, mas você recupera o que ficou pra trás. Alguns de meus melhores amigos participaram do filme de alguma forma e os vejo semanalmente. A família sempre está lá. ​