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“Esse álbum é um renascimento”, diz Pabllo Vittar

Drag está lançando o disco 'Não Para Não', com as participações de Ludmilla, Dilsinho e Urias, depois do sucesso do projeto de estreia 'Vai Passar Mal'

por Rebecca Silva em 04/10/2018

Logo em “Buzina”, faixa que abre Não Para Não, segundo álbum de estúdio de Pabllo Vittar, a drag já mostra que não abandonou a sonoridade pela qual ficou conhecida. Aquela mistura de ritmos brasileiros como tecnobrega, forró, arrocha, pagode baiano com o pop segue forte. O disco será lançado nesta quinta-feira (04/10).

Pabllo também segue cantando sobre os altos e baixos dos lances românticos daquele jeito envolvente e dançante. Ou seja, a drag crava com o segundo disco a sua identidade. A fórmula segue funcionando e o trabalho não parece uma versão bônus do anterior, talvez graças à vontade da artista de se arriscar em se misturar cada vez mais. “Não economizei, coloquei tudo que eu gostava,” revelou em entrevista exclusiva à Billboard Brasil.

Falando em mistura, o disco conta com as participações de Ludmilla, da revelação do pagode Dilsinho e da melhor amiga, Urias, que também iniciou carreira musical.

Produzido por Rodrigo Gorky e o Brabo Music Team, mesmos responsáveis pelo sucesso Vai Passar Mal, o novo projeto tem 10 faixas e não passa dos 30 minutos de duração. Apesar de curto, o disco mostra o amadurecimento da persona Vittar e de sua identidade musical, agora com parcerias internacionais como Diplo [que retorna neste disco, com o beat de “Seu Crime”], Sofi Tukker, Charli XCX e Lali no currículo, além de uma indicação ao Grammy Latino.

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Divulgação/Pedrita Junckes

Nada mais do que natural que depois de tantas conquistas em tão pouco tempo e de ter aberto as portas para tantas outras artistas drag e LGBTQ+ que Pabllo lance um disco com o título Não Para Não. E ela realmente não pretende parar tão cedo. A Billboard Brasil conversou com a drag sobre o desafio do segundo disco, o Grammy e o momento político no país.

Ouça Não Para Não:

O segundo disco costuma ser visto como um desafio pelos artistas. Como foi a experiência?

Já faz um ano que estamos juntando material para o segundo álbum, em que eu queria trazer identidade. Não senti muita pressão não, estava tentando ser eu mesma, fazer o trabalho que os fãs já conhecem, com uma pitada a mais, trazer novidades. Trago a vivência desde que morava no Pará, quando ouvia tecnobrega, guitarradas. Também tem as influências do Maranhão, onde ouvia forró, arrocha, pagodão, a suinguera. Estou trazendo tudo isso no álbum, não economizei, coloquei tudo que eu gostava. Preciso agradecer o Gorky [produtor musical] que me lê todos os dias, conversa para fazer um trabalho que todos podem entender.

Desde pequena, sempre gostei de misturar as coisas. É uma coisa minha, eu não seria completamente eu se viesse com o oposto a esse caminho. Nunca vou fugir de onde eu vim, carrego na minha bagagem musical. Quando as pessoas escutam, já sentem o que eu misturei. Sempre tento pensar no novo, me reinventar da minha maneira. Fico feliz quando compram a ideia, dançam junto. 

Como pensaram no conceito do disco? Além das referências musicais e visuais, você criou um jogo para os fãs. 

Desde o Gorky até o styling, passando pelo cabelo e maquiagem, todo mundo estava muito empenhado em trazer algo novo, legal. Na capa bebemos da fonte pop, aquela coisa anos 2000, Britney Spears In the Zone. Aquilo meio futurista, ou o que a gente acha que é o futuro [risos]. Venho personificada como deusa da tecnologia, que mistura tudo. Nesse álbum estamos trazendo o que a gente gosta sem medo de pesar a mão.

Sobre o jogo, eu sou viciada em videogame, sou otaka, gosto de quadrinhos, mangá. É do meu mundo mesmo. Para trazer os fãs para este meu mundo, pensamos em fazer o jogo. Trazer eles para dentro do disco para sentir o gosto de como seria com cada participação.

Aliás, como pensou nos nomes para as parcerias?

Tenho tesão por todas as músicas de parceria. O Dilsinho eu conheci no ano passado na gravação de um programa. Nossas vozes juntas combinaram. Daí surgiu a música. O Dilsinho é um fofo, "princeso", desejo tudo de bom para ele.

Urias não tem o que dizer! A música fala de amizade, é como se fosse uma tatuagem de amizade mesmo. Ela me viu crescer, hoje vejo ela crescendo. Não podia não chamar para o álbum, ela arrasa muito. Já tinha vontade de fazer algo com ela, sempre conversamos sobre isso. É questão de apoiar quem te apoia, amar de verdade quem está do seu lado, por você.

A Ludmilla não tem o que dizer também, amo desde que era MC Beyoncé [risos]. Estava fazendo show com ela e depois fomos para o hotel, conversamos e chamei ela para o álbum. Mandei a demo, ela já escreveu a parte dela. Digo que cada música no disco é um pequeno enigma, nada é o que parece ser.

O álbum é descrito como uma noite ao seu lado. O que não pode faltar na sua playlist para ter uma noite memorável?

Muitas músicas para balançar o bumbum. Sou muito para cima, vou chegar e colocar música para dançar e se divertir. Quando estou na festa, não pode faltar forró, funk, pagodão para se jogar com as amigas, o bom e velho pop porque não somos obrigadas [risos]. Muita mistura musical e muita risada.

Você fugiu da onda atual do pop de lançar só singles e EPs e investiu em outro álbum completo. Por quê?

Eu amo muito viver nessa era digital, de ter facilidade de consumir música, singles. Mas amo artistas que se preocupam em juntar conceito e lançar álbum. Fico na expectativa de artistas como Rihanna e Beyoncé lançarem álbum, porque é uma nova era, não sabemos o que vem. Isso me estimula muito. Eu particularmente não gosto de lançar single. Adoro que lancem porque sempre tem coisa nova para ouvir [risos], mas como artista eu bebo da fonte do pop, da Britney, da Christina Aguilera, eu amava quando anunciavam um novo disco, a expectativa. A ideia de se preparar, ter um novo conceito, músicas novas, turnê. Um novo disco é ; renovação. Esse álbum para mim é um renascimento, uma nova Pabllo, mais experiente e segura de si. 

Como recebeu a notícia da indicação ao Grammy Latino em categoria internacional?

Fiquei passada! Estava saindo de um trabalho quando me disseram que eu tinha sido indicada. “Oi, amore?” [risos] Essas premiações eu sempre assisto de casa, nunca imaginei na vida que seria indicada. Fiquei muito feliz de estar concorrendo em uma premiação tão importante, até porque outras meninas drags vão poder sonhar em estar no Grammy também. Eu até me arrepio falando disso.

Você está lançando o disco com esse título e com o peso que adquiriu como artista e representante LGBTQ+ às vésperas das eleições. Também não relutou em se posicionar politicamente nas redes e no palco do Prêmio Multishow. Como vê esse momento do país?

Eu acho um momento muito doido. A gente ter que passar por isso. Quando ouvia o pessoal falar de ditadura, eu nem era nascida, mas eu nunca pensei que a gente ia passar por isso, de ter que ir para a rua, se posicionar. Acho muito importante que eu, enquanto artista, pela visibilidade que tenho, mostre o que eu acredito que seja o bom, o certo. Mostrar para as pessoas que não é assim, o buraco é mais embaixo. Eu me posiciono para mostrar para os fãs que estou do lado deles, que são LGBTQ+, mulheres. Quero que eles tenham os direitos garantidos tanto quanto os meus. Eles estão morrendo, as mulheres sendo agredidas. Eu me posiciono por essas pessoas de bem, nem só da comunidade LGBTQ+. Com tudo isso, esse momento conturbado, eu fico muito feliz por ver as vozes das mulheres na rua, gritando “Ele Não”, colocando a cara a tapa mesmo, se unindo para fazer o melhor. A gente não pode mais se calar. Eu odeio a palavra “minoria”. Você viu o tanto de mulher, gays, lésbicas, bissexuais, trans nas ruas? Isso é minoria? Me dá um pouco de medo, mas não me aterroriza porque sou uma pessoa positiva.

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Drag está lançando o disco 'Não Para Não', com as participações de Ludmilla, Dilsinho e Urias, depois do sucesso do projeto de estreia 'Vai Passar Mal'

por Rebecca Silva em 04/10/2018

Logo em “Buzina”, faixa que abre Não Para Não, segundo álbum de estúdio de Pabllo Vittar, a drag já mostra que não abandonou a sonoridade pela qual ficou conhecida. Aquela mistura de ritmos brasileiros como tecnobrega, forró, arrocha, pagode baiano com o pop segue forte. O disco será lançado nesta quinta-feira (04/10).

Pabllo também segue cantando sobre os altos e baixos dos lances românticos daquele jeito envolvente e dançante. Ou seja, a drag crava com o segundo disco a sua identidade. A fórmula segue funcionando e o trabalho não parece uma versão bônus do anterior, talvez graças à vontade da artista de se arriscar em se misturar cada vez mais. “Não economizei, coloquei tudo que eu gostava,” revelou em entrevista exclusiva à Billboard Brasil.

Falando em mistura, o disco conta com as participações de Ludmilla, da revelação do pagode Dilsinho e da melhor amiga, Urias, que também iniciou carreira musical.

Produzido por Rodrigo Gorky e o Brabo Music Team, mesmos responsáveis pelo sucesso Vai Passar Mal, o novo projeto tem 10 faixas e não passa dos 30 minutos de duração. Apesar de curto, o disco mostra o amadurecimento da persona Vittar e de sua identidade musical, agora com parcerias internacionais como Diplo [que retorna neste disco, com o beat de “Seu Crime”], Sofi Tukker, Charli XCX e Lali no currículo, além de uma indicação ao Grammy Latino.

180818_PABLLOVITTAR_28933_MEDIA
Divulgação/Pedrita Junckes

Nada mais do que natural que depois de tantas conquistas em tão pouco tempo e de ter aberto as portas para tantas outras artistas drag e LGBTQ+ que Pabllo lance um disco com o título Não Para Não. E ela realmente não pretende parar tão cedo. A Billboard Brasil conversou com a drag sobre o desafio do segundo disco, o Grammy e o momento político no país.

Ouça Não Para Não:

O segundo disco costuma ser visto como um desafio pelos artistas. Como foi a experiência?

Já faz um ano que estamos juntando material para o segundo álbum, em que eu queria trazer identidade. Não senti muita pressão não, estava tentando ser eu mesma, fazer o trabalho que os fãs já conhecem, com uma pitada a mais, trazer novidades. Trago a vivência desde que morava no Pará, quando ouvia tecnobrega, guitarradas. Também tem as influências do Maranhão, onde ouvia forró, arrocha, pagodão, a suinguera. Estou trazendo tudo isso no álbum, não economizei, coloquei tudo que eu gostava. Preciso agradecer o Gorky [produtor musical] que me lê todos os dias, conversa para fazer um trabalho que todos podem entender.

Desde pequena, sempre gostei de misturar as coisas. É uma coisa minha, eu não seria completamente eu se viesse com o oposto a esse caminho. Nunca vou fugir de onde eu vim, carrego na minha bagagem musical. Quando as pessoas escutam, já sentem o que eu misturei. Sempre tento pensar no novo, me reinventar da minha maneira. Fico feliz quando compram a ideia, dançam junto. 

Como pensaram no conceito do disco? Além das referências musicais e visuais, você criou um jogo para os fãs. 

Desde o Gorky até o styling, passando pelo cabelo e maquiagem, todo mundo estava muito empenhado em trazer algo novo, legal. Na capa bebemos da fonte pop, aquela coisa anos 2000, Britney Spears In the Zone. Aquilo meio futurista, ou o que a gente acha que é o futuro [risos]. Venho personificada como deusa da tecnologia, que mistura tudo. Nesse álbum estamos trazendo o que a gente gosta sem medo de pesar a mão.

Sobre o jogo, eu sou viciada em videogame, sou otaka, gosto de quadrinhos, mangá. É do meu mundo mesmo. Para trazer os fãs para este meu mundo, pensamos em fazer o jogo. Trazer eles para dentro do disco para sentir o gosto de como seria com cada participação.

Aliás, como pensou nos nomes para as parcerias?

Tenho tesão por todas as músicas de parceria. O Dilsinho eu conheci no ano passado na gravação de um programa. Nossas vozes juntas combinaram. Daí surgiu a música. O Dilsinho é um fofo, "princeso", desejo tudo de bom para ele.

Urias não tem o que dizer! A música fala de amizade, é como se fosse uma tatuagem de amizade mesmo. Ela me viu crescer, hoje vejo ela crescendo. Não podia não chamar para o álbum, ela arrasa muito. Já tinha vontade de fazer algo com ela, sempre conversamos sobre isso. É questão de apoiar quem te apoia, amar de verdade quem está do seu lado, por você.

A Ludmilla não tem o que dizer também, amo desde que era MC Beyoncé [risos]. Estava fazendo show com ela e depois fomos para o hotel, conversamos e chamei ela para o álbum. Mandei a demo, ela já escreveu a parte dela. Digo que cada música no disco é um pequeno enigma, nada é o que parece ser.

O álbum é descrito como uma noite ao seu lado. O que não pode faltar na sua playlist para ter uma noite memorável?

Muitas músicas para balançar o bumbum. Sou muito para cima, vou chegar e colocar música para dançar e se divertir. Quando estou na festa, não pode faltar forró, funk, pagodão para se jogar com as amigas, o bom e velho pop porque não somos obrigadas [risos]. Muita mistura musical e muita risada.

Você fugiu da onda atual do pop de lançar só singles e EPs e investiu em outro álbum completo. Por quê?

Eu amo muito viver nessa era digital, de ter facilidade de consumir música, singles. Mas amo artistas que se preocupam em juntar conceito e lançar álbum. Fico na expectativa de artistas como Rihanna e Beyoncé lançarem álbum, porque é uma nova era, não sabemos o que vem. Isso me estimula muito. Eu particularmente não gosto de lançar single. Adoro que lancem porque sempre tem coisa nova para ouvir [risos], mas como artista eu bebo da fonte do pop, da Britney, da Christina Aguilera, eu amava quando anunciavam um novo disco, a expectativa. A ideia de se preparar, ter um novo conceito, músicas novas, turnê. Um novo disco é ; renovação. Esse álbum para mim é um renascimento, uma nova Pabllo, mais experiente e segura de si. 

Como recebeu a notícia da indicação ao Grammy Latino em categoria internacional?

Fiquei passada! Estava saindo de um trabalho quando me disseram que eu tinha sido indicada. “Oi, amore?” [risos] Essas premiações eu sempre assisto de casa, nunca imaginei na vida que seria indicada. Fiquei muito feliz de estar concorrendo em uma premiação tão importante, até porque outras meninas drags vão poder sonhar em estar no Grammy também. Eu até me arrepio falando disso.

Você está lançando o disco com esse título e com o peso que adquiriu como artista e representante LGBTQ+ às vésperas das eleições. Também não relutou em se posicionar politicamente nas redes e no palco do Prêmio Multishow. Como vê esse momento do país?

Eu acho um momento muito doido. A gente ter que passar por isso. Quando ouvia o pessoal falar de ditadura, eu nem era nascida, mas eu nunca pensei que a gente ia passar por isso, de ter que ir para a rua, se posicionar. Acho muito importante que eu, enquanto artista, pela visibilidade que tenho, mostre o que eu acredito que seja o bom, o certo. Mostrar para as pessoas que não é assim, o buraco é mais embaixo. Eu me posiciono para mostrar para os fãs que estou do lado deles, que são LGBTQ+, mulheres. Quero que eles tenham os direitos garantidos tanto quanto os meus. Eles estão morrendo, as mulheres sendo agredidas. Eu me posiciono por essas pessoas de bem, nem só da comunidade LGBTQ+. Com tudo isso, esse momento conturbado, eu fico muito feliz por ver as vozes das mulheres na rua, gritando “Ele Não”, colocando a cara a tapa mesmo, se unindo para fazer o melhor. A gente não pode mais se calar. Eu odeio a palavra “minoria”. Você viu o tanto de mulher, gays, lésbicas, bissexuais, trans nas ruas? Isso é minoria? Me dá um pouco de medo, mas não me aterroriza porque sou uma pessoa positiva.