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"Estou cansada de fazer o que todos esperam", diz Dulce María sobre rumo do novo disco

Projeto Origen surgiu da ânsia da cantora mexicana de relembrar o que a levou a se tornar artista

por Rebecca Silva em 11/09/2018

Dulce María está pronta para dar início à nova fase da carreira. Depois de anunciar nas redes sociais que vai começar os trabalhos da era Origen com um show no México no começo de outubro e publicar alguns teasers, a cantora deixou os fãs bem ansiosos.

O novo projeto, que promete um "retorno às raízes", contará com composições próprias de Dulce feitas ao longo dos anos. O primeiro single, "Lo Que Ves No Es Lo Que Soy", já tem data para sair: 21 de setembro. Em entrevista à Billboard Brasil, a cantora revelou que este é o passo mais valente que deu na carreira até hoje e que estava cansada de fazer o que os outros esperavam dela. Tudo isso a levou a uma ânsia para relembrar por que se tornou artista.

Leia abaixo os melhores momentos do bate-papo com Dulce María sobre o novo projeto, o que ele representa em sua carreira e como é,enfim, dar vida às composições guardadas há anos: 

Você divulgou a capa do novo disco, Origenna qual aparece usando trajes típicos indígenas. O que pode falar sobre esse projeto?

Em 5 de outubro, vou fazer um show no México para apresentar parte do projeto. Será uma apresentação divertida. É como uma metáfora para regressar ao passado, à origem, às culturas ancestrais. O Brasil e o México têm muita cultura tradicional indígena. O que quero dizer com isso é que era uma época em que havia mais conexão com a natureza, as pessoas viviam em comunidades, dependiam umas das outras. Elas não eram egoístas como somos agora, viviam unidas em grupos. Buscavam respostas nas estrelas, observavam muito mais, faziam música com os instrumentos que encontravam, fosse o vento ou algo criado de percussão, porque havia a necessidade de se expressar. Quero recordar nossa origem, não apenas a minha, mas a da humanidade. Perceber que estamos todos conectados. Esse tema me fascina e está muito perdido hoje em dia. Atualmente, com as redes sociais e seus filtros, as cirurgias plásticas, isso se foi. Precisamos recuperar o essencial: o amor próprio e o respeito para estar bem com os demais.

Neste disco, você recuperou algumas composições antigas que nunca tinha mostrado. Como é finalmente lançar esse trabalho que ficou guardado por tanto tempo?

Tenho ainda muitas outras que ficaram de fora! [risos] Escolhi as que, nesse momento, precisavam ser compartilhadas. O gênero do disco é folk, então foi difícil porque ainda tive que deixar algumas de fora, por não conseguir transformar a melodia. No pop é mais fácil, mas no folk há violionos, percussão, ukulele, instrumentos que eu não usei em discos anteriores e que são mais complexos. Mas valeu a pena. Soa diferente, mas é bonito. É um pop folk, nada tão distante do que já tenho feito. Tenho músicas de nove anos atrás, sete, quatro, dois. São de diferentes fases, fazem parte da minha história. Tem apenas uma que escrevi recentemente, que casa com a formacomo penso hoje.

A música latina está passando por um momento incrível de visibilidade mundial e crescimento. Como vê esse movimento?

Acho incrível que estejamos crescendo e sendo ouvidos no mundo todo, mas eu gostaria que não ouvissem apenas reggaeton, queria que conhecessem algo diferente, que todos os gêneros latinos também fossem conhecidos. Adoro reggaeton, mas acho que as letras não agregam tanto. Gostaria que o mundo conhecesse letras mais bonitas, com mensagens positivas e melhores.

Em seus trabalhos anteriores, você se mostrava uma pessoa sem barreiras no que diz respeito aos nomes dos discos: Extranjera Sin Fronteras. Agora, com o nome Origen, a impressão que dá é que você se encontrou. Como foi esse processo?

O nome serve para tentar traduzir o momento que estou vivendo, a etapa da minha vida. Em Extranjera, parecia que eu viajava demais, estava por todo lado, era um pouco perdida profissionalmente. Já em Sin Fronteras fiz colaborações com pessoas de vários países, é um disco mais eclético, com vários gêneros. No seguinte, DM, eu queria que o nome fosse “Cicatrices”, mas me disseram que não, que era muito dramático [risos]. Coloquei as minhas iniciais para dizer que aquela era eu. É o disco mais parecido com o que estou fazendo agora. Com Origen, eu queria algo que remetesse ao principio, a como tudo começou. Estava cansada de fazer o que todos esperavam, o que eles queriam e de não poder ser completamente eu. São quase 28 anos trabalhando e agora preciso, é uma ânsia de regressar ao porquê eu quis me dedicar a isso. Reencontrei o que me movia, o que me motivava a compor, a me expressar pela arte.

Falando em precisar trocar nomes de disco, qual a decisão mais difícil que já teve que tomar na carreira?

Lançar este disco foi uma decisão atrevida, mas valente. Tenho uma equipe, uma gravadora, um empresário e, finalmente, tudo está em ordem. Antes, havia filtros, barreiras. Sempre falavam que não gostavam, que não era comercial, que era muito pessoal e, por isso, essas músicas ficaram tanto tempo guardadas. É um risco que assumi, disse que queria mostrar essas composições minhas, que são pessoais e que não estamos buscando ter um grande hit ou fazer uma parceria para tocar em todo o mundo. O plano é tocar corações.Tive que tomar a iniciativa. Mais vale pedir perdão do que permissão. Não é tão fácil quanto eu pensei, mas esse é o passo mais valente que já dei. Sempre disse para levantarem a voz, lutarem pelo que querem e agora eu mesma estou fazendo isso.

Você já tem planos de turnê? Os fãs querem saber quando virá novamente ao Brasil.

Por enquanto, vou lançar o single "Lo Que Ves No Es Lo Que Soy" em setembro. Em outubro, apresento parte do disco no show. Até o fim do ano, devo lançar mais umas três músicas. Espero que no próximo ano eu já tenha datas para fazer apresentações e, claro, tenho que voltar ao Brasil. Sinto muito a falta dos fãs brasileiros, a quem amo muito!

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"Estou cansada de fazer o que todos esperam", diz Dulce María sobre rumo do novo disco

Projeto Origen surgiu da ânsia da cantora mexicana de relembrar o que a levou a se tornar artista

por Rebecca Silva em 11/09/2018

Dulce María está pronta para dar início à nova fase da carreira. Depois de anunciar nas redes sociais que vai começar os trabalhos da era Origen com um show no México no começo de outubro e publicar alguns teasers, a cantora deixou os fãs bem ansiosos.

O novo projeto, que promete um "retorno às raízes", contará com composições próprias de Dulce feitas ao longo dos anos. O primeiro single, "Lo Que Ves No Es Lo Que Soy", já tem data para sair: 21 de setembro. Em entrevista à Billboard Brasil, a cantora revelou que este é o passo mais valente que deu na carreira até hoje e que estava cansada de fazer o que os outros esperavam dela. Tudo isso a levou a uma ânsia para relembrar por que se tornou artista.

Leia abaixo os melhores momentos do bate-papo com Dulce María sobre o novo projeto, o que ele representa em sua carreira e como é,enfim, dar vida às composições guardadas há anos: 

Você divulgou a capa do novo disco, Origenna qual aparece usando trajes típicos indígenas. O que pode falar sobre esse projeto?

Em 5 de outubro, vou fazer um show no México para apresentar parte do projeto. Será uma apresentação divertida. É como uma metáfora para regressar ao passado, à origem, às culturas ancestrais. O Brasil e o México têm muita cultura tradicional indígena. O que quero dizer com isso é que era uma época em que havia mais conexão com a natureza, as pessoas viviam em comunidades, dependiam umas das outras. Elas não eram egoístas como somos agora, viviam unidas em grupos. Buscavam respostas nas estrelas, observavam muito mais, faziam música com os instrumentos que encontravam, fosse o vento ou algo criado de percussão, porque havia a necessidade de se expressar. Quero recordar nossa origem, não apenas a minha, mas a da humanidade. Perceber que estamos todos conectados. Esse tema me fascina e está muito perdido hoje em dia. Atualmente, com as redes sociais e seus filtros, as cirurgias plásticas, isso se foi. Precisamos recuperar o essencial: o amor próprio e o respeito para estar bem com os demais.

Neste disco, você recuperou algumas composições antigas que nunca tinha mostrado. Como é finalmente lançar esse trabalho que ficou guardado por tanto tempo?

Tenho ainda muitas outras que ficaram de fora! [risos] Escolhi as que, nesse momento, precisavam ser compartilhadas. O gênero do disco é folk, então foi difícil porque ainda tive que deixar algumas de fora, por não conseguir transformar a melodia. No pop é mais fácil, mas no folk há violionos, percussão, ukulele, instrumentos que eu não usei em discos anteriores e que são mais complexos. Mas valeu a pena. Soa diferente, mas é bonito. É um pop folk, nada tão distante do que já tenho feito. Tenho músicas de nove anos atrás, sete, quatro, dois. São de diferentes fases, fazem parte da minha história. Tem apenas uma que escrevi recentemente, que casa com a formacomo penso hoje.

A música latina está passando por um momento incrível de visibilidade mundial e crescimento. Como vê esse movimento?

Acho incrível que estejamos crescendo e sendo ouvidos no mundo todo, mas eu gostaria que não ouvissem apenas reggaeton, queria que conhecessem algo diferente, que todos os gêneros latinos também fossem conhecidos. Adoro reggaeton, mas acho que as letras não agregam tanto. Gostaria que o mundo conhecesse letras mais bonitas, com mensagens positivas e melhores.

Em seus trabalhos anteriores, você se mostrava uma pessoa sem barreiras no que diz respeito aos nomes dos discos: Extranjera Sin Fronteras. Agora, com o nome Origen, a impressão que dá é que você se encontrou. Como foi esse processo?

O nome serve para tentar traduzir o momento que estou vivendo, a etapa da minha vida. Em Extranjera, parecia que eu viajava demais, estava por todo lado, era um pouco perdida profissionalmente. Já em Sin Fronteras fiz colaborações com pessoas de vários países, é um disco mais eclético, com vários gêneros. No seguinte, DM, eu queria que o nome fosse “Cicatrices”, mas me disseram que não, que era muito dramático [risos]. Coloquei as minhas iniciais para dizer que aquela era eu. É o disco mais parecido com o que estou fazendo agora. Com Origen, eu queria algo que remetesse ao principio, a como tudo começou. Estava cansada de fazer o que todos esperavam, o que eles queriam e de não poder ser completamente eu. São quase 28 anos trabalhando e agora preciso, é uma ânsia de regressar ao porquê eu quis me dedicar a isso. Reencontrei o que me movia, o que me motivava a compor, a me expressar pela arte.

Falando em precisar trocar nomes de disco, qual a decisão mais difícil que já teve que tomar na carreira?

Lançar este disco foi uma decisão atrevida, mas valente. Tenho uma equipe, uma gravadora, um empresário e, finalmente, tudo está em ordem. Antes, havia filtros, barreiras. Sempre falavam que não gostavam, que não era comercial, que era muito pessoal e, por isso, essas músicas ficaram tanto tempo guardadas. É um risco que assumi, disse que queria mostrar essas composições minhas, que são pessoais e que não estamos buscando ter um grande hit ou fazer uma parceria para tocar em todo o mundo. O plano é tocar corações.Tive que tomar a iniciativa. Mais vale pedir perdão do que permissão. Não é tão fácil quanto eu pensei, mas esse é o passo mais valente que já dei. Sempre disse para levantarem a voz, lutarem pelo que querem e agora eu mesma estou fazendo isso.

Você já tem planos de turnê? Os fãs querem saber quando virá novamente ao Brasil.

Por enquanto, vou lançar o single "Lo Que Ves No Es Lo Que Soy" em setembro. Em outubro, apresento parte do disco no show. Até o fim do ano, devo lançar mais umas três músicas. Espero que no próximo ano eu já tenha datas para fazer apresentações e, claro, tenho que voltar ao Brasil. Sinto muito a falta dos fãs brasileiros, a quem amo muito!