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João Rock se diversifica e acerta em homenagem ao Tropicalismo em palco secundário

Se apresentaram no festival grandes nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé

por Redação em 11/06/2018

Há um problema na criação de line ups em festivais de música pop nacional. Geralmente, são os mesmos artistas, performando os mesmos shows, com os mesmos hits. A solidez de público trazida por nomes como Skank, Nando Reis e CPM 22 faz com que as curadorias raramente se esforcem para propor algo diferente.

Eis um dos grandes trunfos do João Rock. Se, no estilo musical que leva seu nome, as grandes bandas não apresentam hits muito diferentes nos últimos 20 anos, é na proposta de outros estilos, com temáticas em palcos diferentes, que o festival de Ribeirão Preto (SP) tem se consolidado.

Em 2016, para comemorar seus 15 anos, criou o palco Fortalecendo a Cena, voltado a bandas nacionais que têm se destacado nos últimos anos. A iniciativa pegou. Neste ano, entre as atrações estavam Dônica, Froid e Francisco El Hombre.

No ano passado, a grande novidade foi a homenagem do palco secundário ao Nordeste: Alceu Valença, Zé Ramalho, Lenine e Nação Zumbi se revezaram para um público que muitas vezes só conhecia uma ou duas de suas músicas, mas não parou de dançar. Neste ano, veio ao Palco Brasil uma homenagem à Tropicália, com Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé.

No último sábado (09/06), a maioria do público acompanhou as 10 horas de apresentações na megaestrutura dos palcos principais: a excelente volta do Cordel do Fogo Encantado, Supercombo, Raimundos, Skank, Pitty, Natiruts, Gabriel O Pensador, Criolo e Planet Hemp.

Apostas certeiras, que provavelmente garantiram o esgotamento dos ingressos na última quinta-feira (07/06), mas não muito diferentes. Fora o Cordel, todas as bandas já haviam passado pelo menos uma vez pelos palcos do festival nos últimos quatro anos – e provavelmente por que o grupo pernambucano estava em hiato há oito. A parte interessante mesmo ficou por conta do Palco Brasil.

Mutantes inaugurou a homenagem pouco depois das 17h. Parte mais saudosista do dia, o público que começava a chegar ao festival cantarolava “Top Top” e “A Minha Menina” enquanto aguardava nas longas filas para encher os cartões de consumo. A banda, em si, tem muito pouco de Mutantes, como já se sabe. Não pelo único fundador ser Sérgio Dias, mas por toda a criatividade e transgressão, que fez a banda ser o que foi, hoje parecer a performance de uma loucura ensaiada sem muita inventividade.

Pouco depois do pôr do sol, foi a vez da turnê quase familiar de Gilberto Gil em homenagem ao seu disco Refavela, de 1977. No “Refavela 40”, o baiano toca com o filho Bem Gil, o afilhado Moreno Veloso e a cantora Anelis Assumpção, entre outros artistas.

Primeiro, os músicos da segunda geração, por assim dizer, apresentaram algumas das músicas da turnê, como “Aqui e Agora”, “No Nordeste Dá Saudade” e a regravação de “Samba Do Avião”, de Tom Jobim. O público, claro, esperava pela atração principal: Gil subiu ao palco com “Babá Alapalá”, “Sandra” e “Não Chores Mais”, sua versão de Bob Marley. A animação e entrosamento da trupe não deixaram a plateia parada por nem um minuto dos 60 que durou o show.

Em seguida, Caetano Veloso, figura um pouco mais frequente em festivais voltados ao público jovem, como Coala (São Paulo), Bananada (Goiânia) e Primavera (Barcelona), trouxe também sua turnê familiar: o Ofertório, uma intimista reflexão da sua carreira e dos filhos Moreno, Zeca e Tom, com referências a Bahia, Santo Amaro e Dona Canô, sua mãe.

Parte do público suspeitava se o show feito em grande parte por quatro violões e um teclado vingaria em um festival. Os quatro ganharam a plateia com os sucessos “Alegria, Alegria”, “Reconvexo”, “Força Estranha” e “O Leãozinho” e os rendeu com músicas menos conhecidas e mais calmas como “Genipapo Absoluto” e “Todo Homem”, canção lançada por Zeca para a turnê. Em silêncio, a grande maioria jovem acompanhava hipnotizada a delicadeza da apresentação.

Por fim, o conterrâneo Tom Zé encerrou a homenagem por volta das 23h. O baiano recebeu um público mais reduzido, mas muito entusiasmado. “Bora, rebanho de muleque”, brincou o músico, com a animação que lhe é característica.

Tom Zé variou entre músicas mais novas, como “Esquerda Grana E Direita”, e sucessos antigos, como “Augusta, Angélica e Consolação” e “2001”. O rebanho, como brincou, não sabia grande parte das canções, mas acompanhou atento à apresentação, uma das melhores e mais divertidas do dia.

O festival acerta em apostar em nomes deste calibre para uma plateia que os verá como algo diferente. Para estes jovens, em sua maioria, aquilo é novidade. Quem não sabia cantar as músicas dançava, aplaudia, filmava para o Instagram. “Oração Ao Tempo” foi escrita há 40 anos e Tom Zé faz a mesma performance há 30, mas, naquela noite, foi uma novidade bem-vinda para muitos.

O segredo no qual o João Rock tem apostado com êxito nos últimos anos é a mistura. Quem sabe em 2019 o festival não ganha um palco de rap? Seria, no mínimo, interessante.

Estrutura

O João Rock vem crescendo a cada ano. Em 2018, foram quatro palcos e um público de lotação máxima de 60 mil pessoas. O sistema de cartão, no entanto, apresentou um problema pela alta demanda durante algumas horas da noite. A Billboard Brasil recebeu diversas reclamações do público por causa da demora excessiva para pegar bebida depois de ter abastecido o cartão de consumo em todos os bares.

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João Rock se diversifica e acerta em homenagem ao Tropicalismo em palco secundário

Se apresentaram no festival grandes nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé

por Redação em 11/06/2018

Há um problema na criação de line ups em festivais de música pop nacional. Geralmente, são os mesmos artistas, performando os mesmos shows, com os mesmos hits. A solidez de público trazida por nomes como Skank, Nando Reis e CPM 22 faz com que as curadorias raramente se esforcem para propor algo diferente.

Eis um dos grandes trunfos do João Rock. Se, no estilo musical que leva seu nome, as grandes bandas não apresentam hits muito diferentes nos últimos 20 anos, é na proposta de outros estilos, com temáticas em palcos diferentes, que o festival de Ribeirão Preto (SP) tem se consolidado.

Em 2016, para comemorar seus 15 anos, criou o palco Fortalecendo a Cena, voltado a bandas nacionais que têm se destacado nos últimos anos. A iniciativa pegou. Neste ano, entre as atrações estavam Dônica, Froid e Francisco El Hombre.

No ano passado, a grande novidade foi a homenagem do palco secundário ao Nordeste: Alceu Valença, Zé Ramalho, Lenine e Nação Zumbi se revezaram para um público que muitas vezes só conhecia uma ou duas de suas músicas, mas não parou de dançar. Neste ano, veio ao Palco Brasil uma homenagem à Tropicália, com Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé.

No último sábado (09/06), a maioria do público acompanhou as 10 horas de apresentações na megaestrutura dos palcos principais: a excelente volta do Cordel do Fogo Encantado, Supercombo, Raimundos, Skank, Pitty, Natiruts, Gabriel O Pensador, Criolo e Planet Hemp.

Apostas certeiras, que provavelmente garantiram o esgotamento dos ingressos na última quinta-feira (07/06), mas não muito diferentes. Fora o Cordel, todas as bandas já haviam passado pelo menos uma vez pelos palcos do festival nos últimos quatro anos – e provavelmente por que o grupo pernambucano estava em hiato há oito. A parte interessante mesmo ficou por conta do Palco Brasil.

Mutantes inaugurou a homenagem pouco depois das 17h. Parte mais saudosista do dia, o público que começava a chegar ao festival cantarolava “Top Top” e “A Minha Menina” enquanto aguardava nas longas filas para encher os cartões de consumo. A banda, em si, tem muito pouco de Mutantes, como já se sabe. Não pelo único fundador ser Sérgio Dias, mas por toda a criatividade e transgressão, que fez a banda ser o que foi, hoje parecer a performance de uma loucura ensaiada sem muita inventividade.

Pouco depois do pôr do sol, foi a vez da turnê quase familiar de Gilberto Gil em homenagem ao seu disco Refavela, de 1977. No “Refavela 40”, o baiano toca com o filho Bem Gil, o afilhado Moreno Veloso e a cantora Anelis Assumpção, entre outros artistas.

Primeiro, os músicos da segunda geração, por assim dizer, apresentaram algumas das músicas da turnê, como “Aqui e Agora”, “No Nordeste Dá Saudade” e a regravação de “Samba Do Avião”, de Tom Jobim. O público, claro, esperava pela atração principal: Gil subiu ao palco com “Babá Alapalá”, “Sandra” e “Não Chores Mais”, sua versão de Bob Marley. A animação e entrosamento da trupe não deixaram a plateia parada por nem um minuto dos 60 que durou o show.

Em seguida, Caetano Veloso, figura um pouco mais frequente em festivais voltados ao público jovem, como Coala (São Paulo), Bananada (Goiânia) e Primavera (Barcelona), trouxe também sua turnê familiar: o Ofertório, uma intimista reflexão da sua carreira e dos filhos Moreno, Zeca e Tom, com referências a Bahia, Santo Amaro e Dona Canô, sua mãe.

Parte do público suspeitava se o show feito em grande parte por quatro violões e um teclado vingaria em um festival. Os quatro ganharam a plateia com os sucessos “Alegria, Alegria”, “Reconvexo”, “Força Estranha” e “O Leãozinho” e os rendeu com músicas menos conhecidas e mais calmas como “Genipapo Absoluto” e “Todo Homem”, canção lançada por Zeca para a turnê. Em silêncio, a grande maioria jovem acompanhava hipnotizada a delicadeza da apresentação.

Por fim, o conterrâneo Tom Zé encerrou a homenagem por volta das 23h. O baiano recebeu um público mais reduzido, mas muito entusiasmado. “Bora, rebanho de muleque”, brincou o músico, com a animação que lhe é característica.

Tom Zé variou entre músicas mais novas, como “Esquerda Grana E Direita”, e sucessos antigos, como “Augusta, Angélica e Consolação” e “2001”. O rebanho, como brincou, não sabia grande parte das canções, mas acompanhou atento à apresentação, uma das melhores e mais divertidas do dia.

O festival acerta em apostar em nomes deste calibre para uma plateia que os verá como algo diferente. Para estes jovens, em sua maioria, aquilo é novidade. Quem não sabia cantar as músicas dançava, aplaudia, filmava para o Instagram. “Oração Ao Tempo” foi escrita há 40 anos e Tom Zé faz a mesma performance há 30, mas, naquela noite, foi uma novidade bem-vinda para muitos.

O segredo no qual o João Rock tem apostado com êxito nos últimos anos é a mistura. Quem sabe em 2019 o festival não ganha um palco de rap? Seria, no mínimo, interessante.

Estrutura

O João Rock vem crescendo a cada ano. Em 2018, foram quatro palcos e um público de lotação máxima de 60 mil pessoas. O sistema de cartão, no entanto, apresentou um problema pela alta demanda durante algumas horas da noite. A Billboard Brasil recebeu diversas reclamações do público por causa da demora excessiva para pegar bebida depois de ter abastecido o cartão de consumo em todos os bares.