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“Legalizar a maconha é legalizar a liberdade”, afirma Jacob Hemphill, líder do SOJA

por em 20/09/2014
ong>Por Lucas Borges Teixeira “Nenhuma pessoa deveria ir para a cadeia por fumar maconha.” Direto, Jacob  Hemphil, líder da banda de reggae americana SOJA, defende que legalizar a droga é, também, legalizar a liberdade. O grupo acaba de lançar seu quinto disco de estúdio, Amid The Noise And Haste, neste mês e já tem show marcado em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília nos dias 3, 5 e 12 de dezembro, respectivamente. O vocalista bateu um papo com Billboard Brasil sobre o novo disco e temas atuais (e polêmicos) como redes sociais e maconha. O SOJA está lançando seu quinto álbum, Amid The Noise And Haste. Qual a principal característica dele? Todos os nossos álbuns são reflexos de nós. Os anteriores foram sobre problemas específicos: Born In Babylon (2009), sobre países do terceiro mundo; Get Wiser (2006), sobre mudar mentalidade; eAmid The Noise And Haste é uma mistura de todos esses discos, sobre mudar o foco para coisas maiores do que dinheiro e acúmulo. Você acha que a música é uma forma de entrar em contato coisas que vão além do material? Sim. O problema é que você faz música para um público e o público hoje está muito focado em acúmulo e competição. Não os culpo. Mas, assim como nós, há muita gente por aí que acha que isso não é verdade. Acredito – e espero – que sejam essas as pessoas que ouvem SOJA. Sabe, ninguém que eu conheço é mais feliz porque é mais rico. Na verdade, muitos não são felizes porque lhes foi ensinado que dinheiro é igual a felicidade, quando isso não é verdade. Falamos disso no nosso disco, da vida. Ela é bonita por si. O disco foi gravado com um monte de convidados. Como foi a experiência? Foi divertido. Como músico, você procura por pessoas que tenham uma mentalidade parecida com a sua. Jr. Gong Marley, a rapper Mala Rodríguez... Essas pessoas estão até mais próximas do que eu imaginava. Foram pessoas com quem eu falei sobre o mundo e fizemos músicas juntos. Foi bem legal. Ter participações é algo comum em nossos álbuns. É muito bom quando você está compondo e o outro diz “Sim, entendo o que você quer dizer”. Isso aconteceu com O Rappa. Não é só o som... As coisas que eles dizem mostram que nos entendemos. O Rappa faz música para mudar o mundo, como Bob Marley. Ele é o verdadeiro conceito de liberdade, não Martin Luther King ou Mahatma Gandhi. Porque uma coisa é pregar em cima de uma caixa e outra é falar as mesmas coisas por meio da música. É o que tentamos fazer. Uma coisa boa sobre música é: quando ela te bate, você não sente dor [verso de “Trenchtown Rock”], já dizia Bob Marley. Você ouve música brasileira? Tem essa banda nova – e, na verdade, não sei quão novos eles são – que eu gosto: Onze:20. Eles fazem um som muito legal. Mas O Rappa foi a primeira banda brasileira que curti. Algumas das músicas do Amid The Noise And Haste foram lançadas primeiro online. Como você vê o papel da internet e das redes sociais para a música hoje? Quando encontro músicos mais velhos, eles geralmente falam que eu deveria ter começado uns dez anos antes, pois as pessoas ganhavam muito dinheiro e, hoje, com a internet, não se ganha tanto assim. Mas eu não vejo dessa forma. Sem redes sociais e internet, não haveria o SOJA. Nós somos uma banda de reggae verdadeira e livre, não há muitas gravadoras que aceitam isso. Para a gente, mesmo que não haja tanto dinheiro, as oportunidades são enormes. É tudo que me importa: tocar para os outros. A internet nos ofereceu isso. Então, muita gente odeia a internet, mas eu a amo porque ela dá voz às pessoas. E como você vê a cena mundial do reggae atualmente? Está mudando. Todos os dias, surge algo novo. O reggae fica mais popular a medida que o mundo piora. Por quê? Porque reggae é a música das massas, é a música que pensa em como criar um mundo melhor para cada um de nós. Vocês vêm para o Brasil em dezembro, certo? Sim, o Brasil é fantástico. Foi aí o maior show que nós já fizemos, há sete anos. Nós queremos propagar nossa mensagem pelo mundo e o Brasil é uma parte importante para isso. O que os fãs brasileiros podem esperar das apresentações? Vai ser muito legal. Iremos tocar músicas antigas, todos os hits com novos arranjos, e muitas novas. Será um show grande e longo. Você deveria ir, O Rappa estará lá. Neste ano, há eleições nacionais no Brasil e um dos assuntos debatidos é a legalização da maconha. Qual a sua opinião sobre isso? Olha, drogas não são para todo mundo. Algumas pessoas fumam maconha e fazem coisas fantásticas, já outros fumam e ficam largados no sofá vendo TV. Não há regra geral. Só que uma coisa eu posso generalizar: nenhuma pessoa neste mundo deveria estar na cadeia por fumar um baseado. Não é aceitável um mundo em que consumir álcool ou cigarros seja normal, mas maconha seja proibido. Há lugares em que isso é realidade. Sim, pessoas que têm um vício nunca deveriam estar no mesmo local que pessoas que matam. Eles misturam tudo em um lugar só. Temos um vício de pegar tudo que não gostamos e deixarmos de lado. Só que as pessoas deveriam pensar que legalizar a união entre pessoas do mesmo sexo e a maconha não é nada além de legalizar a liberdade. Deveríamos, então, liberar a heroína? Não, porque isso arruína a vida das pessoas. Já a maconha... É diferente. Eu não fumo o tempo inteiro. Mas, quando quero compor, fumo. Gosto da maneira como ela abre a minha cabeça. Músicos, artistas, cientistas... todos têm uma pequena droga que usam para expandir a mente. Mas, veja, as drogas não fazem isso para tudo mundo. Você precisa saber quem você é e a única forma de fazer isso é se conhecendo melhor. Mas, se pessoas que fumam maconha deveriam ir para a prisão, então quem fuma cigarro, quem bebe álcool, quem toma remédios e quem toma café também deveria ir para a prisão. É loucura.  
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“Legalizar a maconha é legalizar a liberdade”, afirma Jacob Hemphill, líder do SOJA

por em 20/09/2014
ong>Por Lucas Borges Teixeira “Nenhuma pessoa deveria ir para a cadeia por fumar maconha.” Direto, Jacob  Hemphil, líder da banda de reggae americana SOJA, defende que legalizar a droga é, também, legalizar a liberdade. O grupo acaba de lançar seu quinto disco de estúdio, Amid The Noise And Haste, neste mês e já tem show marcado em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília nos dias 3, 5 e 12 de dezembro, respectivamente. O vocalista bateu um papo com Billboard Brasil sobre o novo disco e temas atuais (e polêmicos) como redes sociais e maconha. O SOJA está lançando seu quinto álbum, Amid The Noise And Haste. Qual a principal característica dele? Todos os nossos álbuns são reflexos de nós. Os anteriores foram sobre problemas específicos: Born In Babylon (2009), sobre países do terceiro mundo; Get Wiser (2006), sobre mudar mentalidade; eAmid The Noise And Haste é uma mistura de todos esses discos, sobre mudar o foco para coisas maiores do que dinheiro e acúmulo. Você acha que a música é uma forma de entrar em contato coisas que vão além do material? Sim. O problema é que você faz música para um público e o público hoje está muito focado em acúmulo e competição. Não os culpo. Mas, assim como nós, há muita gente por aí que acha que isso não é verdade. Acredito – e espero – que sejam essas as pessoas que ouvem SOJA. Sabe, ninguém que eu conheço é mais feliz porque é mais rico. Na verdade, muitos não são felizes porque lhes foi ensinado que dinheiro é igual a felicidade, quando isso não é verdade. Falamos disso no nosso disco, da vida. Ela é bonita por si. O disco foi gravado com um monte de convidados. Como foi a experiência? Foi divertido. Como músico, você procura por pessoas que tenham uma mentalidade parecida com a sua. Jr. Gong Marley, a rapper Mala Rodríguez... Essas pessoas estão até mais próximas do que eu imaginava. Foram pessoas com quem eu falei sobre o mundo e fizemos músicas juntos. Foi bem legal. Ter participações é algo comum em nossos álbuns. É muito bom quando você está compondo e o outro diz “Sim, entendo o que você quer dizer”. Isso aconteceu com O Rappa. Não é só o som... As coisas que eles dizem mostram que nos entendemos. O Rappa faz música para mudar o mundo, como Bob Marley. Ele é o verdadeiro conceito de liberdade, não Martin Luther King ou Mahatma Gandhi. Porque uma coisa é pregar em cima de uma caixa e outra é falar as mesmas coisas por meio da música. É o que tentamos fazer. Uma coisa boa sobre música é: quando ela te bate, você não sente dor [verso de “Trenchtown Rock”], já dizia Bob Marley. Você ouve música brasileira? Tem essa banda nova – e, na verdade, não sei quão novos eles são – que eu gosto: Onze:20. Eles fazem um som muito legal. Mas O Rappa foi a primeira banda brasileira que curti. Algumas das músicas do Amid The Noise And Haste foram lançadas primeiro online. Como você vê o papel da internet e das redes sociais para a música hoje? Quando encontro músicos mais velhos, eles geralmente falam que eu deveria ter começado uns dez anos antes, pois as pessoas ganhavam muito dinheiro e, hoje, com a internet, não se ganha tanto assim. Mas eu não vejo dessa forma. Sem redes sociais e internet, não haveria o SOJA. Nós somos uma banda de reggae verdadeira e livre, não há muitas gravadoras que aceitam isso. Para a gente, mesmo que não haja tanto dinheiro, as oportunidades são enormes. É tudo que me importa: tocar para os outros. A internet nos ofereceu isso. Então, muita gente odeia a internet, mas eu a amo porque ela dá voz às pessoas. E como você vê a cena mundial do reggae atualmente? Está mudando. Todos os dias, surge algo novo. O reggae fica mais popular a medida que o mundo piora. Por quê? Porque reggae é a música das massas, é a música que pensa em como criar um mundo melhor para cada um de nós. Vocês vêm para o Brasil em dezembro, certo? Sim, o Brasil é fantástico. Foi aí o maior show que nós já fizemos, há sete anos. Nós queremos propagar nossa mensagem pelo mundo e o Brasil é uma parte importante para isso. O que os fãs brasileiros podem esperar das apresentações? Vai ser muito legal. Iremos tocar músicas antigas, todos os hits com novos arranjos, e muitas novas. Será um show grande e longo. Você deveria ir, O Rappa estará lá. Neste ano, há eleições nacionais no Brasil e um dos assuntos debatidos é a legalização da maconha. Qual a sua opinião sobre isso? Olha, drogas não são para todo mundo. Algumas pessoas fumam maconha e fazem coisas fantásticas, já outros fumam e ficam largados no sofá vendo TV. Não há regra geral. Só que uma coisa eu posso generalizar: nenhuma pessoa neste mundo deveria estar na cadeia por fumar um baseado. Não é aceitável um mundo em que consumir álcool ou cigarros seja normal, mas maconha seja proibido. Há lugares em que isso é realidade. Sim, pessoas que têm um vício nunca deveriam estar no mesmo local que pessoas que matam. Eles misturam tudo em um lugar só. Temos um vício de pegar tudo que não gostamos e deixarmos de lado. Só que as pessoas deveriam pensar que legalizar a união entre pessoas do mesmo sexo e a maconha não é nada além de legalizar a liberdade. Deveríamos, então, liberar a heroína? Não, porque isso arruína a vida das pessoas. Já a maconha... É diferente. Eu não fumo o tempo inteiro. Mas, quando quero compor, fumo. Gosto da maneira como ela abre a minha cabeça. Músicos, artistas, cientistas... todos têm uma pequena droga que usam para expandir a mente. Mas, veja, as drogas não fazem isso para tudo mundo. Você precisa saber quem você é e a única forma de fazer isso é se conhecendo melhor. Mas, se pessoas que fumam maconha deveriam ir para a prisão, então quem fuma cigarro, quem bebe álcool, quem toma remédios e quem toma café também deveria ir para a prisão. É loucura.