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“Não queria ser um bibelô”, diz Pitty sobre carreira na música

Cantora, que acaba de lançar documentário sobre sua volta aos palcos depois da maternidade, refletiu sobre feminilidade e o cenário musical brasileiro em entrevista

por Rebecca Silva em 21/03/2018

A baiana Pitty, potência do rock brasileiro, acaba de lançar o documentário Do Ventre À Volta, em que retratou a sua preparação para retornar aos palcos, no ano passado, depois de tornar-se mãe de Madalena e ficar um ano e meio afastada da carreira. O projeto foi dirigido e produzido por ela, que faz questão de, não apenas assinar seu nome nos créditos, mas fazer da iniciativa  algo político, ajudando a abrir caminhos para outras mulheres da cena. 

Na última semana, Pitty esteve no Women’s Music Event, em São Paulo, para um painel de perguntas e respostas sobre sua carreira e sobre o espaço da mulher na música. Nessa edição, ela foi madrinha do evento. No palco, ficou sabendo de um número importante e sintomático: segundo a UBC (União Brasileira de Compositores), apenas 14% dos compositores do país são mulheres. “Comparando com a produção masculina, ainda é muito discrepante. Eu estou numa posição muito mais privilegiada hoje, então para mim é mais fácil ser mulher na música, mas eu tenho que pensar nas que não são [privilegiadas], para fortalecer essa criação e essa produção”, disse, em entrevista exclusiva à  Billboard Brasil.

É por essa desigualdade no cenário que Pitty, no início, sentiu a necessidade de se anular, como mulher, para se igualar à maioria masculina da música. Cria da cena do hardcore de Salvador, ela revelou que se vestia de forma masculinizada para não ser vista com outros olhos. “Sempre teve o fetiche de ver a banda de rock que tinha mulher, eu ficava muito chateada e incomodada. Naquela época, década de 1990, hardcore em Salvador, minha estratégia de batalha era ficar invisível naquele ambiente. Era um escudo, uma forma de proteção. Para mim, era importante ser escutada, não vista. Não queria ser um bibelô, ficar só na estética”, relembra.

PAINEL_Madrinha WME 2018_Anna Mascarenhas
Divulgação/Anna Mascarenhas

Hoje, ela já se sente mais à vontade para mostrar o seu lado feminino no palco e ainda frisa esse comportamento - faz isso para que outras se sintam no direito de fazer o mesmo. “Ser mulher na música brasileira hoje é mais fácil do que há 15 anos, quando eu comecei, mas ainda não é igual. Essa trilha vem sendo aberta a facão há anos, né? Não é de mão beijada, não é de uma hora pra outra. Eu enxergo mais representatividade hoje do que eu enxergava 15 anos atrás, tem mais mulheres e mais mulheres diferentes, não é mais de um jeito só. Isso só tem que se ampliar e se fortalecer”, afirmou.

Entre as inspirações de Pitty estão Rita Lee, Baby do Brasil e Cássia Eller. Mas ela deixa claro que não aprendeu somente com cantoras e compositoras, mas também com muitas escritoras, diretoras, poetas, criadoras no geral. Tantas, que prefere nem mencionar. Agora, com mais de 15 anos de carreira, ela também serve como inspiração para as gerações mais novas e tem o reconhecimento do legado, como mulher e artista, ao ser chamada para ser madrinha de iniciativas como o Women’s Music Event. “É recompensador. É olhar pra trás e pensar: ‘Que massa poder hoje estar aqui e não me sentir tão sozinha’. Depois de fazer parte de um monte de festival onde só tinha eu de headliner mulher, de ter feito parte de vários contextos, sem par, chegar aqui hoje aqui e saber que a minha obra, de alguma forma, incentivou, instigou, a fazer esse ciclo girar, é incrível.” 

No processo de composição para o próximo disco, que deve ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano – o mais recente, SETEVIDAS, é de 2014 – Pitty se prepara também para a turnê de divulgação do projeto, no segundo semestre. O primeiro show será, novamente, no João Rock, em junho. Sobre a apresentação, ela é categórica: “Com certeza já vai ter coisa nova até lá e com certeza não vai ser o mesmo show”. 

Veja Do Ventre À Volta:

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Zé da Recaída
Gusttavo Lima
2
Só Pra Castigar
Wesley Safadão
3
Atrasadinha (Part. Ferrugem)
Felipe Araújo
4
Notificação Preferida
Zé Neto & Cristiano
5
Sofázinho (Part. Jorge & Mateus)
Luan Santana
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“Não queria ser um bibelô”, diz Pitty sobre carreira na música

Cantora, que acaba de lançar documentário sobre sua volta aos palcos depois da maternidade, refletiu sobre feminilidade e o cenário musical brasileiro em entrevista

por Rebecca Silva em 21/03/2018

A baiana Pitty, potência do rock brasileiro, acaba de lançar o documentário Do Ventre À Volta, em que retratou a sua preparação para retornar aos palcos, no ano passado, depois de tornar-se mãe de Madalena e ficar um ano e meio afastada da carreira. O projeto foi dirigido e produzido por ela, que faz questão de, não apenas assinar seu nome nos créditos, mas fazer da iniciativa  algo político, ajudando a abrir caminhos para outras mulheres da cena. 

Na última semana, Pitty esteve no Women’s Music Event, em São Paulo, para um painel de perguntas e respostas sobre sua carreira e sobre o espaço da mulher na música. Nessa edição, ela foi madrinha do evento. No palco, ficou sabendo de um número importante e sintomático: segundo a UBC (União Brasileira de Compositores), apenas 14% dos compositores do país são mulheres. “Comparando com a produção masculina, ainda é muito discrepante. Eu estou numa posição muito mais privilegiada hoje, então para mim é mais fácil ser mulher na música, mas eu tenho que pensar nas que não são [privilegiadas], para fortalecer essa criação e essa produção”, disse, em entrevista exclusiva à  Billboard Brasil.

É por essa desigualdade no cenário que Pitty, no início, sentiu a necessidade de se anular, como mulher, para se igualar à maioria masculina da música. Cria da cena do hardcore de Salvador, ela revelou que se vestia de forma masculinizada para não ser vista com outros olhos. “Sempre teve o fetiche de ver a banda de rock que tinha mulher, eu ficava muito chateada e incomodada. Naquela época, década de 1990, hardcore em Salvador, minha estratégia de batalha era ficar invisível naquele ambiente. Era um escudo, uma forma de proteção. Para mim, era importante ser escutada, não vista. Não queria ser um bibelô, ficar só na estética”, relembra.

PAINEL_Madrinha WME 2018_Anna Mascarenhas
Divulgação/Anna Mascarenhas

Hoje, ela já se sente mais à vontade para mostrar o seu lado feminino no palco e ainda frisa esse comportamento - faz isso para que outras se sintam no direito de fazer o mesmo. “Ser mulher na música brasileira hoje é mais fácil do que há 15 anos, quando eu comecei, mas ainda não é igual. Essa trilha vem sendo aberta a facão há anos, né? Não é de mão beijada, não é de uma hora pra outra. Eu enxergo mais representatividade hoje do que eu enxergava 15 anos atrás, tem mais mulheres e mais mulheres diferentes, não é mais de um jeito só. Isso só tem que se ampliar e se fortalecer”, afirmou.

Entre as inspirações de Pitty estão Rita Lee, Baby do Brasil e Cássia Eller. Mas ela deixa claro que não aprendeu somente com cantoras e compositoras, mas também com muitas escritoras, diretoras, poetas, criadoras no geral. Tantas, que prefere nem mencionar. Agora, com mais de 15 anos de carreira, ela também serve como inspiração para as gerações mais novas e tem o reconhecimento do legado, como mulher e artista, ao ser chamada para ser madrinha de iniciativas como o Women’s Music Event. “É recompensador. É olhar pra trás e pensar: ‘Que massa poder hoje estar aqui e não me sentir tão sozinha’. Depois de fazer parte de um monte de festival onde só tinha eu de headliner mulher, de ter feito parte de vários contextos, sem par, chegar aqui hoje aqui e saber que a minha obra, de alguma forma, incentivou, instigou, a fazer esse ciclo girar, é incrível.” 

No processo de composição para o próximo disco, que deve ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano – o mais recente, SETEVIDAS, é de 2014 – Pitty se prepara também para a turnê de divulgação do projeto, no segundo semestre. O primeiro show será, novamente, no João Rock, em junho. Sobre a apresentação, ela é categórica: “Com certeza já vai ter coisa nova até lá e com certeza não vai ser o mesmo show”. 

Veja Do Ventre À Volta: