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‘Nasce Uma Estrela’ propõe mergulho profundo na história de amor desenhada pelo sucesso e pela decadência

Muito além de um romance musical, longa que mostra a estreia de Lady Gaga como atriz e Bradley Cooper como diretor fala sobre relacionamentos, sonhos, acertos e falhas

por Rebecca Silva em 05/10/2018

A história já é conhecida. Tanto por se tratar da quarta versão de Nasce Uma Estrela, quanto por falar sobre o encontro entre um artista bem-sucedido e uma aspirante a artista. Típico enredo de filme romântico de Sessão da Tarde, certo? O trunfo da nova versão, protagonizada por Bradley Cooper (em sua estreia como diretor) e Lady Gaga, está na humanização dos personagens. A história pode ser batida, você pode entrar na sala de cinema já sabendo os caminhos que ela vai percorrer, mas é a car ga emocional do filme que arrebata e leva às lágrimas. E isso só aconteceu porque dois artistas se dispuseram a sair da zona de conforto.

A performance de Gaga é, de fato, surpreendente. É sempre curioso assistir a um filme em que uma artista já consagrada interpreta outra cantora. Vemos Gaga, é claro. Já a conhecemos há anos. Mas os esforços para que ela se transformasse em Ally passam desde a cor do cabelo e o sumiço das tatuagens marcantes, até a atuação. Gaga (ou deveria chamá-la de Stefani?) entrega uma performance tão natural que é impossível não traçar paralelos com o que ela mesma viveu no início da carreira. Ela já esteve ali, apesar de ter se comportado de forma diferente frente às adversidades. Enquanto Gaga carregou seu teclado por Nova York e fingiu ser sua empresária para conseguir shows, Ally se contenta com os que dizem que ela não é bonita o suficiente para a indústria musical, apesar do talento.

nasce

Apesar de sua estrela só começar a brilhar após um encontro inesperado com Jackson, personagem de Cooper, Ally em nenhum momento passa a imagem de jovem esperando por salvação ou por um príncipe encantado e isso se enquadra com a sociedade de hoje. Ela é uma mulher decidida e conformada, ainda que tenha um emprego ruim, um chefe que a incomoda e um relacionamento complicado (encerra do brevemente em sua primeira cena no filme). Gaga faz com que o público se identifique com Ally e mostra que não precisa de maquiagem e figurino extravagante para impressionar com o seu talento.

Aliás, o que também impressiona é o talento musical de Bradley Cooper. Para o papel, fez preparação vocal, aprendeu a tocar violão, compôs, se envolveu com a produção musical e os bastidores da indústria, chegando a passar uma semana ao lado de Eddie Vedder para entender mais sobre a vida de um músico. A semelhança no longa é notável. Cooper entrega um músico desgrenhado, talentoso e um tanto teimoso, que acaba se perdendo no vício em álcool e drogas.

Se prepare. O filme cumpre muito bem o papel de revelar muito pouco no trailer, o que tem sido feito com menos frequência. O que foi divulgado do longa não mostra nem 10% do que o filme realmente entrega. A história traz muitas nuances além do encontro do casal, do sucesso de Ally e da derrocada de Jackson. A jornada emocional que os dois percorrem e nos levam junto, graças a muitos close-ups e diálogos bem colocados, é impactante. Como diz a música “Shallow”, quando nos damos por si, já estamos bem longe do raso, completamente envolvidos pela história do casal. Muito além de falar sobre a indústria e o preço do sucesso, Nasce Uma Estrela trata de amor e cumplicidade, dos altos e baixos de seres humanos, o que torna a história mais familiar e crível.

Grandioso, com cenas gravadas em festivais como Coachella e Glastonbury, o filme também conta com trechos que se passam no Grammy (com a participação de Halsey), Saturday Night Live e iHeartRadio, o que traz mais credibilidade e foge daquela ideia de um mundo criado especialmente para o filme, com artifícios inventados. Assim, Cooper precisou, de fato, subir ao palco de um enorme festival e se apresentar com a trilha do filme para pessoas que estavam ali para assistir aos shows do line-up. E é importante frisar que as performances vistas no filme foram gravadas ao vivo, ou seja, os atores estão realmente cantando, não se trata de dublagem do que foi gravado em estúdio.

As faixas, compostas em parceria com Mark Ronson, Jason Isbell e Lukas Nelson, filho de Willie Nelson, encaixam perfeitamente com a história, mas podem facilmente ser tocadas nas rádios. Se “Shallow”, lançada anteriormente, já te impressionou, prepare o coração para a performance de “I’ll Never Love Again”. A vontade é de levantar e aplaudir no meio do cinema, mas isso talvez não seria muito bem aceito.

Com 135 minutos de duração, o filme começa a perder o ritmo na segunda metade, o que o torna um pouco arrastado. É nesse momento que Jackson começa a decair de fato, em contraponto ao sucesso de Ally, então a história fica mais difícil de acompanhar. Foi possível notar, na cabine de imprensa, que as pessoas não estavam mais tão presas ao enredo e começavam a se mexer mais nas poltronas. 15 minutos a menos deixariam o filme um pouco mais conciso e menos arrastado.

Apesar de a crítica ter elogiado as performances de Gaga e Cooper e o filme como o todo, ainda é cedo para fazer as apostas ao Oscar. Como a própria Gaga disse em entrevista à Ellen DeGeneres, o que importa é que o trabalho toque as pessoas. E a julgar pelas lágrimas derrubadas e os rostos inchados após a sessão, a missão de Nasce Uma Estrela foi cumprida.

Nasce Uma Estrela estreia nos cinemas do Brasil na próxima quinta-feira, 11 de outubro.

Ouça a trilha sonora de Nasce Uma Estrela:

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Zé da Recaída
Gusttavo Lima
2
Só Pra Castigar
Wesley Safadão
3
Notificação Preferida
Zé Neto & Cristiano
4
Não Fala Não Pra Mim (Part. Jerry Smith)
Humberto & Ronaldo
5
Quem Pegou, Pegou
Henrique & Juliano
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‘Nasce Uma Estrela’ propõe mergulho profundo na história de amor desenhada pelo sucesso e pela decadência

Muito além de um romance musical, longa que mostra a estreia de Lady Gaga como atriz e Bradley Cooper como diretor fala sobre relacionamentos, sonhos, acertos e falhas

por Rebecca Silva em 05/10/2018

A história já é conhecida. Tanto por se tratar da quarta versão de Nasce Uma Estrela, quanto por falar sobre o encontro entre um artista bem-sucedido e uma aspirante a artista. Típico enredo de filme romântico de Sessão da Tarde, certo? O trunfo da nova versão, protagonizada por Bradley Cooper (em sua estreia como diretor) e Lady Gaga, está na humanização dos personagens. A história pode ser batida, você pode entrar na sala de cinema já sabendo os caminhos que ela vai percorrer, mas é a car ga emocional do filme que arrebata e leva às lágrimas. E isso só aconteceu porque dois artistas se dispuseram a sair da zona de conforto.

A performance de Gaga é, de fato, surpreendente. É sempre curioso assistir a um filme em que uma artista já consagrada interpreta outra cantora. Vemos Gaga, é claro. Já a conhecemos há anos. Mas os esforços para que ela se transformasse em Ally passam desde a cor do cabelo e o sumiço das tatuagens marcantes, até a atuação. Gaga (ou deveria chamá-la de Stefani?) entrega uma performance tão natural que é impossível não traçar paralelos com o que ela mesma viveu no início da carreira. Ela já esteve ali, apesar de ter se comportado de forma diferente frente às adversidades. Enquanto Gaga carregou seu teclado por Nova York e fingiu ser sua empresária para conseguir shows, Ally se contenta com os que dizem que ela não é bonita o suficiente para a indústria musical, apesar do talento.

nasce

Apesar de sua estrela só começar a brilhar após um encontro inesperado com Jackson, personagem de Cooper, Ally em nenhum momento passa a imagem de jovem esperando por salvação ou por um príncipe encantado e isso se enquadra com a sociedade de hoje. Ela é uma mulher decidida e conformada, ainda que tenha um emprego ruim, um chefe que a incomoda e um relacionamento complicado (encerra do brevemente em sua primeira cena no filme). Gaga faz com que o público se identifique com Ally e mostra que não precisa de maquiagem e figurino extravagante para impressionar com o seu talento.

Aliás, o que também impressiona é o talento musical de Bradley Cooper. Para o papel, fez preparação vocal, aprendeu a tocar violão, compôs, se envolveu com a produção musical e os bastidores da indústria, chegando a passar uma semana ao lado de Eddie Vedder para entender mais sobre a vida de um músico. A semelhança no longa é notável. Cooper entrega um músico desgrenhado, talentoso e um tanto teimoso, que acaba se perdendo no vício em álcool e drogas.

Se prepare. O filme cumpre muito bem o papel de revelar muito pouco no trailer, o que tem sido feito com menos frequência. O que foi divulgado do longa não mostra nem 10% do que o filme realmente entrega. A história traz muitas nuances além do encontro do casal, do sucesso de Ally e da derrocada de Jackson. A jornada emocional que os dois percorrem e nos levam junto, graças a muitos close-ups e diálogos bem colocados, é impactante. Como diz a música “Shallow”, quando nos damos por si, já estamos bem longe do raso, completamente envolvidos pela história do casal. Muito além de falar sobre a indústria e o preço do sucesso, Nasce Uma Estrela trata de amor e cumplicidade, dos altos e baixos de seres humanos, o que torna a história mais familiar e crível.

Grandioso, com cenas gravadas em festivais como Coachella e Glastonbury, o filme também conta com trechos que se passam no Grammy (com a participação de Halsey), Saturday Night Live e iHeartRadio, o que traz mais credibilidade e foge daquela ideia de um mundo criado especialmente para o filme, com artifícios inventados. Assim, Cooper precisou, de fato, subir ao palco de um enorme festival e se apresentar com a trilha do filme para pessoas que estavam ali para assistir aos shows do line-up. E é importante frisar que as performances vistas no filme foram gravadas ao vivo, ou seja, os atores estão realmente cantando, não se trata de dublagem do que foi gravado em estúdio.

As faixas, compostas em parceria com Mark Ronson, Jason Isbell e Lukas Nelson, filho de Willie Nelson, encaixam perfeitamente com a história, mas podem facilmente ser tocadas nas rádios. Se “Shallow”, lançada anteriormente, já te impressionou, prepare o coração para a performance de “I’ll Never Love Again”. A vontade é de levantar e aplaudir no meio do cinema, mas isso talvez não seria muito bem aceito.

Com 135 minutos de duração, o filme começa a perder o ritmo na segunda metade, o que o torna um pouco arrastado. É nesse momento que Jackson começa a decair de fato, em contraponto ao sucesso de Ally, então a história fica mais difícil de acompanhar. Foi possível notar, na cabine de imprensa, que as pessoas não estavam mais tão presas ao enredo e começavam a se mexer mais nas poltronas. 15 minutos a menos deixariam o filme um pouco mais conciso e menos arrastado.

Apesar de a crítica ter elogiado as performances de Gaga e Cooper e o filme como o todo, ainda é cedo para fazer as apostas ao Oscar. Como a própria Gaga disse em entrevista à Ellen DeGeneres, o que importa é que o trabalho toque as pessoas. E a julgar pelas lágrimas derrubadas e os rostos inchados após a sessão, a missão de Nasce Uma Estrela foi cumprida.

Nasce Uma Estrela estreia nos cinemas do Brasil na próxima quinta-feira, 11 de outubro.

Ouça a trilha sonora de Nasce Uma Estrela: