NOTÍCIAS

"Posso vir a ocupar esse lugar vago", diz Jão sobre pop masculino no Brasil

Cantor está em processo de produção do seu primeiro álbum, depois de acumular milhões de visualizações nos clipes de seus singles

por Rebecca Silva em 18/06/2018

Ed Sheeran teve a música mais tocada do ano passado. Shawn Mendes e Charlie Puth lançaram bons álbuns nos últimos meses e ocupam lugares interessantes no Hot 100. É inevitável: o pop masculino romântico está ganhando cada vez mais espaço.

No Brasil, porém, a cena masculina ainda é embrionária. Enquanto as mulheres dominam o gênero, com Anitta liderando o bonde e abrindo o caminho para outras artistas surgirem já em um universo sedimentado, é difícil encontrar um artista masculino que se assuma totalmente pop. Os casos que existem são todos de migração: artistas que surgiram em outros gêneros e, inevitavelmente, acabam flertando com o estilo.

Jão surgiu para preencher essa lacuna. Ele faz parte do grupo de artistas independentes que fizeram sucesso na internet e, dessa forma, acabaram chamando a atenção das gravadoras. Com apenas 23 anos, ele acumula milhões de visualizações no YouTube e está no processo de produção de seu primeiro álbum, que será lançado no segundo semestre deste ano.

Billboard Brasil conversou com Jão sobre suas referências, o momento do pop no país e o que podemos esperar do seu primeiro disco:

O cenário do pop está crescendo no Brasil e agora estamos vendo artistas que, como você, já surgem no gênero em vez de migrarem para ele. Como é fazer parte desse momento?

Eu sempre gostei de pop. Fiquei assustado no início porque ele não pegava no Brasil. Não temos um expoente masculino no gênero, não tenho referências. É bom e ruim, porque posso vir a ocupar esse lugar vago. Agora já temos outros artistas se aproximando do estilo, interessando-se pela maneira como amarramos a música, o vídeo, o estilo. O que falta ao pop é a união que os outros gêneros têm, algo tão forte que tem até festival próprio. No momento, Anitta e Pabllo estão liderando a cena, mas, para mim, o Kevinho também está fazendo pop.

O pop sempre foi a sua primeira opção musical?

Cresci com muita referência do sertanejo, ouvia muito na infância. Mas isso de fazer pop não foi algo que eu cheguei a pensar, eu gostava muito do gênero, foi natural. O Brasil está encontrando sua fórmula, temos referência gringa, isso é inevitável, mas estamos fazendo um pop com sonoridade própria, buscamos coisas mais regionais.

Lá fora, esse pop masculino romântico está passando por uma ótima fase, com nomes fortes como Ed Sheeran, Shawn Mendes e Charlie Puth. Você acompanha a cena?

Gosto bastante dos três e acompanho. O Ed Sheeran já está super consolidado, né? O Shawn é uma referência bem grande, está encontrando o som dele. É legal ter perspectivas além do pop dançante, está em falta no Brasil.

Quais são as suas maiores referências musicais?

Gosto de dizer que vão de Marília Mendonça a Michael Jackson. Marília é muito visceral no palco, gosto da voz, da forma que ela compõe. Admiro Michael pelos clipes, pela inovação que trazia. O pop tem isso de pensar além da música, de costurar tudo. O Cazuza hoje seria considerado pop, também é uma referência pela forma como falava de assuntos complicados para plateias gigantes.

Nos seus clipes - e até no projeto acústico - podemos notar um cuidado com a questão estética. Como é a sua relação com a parte visual do seu trabalho?

Fiz faculdade de Publicidade... Na verdade, não terminei ainda [risos]. Mas nessa época eu era estagiário e fazia vídeos, gostava muito. Faz parte de quem eu sou, acho que a música vai além do som, o visual é muito importante.

No projeto acústico, você convidou músicos idosos para te acompanharem no clipe de “Imaturo”. Fale um pouco sobre essa ideia.

Inicialmente, ia fazer com crianças, mas essa ideia já tinha sido usada no clipe. Então fomos atrás de um contraste. Procuramos um coral, os avós dos amigos, pessoas que quisessem participar. Eles eram muito engraçados, ficavam fazendo selfies e conversando durante a gravação. Foi uma grande contribuição. 

Você está trabalhando no seu primeiro álbum, com previsão de lançamento para o segundo semestre. O que você pode adiantar?

Está sendo desafiador porque são muitas músicas para dar conta, mas estou curtindo muito o processo. Estava preocupado porque não conseguia visualizar o disco, mas compusemos mais algumas faixas e, agora que ouvi inteiro, gostei muito. É um pop bem meu, buscamos referências em lugares onde as pessoas não buscam.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Beijo de Varanda
Bruno & Marrone
2
Buá Buá
Naiara Azevedo
3
Contramão
Gustavo Mioto
4
Ausência
Marília Mendonça
5
Olha Ela Aí
Eduardo Costa
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

"Posso vir a ocupar esse lugar vago", diz Jão sobre pop masculino no Brasil

Cantor está em processo de produção do seu primeiro álbum, depois de acumular milhões de visualizações nos clipes de seus singles

por Rebecca Silva em 18/06/2018

Ed Sheeran teve a música mais tocada do ano passado. Shawn Mendes e Charlie Puth lançaram bons álbuns nos últimos meses e ocupam lugares interessantes no Hot 100. É inevitável: o pop masculino romântico está ganhando cada vez mais espaço.

No Brasil, porém, a cena masculina ainda é embrionária. Enquanto as mulheres dominam o gênero, com Anitta liderando o bonde e abrindo o caminho para outras artistas surgirem já em um universo sedimentado, é difícil encontrar um artista masculino que se assuma totalmente pop. Os casos que existem são todos de migração: artistas que surgiram em outros gêneros e, inevitavelmente, acabam flertando com o estilo.

Jão surgiu para preencher essa lacuna. Ele faz parte do grupo de artistas independentes que fizeram sucesso na internet e, dessa forma, acabaram chamando a atenção das gravadoras. Com apenas 23 anos, ele acumula milhões de visualizações no YouTube e está no processo de produção de seu primeiro álbum, que será lançado no segundo semestre deste ano.

Billboard Brasil conversou com Jão sobre suas referências, o momento do pop no país e o que podemos esperar do seu primeiro disco:

O cenário do pop está crescendo no Brasil e agora estamos vendo artistas que, como você, já surgem no gênero em vez de migrarem para ele. Como é fazer parte desse momento?

Eu sempre gostei de pop. Fiquei assustado no início porque ele não pegava no Brasil. Não temos um expoente masculino no gênero, não tenho referências. É bom e ruim, porque posso vir a ocupar esse lugar vago. Agora já temos outros artistas se aproximando do estilo, interessando-se pela maneira como amarramos a música, o vídeo, o estilo. O que falta ao pop é a união que os outros gêneros têm, algo tão forte que tem até festival próprio. No momento, Anitta e Pabllo estão liderando a cena, mas, para mim, o Kevinho também está fazendo pop.

O pop sempre foi a sua primeira opção musical?

Cresci com muita referência do sertanejo, ouvia muito na infância. Mas isso de fazer pop não foi algo que eu cheguei a pensar, eu gostava muito do gênero, foi natural. O Brasil está encontrando sua fórmula, temos referência gringa, isso é inevitável, mas estamos fazendo um pop com sonoridade própria, buscamos coisas mais regionais.

Lá fora, esse pop masculino romântico está passando por uma ótima fase, com nomes fortes como Ed Sheeran, Shawn Mendes e Charlie Puth. Você acompanha a cena?

Gosto bastante dos três e acompanho. O Ed Sheeran já está super consolidado, né? O Shawn é uma referência bem grande, está encontrando o som dele. É legal ter perspectivas além do pop dançante, está em falta no Brasil.

Quais são as suas maiores referências musicais?

Gosto de dizer que vão de Marília Mendonça a Michael Jackson. Marília é muito visceral no palco, gosto da voz, da forma que ela compõe. Admiro Michael pelos clipes, pela inovação que trazia. O pop tem isso de pensar além da música, de costurar tudo. O Cazuza hoje seria considerado pop, também é uma referência pela forma como falava de assuntos complicados para plateias gigantes.

Nos seus clipes - e até no projeto acústico - podemos notar um cuidado com a questão estética. Como é a sua relação com a parte visual do seu trabalho?

Fiz faculdade de Publicidade... Na verdade, não terminei ainda [risos]. Mas nessa época eu era estagiário e fazia vídeos, gostava muito. Faz parte de quem eu sou, acho que a música vai além do som, o visual é muito importante.

No projeto acústico, você convidou músicos idosos para te acompanharem no clipe de “Imaturo”. Fale um pouco sobre essa ideia.

Inicialmente, ia fazer com crianças, mas essa ideia já tinha sido usada no clipe. Então fomos atrás de um contraste. Procuramos um coral, os avós dos amigos, pessoas que quisessem participar. Eles eram muito engraçados, ficavam fazendo selfies e conversando durante a gravação. Foi uma grande contribuição. 

Você está trabalhando no seu primeiro álbum, com previsão de lançamento para o segundo semestre. O que você pode adiantar?

Está sendo desafiador porque são muitas músicas para dar conta, mas estou curtindo muito o processo. Estava preocupado porque não conseguia visualizar o disco, mas compusemos mais algumas faixas e, agora que ouvi inteiro, gostei muito. É um pop bem meu, buscamos referências em lugares onde as pessoas não buscam.