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Protocolar, Arctic Monkeys entusiasma, mas não surpreende

por em 15/11/2014
ong>Por Maurício Amendola Quem chegava à Arena Anhembi na noite de ontem recebia o aviso nada inocente dos vendedores das onipresentes capas de chuva: “vai chover pra c***lho hoje!”. Os milhares que confiaram na meteorologia dos ambulantes pareciam os zoltans, de Cara. Cadê Meu Carro?, quando o The Hives subiu ao palco sob quase imperceptíveis gotas. Como de costume, a banda sueca interagiu a todo instante com o público, com o vocalista Pelle Almqvist, legítimo showman, roubando a cena com berros e piadinhas. Os roqueiros de garagem são exemplo de carisma e humildade: quando a banda iniciou sua carreira, Alex Turner tinha apenas oito aninhos. E o Hives estava lá, arando o terreno com competência – e muito bicorde – para o Arctic Monkeys. Em “Hate To Say I Told You So”, última do setlist, os suecos foram recompensados com algumas tentativas de bate-cabeça espalhadas pelo público. Após a explosão escandinava, era a hora de chamar o Arctic Monkeys. Os britânicos de Sheffield precisam, urgentemente, arranjar um grito de guerra para o grupo. Sem saber o que clamar – ao que parece, o nome da banda é meio complexo para ecoar dignamente por grandes arenas –, o público se limitou a palmas ritmadas e chamados esparsos. Ainda assim, “Do I Wanna Know?” foi cantada de cabo a rabo por uma plateia entusiasmada que começava a retirar as desnecessárias capas de chuva. Depois de completar a tríade inicial com mais dois singles de AM, “Snap Out Of It” e “Arabella”, a banda entregou “Brianstorm” e um show de luzes tomou conta da Arena. arctic monkeys Em meio a berros de “lindo” e gritos histéricos femininos, Alex Turner – o Justin Bieber do indie rock– mostrou que o rolê pela Rua Augusta na noite anterior não afetou a voz, com “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair”. É impressionante o status de galã que o topetudo adquiriu. Havia garotas que, literalmente, sorriam apaixonadas olhando para o telão, enquanto o vocalista fazia caras e bocas. O visual rockabilly hipster inspirou inúmeros rapazes da plateia. Mas eles também vibraram com “Dancing Shoes”, ainda da época do Turner desleixado-espinhento do disco Whatever People Say I Am That What I’m Not (2006). “Teddy Picker” e “Crying Lighting” encorpavam o setlist até o show entrar na sequência morna de “No. 1 Party Anthem”, “Knee Socks”, “My Propeller” e “All My Own Stunts”. Naquele momento, ao olhar para os lados, era difícil dizer quem era fã fervoroso e quem era frequentador profissional de shows, tamanha a insipidez. Aliás, difícil dizer que uma apresentação do Arctic Monkeys contagie de imediato alguém que já não esteja convertido. Por sorte, o grupo recuperou a canção que o colocou no mapa: “I Bet You Look Good On The Dancefloor” espantou o sono dos presentes. A veia festiva, que talvez falte um pouco à fase pós-Josh Homme do Arctic Monkeys, apareceu com tudo na nostálgica “Fluorescent Adolescent”. Pulos e mãos para cima marcaram o ponto alto do show. Pelle Almqvist deve ter ficado orgulhoso no camarim. alex turner A bela “505” – com Turner provando, mais uma vez, que uma noite na Augusta nem sempre impede a labuta no dia seguinte – fechou o setlist antes de adentrarmos numa das esperas por bis menos inflamadas já vistas. A falta de um grito de guerra se fez presente novamente. Assistindo ao palco vazio, o público apenas aguardou a volta dos integrantes, sem nem sequer pedir por isso. “One For The Road” e “I Wanna Be Yours” deram início ao bis, quando foi ouvido o primeiro anseio mais caloroso do público: “Mardy Bum”.  Após alguns gritos, Turner perguntou “O que vocês disseram?” e tocou uma versão reduzidíssima, só com guitarra e voz, da canção do disco de estreia. Pelo visto, o cargo de compositor britânico que nega, sem a menor cerimônia, pedidos entusiasmados do público não pertence apenas a Noel Gallagher. “R U Mine” encerrou a apresentação sem grandes – ou nenhuma – surpresas. Até para a chuvinha sem vergonha, o pessoal estava preparado.  Coincidência ou não, assim que o grupo se despediu e as luzes se acenderam, o sistema de som tascou “With A Little Help From My Friends”, na voz de Joe Cocker, aquela conhecida pela apresentação mais que memorável no Woodstock, em 1969. Cocker insano sobre o palco... 45 anos depois, todo mundo ainda se lembra daquele show.
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Bruno & Marrone
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Buá Buá
Naiara Azevedo
3
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Gustavo Mioto
4
Ausência
Marília Mendonça
5
Olha Ela Aí
Eduardo Costa
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Protocolar, Arctic Monkeys entusiasma, mas não surpreende

por em 15/11/2014
ong>Por Maurício Amendola Quem chegava à Arena Anhembi na noite de ontem recebia o aviso nada inocente dos vendedores das onipresentes capas de chuva: “vai chover pra c***lho hoje!”. Os milhares que confiaram na meteorologia dos ambulantes pareciam os zoltans, de Cara. Cadê Meu Carro?, quando o The Hives subiu ao palco sob quase imperceptíveis gotas. Como de costume, a banda sueca interagiu a todo instante com o público, com o vocalista Pelle Almqvist, legítimo showman, roubando a cena com berros e piadinhas. Os roqueiros de garagem são exemplo de carisma e humildade: quando a banda iniciou sua carreira, Alex Turner tinha apenas oito aninhos. E o Hives estava lá, arando o terreno com competência – e muito bicorde – para o Arctic Monkeys. Em “Hate To Say I Told You So”, última do setlist, os suecos foram recompensados com algumas tentativas de bate-cabeça espalhadas pelo público. Após a explosão escandinava, era a hora de chamar o Arctic Monkeys. Os britânicos de Sheffield precisam, urgentemente, arranjar um grito de guerra para o grupo. Sem saber o que clamar – ao que parece, o nome da banda é meio complexo para ecoar dignamente por grandes arenas –, o público se limitou a palmas ritmadas e chamados esparsos. Ainda assim, “Do I Wanna Know?” foi cantada de cabo a rabo por uma plateia entusiasmada que começava a retirar as desnecessárias capas de chuva. Depois de completar a tríade inicial com mais dois singles de AM, “Snap Out Of It” e “Arabella”, a banda entregou “Brianstorm” e um show de luzes tomou conta da Arena. arctic monkeys Em meio a berros de “lindo” e gritos histéricos femininos, Alex Turner – o Justin Bieber do indie rock– mostrou que o rolê pela Rua Augusta na noite anterior não afetou a voz, com “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair”. É impressionante o status de galã que o topetudo adquiriu. Havia garotas que, literalmente, sorriam apaixonadas olhando para o telão, enquanto o vocalista fazia caras e bocas. O visual rockabilly hipster inspirou inúmeros rapazes da plateia. Mas eles também vibraram com “Dancing Shoes”, ainda da época do Turner desleixado-espinhento do disco Whatever People Say I Am That What I’m Not (2006). “Teddy Picker” e “Crying Lighting” encorpavam o setlist até o show entrar na sequência morna de “No. 1 Party Anthem”, “Knee Socks”, “My Propeller” e “All My Own Stunts”. Naquele momento, ao olhar para os lados, era difícil dizer quem era fã fervoroso e quem era frequentador profissional de shows, tamanha a insipidez. Aliás, difícil dizer que uma apresentação do Arctic Monkeys contagie de imediato alguém que já não esteja convertido. Por sorte, o grupo recuperou a canção que o colocou no mapa: “I Bet You Look Good On The Dancefloor” espantou o sono dos presentes. A veia festiva, que talvez falte um pouco à fase pós-Josh Homme do Arctic Monkeys, apareceu com tudo na nostálgica “Fluorescent Adolescent”. Pulos e mãos para cima marcaram o ponto alto do show. Pelle Almqvist deve ter ficado orgulhoso no camarim. alex turner A bela “505” – com Turner provando, mais uma vez, que uma noite na Augusta nem sempre impede a labuta no dia seguinte – fechou o setlist antes de adentrarmos numa das esperas por bis menos inflamadas já vistas. A falta de um grito de guerra se fez presente novamente. Assistindo ao palco vazio, o público apenas aguardou a volta dos integrantes, sem nem sequer pedir por isso. “One For The Road” e “I Wanna Be Yours” deram início ao bis, quando foi ouvido o primeiro anseio mais caloroso do público: “Mardy Bum”.  Após alguns gritos, Turner perguntou “O que vocês disseram?” e tocou uma versão reduzidíssima, só com guitarra e voz, da canção do disco de estreia. Pelo visto, o cargo de compositor britânico que nega, sem a menor cerimônia, pedidos entusiasmados do público não pertence apenas a Noel Gallagher. “R U Mine” encerrou a apresentação sem grandes – ou nenhuma – surpresas. Até para a chuvinha sem vergonha, o pessoal estava preparado.  Coincidência ou não, assim que o grupo se despediu e as luzes se acenderam, o sistema de som tascou “With A Little Help From My Friends”, na voz de Joe Cocker, aquela conhecida pela apresentação mais que memorável no Woodstock, em 1969. Cocker insano sobre o palco... 45 anos depois, todo mundo ainda se lembra daquele show.