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"Se não fosse pra chamar atenção, eu não seria artista", diz Anitta

Cantora aposta em dois lançamentos em frentes diferentes: o EP 'Solo' e a série da Netflix 'Vai, Anitta'

por Rebecca Silva em 13/11/2018

Depois das polêmicas envolvendo seu nome por causa de falta de posicionamento político – no caso do assassinato de Marielle Franco e, posteriormente, na campanha Ele Não – e do fim do casamento, Anitta está pronta para direcionar os holofotes para seus projetos e dispara aos críticos: "Se não fosse pra chamar atenção, eu não seria artista".

Neste fim de ano, a cantora decidiu emendar o lançamento de dois projetos: Solo, seu EP com três músicas, em português, inglês e espanhol na última sexta-feira (09/11), que, pela primeira vez em muito tempo, surge sem parcerias, nacionais ou internacionais, e a série documental Vai, Anitta, da Netflix, que chega à plataforma nesta sexta (16/11).

A produção para a Netflix, que foca nos bastidores da produção do projeto #CheckMate – o primeiro passo definitivo e, devemos dizer, assertivo para a carreira internacional da brasileira –, conta com episódios curtos, de 25 minutos, e tem a participação de familiares e amigos. Logo nos primeiros minutos do primeiro capítulo, o ex-marido Thiago Magalhães aparece, contando como o casal se conheceu. Anitta afirma que decidiu deixar tudo como foi gravado e editado inicialmente, sem tirar nenhum material por causa do que aconteceu entre a fase de pós-produção e o lançamento. “Não quis editar nada. Eu sou humana e todo mundo tem uma parte na vida que pode não ser bacana. Não estabeleci limite nenhum. Por mim, teria imagens até das minhas idas ao banheiro para fazer xixi.”

Anitta não esconde que tem esperança de fazer uma segunda temporada – e a menção desse fato repetidamente na coletiva de imprensa da Netflix leva a crer que os contratos já até foram assinados. “Estou muito esperançosa com uma segunda temporada porque a primeira é muito para apresentação. Queria muito que fosse meio termo entre reality show e documentário, divertido e sério. Tem um sabor de cada coisa. Há uma linha tênue entre se manter interessante e mostrar o bastante para que as pessoas queiram ver uma segunda temporada.”

Segundo a cantora, um dos assuntos que não foi tão aprofundado nesta primeira temporada foi a sua depressão. Anitta afirmou que, durante as filmagens, teve uma “recaída” e a produção precisou ficar paralisada por alguns meses até que ela se recuperasse. De olho na segunda temporada, mesmo após o fim das gravações oficiais, a cantora continuou com a equipe de filmagens que a acompanha em todos os lugares para produzir mais conteúdo.

Além da presença na coletiva de imprensa de Vai, Anitta, a Billboard Brasil conversou com exclusividade com a cantora sobre o seu novo EP, Solo:

Esta foi a primeira vez que você fez o evento de lançamento de um projeto fora do país. Como foi essa experiência?

Foi incrível! Eu sou muito negativa com essas coisas, sabe? Eu sempre acho que não vai aparecer ninguém [risos], mas todo mundo que estava em Miami foi! Fizemos o evento no bar do Pharrell Williams, que acabou de abrir na cidade. A ideia foi até dele. Fiquei muito feliz.

Falando no Pharrell, você tem trabalhado com nomes cada vez maiores em estúdio. Qual o peso de trabalhar com um produtor como ele? Rola um nervosismo maior?

Rola! Eu sempre falo para essas pessoas o quanto é uma honra estar ali, trabalhando com elas. Com o próprio Pharrell, eu não acreditava que estava ali, ficava respirando fundo e ele dizendo: “Que isso, por quê?”. E até hoje é assim! Tinha conversado com ele, combinei de ele publicar algo sobre o EP, ele disse que sim, mas agora que postou mesmo, parece surreal.

Você já gravou em inglês antes, no projeto #CheckMate, mas agora a sua visibilidade nos Estados Unidos já está maior. Como sempre lança com um planejamento específico, podemos dizer que “Goals” já é a sua aposta para o mercado norte-americano? Ou ainda é uma preparação do terreno?

Não. Todo esse trabalho que eu estou fazendo é de apresentação, tanto as faixas anteriores quanto “Goals”. É para que eu tenha um repertório para me apresentar. Estou pensando em algo mais conceitual. Com relação a músicas para realmente divulgar no mercado norte-americano, acho que só para o ano que vem. Muitas pessoas da indústria já conhecem meu nome, então preciso ter esse material para mostrar o meu trabalho para quando forem procurar sobre mim. A minha aposta deste EP é em “Veneno”, feita para um público latino que já conhece meu trabalho. “Downtown” chegou em 1º lugar, então é mais fácil de receberem o material.

Veneno” já poderia ter sido lançada, na época da disputa com “Medicina” e era a sua favorita. Se tivesse sido lançada naquela época, acha que hoje teria o EP Solo com “Medicina” no lugar?

Não! O EP surgiu justamente porque já tínhamos “Veneno” e quando eu gravei “Goals” eu percebi que elas tinham uma conexão, uma identidade. Daí pensei: “Bom, agora só falta uma em português”. “Medicina” não se encaixaria na temática desse EP, então com certeza não teria acontecido assim.

Você já conseguiu fazer com que o público brasileiro ouvisse músicas em espanhol. Agora, lançou um EP com três faixas potenciais em idiomas já ouvidos por aqui. Como espera que será a resposta por aqui ao lançamento de três singles de uma vez?

Estou muito feliz de ver o pessoal do Brasil ouvindo as três e curtindo as três. Inicialmente vamos divulgar “Não Perco Meu Tempo” por ser em português.

Sobre os clipes, queria perguntar sobre o de “Não Perco Meu Tempo”, que é o mais diferente do que você já fez até hoje. Você tinha dito que a inspiração era em uma obra da Marina Abramovic. Conta um pouco mais sobre isso.

Eu tinha visto essa exposição em que ela senta e fica encarando as pessoas. Gostei muito e já queria incluir isso em algum trabalho há algum tempo. A questão dos beijos, que eu quis incluir, é porque eu acho que é algo que o país precisa nesse momento. Estão problematizando muito tudo. Queria mostrar que é uma coisa normal um beijo entre pessoas diferentes, de idades diferentes, mulher com mulher, mulher com trans. Não precisa passar, ver na rua e ficar espantado. Estão falando sobre a quantidade dos beijos, dizendo que é pra chamar atenção. É claro. Se não fosse pra chamar atenção, eu não seria artista.

Você está conseguindo levar o nome do Brasil pra fora e trilhar caminhos que não vimos nenhum outro artista trilhar nos últimos anos. Como é liderar essa potencial cena musical brasileira lá fora?

Já estou fazendo algumas conexões, juntando pessoas para parcerias. O pessoal de fora ainda não percebeu o potencial que o Brasil tem, de talento, de números. Eu estou fazendo a minha parte, mas não consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Eu me desdobro em mil, tento fazer o máximo, mas não vou conseguir sozinha - e nem quero. É importante ter outros brasileiros ao meu lado para mostrar nosso potencial. Sempre que estou com os latinos mostro o funk, tento mostrar o Brasil. Já sou muito realizada por ser conhecida fora do país, por conseguir levar um pouco do funk. Apresentei o gênero ao DJ Khaled e ele adorou. Cada vez que isso acontece, eu fico muito feliz.

Você sempre está pensando muito à frente... Hoje, com o lançamento de Solo, o que você já está arquitetando? Dá pra adiantar os planos pra 2019?

Já estou pensando em quatro, cinco meses na frente. Já temos muito material pronto. Por enquanto, só posso falar isso [risos].

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Cantora aposta em dois lançamentos em frentes diferentes: o EP 'Solo' e a série da Netflix 'Vai, Anitta'

por Rebecca Silva em 13/11/2018

Depois das polêmicas envolvendo seu nome por causa de falta de posicionamento político – no caso do assassinato de Marielle Franco e, posteriormente, na campanha Ele Não – e do fim do casamento, Anitta está pronta para direcionar os holofotes para seus projetos e dispara aos críticos: "Se não fosse pra chamar atenção, eu não seria artista".

Neste fim de ano, a cantora decidiu emendar o lançamento de dois projetos: Solo, seu EP com três músicas, em português, inglês e espanhol na última sexta-feira (09/11), que, pela primeira vez em muito tempo, surge sem parcerias, nacionais ou internacionais, e a série documental Vai, Anitta, da Netflix, que chega à plataforma nesta sexta (16/11).

A produção para a Netflix, que foca nos bastidores da produção do projeto #CheckMate – o primeiro passo definitivo e, devemos dizer, assertivo para a carreira internacional da brasileira –, conta com episódios curtos, de 25 minutos, e tem a participação de familiares e amigos. Logo nos primeiros minutos do primeiro capítulo, o ex-marido Thiago Magalhães aparece, contando como o casal se conheceu. Anitta afirma que decidiu deixar tudo como foi gravado e editado inicialmente, sem tirar nenhum material por causa do que aconteceu entre a fase de pós-produção e o lançamento. “Não quis editar nada. Eu sou humana e todo mundo tem uma parte na vida que pode não ser bacana. Não estabeleci limite nenhum. Por mim, teria imagens até das minhas idas ao banheiro para fazer xixi.”

Anitta não esconde que tem esperança de fazer uma segunda temporada – e a menção desse fato repetidamente na coletiva de imprensa da Netflix leva a crer que os contratos já até foram assinados. “Estou muito esperançosa com uma segunda temporada porque a primeira é muito para apresentação. Queria muito que fosse meio termo entre reality show e documentário, divertido e sério. Tem um sabor de cada coisa. Há uma linha tênue entre se manter interessante e mostrar o bastante para que as pessoas queiram ver uma segunda temporada.”

Segundo a cantora, um dos assuntos que não foi tão aprofundado nesta primeira temporada foi a sua depressão. Anitta afirmou que, durante as filmagens, teve uma “recaída” e a produção precisou ficar paralisada por alguns meses até que ela se recuperasse. De olho na segunda temporada, mesmo após o fim das gravações oficiais, a cantora continuou com a equipe de filmagens que a acompanha em todos os lugares para produzir mais conteúdo.

Além da presença na coletiva de imprensa de Vai, Anitta, a Billboard Brasil conversou com exclusividade com a cantora sobre o seu novo EP, Solo:

Esta foi a primeira vez que você fez o evento de lançamento de um projeto fora do país. Como foi essa experiência?

Foi incrível! Eu sou muito negativa com essas coisas, sabe? Eu sempre acho que não vai aparecer ninguém [risos], mas todo mundo que estava em Miami foi! Fizemos o evento no bar do Pharrell Williams, que acabou de abrir na cidade. A ideia foi até dele. Fiquei muito feliz.

Falando no Pharrell, você tem trabalhado com nomes cada vez maiores em estúdio. Qual o peso de trabalhar com um produtor como ele? Rola um nervosismo maior?

Rola! Eu sempre falo para essas pessoas o quanto é uma honra estar ali, trabalhando com elas. Com o próprio Pharrell, eu não acreditava que estava ali, ficava respirando fundo e ele dizendo: “Que isso, por quê?”. E até hoje é assim! Tinha conversado com ele, combinei de ele publicar algo sobre o EP, ele disse que sim, mas agora que postou mesmo, parece surreal.

Você já gravou em inglês antes, no projeto #CheckMate, mas agora a sua visibilidade nos Estados Unidos já está maior. Como sempre lança com um planejamento específico, podemos dizer que “Goals” já é a sua aposta para o mercado norte-americano? Ou ainda é uma preparação do terreno?

Não. Todo esse trabalho que eu estou fazendo é de apresentação, tanto as faixas anteriores quanto “Goals”. É para que eu tenha um repertório para me apresentar. Estou pensando em algo mais conceitual. Com relação a músicas para realmente divulgar no mercado norte-americano, acho que só para o ano que vem. Muitas pessoas da indústria já conhecem meu nome, então preciso ter esse material para mostrar o meu trabalho para quando forem procurar sobre mim. A minha aposta deste EP é em “Veneno”, feita para um público latino que já conhece meu trabalho. “Downtown” chegou em 1º lugar, então é mais fácil de receberem o material.

Veneno” já poderia ter sido lançada, na época da disputa com “Medicina” e era a sua favorita. Se tivesse sido lançada naquela época, acha que hoje teria o EP Solo com “Medicina” no lugar?

Não! O EP surgiu justamente porque já tínhamos “Veneno” e quando eu gravei “Goals” eu percebi que elas tinham uma conexão, uma identidade. Daí pensei: “Bom, agora só falta uma em português”. “Medicina” não se encaixaria na temática desse EP, então com certeza não teria acontecido assim.

Você já conseguiu fazer com que o público brasileiro ouvisse músicas em espanhol. Agora, lançou um EP com três faixas potenciais em idiomas já ouvidos por aqui. Como espera que será a resposta por aqui ao lançamento de três singles de uma vez?

Estou muito feliz de ver o pessoal do Brasil ouvindo as três e curtindo as três. Inicialmente vamos divulgar “Não Perco Meu Tempo” por ser em português.

Sobre os clipes, queria perguntar sobre o de “Não Perco Meu Tempo”, que é o mais diferente do que você já fez até hoje. Você tinha dito que a inspiração era em uma obra da Marina Abramovic. Conta um pouco mais sobre isso.

Eu tinha visto essa exposição em que ela senta e fica encarando as pessoas. Gostei muito e já queria incluir isso em algum trabalho há algum tempo. A questão dos beijos, que eu quis incluir, é porque eu acho que é algo que o país precisa nesse momento. Estão problematizando muito tudo. Queria mostrar que é uma coisa normal um beijo entre pessoas diferentes, de idades diferentes, mulher com mulher, mulher com trans. Não precisa passar, ver na rua e ficar espantado. Estão falando sobre a quantidade dos beijos, dizendo que é pra chamar atenção. É claro. Se não fosse pra chamar atenção, eu não seria artista.

Você está conseguindo levar o nome do Brasil pra fora e trilhar caminhos que não vimos nenhum outro artista trilhar nos últimos anos. Como é liderar essa potencial cena musical brasileira lá fora?

Já estou fazendo algumas conexões, juntando pessoas para parcerias. O pessoal de fora ainda não percebeu o potencial que o Brasil tem, de talento, de números. Eu estou fazendo a minha parte, mas não consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Eu me desdobro em mil, tento fazer o máximo, mas não vou conseguir sozinha - e nem quero. É importante ter outros brasileiros ao meu lado para mostrar nosso potencial. Sempre que estou com os latinos mostro o funk, tento mostrar o Brasil. Já sou muito realizada por ser conhecida fora do país, por conseguir levar um pouco do funk. Apresentei o gênero ao DJ Khaled e ele adorou. Cada vez que isso acontece, eu fico muito feliz.

Você sempre está pensando muito à frente... Hoje, com o lançamento de Solo, o que você já está arquitetando? Dá pra adiantar os planos pra 2019?

Já estou pensando em quatro, cinco meses na frente. Já temos muito material pronto. Por enquanto, só posso falar isso [risos].