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#SetembroAmarelo FTampa: “Se eu consegui, qualquer um pode”

Produtor confessou que quando conquistou tudo, inclusive a chance de se apresentar no Tomorrowland da Bélgica, estava no fundo do poço

por Rebecca Silva em 28/09/2018

Já ouviu falar em Setembro Amarelo? A iniciativa, criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), procura abrir espaço para promover discussões sobre o suicídio, de forma a alertar a população e quebrar tabus sobre o assunto.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a terceira causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos.

Billboard Brasil decidiu embarcar nesse desafio e pediu para artistas de diferentes gêneros musicais para abrirem o coração e escreverem cartas aos seus fãs. Ao longo desta semana, você poderá ler aqui no site as cartas de treze artistas brasileiros.

O DJ e produtor FTampa abriu o jogo em sua carta. Nela, revelou que quando conquistou seus sonhos, tinha dinheiro e fama, nome confirmado no line-up do Tomorrowland da Bélgica, percebeu que estava no fundo do poço. Sentia um vazio tão profundo que não queria mais trabalhar. Com a ajuda de familiares e amigos, deu a volta por cima.

“Eu já estive lá e já perdi um amigo para a depressão.

Eu não costumava dar muita atenção para o tema, depressão. Para mim parecia que era para chamar a atenção. Mas, de repente, quando eu menos esperei, lá estava eu no fundo do poço. Eu estava com mais dinheiro e fama do que podia imaginar, morando em Los Angeles, confirmado no palco do Tomorrowland na Bélgica, para ser o primeiro brasileiro da história a conquistar esse feito, todos os meus sonhos se tornando realidade. Como pode uma coisa assim acontecer? Será por causa da minha infância difícil? Porque perdi meus pais ainda muito jovem? Poderia ser qualquer outro problema bobo? Não existe resposta para isso... simplesmente acontece. Às vezes é muito solitário ser um artista. Muitas vezes você é a sua única companhia e a única pessoa que dá para confiar. É muito fácil se frustrar quando as coisas dão errado. Mas eu percebi que isso acontece com todas as pessoas no mundo, independentemente da profissão. Essa foi a pior fase da minha vida.

Eu tinha uma família, namorada e alguns amigos que me ajudaram (porque eu nunca contei isso para a maioria). Eu estava a ponto de desistir de tudo e eles me ajudaram a levantar e procurar tratamento. Eu estava sofrendo pensando em como terminar com isso tudo sem ao menos entender como isso começou. Não tinha alegria com nada. Não queria mais fazer shows e nem produzir. Não tinha vontade de chorar e não estava triste. Só estava vazio. Completamente vazio.

Agora estou bem de novo. Me sinto feliz e grato por tudo que tenho e com muita energia para lutar pelos meus sonhos para que isso nunca mais volte. A cura vai muito além da medicina, está dentro de cada um de nós. Se eu consegui, qualquer um pode! Mas você tem que segurar a barra e lutar com todas as suas forças. É difícil acreditar que isso vai melhorar quando você só consegue ver os problemas, mas você precisa ver de um outro ângulo e contar com as pessoas que estão perto de você. Eu jamais teria conseguido sem eles e sem um tratamento.

Seja forte em tudo que você fizer e se algum dia a vida perder o propósito, procure ajuda. A vida é feita para ser vivida com amor e alegria e tenho certeza que tem muita gente ao seu redor que se importa com você (mesmo que você acredite que não). Essa é a minha carta para todos que podem estar passando por esse momento difícil na vida e meu tributo aos amigos que perdi para essa doença.

Nunca desista. Procure Ajuda. Se levante. Seja feliz.”

E não se esqueça: Se você precisar de apoio emocional, o CVV atende gratuitamente todas as pessoas que precisam conversar (de forma anônima), prestando um serviço de prevenção ao suicídio, por telefone (188), e-mail e chat. Veja mais informações no site: https://www.cvv.org.br/

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#SetembroAmarelo FTampa: “Se eu consegui, qualquer um pode”

Produtor confessou que quando conquistou tudo, inclusive a chance de se apresentar no Tomorrowland da Bélgica, estava no fundo do poço

por Rebecca Silva em 28/09/2018

Já ouviu falar em Setembro Amarelo? A iniciativa, criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), procura abrir espaço para promover discussões sobre o suicídio, de forma a alertar a população e quebrar tabus sobre o assunto.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a terceira causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos.

Billboard Brasil decidiu embarcar nesse desafio e pediu para artistas de diferentes gêneros musicais para abrirem o coração e escreverem cartas aos seus fãs. Ao longo desta semana, você poderá ler aqui no site as cartas de treze artistas brasileiros.

O DJ e produtor FTampa abriu o jogo em sua carta. Nela, revelou que quando conquistou seus sonhos, tinha dinheiro e fama, nome confirmado no line-up do Tomorrowland da Bélgica, percebeu que estava no fundo do poço. Sentia um vazio tão profundo que não queria mais trabalhar. Com a ajuda de familiares e amigos, deu a volta por cima.

“Eu já estive lá e já perdi um amigo para a depressão.

Eu não costumava dar muita atenção para o tema, depressão. Para mim parecia que era para chamar a atenção. Mas, de repente, quando eu menos esperei, lá estava eu no fundo do poço. Eu estava com mais dinheiro e fama do que podia imaginar, morando em Los Angeles, confirmado no palco do Tomorrowland na Bélgica, para ser o primeiro brasileiro da história a conquistar esse feito, todos os meus sonhos se tornando realidade. Como pode uma coisa assim acontecer? Será por causa da minha infância difícil? Porque perdi meus pais ainda muito jovem? Poderia ser qualquer outro problema bobo? Não existe resposta para isso... simplesmente acontece. Às vezes é muito solitário ser um artista. Muitas vezes você é a sua única companhia e a única pessoa que dá para confiar. É muito fácil se frustrar quando as coisas dão errado. Mas eu percebi que isso acontece com todas as pessoas no mundo, independentemente da profissão. Essa foi a pior fase da minha vida.

Eu tinha uma família, namorada e alguns amigos que me ajudaram (porque eu nunca contei isso para a maioria). Eu estava a ponto de desistir de tudo e eles me ajudaram a levantar e procurar tratamento. Eu estava sofrendo pensando em como terminar com isso tudo sem ao menos entender como isso começou. Não tinha alegria com nada. Não queria mais fazer shows e nem produzir. Não tinha vontade de chorar e não estava triste. Só estava vazio. Completamente vazio.

Agora estou bem de novo. Me sinto feliz e grato por tudo que tenho e com muita energia para lutar pelos meus sonhos para que isso nunca mais volte. A cura vai muito além da medicina, está dentro de cada um de nós. Se eu consegui, qualquer um pode! Mas você tem que segurar a barra e lutar com todas as suas forças. É difícil acreditar que isso vai melhorar quando você só consegue ver os problemas, mas você precisa ver de um outro ângulo e contar com as pessoas que estão perto de você. Eu jamais teria conseguido sem eles e sem um tratamento.

Seja forte em tudo que você fizer e se algum dia a vida perder o propósito, procure ajuda. A vida é feita para ser vivida com amor e alegria e tenho certeza que tem muita gente ao seu redor que se importa com você (mesmo que você acredite que não). Essa é a minha carta para todos que podem estar passando por esse momento difícil na vida e meu tributo aos amigos que perdi para essa doença.

Nunca desista. Procure Ajuda. Se levante. Seja feliz.”

E não se esqueça: Se você precisar de apoio emocional, o CVV atende gratuitamente todas as pessoas que precisam conversar (de forma anônima), prestando um serviço de prevenção ao suicídio, por telefone (188), e-mail e chat. Veja mais informações no site: https://www.cvv.org.br/