NOTÍCIAS

“Só quero ser força e alívio pra galera”, diz Karol Conka sobre novo trabalho

Artista acaba de lançar o álbum 'Ambulante', no qual canta sobre feminismo, diversidade, independência e rótulos

por Rebecca Silva em 09/11/2018

Cinco anos após o lançamento de Batuk Freak, inúmeros contratos como garota propaganda, um trabalho como apresentadora de televisão e muita vivência, Karol Conka está oficialmente de volta com o disco Ambulante e o discurso inflamado que lhe é peculiar.

O álbum, lançado nesta quinta-feira (08/11), mostra novas facetas da artista, com menos rap – mas sem deixar de apontar o dedo e tocar na ferida, como é esperado da artista – e mais faixas cantadas, pautadas em feminismo e libertação sexual feminina, negritude e desigualdade, diversidade, liberdade, independência e fim dos rótulos.

Sob a tutela de Boss In Drama, produtor com quem mantém amizade há anos, Karol presenteia os fãs com dez faixas que trazem uma mescla de sonoridades. No seu tempo, apesar da cobrança insistente do público, criou na sala de casa um projeto que mostra o porquê de se sentir “ambulante”: ela demonstra como transita entre os espaços e suas possíveis limitações sejam eles meramente físicos, gêneros musicais ou estruturas da sociedade.

Billboard Brasil conversou com Karol Conka sobre o processo criativo de Ambulante e suas nuances, representatividade e o momento político no país:

O público esperou muito pelo lançamento deste álbum. Como é finalmente estar lançando este projeto?

Uma sensação de alívio e dever cumprido, porque eu também não aguentava mais essa espera [risos]. Estou bastante ansiosa, com a expectativa lá em cima, louca para ver a opinião deles.

Fala um pouquinho sobre a escolha do título do disco.

O nome veio primeiro, veio antes de todo o álbum. É inspirado em mim mesma, tenho essa facilidade de transitar nos lugares, levando mensagem, experiência, sendo livre do jeito que sou. As músicas nasceram de forma natural. Levei quatro meses na produção nesse ano, junto com o Boss In Drama. Foi super tranquilo e o disco transita por vários estilos porque gravávamos de acordo com o meu humor no dia.

O disco marca essa sua parceria com o Boss In Drama. Fale um pouco sobre a troca criativa entre vocês e as ideias para a produção.

Ele é uma figura maravilhosa. É meu amigo há cinco, seis anos, temos uma ligação muito forte e pessoal. Quando eu vi que estava na dificuldade de ter tempo e afinidade com produtores, fui conversar com ele, que é um dos meus melhores amigos, e ele perguntou o que eu precisava. Disse que precisava de alguém que tivesse tempo só para mim. Ele desmarcou tudo e se dedicou ao meu projeto. Trouxe uma sonoridade fresca e dentro do que eu queria. Não buscou referência em outros artistas, tudo veio de dentro, de conversas na minha sala de casa, baseado na minha experiência, no meu humor, no meu estilo. Por isso tem essa mescla de sonoridades. Tudo era produzido na hora comigo. Eu vi tudo nascer. É incrível, orgânico. A gente chega a um ponto da carreira em que é cobrado em tudo, até sobre com quem vai fazer o disco, em qual estúdio. O que eu precisava não era o melhor estúdio ou ir pra fora do Brasil. Eu precisava ir pra dentro da minha casa, com meu amigo e ter a contribuição do carinho dos fãs.

imagem_release_1498844
Divulgação/Carlos Sales

Conversei com você em março, no Women’s Music Event, e você comentou algumas coisas sobre o disco. Disse que não falaria abertamente sobre feminismo e racismo porque não é só sobre isso que uma mulher negra pode falar. Agora, ouvindo o disco, fica muito claro esse posicionamento. Como chegou nessa abordagem?

Eu sempre me baseio no meu jeito, do que gosto e não gosto. Não gosto de mesmice e de coisas clichês. Se tem algo quase virando um clichê, dou um jeito de inovar e falar daquele tema de outra forma para mostrar que tem um mundo bem amplo. As pessoas param no feminismo, acham que é só uma coisa, mas vai muito além. Também tem a ver com saudade, vontades, independência. É um tema muito comum nas minhas músicas, então é lógico que vou falar sobre feminismo e que sou negra, já está em mim. Já está na minha arte antes de saber da existência dos termos.

O disco conta com um mix de sonoridades e em muitas faixas você mais canta do que faz rap. Sempre a chamaram de rapper, mas no próprio primeiro single, “Kaça”, você já frisa que não gosta de rótulos. Como é isso pra você?

Eu sempre me senti incomodada com o rótulo, sempre tem aquela necessidade de falar de qual o estilo a pessoa faz parte. Eu não me encaixo, não sinto que me encaixo 100% em tudo. Me sinto um ser estranho. Quando me rotulam como rapper, eu posso virar a esquina e cantar jazz. Se tiver que me dar um rótulo, prefiro ser artista, que engloba tudo. Não só canto, mas produzo, participo da arte – a capa do disco é uma obra de arte e foi escolhida só por mim. Gosto desse mundo mais místico, esquisito no bom sentido [risos].

Em algumas músicas, você fala sobre sexo e, principalmente, sobre dominação na cama. Ainda há muito tabu no fato de as mulheres falarem sobre isso e de se expressarem sexualmente. Como é tratar desse tema na música?

Para mim é natural. No meu dia a dia eu abordo esses assuntos com os meus amigos naturalmente, até de forma informativa. É importante. Eu penso: todo mundo faz sexo. Todo adulto já entrou em site pornô pelo menos uma vez. O sexo faz parte da vida de todo mundo. Por que falar dele causa tanto espanto? A falta desse tipo de assunto abordado de forma natural cria um tabu maior ainda. É uma hipocrisia. “Dominatrix” fala sobre o prazer da pessoa ser dominada pela outra no sentido bom, tranquilo. Um fetiche sexual que é algo que também parece um mundo obscuro, intocado, mas todo mundo comete pecados bem piores. É uma música provocativa, pra pensar sobre filosofia sexual, e também é uma forma de dar poder às mulheres, dizer que eles também gostam de ser dominados.

imagem_release_1498841

Fale um pouco sobre o aspecto visual desse projeto, tanto do primeiro clipe que já vimos – do single “Kaça” - quanto da própria capa do disco.

Foi tudo Alma Negrot [diretor de arte] quem fez. O trabalho dele é de emocionar, fez com muito carinho. Estavam só ele e o fotógrafo, na casa do próprio fotógrafo. Ele se inspirou nas minhas músicas, ouviu bastante o álbum antes de fazer a foto. O resultado ficou a cara do álbum – ao mesmo tempo que tem as cores, tem a força, tem uma acidez e uma doçura. Estou bem feliz com esse resultado. A imagem é algo que eu trabalho bastante, tenho capricho com isso. Como eu me considero artista, não teria graça fazer só música, tenho que ser uma arte ambulante [risos].

Alguma possibilidade de apresentar essa identidade visual e o álbum receber vários clipes?

Tenho desejo e pretensão de lançar clipe para todas as faixas sim!

Como parte de uma minoria e sendo uma mulher de voz ativa, que se posiciona, que fala sobre diversidade, o que espera para o Brasil em 2019? Como é lançar um álbum nesse momento?

Sou uma pessoa muito positiva e muito intensa. Quando eu percebo que rola uma situação de desgaste, decepção, eu procuro me nutrir de forças e ser força para as pessoas. Já que eu sou essa pessoa-arte, eu preciso me conectar com o divino pra ser válvula de escape para as pessoas. Esse disco vem numa hora necessária de falarmos sobre outras coisas, mesmo sendo impossível, mas é bom ter equilíbrio. É momento de força, de reconhecimento de ambas as partes. É hora de cobrança, de ficar atento e não temer. O medo atrai o desnecessário. Temos que pegar energia e tratar como estratégia de força e não com medo. O poder está na nossa mão, na mão da arte, do público. O povo mostra a necessidade dele, diz o que precisa. Eu só quero ser força e alívio pra galera. Eu gosto de fazer o papel de luz na vida das pessoas.

Li uma entrevista em que você diz que não quer ser chamada de empoderada, mas sim de poderosa. Como diferencia?

Sim! Uma pessoa empoderada recebeu o poder. Eu já nasci poderosa, já nasci em 1º de janeiro [risos]. A minha música é empoderada, eu dou poder à minha arte. Quem me ensinou isso foi a Glória Maria. Achei isso incrível e passo adiante. O significado das palavras se perde às vezes, é importante saber o que realmente significam. Quando você chama alguém de empoderada, tira o poder dela.

No disco, você também diz que escreve pra cicatrizar feridas. Como é essa questão da representatividade pra você? De ocupar esse espaço e dar voz a tantos outros? Recebe muita mensagem de fã?

A minha mãe estava aqui em casa esses dias contando aos meus amigos que desde pequena eu sou muito dada, simpática, de querer abraçar todo mundo. Com o tempo, depois da fama, tive que dosar isso e foi muito triste pra mim, tive que saber a hora das coisas. Fico feliz de colaborar com as pessoas, abrir a mente delas. Estou sempre rodeada de fãs maravilhosos que me falam o que não foi legal, o que eu fiz que eles não gostaram, seja um look ou uma atitude. São pessoas queridas, que gostam de mim. Não chamo de crítica, chamo de observação. Como eu gosto muito de trabalhar em equipe, gosto de ouvir as pessoas, avalio as opiniões. Eu tenho uma conexão legal com meus fãs, somos amigos.

Você recentemente participou da iniciativa do Spotify “Escuta as Minas”, com outras artistas mulheres. Como foi fazer parte desse time? Pensa em fazer parcerias com alguma mulher em breve?

Foi incrível, a mulherada não parava de falar e dar risada, uma elogiando a outra, foi uma loucura. É um privilégio participar de um projeto desse, tão grande e inspirador. Outras meninas que cantam, fazem arte, se sentem motivadas a continuar. Quando temos referência, nos sentimos mais fortes. Sou muita grata por ter feito parte. E penso muito em fazer parceria com várias mulheres. Pitty, Elza Soares, Rihanna! Eu imagino e passo até mal [risos].

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Zé da Recaída
Gusttavo Lima
2
Só Pra Castigar
Wesley Safadão
3
Sofázinho (Part. Jorge & Mateus)
Luan Santana
4
Atrasadinha (Part. Ferrugem)
Felipe Araújo
5
Notificação Preferida
Zé Neto & Cristiano
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

“Só quero ser força e alívio pra galera”, diz Karol Conka sobre novo trabalho

Artista acaba de lançar o álbum 'Ambulante', no qual canta sobre feminismo, diversidade, independência e rótulos

por Rebecca Silva em 09/11/2018

Cinco anos após o lançamento de Batuk Freak, inúmeros contratos como garota propaganda, um trabalho como apresentadora de televisão e muita vivência, Karol Conka está oficialmente de volta com o disco Ambulante e o discurso inflamado que lhe é peculiar.

O álbum, lançado nesta quinta-feira (08/11), mostra novas facetas da artista, com menos rap – mas sem deixar de apontar o dedo e tocar na ferida, como é esperado da artista – e mais faixas cantadas, pautadas em feminismo e libertação sexual feminina, negritude e desigualdade, diversidade, liberdade, independência e fim dos rótulos.

Sob a tutela de Boss In Drama, produtor com quem mantém amizade há anos, Karol presenteia os fãs com dez faixas que trazem uma mescla de sonoridades. No seu tempo, apesar da cobrança insistente do público, criou na sala de casa um projeto que mostra o porquê de se sentir “ambulante”: ela demonstra como transita entre os espaços e suas possíveis limitações sejam eles meramente físicos, gêneros musicais ou estruturas da sociedade.

Billboard Brasil conversou com Karol Conka sobre o processo criativo de Ambulante e suas nuances, representatividade e o momento político no país:

O público esperou muito pelo lançamento deste álbum. Como é finalmente estar lançando este projeto?

Uma sensação de alívio e dever cumprido, porque eu também não aguentava mais essa espera [risos]. Estou bastante ansiosa, com a expectativa lá em cima, louca para ver a opinião deles.

Fala um pouquinho sobre a escolha do título do disco.

O nome veio primeiro, veio antes de todo o álbum. É inspirado em mim mesma, tenho essa facilidade de transitar nos lugares, levando mensagem, experiência, sendo livre do jeito que sou. As músicas nasceram de forma natural. Levei quatro meses na produção nesse ano, junto com o Boss In Drama. Foi super tranquilo e o disco transita por vários estilos porque gravávamos de acordo com o meu humor no dia.

O disco marca essa sua parceria com o Boss In Drama. Fale um pouco sobre a troca criativa entre vocês e as ideias para a produção.

Ele é uma figura maravilhosa. É meu amigo há cinco, seis anos, temos uma ligação muito forte e pessoal. Quando eu vi que estava na dificuldade de ter tempo e afinidade com produtores, fui conversar com ele, que é um dos meus melhores amigos, e ele perguntou o que eu precisava. Disse que precisava de alguém que tivesse tempo só para mim. Ele desmarcou tudo e se dedicou ao meu projeto. Trouxe uma sonoridade fresca e dentro do que eu queria. Não buscou referência em outros artistas, tudo veio de dentro, de conversas na minha sala de casa, baseado na minha experiência, no meu humor, no meu estilo. Por isso tem essa mescla de sonoridades. Tudo era produzido na hora comigo. Eu vi tudo nascer. É incrível, orgânico. A gente chega a um ponto da carreira em que é cobrado em tudo, até sobre com quem vai fazer o disco, em qual estúdio. O que eu precisava não era o melhor estúdio ou ir pra fora do Brasil. Eu precisava ir pra dentro da minha casa, com meu amigo e ter a contribuição do carinho dos fãs.

imagem_release_1498844
Divulgação/Carlos Sales

Conversei com você em março, no Women’s Music Event, e você comentou algumas coisas sobre o disco. Disse que não falaria abertamente sobre feminismo e racismo porque não é só sobre isso que uma mulher negra pode falar. Agora, ouvindo o disco, fica muito claro esse posicionamento. Como chegou nessa abordagem?

Eu sempre me baseio no meu jeito, do que gosto e não gosto. Não gosto de mesmice e de coisas clichês. Se tem algo quase virando um clichê, dou um jeito de inovar e falar daquele tema de outra forma para mostrar que tem um mundo bem amplo. As pessoas param no feminismo, acham que é só uma coisa, mas vai muito além. Também tem a ver com saudade, vontades, independência. É um tema muito comum nas minhas músicas, então é lógico que vou falar sobre feminismo e que sou negra, já está em mim. Já está na minha arte antes de saber da existência dos termos.

O disco conta com um mix de sonoridades e em muitas faixas você mais canta do que faz rap. Sempre a chamaram de rapper, mas no próprio primeiro single, “Kaça”, você já frisa que não gosta de rótulos. Como é isso pra você?

Eu sempre me senti incomodada com o rótulo, sempre tem aquela necessidade de falar de qual o estilo a pessoa faz parte. Eu não me encaixo, não sinto que me encaixo 100% em tudo. Me sinto um ser estranho. Quando me rotulam como rapper, eu posso virar a esquina e cantar jazz. Se tiver que me dar um rótulo, prefiro ser artista, que engloba tudo. Não só canto, mas produzo, participo da arte – a capa do disco é uma obra de arte e foi escolhida só por mim. Gosto desse mundo mais místico, esquisito no bom sentido [risos].

Em algumas músicas, você fala sobre sexo e, principalmente, sobre dominação na cama. Ainda há muito tabu no fato de as mulheres falarem sobre isso e de se expressarem sexualmente. Como é tratar desse tema na música?

Para mim é natural. No meu dia a dia eu abordo esses assuntos com os meus amigos naturalmente, até de forma informativa. É importante. Eu penso: todo mundo faz sexo. Todo adulto já entrou em site pornô pelo menos uma vez. O sexo faz parte da vida de todo mundo. Por que falar dele causa tanto espanto? A falta desse tipo de assunto abordado de forma natural cria um tabu maior ainda. É uma hipocrisia. “Dominatrix” fala sobre o prazer da pessoa ser dominada pela outra no sentido bom, tranquilo. Um fetiche sexual que é algo que também parece um mundo obscuro, intocado, mas todo mundo comete pecados bem piores. É uma música provocativa, pra pensar sobre filosofia sexual, e também é uma forma de dar poder às mulheres, dizer que eles também gostam de ser dominados.

imagem_release_1498841

Fale um pouco sobre o aspecto visual desse projeto, tanto do primeiro clipe que já vimos – do single “Kaça” - quanto da própria capa do disco.

Foi tudo Alma Negrot [diretor de arte] quem fez. O trabalho dele é de emocionar, fez com muito carinho. Estavam só ele e o fotógrafo, na casa do próprio fotógrafo. Ele se inspirou nas minhas músicas, ouviu bastante o álbum antes de fazer a foto. O resultado ficou a cara do álbum – ao mesmo tempo que tem as cores, tem a força, tem uma acidez e uma doçura. Estou bem feliz com esse resultado. A imagem é algo que eu trabalho bastante, tenho capricho com isso. Como eu me considero artista, não teria graça fazer só música, tenho que ser uma arte ambulante [risos].

Alguma possibilidade de apresentar essa identidade visual e o álbum receber vários clipes?

Tenho desejo e pretensão de lançar clipe para todas as faixas sim!

Como parte de uma minoria e sendo uma mulher de voz ativa, que se posiciona, que fala sobre diversidade, o que espera para o Brasil em 2019? Como é lançar um álbum nesse momento?

Sou uma pessoa muito positiva e muito intensa. Quando eu percebo que rola uma situação de desgaste, decepção, eu procuro me nutrir de forças e ser força para as pessoas. Já que eu sou essa pessoa-arte, eu preciso me conectar com o divino pra ser válvula de escape para as pessoas. Esse disco vem numa hora necessária de falarmos sobre outras coisas, mesmo sendo impossível, mas é bom ter equilíbrio. É momento de força, de reconhecimento de ambas as partes. É hora de cobrança, de ficar atento e não temer. O medo atrai o desnecessário. Temos que pegar energia e tratar como estratégia de força e não com medo. O poder está na nossa mão, na mão da arte, do público. O povo mostra a necessidade dele, diz o que precisa. Eu só quero ser força e alívio pra galera. Eu gosto de fazer o papel de luz na vida das pessoas.

Li uma entrevista em que você diz que não quer ser chamada de empoderada, mas sim de poderosa. Como diferencia?

Sim! Uma pessoa empoderada recebeu o poder. Eu já nasci poderosa, já nasci em 1º de janeiro [risos]. A minha música é empoderada, eu dou poder à minha arte. Quem me ensinou isso foi a Glória Maria. Achei isso incrível e passo adiante. O significado das palavras se perde às vezes, é importante saber o que realmente significam. Quando você chama alguém de empoderada, tira o poder dela.

No disco, você também diz que escreve pra cicatrizar feridas. Como é essa questão da representatividade pra você? De ocupar esse espaço e dar voz a tantos outros? Recebe muita mensagem de fã?

A minha mãe estava aqui em casa esses dias contando aos meus amigos que desde pequena eu sou muito dada, simpática, de querer abraçar todo mundo. Com o tempo, depois da fama, tive que dosar isso e foi muito triste pra mim, tive que saber a hora das coisas. Fico feliz de colaborar com as pessoas, abrir a mente delas. Estou sempre rodeada de fãs maravilhosos que me falam o que não foi legal, o que eu fiz que eles não gostaram, seja um look ou uma atitude. São pessoas queridas, que gostam de mim. Não chamo de crítica, chamo de observação. Como eu gosto muito de trabalhar em equipe, gosto de ouvir as pessoas, avalio as opiniões. Eu tenho uma conexão legal com meus fãs, somos amigos.

Você recentemente participou da iniciativa do Spotify “Escuta as Minas”, com outras artistas mulheres. Como foi fazer parte desse time? Pensa em fazer parcerias com alguma mulher em breve?

Foi incrível, a mulherada não parava de falar e dar risada, uma elogiando a outra, foi uma loucura. É um privilégio participar de um projeto desse, tão grande e inspirador. Outras meninas que cantam, fazem arte, se sentem motivadas a continuar. Quando temos referência, nos sentimos mais fortes. Sou muita grata por ter feito parte. E penso muito em fazer parceria com várias mulheres. Pitty, Elza Soares, Rihanna! Eu imagino e passo até mal [risos].