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Thalles Cabral fala sobre os desafios de interpretar Yoñlu

Filme que conta a história do jovem músico brasileiro que se suicidou aos 16 anos chega aos cinemas nesta quinta (30)

por Rebecca Silva em 30/08/2018

O segundo semestre de 2018 está sendo especial para Thalles Cabral. O cantor e ator ficou conhecido nacionalmente após interpretar Jonathan, o filho de Félix [Mateus Solano] na novela Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, exibida na Globo entre 2013 e 2014.

O grande público pode não saber, já que ele costuma figurar no circuito mais independente, longe dos holofotes do mainstream, mas Thalles lançou um disco no ano passado, Utopia, e o single mais recente, “Just When We Were High”, ganhou clipe com a vibe de curta-metragem e a participação da atriz e influencer Giovanna Grigio.

Além de se dedicar à carreira musical, com faixas folk em inglês, Thalles segue a carreira de ator e está em cartaz com a peça Vincent River, em São Paulo. Em sua estreia na tela grande, vive o protagonista do longa Yoñlu, que estreia nesta quinta-feira (30/08) nos cinemas.

Yoñlu conta a história de Vinicius Gageiro Marques, garoto gaúcho prodígio que, além de cantar e tocar instrumentos, desenhava e compunha suas próprias músicas. Vinicius foi o primeiro brasileiro a cometer suicídio assistido, quando pediu ajuda em um fórum da internet sobre como terminar a própria vida aos 16 anos.

Billboard Brasil conversou com Thalles Cabral sobre a experiência de viver um personagem tão intenso, seu primeiro trabalho no cinema e, é claro, a carreira musical:

É impossível não traçar alguns paralelos entre a sua carreira e a de Yoñlu, seja por atuarem em várias vertentes artísticas, por cantarem em inglês ou pela característica mais poética do trabalho. Você já conhecia a história dele antes de entrar para o elenco? Como foi esse processo?

Eu conheci a história em 2012, quando estava na faculdade de cinema. Tive contato primeiro com o trabalho musical, pelo YouTube. Naturalmente, fiquei sabendo da história dele. Difícil não associar uma coisa à outra, a vida pessoal está associada ao trabalho. Fiquei bastante surpreso ao saber que ele era brasileiro e que tinha 16 anos quando compôs. Pra mim, o trabalho dele foi para um outro nível. Anos depois, fiquei sabendo que fariam o filme e tenho um amigo que é roteirista e diretor, ele sabia que eu conhecia a história, que era músico e ator e ele conhecia o diretor do filme, Hique Montanari, e nos apresentou. Eu e Hique começamos a trocar e-mails e tudo levou ao teste físico em Porto Alegre. Tive que decorar partes do roteiro, algumas falas em inglês e tive que tocar umas músicas dele.

É algo diferente do que estão acostumados no cinema nacional. Fez sentido quando li o roteiro pela primeira vez. Caiu como uma luva. Não tinha outra forma [de contar a história de Yoñlu] porque ele era sensível e poético. Tem os desenhos dele. É como se entrasse na mente de Yoñlu. Isso é muito bonito.

Como funcionou a parte musical do filme? Você disse que aprendeu as músicas, mas as originais também fazem parte da trilha, né?

Quando a gente estava conversando na pré-produção, o Hique disse que queria que eu aprendesse umas dez músicas. Eu já tocava violão, mas fiz aula para tocar o mais parecido possível. No roteiro, já tinha algumas músicas direcionadas, mas durante o processo, o diretor ia mudando, então eu não tinha muita certeza do que iria para a tela. Eu usava fones de ouvido no set, escutava a original e cantava no mesmo ritmo, com metrônomo, para abrir essa possibilidade de fazer essa mistura na edição. Tem cena que eu começo cantando, a voz do Yoñlu entra, outras vezes eu estou só dublando. Não é claro nem para mim quem canta em algumas partes [risos].

É a sua estreia no cinema. Como foi a experiência?

Fiz faculdade de cinema, mas nas aulas a gente aprende sobre os bastidores. Acabei trancando a faculdade por conta da novela [Thalles viveu Jonathan, filho do personagem Félix, em Amor à Vida], não consegui conciliar. Para mim, foi uma alegria. Eu lembro que fiquei muito feliz porque acho um projeto muito interessante, é um protagonista, um personagem complexo no qual eu pude reunir muitas outras funções que gosto, já que tinha que tocar, cantar. Nunca tinha interpretado um personagem que também era músico. Fora os planos sequência, que são um desafio.

No primeiro dia, filmamos a sequência que abre o filme, mostrando o quarto do Vinicius, até eu entrar em quadro, tocando e depois continuar até mostrar o terapeuta conversando com a jornalista. Repetimos o take mais de 17 vezes, dependia de uma série de coisas. Isso me lembrou muito teatro porque, quando começa, não para. Foi uma experiência muito legal e, por ser uma história real, nunca entrei naquele set sem pensar que aquilo aconteceu de fato. Foi uma experiência intensa e cresci muito como artista e como pessoa.

O filme começou a ser rodado em 2016. Está sendo lançado dois anos depois. Após ter vivido essa experiência, como você via o Vinicius e como o vê agora? Mudou sua perspectiva?

Eu acho que sim, mas não muito. Quando tive contato com a história pela primeira vez, já me identifiquei com a personalidade dele, as coisas que ele pensava eram muito pertinentes, ele tinha olhar crítico. Eu já percebia isso lá atrás. Depois do filme, por causa dessaimersão na obra dele, que é curta, mas potente para alguém tão jovem, eu acho que o processo foi ao contrário. Foi de dentro para fora. A gente entende as motivações internas e artísticas, depois entende o quadro externo e o que aconteceu. Não que justifique, mas ele tinha questões artísticas muito maduras. Cheguei a ler textos, material que nunca foi publicado, e ele tinha um olhar e uma inteligência que muitos adultos não têm. É como o terapeuta diz: ele era uma caixa de ressonância do mundo. Lembro que saí do filme com um outro olhar, não só sobre ele, mas em relação ao mundo, entendendo mais os outros, tendo mais respeito e empatia pelo outro. Às vezes vivemos com pessoas e não fazemos ideia do que elas estão passando.

O Vinicius sentia o mundo e o interpretava de uma forma muito intensa, muito particular. Muitos acreditam que os artistas precisam dessa sensibilidade e, muitas vezes, de estar para baixo, deprimidos, para criar. Como é o processo pra você?

A inspiração é uma coisa muito louca. Tem algumas coisas que você pode acionar para despertar algumas sensações, mas é muito subjetivo. Às vezes fico meses sem escrever nada e, outras, faço várias músicas em uma semana. Não dá para controlar. Não sei qual a relação disso, nunca tentei entender. Comigo é um pouco assim, como se não lembrasse de composição quando estou feliz, alegre. É como se aproveitasse para viver o momento. A melancolia ou a "tristeza" faz com que a gente queira um momento de pausa para pensar sobre o que aconteceu e durante esse momento de recapitulação é como se viesse a arte como forma de extravasar aquilo. Uma reflexão.

Ao mesmo tempo que atua, você trabalha na sua carreira musical. Fale um pouco sobre o single "Just When We Were High".

Este é meu terceiro single, do álbum que lancei ano passado, Utopia. Tenho esse projeto de lançar um clipe para cada faixa e cada vídeo é parte de uma história maior. Depois de lançar todos, a ideia é colocar em uma ordem, estamos montando um quebra-cabeças. Os fãs vão criando teorias, tentam encontrar mensagens subliminares. Isso tem um cuidado na hora da produção para estabelecer sinais que aparecem com frequência porque será uma narrativa maior no final. Este clipe é bastante fiel à letra e fala sobre a minha geração, os conflitos e anseios. Mas essa música é bastante focada na questão de relacionamentos, liberdade, rebeldia cada vez mais presente.

Como se deu a escolha de cantar em inglês? Você acha que isso acaba afastando-o de um público maior, apesar de o brasileiro consumir muito conteúdo internacional?

Eu lembro que quando lancei um EP em 2013, ele era todo em inglês e tinha sempre essa pergunta. E vou dizer que, pra mim, foi um processo muito natural, nunca teve a pretensão de ser alguma coisa, de querer carreira internacional. Foi natural para mim, a primeira música que escrevi era em inglês e, quando me dei conta, tinha 20, 30, 40 músicas em inglês. Até hoje eu tenho uma única música que é metade em português e inglês, não fui capaz de escrever a faixa inteira em português [risos]. Não é que eu não valorize a cena musical nacional, ouço muito Cícero, Rubel, Silva, Caetano Veloso, Elza Soares, Mallu Magalhães. Tenho muita referência e acho muito difícil escrever em português. Acho também que tem a ver com os temas e a estética do meu trabalho. Quando escrevo, tenho a questão visual, dirijo e produzo os clipes e sei exatamente o que eu quero. Se eu fosse fazer em português, seria cafona, não conseguiria elaborar de forma interessante.

Não consigo entender o argumento de não ter público, acho que tem que conseguir chegar nesse público. O que sinto, às vezes, é que nem todo mundo entende inglês, muita gente consome sem entender do que a letra fala. Nesse sentido, às vezes eu sinto distância. Teve um canal no YouTube que pegou uma música minha e fez a tradução, o vídeo foi para 500 mil visualizações. Tinha comentários falando que a música é linda, que não acreditavam que era de um brasileiro. Foi com a tradução que se identificaram e me procuraram. Foi muito bonito. Quando encontram a tradução, a música ganha um outro nível de identificação e importância. No início deste ano, disponibilizamos as traduções no canal. Eu quis fazer minhas próprias traduções, porque muitas vezes ao pé da letra não faz sentido, então quis colocar o que eu pensei quando eu estava compondo.

Como surgiu a ideia para o clipe?

A parte toda de produção foi muito divertida porque tinha muitos amigos ao meu lado. O resultado ficou como a gente esperava. A repercussão está sendo uma surpresa, estou recebendo mensagens de pessoas que se identificam, que dizem que se veem no clipe. É muito massa poder abordar uma parte dessa geração.

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Thalles Cabral fala sobre os desafios de interpretar Yoñlu

Filme que conta a história do jovem músico brasileiro que se suicidou aos 16 anos chega aos cinemas nesta quinta (30)

por Rebecca Silva em 30/08/2018

O segundo semestre de 2018 está sendo especial para Thalles Cabral. O cantor e ator ficou conhecido nacionalmente após interpretar Jonathan, o filho de Félix [Mateus Solano] na novela Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, exibida na Globo entre 2013 e 2014.

O grande público pode não saber, já que ele costuma figurar no circuito mais independente, longe dos holofotes do mainstream, mas Thalles lançou um disco no ano passado, Utopia, e o single mais recente, “Just When We Were High”, ganhou clipe com a vibe de curta-metragem e a participação da atriz e influencer Giovanna Grigio.

Além de se dedicar à carreira musical, com faixas folk em inglês, Thalles segue a carreira de ator e está em cartaz com a peça Vincent River, em São Paulo. Em sua estreia na tela grande, vive o protagonista do longa Yoñlu, que estreia nesta quinta-feira (30/08) nos cinemas.

Yoñlu conta a história de Vinicius Gageiro Marques, garoto gaúcho prodígio que, além de cantar e tocar instrumentos, desenhava e compunha suas próprias músicas. Vinicius foi o primeiro brasileiro a cometer suicídio assistido, quando pediu ajuda em um fórum da internet sobre como terminar a própria vida aos 16 anos.

Billboard Brasil conversou com Thalles Cabral sobre a experiência de viver um personagem tão intenso, seu primeiro trabalho no cinema e, é claro, a carreira musical:

É impossível não traçar alguns paralelos entre a sua carreira e a de Yoñlu, seja por atuarem em várias vertentes artísticas, por cantarem em inglês ou pela característica mais poética do trabalho. Você já conhecia a história dele antes de entrar para o elenco? Como foi esse processo?

Eu conheci a história em 2012, quando estava na faculdade de cinema. Tive contato primeiro com o trabalho musical, pelo YouTube. Naturalmente, fiquei sabendo da história dele. Difícil não associar uma coisa à outra, a vida pessoal está associada ao trabalho. Fiquei bastante surpreso ao saber que ele era brasileiro e que tinha 16 anos quando compôs. Pra mim, o trabalho dele foi para um outro nível. Anos depois, fiquei sabendo que fariam o filme e tenho um amigo que é roteirista e diretor, ele sabia que eu conhecia a história, que era músico e ator e ele conhecia o diretor do filme, Hique Montanari, e nos apresentou. Eu e Hique começamos a trocar e-mails e tudo levou ao teste físico em Porto Alegre. Tive que decorar partes do roteiro, algumas falas em inglês e tive que tocar umas músicas dele.

É algo diferente do que estão acostumados no cinema nacional. Fez sentido quando li o roteiro pela primeira vez. Caiu como uma luva. Não tinha outra forma [de contar a história de Yoñlu] porque ele era sensível e poético. Tem os desenhos dele. É como se entrasse na mente de Yoñlu. Isso é muito bonito.

Como funcionou a parte musical do filme? Você disse que aprendeu as músicas, mas as originais também fazem parte da trilha, né?

Quando a gente estava conversando na pré-produção, o Hique disse que queria que eu aprendesse umas dez músicas. Eu já tocava violão, mas fiz aula para tocar o mais parecido possível. No roteiro, já tinha algumas músicas direcionadas, mas durante o processo, o diretor ia mudando, então eu não tinha muita certeza do que iria para a tela. Eu usava fones de ouvido no set, escutava a original e cantava no mesmo ritmo, com metrônomo, para abrir essa possibilidade de fazer essa mistura na edição. Tem cena que eu começo cantando, a voz do Yoñlu entra, outras vezes eu estou só dublando. Não é claro nem para mim quem canta em algumas partes [risos].

É a sua estreia no cinema. Como foi a experiência?

Fiz faculdade de cinema, mas nas aulas a gente aprende sobre os bastidores. Acabei trancando a faculdade por conta da novela [Thalles viveu Jonathan, filho do personagem Félix, em Amor à Vida], não consegui conciliar. Para mim, foi uma alegria. Eu lembro que fiquei muito feliz porque acho um projeto muito interessante, é um protagonista, um personagem complexo no qual eu pude reunir muitas outras funções que gosto, já que tinha que tocar, cantar. Nunca tinha interpretado um personagem que também era músico. Fora os planos sequência, que são um desafio.

No primeiro dia, filmamos a sequência que abre o filme, mostrando o quarto do Vinicius, até eu entrar em quadro, tocando e depois continuar até mostrar o terapeuta conversando com a jornalista. Repetimos o take mais de 17 vezes, dependia de uma série de coisas. Isso me lembrou muito teatro porque, quando começa, não para. Foi uma experiência muito legal e, por ser uma história real, nunca entrei naquele set sem pensar que aquilo aconteceu de fato. Foi uma experiência intensa e cresci muito como artista e como pessoa.

O filme começou a ser rodado em 2016. Está sendo lançado dois anos depois. Após ter vivido essa experiência, como você via o Vinicius e como o vê agora? Mudou sua perspectiva?

Eu acho que sim, mas não muito. Quando tive contato com a história pela primeira vez, já me identifiquei com a personalidade dele, as coisas que ele pensava eram muito pertinentes, ele tinha olhar crítico. Eu já percebia isso lá atrás. Depois do filme, por causa dessaimersão na obra dele, que é curta, mas potente para alguém tão jovem, eu acho que o processo foi ao contrário. Foi de dentro para fora. A gente entende as motivações internas e artísticas, depois entende o quadro externo e o que aconteceu. Não que justifique, mas ele tinha questões artísticas muito maduras. Cheguei a ler textos, material que nunca foi publicado, e ele tinha um olhar e uma inteligência que muitos adultos não têm. É como o terapeuta diz: ele era uma caixa de ressonância do mundo. Lembro que saí do filme com um outro olhar, não só sobre ele, mas em relação ao mundo, entendendo mais os outros, tendo mais respeito e empatia pelo outro. Às vezes vivemos com pessoas e não fazemos ideia do que elas estão passando.

O Vinicius sentia o mundo e o interpretava de uma forma muito intensa, muito particular. Muitos acreditam que os artistas precisam dessa sensibilidade e, muitas vezes, de estar para baixo, deprimidos, para criar. Como é o processo pra você?

A inspiração é uma coisa muito louca. Tem algumas coisas que você pode acionar para despertar algumas sensações, mas é muito subjetivo. Às vezes fico meses sem escrever nada e, outras, faço várias músicas em uma semana. Não dá para controlar. Não sei qual a relação disso, nunca tentei entender. Comigo é um pouco assim, como se não lembrasse de composição quando estou feliz, alegre. É como se aproveitasse para viver o momento. A melancolia ou a "tristeza" faz com que a gente queira um momento de pausa para pensar sobre o que aconteceu e durante esse momento de recapitulação é como se viesse a arte como forma de extravasar aquilo. Uma reflexão.

Ao mesmo tempo que atua, você trabalha na sua carreira musical. Fale um pouco sobre o single "Just When We Were High".

Este é meu terceiro single, do álbum que lancei ano passado, Utopia. Tenho esse projeto de lançar um clipe para cada faixa e cada vídeo é parte de uma história maior. Depois de lançar todos, a ideia é colocar em uma ordem, estamos montando um quebra-cabeças. Os fãs vão criando teorias, tentam encontrar mensagens subliminares. Isso tem um cuidado na hora da produção para estabelecer sinais que aparecem com frequência porque será uma narrativa maior no final. Este clipe é bastante fiel à letra e fala sobre a minha geração, os conflitos e anseios. Mas essa música é bastante focada na questão de relacionamentos, liberdade, rebeldia cada vez mais presente.

Como se deu a escolha de cantar em inglês? Você acha que isso acaba afastando-o de um público maior, apesar de o brasileiro consumir muito conteúdo internacional?

Eu lembro que quando lancei um EP em 2013, ele era todo em inglês e tinha sempre essa pergunta. E vou dizer que, pra mim, foi um processo muito natural, nunca teve a pretensão de ser alguma coisa, de querer carreira internacional. Foi natural para mim, a primeira música que escrevi era em inglês e, quando me dei conta, tinha 20, 30, 40 músicas em inglês. Até hoje eu tenho uma única música que é metade em português e inglês, não fui capaz de escrever a faixa inteira em português [risos]. Não é que eu não valorize a cena musical nacional, ouço muito Cícero, Rubel, Silva, Caetano Veloso, Elza Soares, Mallu Magalhães. Tenho muita referência e acho muito difícil escrever em português. Acho também que tem a ver com os temas e a estética do meu trabalho. Quando escrevo, tenho a questão visual, dirijo e produzo os clipes e sei exatamente o que eu quero. Se eu fosse fazer em português, seria cafona, não conseguiria elaborar de forma interessante.

Não consigo entender o argumento de não ter público, acho que tem que conseguir chegar nesse público. O que sinto, às vezes, é que nem todo mundo entende inglês, muita gente consome sem entender do que a letra fala. Nesse sentido, às vezes eu sinto distância. Teve um canal no YouTube que pegou uma música minha e fez a tradução, o vídeo foi para 500 mil visualizações. Tinha comentários falando que a música é linda, que não acreditavam que era de um brasileiro. Foi com a tradução que se identificaram e me procuraram. Foi muito bonito. Quando encontram a tradução, a música ganha um outro nível de identificação e importância. No início deste ano, disponibilizamos as traduções no canal. Eu quis fazer minhas próprias traduções, porque muitas vezes ao pé da letra não faz sentido, então quis colocar o que eu pensei quando eu estava compondo.

Como surgiu a ideia para o clipe?

A parte toda de produção foi muito divertida porque tinha muitos amigos ao meu lado. O resultado ficou como a gente esperava. A repercussão está sendo uma surpresa, estou recebendo mensagens de pessoas que se identificam, que dizem que se veem no clipe. É muito massa poder abordar uma parte dessa geração.